4 Um passo mais próximo


Nunca foi fácil ser o menino mais pobre de South Park, mas venho juntando mesadas, trocado de bicos e é claro: recompensas por meu trabalho como... bem. Em breve teria dinheiro o suficiente para alugar um bom apartamento.

Como sou quase maior de idade seria bom sair desta casa o mais rápido possível. Não é o lugar mais confiável e seguro do mundo como a casa da maioria, e eu queria tirar Karen de perto dos meus pais. Eu não os odeio, mas eles são uma dupla de vagabundos, irresponsáveis, bêbados e drogados, afinal, quem não tem seus conflitos familiares.

Mesmo sendo domingo acordei relativamente cedo, arrumei meu quarto para passar o tempo e me arrumei. Queria ficar com Kyle, mas por hora precisava ser paciente. Fui à farmácia e no supermercado comprar algumas coisinhas (hohoho). E esperei o ruivo me ligar, ansioso.

Quando meu telefone tocou, peguei-o no mesmo segundo, era uma mensagem do meu ruivinho.

Você vem ou não? – KB

Eu não contive um sorriso enquanto imaginava o rostinho impaciente do meu ruivo.

Estou a caminho princesa J — KM

WTF!? Só não demore. –KB

Eu ri um pouco em silêncio e me dirigi à residência dos Broflovski. Estava nevando bastante, mais do que de costume, então eu me apressei. No caminho peguei uma flor de algum canteiro e fui despetalando-a pela rua, queria brincar com meu judeu. Eu mal podia acreditar que estava indo a sua casa para vê-lo, mas não como amigo como um... Namorado, ou algo assim.

Estava tão perdido em meus pensamentos que quase passei da casa, fui até a porta e toquei a campainha normalmente. Fui atendido por sua mãe, Sheila Broflovski, que estava com seu casaco como se estivesse de saída e pareceu um tanto surpresa em me ver.

“Oh, como vai Kenny?”

“Eu vou bem, e a senhora?” A mãe de Kyle sempre foi muito rígida e exigente, confesso que tenho um pouco de medo dela e por isso tento sempre demonstrar o máximo de respeito.

“Estou bem obrigada, entre querido, está muito frio. Gerald! Vamos logo antes que as rodas do carro congelem!” Ela gritou.

“Já vou, já vou! Ah, como vai Kenny, o Kyle está lá em cima.” Respondeu o Marido, dobrando seu jornal e colocando-o sobre a mesa enquanto terminava de tomar algo que devia ser café.

Eu o cumprimentei com a mão e o casal saiu. Subi as escadas e me dirigi ao quarto de Kyle. Ele estava sentado em seu computador estudando, ele é realmente dedicado em estudar, eu admiro muito isso nele. Aproveitei para me aproximar silenciosamente e coloquei minhas mãos lentamente sobre seus olhos.

“Advinha quem é?”

“Kenny!” Ele disse rindo surpreso e se virou para mim. Nos abraçamos por alguns segundos e antes que ele pudesse dizer qualquer coisa eu o beijei.

“Cuidado” Ele se levantou e fechou a porta do quarto. “Meu irmão está em casa.”

“Aonde seus pais foram?”

“Foram no supermercado. Não precisa se preocupar, eles não vão voltar cedo.” Ele deu uma risada flertiva.

Respondi com um sorriso maldoso.

“Ohh, então esse pequeno judeu tem segundas intenções?”

Ele se aproximou lentamente de mim, estava tão sexy me encurralando na parede com aquele seu olhar único. Ele sorria, enquanto brincava com seu dedo lentamente em meus lábios. Até que enfim colocou seus braços em volta do meu pescoço e pressionou seus lábios contra os meus.

“Talvez.”

Coloquei meus braços em volta de sua cintura e comecei a admira-lo novamente. Aqui em meus braços está o judeu pelo qual me apaixonei, e finalmente depois de alguns eventos pude me confessar e ser correspondido. Eu ainda não acreditava que o tinha em meus braços.

Ele me olhava com olhos confusos, talvez porque eu ficava muito tempo ali parado admirando sua beleza em meus braços. Mal sabia ele o quanto eu me segurava, me segurava para não viola-lo totalmente bem ali no chão, de todas as formas possíveis. Mas não seria somente sexo, seria especial e único, pois eu sentia mais do que atração física por esse judeu.

Voltei a beija-lo e saboreá-lo com minha língua, sua doce saliva se misturando a minha em um gesto amoroso, mordi seus lábios inferiores e desci para beijar sua nuca, deixando algumas marcas para que não fossem visíveis a todos, mas que fossem aparentes para quem se aproximasse com segundas intenções deste ruivo que agora era meu. Desabotoei sua camisa e comecei a descer os lábios para seus rosados e sensíveis mamilos, e Kyle soltou um pequeno gemido, fiquei tão feliz que ri inconscientemente.

