KILLER
3 III
Notas iniciais
Não faço ideia de quanto tempo estou aqui, meu estômago esta me comendo viva de tanta fome. Depois de eu ter machucado o covarde que jogou uma garrafa de wiski em minha cabeça , ele me deixou aqui cheirando a álcool e ainda suja , ainda limpei o que restava do meu cabelo da nuca, — como ele pode fazer isso? Além de me maltratar e me bater , ainda corta meu cabelo me deixando horrível por fora e por dentro. Caminho de um lado pro outro com a mão no galo em minha cabeça — Se tivesse alguma forma de me livrar daqui , quebrar essas janelas pequenas e sair— . Procuro algo com ponta , mas só há uma cama um criado mudo e o guarda roupa , mas esta fechado com cadeados enferrujados. – Eles pensaram em tudo— . Respiro fundo , tentando achar algo que eu possa usar , encaro de novo o criado mudo mas não tenho forças pra segura-lo. Me agacho a frente do velho móvel e abro a pequena porta — talvez eu possa tirar os parafusos e bater com a porta na janela , se eu não conseguir sair , pelo menos vai chamar atenção daquele verme-.
Consigo tirar os parafusos e vou pra cima da cama tentando alcançar a janela. Tento jogar o objeto algumas vezes contra a janela mas sem sucesso – vamos lá! Você é forte Tris— imagino a voz de Tobias em minha mente e tiro forças de algum lugar dentro de mim e acerto em cheio. Os cacos protestam no chão e ouço algo bater forte acima do teto de madeira e corro pro canto do quarto quando a porta se abre.
— Sua vadia mimada o que você fez? – exclama a voz grave e sombria
Recuo como uma presa indefesa me encolhendo escorregando da parede até o chão.
— Eu estou com fome — choramingo – por favor , estou fraca , estou sem comer a dias.
Ouço um longo suspiro e ele se aproxima me puxando pelo cabelo , que agora esta tão curto que o puxão parece arrancar meu cérebro.
Me puxando pelo corredor, olho para o banheiro que agora esta impecável, parece que nada aconteceu . Subimos a escadinhas ao passar pela sala onde fui atingida e sinto o calor em meu corpo , o sol esta me dando boas vindas , meu corpo absorve todo o calor mas o covarde me puxa para um canto com sobra.
— Olha o que você fez. – aponta pro meu pulso – quis chamar a atenção vadia mimada , olha ai o que aconteceu.
O sangue desce do pulso até a ponta dos meus dedos, mas estou tão acostumada com a dor que nem o sinto. Ele me leva até a beira do barco e afunda meu pulso no mar , a água queima minha pele e meu ferimento , e sem dó sou empurrada contra o mar .
Meu corpo afunda e eu sinto a mão forte dele segurar meu braço , — o que diabos ele esta fazendo?— tento submergir mas ele me afunda de novo. Vou morrer afogada? É isso? Que tosco , depois de tudo que eu passei? . Sou puxada pro barco de novo , ofegante e com o corpo todo tremendo , o vestido não esta como antes agora parece um pano de chão.
— Gostou do mergulho? – zomba ele e me empurra em direção a cozinha improvisada
— Seu covarde — resmungo ainda ofegante — Porque fez isso? Queria me matar afogada ? Isso é patético.
— Não, queria tirar esse cheiro de coisa morta, mas pelo jeito só creolina resolve. – o sorriso dele aumenta . O nojento mudou de roupa, agora veste uma bermuda jeans e uma camisa preta regata, e esta com o seu boné idiota pra trás.
Eu odeio tanto esse homem, queria tanto poder mata-lo e jogar os pedaços dele no mar para pelo menos alimentar os peixes.
— A única coisa morta depois que isso tudo acabar, vai ser você – retruco e ele gargalha . É assustador.
— Bom , você é que esta em desvantagem aqui . – diz pegando uma vasilha de alumínio tirando sal dela e passando seus dedos sujos no peixe suculento que esta na grelha
Meu estômago revira, se ele me desse um pedaço , só um pedacinho eu não ligaria pros dedos imundos dele. Ele pega a vasilha e a limpa colocando várias minhocas pretas dentro , pega uma vara de pesca ao lado e prende uma minhoca no anzol e joga no mar.
— Só pela sua resposta , eu vou prender você perto da comida , e você só irá comer quando eu quiser – ele se levanta e saca um par de algemas do seu bolso, me prende em sua cadeira me deixando entre as minhocas, o peixe na grelha e um saco de amendoim.
Fico em silêncio , e o observo comer calmamente olhando para o mar.
Crunch .. Crunch ... crunch .. – o barulho é irritante depois de um tempo . O sol escaldante e a brisa batendo em mim me deixa com náusea, eu realmente preciso de um banho , ainda estou com um cheiro de lixo , bebida e de água do mar.
Crunch .. Crunch.. Crunch.. – Merda.
Solto um longo suspiro e ele começa a assoviar repetidas vezes . Isso só pode ser pra me irritar e ai vou ficar sem comida.
— Acho que vou comer um pouco — olha pra mim com um sorriso sínico — Você vai querer?
