23 Silêncio


Notas iniciais
Desculpe a demora! ç.ç

“KENNY CUIDADO!” Ouvi o grito de Kyle ao meu lado enquanto me empurrava separando nossos corpos.

Pow!

De repente, ouço um alto som de disparo de uma arma de fogo. E quando me viro para ver o que houve vejo meu ruivo com uma expressão apavorada, pálida e logo abaixo de seu peito: sangue. Muito sangue.

“KYLE!” Grito.

Ele cai de joelho no chão e passa a mão levemente sobre sua barriga, analisando o sangue – coloco sua mão contra a ferida para que a pressione. Fico alguns segundo perplexo, incapaz de reagir à situação até que uma desprezível voz quebra o silêncio.

“Opa! Errei.” Diz Cartman sarcasticamente e ri.

Viro meu rosto lentamente, sem controle da fúria que arde em meu peito, mas ele tem seu revolver apontado para mim.

“Não se mova” E virou sua arma para Kyle. “Ou eu o mato.”

Não me movo.

“Jogue a faca para trás e mostre suas mãos Kinny, nada de gracinhas.” Ele demanda.

Deixo a faca no chão lentamente e levanto minhas mãos sobre a cabeça, odeio fazer o que ele manda, mas não posso arriscar a vida de Kyle, precisamos nos afastar deste louco.

“Ele precisa ir para um hospital Cartman!” Digo em tom sério. Será que ele se quer sabe o que acabou de fazer? Da seriedade da situação? “Se demorarmos muito Kyle pode -”

“Ele precisa ir para um hospital Cartman, ah cale essa boca!” Repete ele em tom debochado, me interrompendo. “Isso é culpa sua, sabia? Tudo o que eu queria era por um fim em nosso antigo confronto e me vingar pelo que me disse alguns dias atrás no corredor, eu não pretendia mata-lo Kenny, só feri-lo. Divertir-me um pouco com ele.”

Ele começa a andar pelo quarto apontando a arma para mim enquanto conta sua história dramaticamente e eu estou sem paciência nenhuma. Kyle está perdendo sangue, isso não é brincadeira!

“Eu pretendia te dar uma lição completa, em você e em Kyle. Só íamos nos divertir um pouco, não precisas ser tão egoísta. Aí você ia chegar e BAM ver com seus próprios olhos que eu posso ter o que eu quiser. Acho que isso ensinaria aos dois que não fodam comigo.”

O que ele tem na cabeça? Merda?

“Mas você chegou um pouquinho antes do planejado – estragou a parte mais divertida do plano.”

Eu não quero ouvir isso.

“Você provou seu ponto, agora nos deixe ir.” Peço.

“Haha, não! Agora eu fui longe... Eu sabia que se eu te ameaçasse com uma arma você não recuaria com facilidade por causa do seu domzinho de renascer de MERDA! Sim Kenny, eu sei de tudo!”

Fico surpreso em saber que ele consegue se lembrar.

“Mas não fique se achando, não vai mais funcionar, nunca mais! Afinal, eu dei um jeitinho em tudo antes de marcar nosso encontro. Como se sente estando assim, tão vulnerável, tão... mortal?”

O que? ‘Jeitinho?’ Ele não poderia estar falando... Do acidente de minha mãe, poderia? Ele iria tão longe assim por causa de alguns comentários? Ele seria psicopata á esse ponto? Olho confuso para ele, tentando analisar se isso estava mesmo acontecendo ou se não era só um pesadelo.

“Não me olhe assim, sr.Mysterion, a culpa foi sua. Você me fez arquitetar um acidente para sua amada mãezinha. Foi difícil entender como sua habilidade funcionava, mas creio que tenha dado um jeito já que está tão obediente.”

Não acredito, esse monstro não tem limites!

“MINHA CULPA? Você é completamente DOENTE!” Explodo.

Dou um passo á frente furioso, mas ele estica o braço e destrava a arma, enfatizando o fato de estar armado. Eu já não sei mais o que sinto – quero mata-lo, simples. Esfola-lo. Destruí-lo. Estraçalha-lo. Sou tomado por um ódio que jamais pensei que sentiria em minha vida.