“O que foi?” Perguntou Kyle um pouco constrangido percebendo meu ato.

“Desculpe, é que estou tão feliz que mal posso acreditar que estou aqui com você, e que você realmente aceitou sair comigo, como amantes.”

Eu não esperava, Kyle jogou seu corpo contra o meu e me deitou de barriga para cima em sua cama assim, estava em cima de mim, olhando-me do alto.

“Pois acredite, eu estou aqui.” Ele esfregou lentamente seu duro membro ainda dentro da calça, contra o meu notável volume e abriu meu zíper. Então me fitou com seus belos olhos verdes e mordeu seus lábios “Mas pretende ficar só me admirando, ou fazer algo que realmente me faça feliz, como um bom namorado?”

Essa última palavra em particular me fez voltar a vestir meu sorriso maldoso e coloquei meu corpo contra o dele novamente, invertendo nossas posições na cama. Acho que ele ficou um pouco surpreso com a ação.

“Vou fazer coisas com você que você nem imagina, e se sentirá tão bem que não conseguirá ficar um segundo sem mim.” sussurrei em seu ouvido.

“Então faça, faça-me ficar viciado em você como uma droga, faça-me seu completamente, só seu Kenneth.”

Eu já não conseguia mais me segurar, beijei apaixonadamente o ruivo que retribuiu com pequenos gemidos de prazer. Sentia meu peito disparar e a respiração pesar. Voltei a brincar com seus mamilos e a mordisca-los enquanto dava um jeito de me livrar de suas calças e cueca.

Peguei o lubrificante que acabara de comprar e passei na rosada entrada de Kyle que agora respirava mais rápido. Tirei uma camisinha do bolso e fui abri-la.

“Porque se preocupa tanto com isso? Não é como se eu pudesse engravidar ou algo assim.” Perguntou-me o ruivo.

“Sei lá, não imaginei que ia querer seu cu entupido de porra.”

“Talvez... Eu queira.”

Como ele consegue me olhar tão inocentemente quando diz coisas assim. Eu sempre achei que Kyle era um quieto e inocente aluno estudioso, mas porra. Meu deus eu vou enfartar aqui, esse ruivo é perigoso.

Quando achei que ele já estava preparado coloquei lubrificante em meu pênis e forcei minha entrada lentamente. Kyle soltou um doce gemido de prazer o primeiro de muitos enquanto eu o penetrava gentilmente.

“M-mais rápido...” pediu Kyle. “Mais forte!” Eu obedeci cada comando.

Kyle já não conseguia mais conter seus gemidos simplesmente mordendo seus lábios e cobriu a boca com as mãos. De repente ouvimos alguém bater na porta.

“Kyle, você está bem?” Ambos saltamos de susto.

“Ike! O que você quer?”

Eu entendo que o sensato nessas horas é parar o que estávamos fazendo, mas eu estava tão entretido que não perdi a oportunidade, quando vi Kyle empinando seu bumbum, voltei a penetra-lo ali naquela posição: de quatro.

Kyle soltou um gemido e logo cobriu a boca com as mãos, eu não podia ver seu rosto direito, mas sabia que devia estar totalmente corado de constrangimento.

“Oi Ike.” Respondi para atiçar as coisas, enquanto penetrava loucamente seu irmão mais velho.

“Kenny?” Perguntou confuso o pequeno canadense. “O que vocês estão fazendo?”

Eu estava chegando a meu clímax, Kyle segurava com toda sua força seus gemidos e acabei gozando dentro dele. Assim que terminei pude ouvir o satisfeito gemido do meu ruivo sujando todo o lençol com seu doce mel branco.

“Estou ajudando Kenny com a lição, Ike volte pro seu quarto quando terminar aqui, eu falo com você.” Disse com todo o fôlego que ainda lhe restava.

Houve um breve silencio e logo ouvimos a porta do quarto de Ike se fechar, Kyle soltou um suspiro e eu também, estávamos aliviados. Passou perto. Separamos nossos suados corpos e Kyle se virou imediatamente pra mim.

“Você é louco?” Kyle disse furioso e ainda ofegante.

“Louquíssimo, mas não me diga que não gostou. A sensação de quase ser pego no ato pelo seu inocente irmãozinho o deixou mais excitado do que eu.”

Kyle não respondeu, mas jogou seu travesseiro na minha cara enquanto resmungava e ia até o banheiro para se limpar. Eu estava ótimo e deitei-me satisfeito levemente ofegante. Senti algo macio sendo jogado na minha cabeça, era um rolo de papel higiênico.

