K²
24 Depois da tempestade Extra
Notas iniciais
Estamos jantando, quero dizer estamos na mesa de jantar. Sentados. Jantando. Tentando jantar. Eu e a família de Kyle, afinal de contas eu tenho morado aqui nos últimos tempos devido aos meus problemas familiares.
É hoje. Faz pouco mais de uma semana desde que Kyle saiu do hospital e que se encerrou todo caso Cartman. Mas é hoje. Eu não consigo comer, meu estômago está revirando. A qualquer momento agora.
Pouco antes de descermos para jantar, quando estava conseguindo ter meu momento a sós com Kyle, ele me disse que contaria para seus pais do noivado. Quando perguntei ‘quando’ ele respondeu hoje à noite, no jantar. Estou inquieto desde então. É tudo muito rápido! Eu sei que fui eu quem o pediu, mas e se seus pais disserem não?
Estava tudo tão tranquilo, eu perto dele. Seus pais achando que somos só amigos e que eu salvei a vida de seu filho. Está certo que eu quero que o mundo saiba que eu amo Kyle, mas é tudo tão repentino.
Estou nervoso.
“Mãe, lembra quando me perguntou sobre o meu anel?” Diz Kyle em uma naturalidade surpreendente.
“hmm?” Responde sua mãe.
AIMEUDEUSÉAGORA. Socorro, eu vou morrer! Estou tendo um ataque cardíaco! Kyle pare! Eu vou morrer!
“Eu estou noivo!”
A mesa fica um minuto em silencio enquanto Kyle esbanja um sorriso de felicidade. Seus pais parecem confusos, menos Ike. Ike me olha direto nos olhos – ele já sacou.
“Ah, podemos saber que é a garota de sorte?” Diz seu pai.
“Isso mesmo, quem é essa sua namoradinha?” Complementa sua mãe.
“Não é uma ‘namoradinha’ é meu noivo!” Diz Kyle franzindo a testa. “E é o Kenny. Ele pediu minha mão quando eu ainda estava no hospital e eu disse sim. Não é?”
Todos na mesa me olham. E agora o que eu faço? Tento não parecer nervoso, mas parece impossível.
Sinto-me em um tribunal de figuras sombrias, onde o juiz é sua mãe. E não tem como eu ser declarado outra coisa se não ‘culpado’. O que é verdade. Eu preciso responder!
“Ah... É.” Boa Kenny, ótimo discurso, muito convincente.
“O que isso quer dizer?” Diz Sheila colocando as mãos na cintura.
“Vocês estão namorando?” Pergunta Gerald.
“Estamos noivos pai.” Responde Kyle, revirando os olhos.
“Vocês namoraram?” Ele continua.
“Aham.” Kyle responde não muito entusiasmado.
“Quanto tempo?”
“GERALD!” Interrompe Sheila.
“O que foi? Estou curioso!” Ele retruca.
“Uns três ou quatro meses.” Kyle responde e me olha, eu dou de ombros.
“Eu proíbo isso!” Bufa sua mãe.
Oh-oh eu estava certo. É dado o veredicto!
“Não pode proibir algo que já aconteceu mãe, e não estou pedindo sua permissão, só estou lhe informando.”
“Olha como fala comigo Kyle!” Ela se exalta.
“Calma querida, não precisa se exaltar.” Gerald tenta acalma-la.
“Me ‘exaltar’! Gerald nosso filho está falando de CASAMENTO e ele não é nem maior de idade, tem a escola, faculdade! E meus netos!”
O rosto de Kyle enrubesce.
Ike pega seu prato e se levanta da mesa, ele toca meu ombro por trás e faz um gesto com a cabeça para eu segui-lo, pego meu prato e o sigo.
Levamos os pratos para a cozinha nos afastando de uma discussão que começa a se formar na sala de jantar, Kyle e sua mãe gritam e seu pai tenta acalmar ambos. Coloco meu prato na pia com o de Ike.