“Parado, Kenny! Ou eu atiro no seu namoradinho ali.”

Eu paro e volto a levantar as mãos, ele está muito longe para que eu dê um salto para arrancar sua arma e independentemente de eu querer estrangular Cartman, não posso arriscar Kyle ainda mais.

Kyle... Ele está desacordado enquanto sua ferida perde ainda mais sangue. Droga! Eu não tenho tempo para ficar perdendo dando ouvidos a esse filho da puta!

“Wow, wow, wow, espertinho calma... tenha paciência hehehe, vamos conversar um pouco.” Ele veste um sorriso debochado de quem tem absoluto controle sobre a situação, e infelizmente ele tem. Eu não devo tentar nenhum conflito até que ele nos deixe ir, mas parece que ele está bem ciente de que o tempo é precioso e o gasta de propósito.

“Se bem que agora paciência não vai te ajudar, nada vai. Sabe Kenny, eu até achava você legal no inicio antes de você virar simpatizante dos homo-judeus. Mas olha para nós agora, olha o que as suas decisões fizeram conosco.”

Chega dessa merda! Cerro meus dentem e teto um apelo.

“Deixe-nos ir Cartman, já conseguiu o que queria. Nunca mais vamos mexer com você, ficaremos o mais longe possível de você se necessário, você venceu!”

“Venci? É óbvio que venci! Mas não é assim tão fácil Kenny... sabe, uma coisa era se você tivesse ficado quietinho no seu canto vendo eu me divertir dando uma lição ao Kyle, mas você quis me confrontar e olhe para nós agora. Você sabe de mais, e eu já atirei no Kyle.”

“Cartman...”

“Cale a porra da boca seu pobretão! Ninguém vai dar falta se eu der fim em você! E eu ainda posso conseguir fingir que isso tudo foi algum tipo dramático de suicídio. Imagine isso: Você se matou e levou Kyle com você, por que são dois viadinhos com problemas de bichas, todos vão acreditar! Vai ser a história da semana, todos vão aos seus enterros tão tristinhos, por perder os amiguinhos e eu vou estar lá, seguro, fingindo que não entende como isso foi acontecer. Além do mais, se eu deixar vocês irem agora vocês podem passar na polícia, e por mais que ninguém vá acreditar em vocês, Kyle já levou um tiro!” Seu tom vai aumentando até o ponto onde ele está simplesmente gritando.

“Nós podemos mentir, fingimos que ele tentou se matar, mas errou e se arrependeu, Cartman ele precisa chegar a um hospital logo! POR FAVOR” Imploro.

“Mas onde vocês teriam conseguido a arma? Entenda Kenny, não é nada pessoal, mas haverá investigações, talvez seu pai não ligue, mas os pais de Kyle são muito orgulhosos para engolir essa historinha sua. Sinto muito” Ele aponta a arma para mim. “Mas eu preciso dar fim em vocês dois.”

“Não faça isso.”

“Tarde demais” Rosna.

“Ao menos leve Kyle para um hospital – Eu deixo você fazer o que quiser comigo, não me oponho se quiser me matar, mas não deixe Kyle morrer!”

Cartman da um sorriso triunfante.

“Por favor...” Eu não ligo mais para minha vida, mas não quero que Kyle morra por minha causa. Fui eu que mexi com Cartman, não Kyle. Ele não fez nada de errado, ele não merece.

“Adeusinho Kenny, foi legal passar um tempo com você.”

“Cara...” É o fim.

Fecho meus olhos com força na espera de Cartman apertar o gatilho, mas o som não vem e abro meus olhos vejo a expressão do gordo tornar-se pálida. Ele deixa a arma cair no chão e percebo sangue escorrer de sua boca.

Rapidamente me abaixo para pegar o revolver no chão e antes de me levantar o gordo cai no chão de barriga para baixo.

“Pare... de falar merda... gorducho...” Kyle cai de joelhos arfando, o sangue escorre muito, ele pressiona com a mão, largando a faca nas costas de Cartman.

“KYLE!” Grito.

Ele deve tê-la pego quando Cartman me mandou solta-la.

Eu o seguro antes que caia, ele parece sem nenhuma força, gelado, quase desmaiando. O pego no colo para leva-lo á um hospital com urgência.