“Limpe-se” Ordenou o ruivo e fechou a porta do banheiro, pude ouvir o chuveiro ligado e fiz o que me mandou: limpei-me e joguei as evidencias fora.

Alguns minutos depois Kyle saiu do banheiro usando somente uma cueca verde escura com listras horizontais em verde claro. Eu o observei desfilar pelo quarto atrás de suas roupas que havíamos jogado pelo cômodo em nossa voraz demonstração de afeto. Ele vestiu-se e sentou na cama onde eu estava deitado e suspirou.

“O que foi?” Perguntei um pouco preocupado.

“Não sei o que devemos fazer amanhã.”

“O que quer dizer?”

“Amanhã, durante a escola, digo... O que faremos em relação aos outros, o que devemos dizer, ou como nos portar.”

Rolei para mais perto do ruivo, que estava com seus cachos molhados e beijei sua cintura.

“Estamos juntos e não acho que devemos esconder.” Pude nota-lo um tanto inquieto. “Também não precisamos jogar na cara, se perguntarem, contaremos a verdade, se nos falarem mal não nos deixaremos ofender, pois temos um ao outro, depois não acho que o pessoal vá fazer algo do gênero. Só não acho.”

Muitos conhecem minha reputação de alguém que sabe bater, então deduzi que estaríamos seguros se temessem levar porrada.

“Além do que com as coisas que acontecem nessa cidade tenho certeza de que haverá assunto melhor para se preocuparem do que nós.” Reforcei.

Kyle soltou novamente um suspiro e forçou um sorriso. “Tem razão, achoq eu estou me preocupando demais.”

Levantei-me para beija-lo, mas não pude deixar de notar que ele ainda tinha esta preocupação em seu rosto. Talvez estivesse preocupado com Cartman pegando no seu pé, mas ele sempre soube dar um basta no gordinho, afinal ele pega no pé de todos. Qualquer coisa eu e Stan... STAN é isso. Eu lembro de que ele me contou que havia se declarado para o Stan, agora eu o entendo.

Ele se declarou e foi rejeitado há pouco tempo pelo seu melhor amigo e está com medo de aparecer na escola já com outro. Isso realmente pega mal, mas ficamos juntos porque gosto do Kyle há muito tempo. Se bem que eu me aproveitei do fato dele estar vulnerável... Resolvi não comentar nada com o judeu, ‘atravessaremos essa ponte quando chegarmos nela’.

“E quanto a sua família?” Perguntei ponderantemente.

O ruivo deu um salto que eu não esperava, e me olhou aterrorizado.

“Por favor, não conte nada nem para a sua! Meu pai não deve ter problemas com isso, mas minha mãe... ela nunca aceita nada que eu faça ou goste de fazer, por favor, Kenny, eu preciso de mais tempo antes de mencionar nosso relacionamento para minha família.”

Embora eu realmente queira que a família do Kyle me aceite, eu tive que concordar, Sheila Broflovski sempre foi uma mulher osso duro de roer. Concordamos em não nos exibirmos, mas também não nos esconder perante a escola, porém manter segredo da família por hora.

Pelo resto do dia jogamos videogames, fizemos nossa lição e depois do jantar fui pra casa. Karen estava dormindo no meu quarto, ela sempre dorme comigo quando tem pesadelos, já que nossos pais são desnaturados e normalmente estão muito bêbados para dar atenção a ela. E Kevin trabalha demais para sustentar os mesmos.

Tive cuidado para não acorda-la quando fui me deitar e a abracei.

“Kenny?” E eu falhei.

“É melhor voltar a dormir Karen, amanhã tem aula.” Eu sussurrei enquanto acariciava seus cabelos loiros.

“Poderia me levar para aula amanhã? Kevin está furioso comigo.” Ela pressionou seu rosto contra meu peito.

“Ele só tem trabalhado demais, foi duro pro nosso irmão abdicar da faculdade para trabalhar, mas pode deixar que eu a levo amanhã cedo antes de ir para a minha, então durma que vamos acordar cedo.”

Ela concordou e fechou seus olhos. Eu odeio o estresse que meus pais põem na gente, com as minhas notas eu provavelmente também não vou conseguir bolsa em nenhuma faculdade e vou ter que trabalhar como Kevin. Contudo, se eu pudesse, eu gostaria que Karen fosse pra faculdade e que pelo menos um McCormick tivesse sucesso.

Porém, não escolhemos a família que temos, então por hora vou fazer o possível para que Karen não sofra com a displicência dos nossos pais.

Notas finais
Um pouco mais sobre a vida do Kenny aqui :3