5 Escola


Notas iniciais

Acordei mais cedo essa manhã para levar Karen na escola e quase chego atrasado à minha. Perto da entrada avisto meu judeu ajudando Butters com alguma coisa no caderno, provavelmente alguma dúvida de lição de casa. Não contive um sorriso de felicidade e orgulho e fui em direção ao loirinho e ao meu ruivo.

Eu lembro que combinamos de não esconder que estamos juntos, mas também não acho que precise gritar isso em voz alta, por mais que eu realmente queira. Sei lá, a maioria daqui teve aula com o Sr.Garrison, eu não queria fazer a mesma imagem.

“Bom dia Kenny” Cumprimentou com sua voz levemente afeminada o loirinho. “Como você está?”

Butters deve ter sido o que menos mudou de todos nós. Loiro, mas com pouco cabelo, olhos azuis bem mais claros que os meus, mais baixo que Kyle que já não é tão alto e tem a pele cor de rosa como se fosse uma menina. E ainda usa muitas roupas claras, como branco e azul bebê, pelo menos não são mais da Hello Kitty. Depois não entende porque pegam no pé dele.

Kyle estava levemente corado e não me olhava nos olhos, talvez constrangido com a minha presença? Ele fica uma gracinha quando está com as bochechas rosadas, não resisti e dei um pequeno beijo de bom dia nos lábios do judeu, que agora estava totalmente rubro.

“Eu vou bem demais.” Respondi ao Butters e coloquei meu braço na cintura do Kyle, juntando seu corpo para perto do meu.

“OH meu deus, vocês estão juntos? Tipo... saindo?” Não era suspeita a surpresa do loirinho, havíamos concordado de que não seria um segredo nosso relacionamento. Mas ainda sim pressionei o indicador em meus lábios e pisquei o olho direito, em sinal para que não espalhasse.

“Sim” Respondi, eu não sei como explicar, mas eu fico abobalhadamente feliz em poder dizer em voz alta que estou com Kyle, que confirmou com a cabeça. Quem sabe um dia eu não grito isso por aí.

O sinal tocou e os corredores começaram a ficar vazios, nos separamos do loirinho que disse estar feliz por nós e nos despedimos com um beijo (duh?).

É um pouco triste me separar do Kyle assim, mas ele é o aluno mais inteligente e eu sou um dos, bem... não mais inteligentes. Então fui para minhas aulas de menino burrinho que, aproposito, demoraram MUITO. Eu estou parecendo uma garotinha mimada agora, mas não posso evitar. Quero Kyle.

Durante o almoço, eu não o encontrei no refeitório o que foi um pouco estranho, será que ele ficou na sala de aula tirando dúvidas com o professor? Segui em direção a sala de aula e ele não estava lá. Mas comecei a ouvir vozes familiares pelo corredor.

“Olha por onde anda JUDEU.”

“Me solta gorducho!” Ouvi a aguda voz do meu ruivo que estava sendo segurado contra a parede por ninguém menos que Eric Theodore Cartman, nazista, gordo, desagradável posso pensar em diversos adjetivos pejorativos para descrever essa figura. Kyle empurrava ferozmente o grande garoto moreno, mas a diferença entre seus corpos era considerável.

“Eu não sou gordo. E pelo que me parece além de ruivo e judeu você agora é uma Bichinha? Ah, Karl você não cansa de me surpreender. E como você é burro, aposto que Kenny só quer o seu dinheiro, sabe como ele é, como os pobres são.”

Cerrei meus punhos de raiva e decidi ir em direção aos dois, mas até mesmo eu fiquei paralisado com tanto fogo que emanava da fúria nos olhos do pequeno ruivo que rugia de raiva ao ouvir as irônicas rizadas do gorducho.

“Retire o que disse!” Ordenou o enfurecido judeu.

“Porque você ta irritadinho? Hmm? Vocês nem vão durar juntos, ele vai te abandonar quinem o seu querido melhor amigo Stan.”

Fiquei surpreso de como que Cartman sabia dessas coisas, digo, eu e Kyle não fomos assim tão descarados e quanto à confissão dele pro Stan, achei que só tivesse me contado. Será que o gordo estava no corredor na hora certa em ambas as situações?

Encaravam um ao outro ferozmente quase sem piscar com os rostos a um palmo de distância um do outro, Cartman com seu malicioso sorriso e Kyle bem sério. Ambos estavam tão concentrados que nem perceberam minha presença.

“Cale-se bundão de merda!” Saltei sobre o garoto com excesso de peso e nos pusemos a rolar no chão. Existem reputações negativas como a de Cartman por ser psicopata e existem positivas como a de Kyle por ser um bom aluno, mas por fim, existem as reputações que fazem de você popular entre os alunos em South Park High, que são medida por: aparência, talentos ou o quanto você consegue surrar e ser surrado.

Digamos que eu frequentemente me meto em brigas por ficar dando em cima das garotas dos outros e sempre tento evitar ser pego. Mas agora vendo esse imbecil soltando tanta merda pela boca compreendi um pouco porque se alteravam e não consegui me segurar. Cartman sabe muito bem que entre mim e ele eu o venço na porrada.