“Kenny...” Diz baixinho, em uma voz quase rouca.

“Calma, Kyle aguente firme.”

“Não o deixe lá, chame a polícia... eu...”

“Kyle pare de falar, descanse um pouco.” Vou correndo com cuidado até um ponto de taxi, pego o primeiro que vejo. “PARA O HOSPITAL AGORA MESMO, É UMA EMERGÊNCIA.”

O taxista entende e acelera o carro, Kyle está gelado e insiste em se mexer, ele tira seu celular do bolso e coloca na minha mão, depois estende-a até meu rosto e me toca com os dedos gélidos.

“Eu... consegui g-” Ele apaga.

“Kyle! O que? Quero dizer, aguente firme!” Estou desesperado, o que ele quis dizer? Seguro sua mão com toda minha força. “Você vai ficar bem, não desiste, Kyle acorda porra! Kyle não, por favor!”

Olho para a rua e vejo que estamos chegando, depois olho para o celular que deixou em minha mão, o que isso quer dizer?

Pisco surpreso quando olho para a tela, está com um vídeo gravado, quando aperto para tocar ouço a voz de Cartman gritando, confessando ter parte no acidente de minha mãe, e a gravação se estende.

Assim que chegamos ao hospital, saio com Kyle no colo ele está extremamente pálido, gelado e coberto de sangue o próprio taxista me ajuda a leva-lo para dentro e algumas enfermeiras vem nos socorrer, explico a situação e ele é levado para um quarto.

Kyle não me deixa, não me deixa, por favor. Kyle você consegue, eu te amo tanto, por favor. Não me deixa. Não controlo as lágrimas no meu rosto, perco a força nas pernas e caio no chão do hospital de joelhos, em pânico. Uma enfermeira me ajuda e me oferece água com açúcar, mas eu estou pouco me fodendo para o mundo agora – só quero meu Kyle. Por favor Deus, se existe um Deus! Não... Kyle....

Não.

–------

Espero algum tempo, cada minuto parecem horas roo as unhas das mãos até sangrar de nervosismo. Lavo meu rosto, circulo no corredor, não consigo ficar sentado.

Descubro que ele precisa passar por uma cirurgia para remover a bala e eu ligo para seus pais, é difícil explicar a história, mas com a gravação no celular fica mais fácil. Os pais de Kyle chamam a polícia e eu entrego-os a arma.

Fico sabendo que Cartman tentou fugir mais foi pego, ligo para meu irmão para contar a história, mas peço que não entre em detalhes com Karen. Que diga a ela que houve apenas um acidente.

****

Uma semana se passa até que Kyle leve alta, ainda está ferido, mas já pode voltar para casa. Aparentemente, o tiro não pegou em nenhum órgão vital, o que foi muita sorte. Vou visita-lo no hospital, como tenho feito todos os dias depois do incidente.

“Kyle!” Digo fechando a porta do quarto.

“Kenny!” Ele me recebe com o mesmo sorriso de sempre.

“Você já vai poder voltar para casa em breve. E Cartman vai ser condenado por homicídio culposo e tentativa de homicídio, se tivermos sorte, talvez nunca saia da prisão.”

Ele sorri, mas sinto dor em seus olhos verdes. Sei que ele ainda está preocupado, mas não acredito que Cartman saia dessa.

Pego em sua mão e a beijo para reconforta-lo.

“Kyle, obrigado por nos salvar. Se não fosse por você, nós realmente poderíamos ter morrido.” Digo sinceramente.

“Kenny!”

“É verdade! Você salvou minha vida!” Ah! Isso me lembra do presente! Coloco uma das mãos no bolso e o entrego uma caixinha mal embrulhada, pois eu mesmo embrulhei.

“O que é isso?” Pergunta meu ruivo surpreso.

“Uma ousadia.” Respondo com meu melhor sorriso e limpo a garganta. “Kyle Broflovski, acho que já passamos por um bocado de coisas juntos nesses últimos meses, mas mesmo assim meu amor por você continua a crescer e crescer. Eu não quero nunca mais ver você em perigo, sofrendo e muito menos com outra pessoa, por isso... gostaria de saber, se você não gostaria de se casar comigo?”