Encaro os olhos azuis profundos dele com tanto ódio que seu sorriso idiota se desfaz. Aceno com a cabeça e ele se levanta e me solta. Pegando a vasilha ainda com algumas minhocas , ele coloca um punhado de arroz com a mão suja dentro da mesma e um pedaço do peixe e joga em minha direção;
— Coma. – ri – e eu não quero ver uma sobra porque se tiver você fica mais três dias sem comer.
Diz saindo e assoviando pra dentro do barco, corro até uma escadinha perto da água e descarto as minhocas nojentas e sujas , observo a porta e as janelas mas nenhum sinal dele. Volto pro lugar onde estava e começo a comer , e como tão rápido que quase não sinto o gosto da comida, fecho os olhos e sinto meu estômago agradecido. Ouço os passos dele logo atrás de mim e jogo a vasilha limpa de volta pra ele . Sua expressão muda , parece sentir nojo ;
— O que achou do cardápio? – me ergue pelo braço – aposto que as minhocas do esgoto irão lhe fazer bem.
Na mesma hora sinto tudo que eu comi querendo voltar , mas respiro fundo , tenho que digerir essa comida ou eu morro desnutrida. Me arrastando até o banheiro ele para a minha frente e me encara com um olhar severo;
— Se quebrar mais alguma coisa pra chamar a atenção , eu arranco cada dente da sua boca . Entendeu? – rosna
Ele quase tirou todo meu cabelo , arrancar os dentes não vai ser tarefa difícil.
— Tudo bem, já acabou ? preciso usar o banheiro. – resmungo e sinto um brusco empurrão e a porta do banheiro se fecha.
Vou em direção a pia e ligo a torneira desesperada , engulo a água gelada e deliciosa bebo o máximo que posso e vou para o chuveiro.
Depois de um banho longo , eu estou completamente limpa, sem odor , até meu cabelo esta com uma aparência um pouco melhor . Me olho no espelho e vejo minhas bochechas vermelhas e marcas do meu vestido nos ombros por causa do sol. Estou quase 20 quilos mais magra eu acho, me sinto assim , estou horrível. Ouço um barulho da porta e me afasto;
— Four – o radio chama – Four esta me ouvindo?
O nome dele, é um numero? — há tantas piadas que eu poderia fazer .. mas não quero passar fome de novo— .
— Peter – responde Four
— Quanto tempo pra chegar? — o radio falha
— Mais 1 dia , já esta feito, irei leva-la ao cativeiro e vou deixa-la com Eric.
— Eric não esta no Texas Four, você irá ficar com a putinha e vamos entrar em contato com o pai dela. Se ele não cooperar , iremos mata-la e levar os pedaços dela pra ele. Combinado?. -
Me afasto pra não escutar a resposta mas é tarde demais:
— Combinado Peter, vou adorar fazer isso — diz entediado
Escuto a porta destrancar e me afasto , aperto a toalha contra meu corpo e Four apenas me encara e vira de costas.
— Four – digo e sinto minha garganta fechar – esse é seu nome? Porque esta me levando pro Texas?
— Não lhe interessa. — diz nervoso e aponta uma arma em minha cabeça – Posso poupar todo mundo e já enviar seus pedaços pro seu pai , já que você ouviu patricinha enxerida . Agora vá para o quarto e vista-se , tem um kit de primeiros socorros lá pra você fazer essa merda desse pulso parar de sujar tudo.
Meu coração sobe até minha garganta, pulsando forte — Ele não pode me matar agora. Respiro fundo Tris, você pode fazer isso, enfrente-o— a voz da minha mãe esta em minha mente , eu só posso estar ficando louca tendo delírios e vozes em minha cabeça . Sem pensar caminho em direção a arma e pressiono minha cabeça contra mesma , deixando minha toalha cair. Seus olhos percorrem por todo meu corpo e param em minha tatuagem, ele não demonstra emoção alguma.
— Atira. Você vai me poupar de muitas coisas também – deixo uma lágrima escapar
Nos encaramos por alguns segundos e ele engatilha a arma , fecho meus olhos mas sou golpeada pela arma no rosto, o sangue escorre do meu nariz.
— Não vou atirar , não vou me sujar com seu sangue ruim. Agora faça o que eu mandei ou eu te deixo pegar uma infecção nessa porra de braço. — sai bufando do banheiro
Pego a toalha e a envolvo em meu corpo – como eu queria te matar Four , como eu queria que meu pai te torturasse, e matasse todos esses filhos da puta que estão com você. — vou pro quarto e vejo um kit de primeiros socorros e algumas roupas dobradas em cima da cama. Os vidros foram tirados , a cama esta arrumada e de lençóis trocados – ele pode ter toque, ou é muito organizado —.Visto uma cueca limpa mas fica tão larga que amarro em dois nós nos quadris, em seguida um short jeans velho e uma camisa regata cinza machada de graxa seca. Faço um curativo desajeitado no meu pulso e espero um tempinho e me deito. Fecho meus olhos e sinto todo cansaço de tudo, caindo em cima de mim.
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