“O quanto isso é sério?” Ele me pergunta.
“O noivado?” Pergunto.
Ele afirma com a cabeça.
“É bem sério. Eu gosto mesmo do seu irmão.”
“pff, gay.” Ele responde. Muito maduro, mas infelizmente (ou felizmente?) correto. “Então se prepare para enfrentar nossa mãe, se bem que depois de enfrentar um psicopata armado, não deve ser muito diferente.”
“Vou ficar de olho.” Digo.
“Cuida do meu irmão.”
“Eu vou.” Respondo com um sorriso confiante.
Fico aliviado em saber que Ike não tem problemas com meu relacionamento com Kyle, não que ele pudesse fazer qualquer coisa para nos separar, mas ainda sim é bom.
“E boa sorte, você vai precisar.”
Ele se retira da cozinha e sobe as escadas, provavelmente foi para o seu quarto. Tento fazer o mesmo, sair de fininho até o quarto de Kyle.
“Kenny!” Droga, fui descoberto.
Kyle me empurra escada acima, batendo seus pés.
“Vamos para o quarto, terminei meu jantar.”
“Volte aqui neste instante mocinho! Estou falando com você Kyle!” ouço sua mãe gritar. “Geralda faça alguma coisa!”
Sou conduzido ao quarto e Kyle fecha a porta. Ele a tranca e da um suspiro.
“Minha mãe sendo minha mãe.” Diz.
Ele se vira para mim e sorri.
“Não precisa ficar tão nervoso, não importa quando contássemos a notícia ela ficaria assim. E é melhor contar do que ela descobrir por si.” Diz em um tom positivo.
“Seu pai não pareceu ter problemas com isso. E seu irmão muito menos.” Tento ser positivo, embora na verdade eu só esteja sendo realista.
“Ike já sabia de nós dois.” Diz como se não fosse nada.
“Kyle!” Digo surpreso, não que eu seja contra, mas não gosto de ser o ultimo a ficar sabendo das coisas.
“Kenny, era óbvio. Andamos de mãos dadas e nos beijamos na escola, Ike estuda lá. Fico surpreso por meus pais não saberem de nada até agora, imaginei que já deveriam ter comentado.”
“Pode ser que tenham ouvido e achado que eram rumores.” Falo, deitando-me de barriga para cima na cama de Kyle.
“Além do mais, não somos muito silenciosos. O quarto de Ike é em frente ao meu, o dos meus pais no final do corredor. Aposto que todos já nos ouviram, pelo menos alguma vez.”
“Verdade, você é muito barulhento” Digo provocativamente.
“Ei,” Ele se aproxima de mim por cima e beija meus lábios. “Sabe... Não temos um momento a sós assim desde que eu saí do hospital.”
Ele sobe na cama e senta no meu colo com o rosto levemente corado. Eu olho-o interrogativamente e ele me devolve um sorriso luxurioso que confirma minha questão.
“Hora de não sermos silenciosos?” Brinco colocando minha mão em seu traseiro que tanto adoro.
“Por favor” Ele responde tirando a camisa e se inclinando para me beijar.
Jogo o peso do meu corpo contra o dele, para que eu fique por cima e ataco seus pontos sensíveis. Descendo com minha língua sua barriga até seu umbigo, beijo-o e passo a mão delicadamente em sua ferida que ainda está cicatrizando.
Não parece doer, então dou um beijo. Essa ferida que quase levou Kyle de mim, sinto uma dor no peito só de me lembrar, como quase o perdi.
“Kenny, eu estou bem.”
Minha preocupação deve ter ficado muito clara, pois Kyle me olha reconfortantemente.
“Eu sei, eu só-” Tento não soar melancólico “Eu não quero perde-lo.”
Kyle da uma risadinha e passa sua mão em meus cabelos.
“Eu não vou a lugar algum bobão!”
Eu não resisto. Eu não O resisto. Preciso devora-lo. Prossigo minha trilha de beijos até o botão de sua calça jeans, beijo sua ereção por cima da calça e mordisco-o.