Kyle me olha um tanto surpreso e abre a caixinha, tem um anel dourado bem simples, que meu irmão me ajudou a comprar.

“Eu sei que minha condição financeira não é muito boa, e que muitas coisas malucas acontecem p-”

“Eu aceito.” Ele me interrompe.

Olho para ele e seus olhos esmeralda brilham.

“Eu aceito Kenny.” Vejo-o sorrir radiantemente e não resisto, sorrio também.

Acho que nunca me senti tão feliz assim, na minha vida. Eu o abraço bem forte e ele retribui, preciso segurar uma lágrima de felicidade. Eu quero muito ficar com Kyle e fico feliz por ele dizer sim!

“Adivinha só, eu estou noivo!” Diz Kyle abobalhadamente para mim.

Meu coração bate ferozmente de alegria e eu o beijo. Nossas línguas se misturam e sinto seus braços em minhas costas unindo nossos corpos.

“Kenny...” Diz ele em tom doce com seu rosto corado.

“Como está sua ferida?”

“Ela aguenta, eu não.” Ele trás meu rosto para perto e sussurra em meu ouvido eroticamente “Eu te quero meu noivo.”.

Eu sinto o calor chegar às minhas orelhas, eu devo estar completamente vermelho e evidenciando meus pensamentos indecentes, eu esperaria para que ele estivesse cem por cento, mas vendo-o assim tão perto, me chamando dessa forma, com seu aroma hipnotizante não acho que consigo mais me conter.

“Ah Kyle, eu amo tanto você.”

Levanto sua camisa e começo a beija-lo, contornando sua clavícula com meus lábios e brincando com seus mamilos já durinhos com as mãos. Seu coração estava tão acelerado quanto o meu, e nossos corpos começaram a aumentar a temperatura rapidamente.

Kyle removeu a camisa jogando-a para o lado e notei os curativos em sua ferida, beijei-os levemente até me dirigir para baixo. Abaixei sua calça e cueca, ele já estava completamente excitado, massageei-o um pouco antes de leva-lo a boca.

“Ah! Kenny!” Kyle me olhava ardente e mordia os nós dos dedos.

“Shhh, se fizer muito barulho alguém pode entrar e nos ver, e eu teria que parar.”

“Desculpe” sussurrou, cobrindo a boca com as mãos. Ele é tão lindo! “Mas pare de me atiçar e venha logo!” gemeu.

“Com todo prazer” Respondo.

Abaixei minhas calças também e me posicionei para penetra-lo. Entrei sem muita resistência e comecei a me mover, senti as unhas de Kyle em minhas costas me arranhando eroticamente e aumentei a velocidade.

O ruivo é tão quente e delicioso que não consegui me conter. A cama do hospital rangia conforme fazíamos amor, o medo de que a qualquer momento alguém pudesse vir era excitante e me deixava com mais vontade de fazer Kyle gemer.

“nhn... Kenny...”

Kyle mordia a parte inferior dos lábios para conter seus gemidos, mas falhava de vez em quando. Aumentei a força das estocadas e o beijei para conter seus eróticos cantos até ambos explodirmos em nossos orgasmos.

Deitei-me ao seu lado, unindo nossos corpos suados e beijei-o na bochecha.

“Você bem que queria que alguém nos pegasse, não é?” Disse Kyle arfando e puxando minha orelha enquanto se vestia.

“Foi mal?” Eu disse não muito convincentemente levantando minhas calças. Não conseguia tirar meu sorriso do rosto, agora eu e Kyle ficaríamos juntos de verdade!

“Mas tem um problema” Diz, cortando meu sorriso.

Eu o encaro interrogativamente.

“Meus pais, nem sabem que estávamos namorando.” Ele da de ombros.

Eu o encaro sem saber como reagir, mas então ele cai na gargalhada e minha tensão diminui. Eu beijo sua mão que agora veste o anel de noivado.

“Eu te amo Kyle.”

“Eu também te amo Kenny, e muito. Meu noivo!” Para sempre!

Notas finais
Eu sei que o casamento é uma coisa meio novela, mas que se dane! Mil perdões pela demora na postagem, mas eu achei sinceramente que já tinha postado!