KILLER
4 IV
Chegamos em uma ilha, não é tão longe do Texas , eu cheguei a passar por essa ilha uma vez com meu pai a passeio mas nunca entrei, e nem imaginaria em uma situação dessa. Four ancora o barco perto da praia ao lado de um mini iate , vejo uma linda casa de longe, uma casa luxuosa toda de madeira e vidro, e uma casinha simples de tijolos ao lado. Vou em direção a casa simples, sei que vão me prender lá e vou esperar minha morte , mas sou surpreendida ao ver Albert sair da casa bonita e vir em minha direção;
— Olha só a mimadinha , que mudança hein? – sorri debochando de mim
Se eu não estivesse com as mãos amarradas pra trás eu tentaria enforca-lo
— Cala boca seu bastardo, filho da puta – cuspo nele e recebo um tapa forte no rosto
— Eu vou cuidar de você direitinho , você vai me tratar tão bem que vai até implorar pra beijar meu pau – sussurra em meu ouvido e me afasto dele
— Eu prefiro ser mutilada viva , prefiro ser torturada , prefiro que tirem todo meu sangue, eu prefiro morrer do que ficar perto de você , Albert. – digo com nojo e ele fica quieto e abaixa a cabeça – eu sempre tive nojo de você , você é um porco imundo , covarde.
— Leva ela – grita – peguem a arma de choque , eu sei o que vou fazer antes de voltar pra Chicago.
Four e outro cara me empurram para a casinha pequena , pelo menos é tudo bem limpo , há um banheiro e uma cama .mas também correntes. Vou ser acorrentada de novo , não aguento mais ser tratada assim.
Me sento na cama e espero virem e me prenderem , mas All e Four ficam a minha frente , eles fecharam tudo , a luz do dia se foi aqui dentro e acho que minha vida também.
— Prenda ela Four , minha irmãzinha precisa aprender os bons modos – All abre um sorriso malicioso e Four se aproxima protestante.
— Não , Four, não – me debato contra ele – por favor , você pode fazer o que quiser comigo , só não me deixa aqui com ele!
— Sinto muito patricinha , mas não vou fazer sua vontade – resmunga prendendo meus braços a cima da cabeça.
Me contorço e me encolho o máximo que posso , Albert se aproxima e Four fica atrás dele assistindo tudo com o rosto sério.
Vejo um bastão preto na mão dele e um botão azul e quando ele aperta a ponta do bastão acende – é uma arma de choque? Como a minha que eu tinha no carro , papai sempre me dizia para usa-la . Porque eu não usei contra ele no dia do sequestro? Porque eu não fiz isso?-. Minhas bochechas ardem , as lágrimas escorrem , fecho meus olhos com força. Albert rasga minha camisa deixando meus seios a mostra, estou sendo humilhada , estou me sentindo um lixo , mas não posso demonstrar fraqueza , não pra ele. Ergo meus olhos para Four e o encaro , ele cerra o cenho, parece nervoso , suas mãos atrás das costas e corpo todo rígido porém seus olhos não revelam nada , azuis como duas pedras de safira e profundos como oceano. Albert tapa minha visão com seu rosto repulsivo, tudo nele é desprezível, eu odeio tanto ele, eu odeio todos eles.
— Não sabia o quanto seus peitos eram tão bonitinhos – ele ergue sua mão pra me tocar , mas eu recuo não vou deixar tocar em mim .
— Cala a boca – assim que falo sinto uma onda de choque em meu bíceps , o grito queima meus pulmões e a dor consome todo meu corpo , cada parte dele . O bastão pela lateral do meu corpo e mais uma onda de choque em meu quadril , tento me esquivar ou contorcer , mas não tenho força a dor aumenta a cada ponto do meu corpo uma onda impiedosa de eletricidade . Meus gritos perdem a força .
— Já chega Albert – ouço uma voz distante
— Ainda não acabei – grita e ergue o bastão em direção ao meu rosto
— Eu disse, já chega! – alguém atrás de Al bate com força em sua nuca, fazendo-o desmaiar aos meus pés
— Você esta bem? – a voz fica mais distante , não consigo enxergar nada .
Merda .
.***
Respiro com um pouco de dificuldade , ao abrir meus olhos observo em volta e ainda estou no quarto onde tudo aconteceu mas não presa. Um barulho de água corrente me assusta e vejo Four sair do banheiro, tento me encolher porém meu corpo não se move.
— Por favor — minha voz é quase um sussurro – eu não aguento mais .
— Vem , não vou fazer nada com você patricinha — ele me segura em seu colo e me carrega até o banheiro. Seu cheiro é diferente mais agradável e fresco.
Meus pés tocam o chão frio e estremeço , me apoio no box de vidro e com cuidado ele me despe. Eu vou morrer mesmo, não me importo com um estranho tirando minha roupa, e com o meu estado homem nenhum sentiria desejo.
O jato de água quente me relaxa , sinto as mãos ásperas em minhas costas mas não ligo , me apoio nele o tempo todo ;
— Você bateu no verme do Albert ? – pergunto com a voz enfraquecida
Four suspira e me gira em direção a ele , erguendo sua mão até meu rosto e acaricia levemente minha bochecha. Me assusto com o toque – porque esta fazendo isso?— Sua expressão é estranha e indecifrável não consigo parar de encara-lo, seus olhos estão me puxando pra sua escuridão profunda. Sinto uma dor dilacerante quando sua mão desce até minha nuca e ele a segura com força e puxa algo do meu quadril me fazendo gritar.
— Calma. É só um curativo , não vou machucar você já esta fodida o bastante — diz nervoso
Olho a gaze e umas fitas adesivas cinza no chão, não consigo me mexer para ver meu machucado , as dores irradiam por varias partes do meu corpo e sinto vontade de vomitar. Four segura minha cintura para que eu não caia de cara no chão e o liquido vermelho e escuro sai da minha boca . Sangue.
— Merda, aquele garoto passou dos limites — resmunga e me puxa para de baixo do chuveiro — respire patricinha , respire .
Entro em desespero , estou vomitando sangue! Algum órgão meu deve ter parado com o choque , ou com a falta de água ou comida. Estou morrendo aos poucos. Saio carregada do banheiro , ele me deixa na cama completamente nua e joga uma coberta grossa em cima de mim. A medida que meu queixo treme , meus dentes se chocam fazendo ruído alto, os olhos dele estão arregalados , agora vivos . Posso ver que esta desesperado e com medo. Ele caminha pra fora e vai em direção a casa grande e demora um pouco. – Eu tenho que viver, por favor , Deus , eu tenho que viver — repito a oração em minha mente várias vezes , — vamos Tris , respire , você consegue .- A voz de Tobias é distante , mesmo não sabendo mais sobre ele eu o sinto tão perto , ele entra em minha mente sem aviso prévio, como sempre sentado no parapeito da minha consciência como se fosse a janela do meu quarto.— Eu o amava , e se tivesse a oportunidade de revê-lo , ver minha madrinha, minha mãe eu diria com todas as forças o quanto eu amava e amo todos eles.
A picada de algo familiar em minha nuca me assusta – Graças a Deus estou viva! — . Sinto algo quente e úmido em minha testa;
— Respira, respira – a voz de Four é calma e doce , não parece o homem assustador do dia anterior , mas mesmo assim meu ódio só aumenta.
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