Em seguida abro-a e me livro dela e de sua cueca, tendo comigo um Kyle completamente nu. Massageio seu pênis um pouco e depois levo-o a minha boca, brincando com minha língua ao seu redor e chupando-o.
“Ah... Ken...ny!” Kyle abafa seus gemidos com o antebraço, mas eu gosto tanto de ouvi-lo. E seria uma boa forma de mostrar aos seus pais como somos sérios em nosso relacionamento.
Pressiono meu indicador contra sua entrada que não me oferece qualquer resistência, então abaixo minha calça e pressiono meu membro para entrar. Assim que deslizo para dentro, sinto seu calor me envolvendo e nossas respirações se sincronizam. Só há uma coisa me incomodando e é o fato de ele morder seu antebraço para abafar seus gemidos.
Eu começo a aumentar a força e velocidade de minhas estocadas e Kyle me abraça com suas pernas. Então, para completar: seguro ambas as suas mãos, para que não tenha como abafar seus cantos.
“Kenny! N-Não!” geme meu nome, apertando minhas mãos.
“Kenny, sim! Eu amo ouvi-lo Kyle. Geme para mim, Kyle.” Digo num tom que sei que Kyle não resiste.
Como o esperado, ele não contém seus gritos de prazer, em retribuição, não poupo energia. Atingimos nossos orgasmos praticamente juntos e nos deitamos lado a lado, suados, cansados, imundos e apaixonados.
“Você é um sem noção Kenny!” Diz Kyle arfando.
“SEU, sem noção.” Digo esticando meu braço para que ele apoie sua cabeça em meu peito.
–------------------------------------------
Dias se passaram e posso dizer que voltou tudo ao “normal”, não temos mais polícia nos mantendo informados sobre Cartman, as notícias nos jornais já são outras e Kyle está recuperado do tiro. Ele ficou com uma pequena cicatriz na pele, mas isso foi tudo.
Sei que muito aconteceu e que muito ainda está por vir. Sheila aceitou nosso relacionamento contando que demonstremos que somos maduros o suficiente – principalmente eu, pela minha proposta. Acho que isso significa ter boas notas?
Sei que o melhor amigo do meu namorado está olhando-o agora com olhos vorazes e preciso proteger o que é meu, por orgulho e ciúmes. Sei que o ano está ainda no meio e que em breve teremos que pensar e decidir em qual faculdade entraremos, ou que carreira profissional pretendemos seguir, muito embora Kyle já deva saber, para mim isso será difícil — mas vou lutar pelo meu ruivo. Vou cair de cabeça.
Meu irmão conseguiu uma promoção no seu trabalho, como sua condição financeira está razoável ele está lutando com o conselho tutelar para ficar com Karen longe do nosso pai. Acho que papai nem liga mais, acho que não ligava mais há um tempo. É bom ver as coisas melhorando para eles, gosto de pensar que é um sorriso de nossa mãe.
Mas não quero pensar muito nisso agora, sei que muito está por vir, nada é fácil ou tranquilo para quem vive em South Park. Sigo pelos corredores da minha escola agora que o caso Cartman já é passado. Tudo parece como sempre foi e ainda sim tão diferente. Tão mais claro. Talvez seja eu, por que eu estou diferente. Kyle me mudou. Para melhor!
Chego finalmente ao meu destino: o armário de Kyle. E lá está ele arrumando seu material, tão distraído que leva um breve susto quando ponho minhas mãos em sua cintura, mas relaxa quando beijo sua nuca.
Ele se vira com um sorriso que sou louco, olhos verdes encontram olhos azuis e nossos lábios se tocam. É quando percebo por que está tudo tão mais leve, por que ele está comigo. Por que ele é meu.
O que mais ainda vamos enfrentar, não importa. O que importa é que vamos enfrentar juntos.
E para sempre.
Fale com o autor