“Socorro! Estou sendo atacado!” Gritou Eric.

“Não fala merda o bundão, pede desculpar pro Kyle!” Ordenei acertando-o no rosto.

“Heterofóbicos!” Continuou me provocando ironicamente.

Antes que eu pudesse acertar outro soco na rechonchuda face do moreno, Kyle me abraçou por traz e contive meu punho.

“Para Kenny! Não vale a pena ser suspenso por causa dele!” Sai de cima de Eric bufando ainda tentando me acalmar, ele se levantou também seu nariz estava sangrando.

“Você tem sorte de eu estar de bom humor Kenny, se não-”.

“Se não o que, Gorducho?” Interrompi o sínico discurso de Cartman, eu estava furioso. Se Kyle não estivesse me segurando eu teria quebrado o nariz desse moleque. Meu tom de voz estava bem mais alto que o normal, mas como o corredor estava vazio não acho que mais alguém tenha nos ouvido. “Você vem pra cima do Kyle desde sempre, bem, agora não mais! Chega dessa sua inveja ao meu judeu, estamos juntos e vamos ficar juntos e se isso te incomoda, eu não ligo, NINGUÉM LIGA! Porque você não tem amigos, nem nunca vai ter alguém pra te amar, até a garota com quem você estava saindo já tá com outro! Você vai apodrecer só nessa gordura que você chama de corpo! Se eu fosse o seu pai eu também te largaria, seu bosta!”

Não sei ao certo se Cartman ouviu minha última frase, pois Kyle foi me afastando do garoto gordo enquanto eu gritava pelo corredor até estarmos fora do campo de visão um do outro. Ele passou a mão nas minhas costas e permaneceu em silencio, pude ver em seu rosto preocupação. Acho que exagerei.

“Desculpa...” Minha voz estava baixa que pareceu um sussurro, eu estava um pouco envergonhado da forma como agi, mesmo que Kyle me conheça eu não precisava ter feito esse papelão. “É só que ele disse que-”

“Tudo bem.” Olhei frustrado para o ruivo com medo de suas palavras. “Eu ouvi o que ele disse, e sei o que você é. Obrigado por me defender, mas acho que pegou pesado. Por favor, não quero mais vê-lo brigando.”

Ele beijou minha testa e por fim me acalmei, trocamos alguns sorrisos e nos beijamos. O sinal tocou representando o fim do almoço. Não havíamos almoçado, mas que se dane.

“Kenny, porque não dorme hoje lá em casa?”

“Okay.” Estava ainda um tanto exaltado, mas a ideia de dormir no mesmo quarto que Kyle a noite inteira me afastou dos maus pensamentos. Se bem que me trouxe outros tipos de “maus” pensamentos... Enfim.

Pelo resto do dia não ouvimos mais de Cartman, nem de suas frequentes interrupções racistas na aula, mas eu não consegui me sentir mal, o gorducho mereceu cada palavra. Nenhuma das outras pessoas pareceu perceber que estávamos juntos também, acho que Butters não sentiu necessidade de espalhar por aí, ou simplesmente aceitaram, quem sabe?

Depois da aula fui com Kyle à sua casa, ele havia avisado seus pais no caminho que eu dormiria lá. Chegamos, fomos fazer nossa lição, jogamos videogame e demos uns amassos quando não tinha ninguém olhando. Estávamos começando a criar um clima quando meu celular tocou.

“Alô?”

“Kenny!” Era o meu irmão maior Kevin “Você poderia buscar a Karen? Papai e mamãe não estão em casa, acho que brigaram novamente.” Olhei a hora no meu celular, Karen já devia estar em casa há quase uma hora. Normalmente ela volta sozinha, mas em dias de muita neve como hoje nossos pais ficam encarregados de busca-la. “Se você puder, pode leva-la para a casa de um amigo e dormir fora?”

“Kevin, eles...”

“Eu vou ficar bem, já sou adulto posso cuidar deles, por favor, Kenny.”

“Tudo bem.”

“Obrigado, boa noite.”

“Boa noite.”

Ele desligou. Isso não é nada bom, quando nossos pais brigam eles bebem, e quando bebem ficam agressivos, constantemente aliviam suas frustrações batendo em nós. Não queria deixar Kevin sozinho com eles, mas também não poderia levar Karen assim. Ainda teria que busca-la na escola. Mas que droga!

“Tudo bem Kenny?” Kyle me perguntou com uma expressão de preocupado no rosto.

“Tem problema se a Karen dormir aqui essa noite, com a gente?”

“Não vejo problema nenhum, posso emprestar algum pijama do Ike. O que houve?” Ele agora estava surpreso e preocupado.

“Vou busca-la na escola, meus pais estão fora de casa e se esqueceram de ir busca-la. Meu irmão vai cuidar deles, mas pediu para eu cuidar dela.” Por sorte sempre ‘o’ carrego em minha mochila. “Kyle, poderia me ajudar com um favor?”

Notas finais
Aparição do gordinho favorito da galera. Huashaushausu xD A história agora deve mostrar um pouco da vida particular dos personagens, mas já já volta com as perversões ;)