K²
16 Perda
Finalmente chegou um dos dias que eu mais esperava, Kyle havia me contado que todo ano seus pais viajam em um feriado judaico em especifico para ficar com seus avós, normalmente ele não ia e ficava com Ike, mas conseguiu convencer seu irmão a ir. Resumindo: teríamos a casa inteira somente para nós dois durante uma semana.
Eu fiquei tão empolgado que durante as aulas não parei de olhar para o relógio o dia todo. Quando o sinal finalmente tocou, fui encontra-lo na saída. Como sempre parece que eu sou o mais entusiasmado com as coisas ele está de bobeira olhando para o celular, acho que vou fazer uma surpresinha. Cubro seus olhos.
“Adivinhe quem é?” Sussurro em seu ouvido.
“Kenny!” Kyle responde rindo e beija meus lábios.
Andamos o caminho de volta até sua casa, só de pensar que teríamos a casa vazia por uma semana inteira já era o suficiente para entupir meu cérebro das mais diversas perversões. Enquanto caminhávamos senti Kyle segurar minha mão. Sua mão é sempre tão quente que nem uso mais minhas luvas.
Quando me virei para olha-lo, ele estava me olhando com um sorriso tímido, como se estivesse pensando nas mesmas coisas que eu. Eu te amo Kyle, eu te amo tanto! Aproximei meu rosto do seu e o beijei.
Ele devolveu o beijo passando seus braços pelo meu pescoço, ele precisa ficar na ponta dos pés para fazer isso. Tão baixinho. Joguei-o contra uma parede e começamos a nos roçar.
“Ei, melhor entrarmos.” Disse Kyle com sua respiração já pesada.
“Mas que quero você agora.” Respondi.
Kyle sorriu e passou seu indicador pelos meus lábios.
“Teremos muito tempo para brincarmos... Se você conseguir me pegar!” Ele se abaixou e passou por mim, correndo em direção a sua casa. “Você é muito lento Kenny!”
Fui atrás dele, correndo pela neve até sua casa, quando chegamos perto ele desacelerou e eu o agarrei. Envolvi meus braços em sua fina cintura e voltei a beija-lo enquanto tentava tirar as chaves de casa dos bolsos.
“Hm, com licença...”
Paramos de nos beijar e fomos ver quem estava nos interrompendo.
“Rebecca!” Kyle disse surpreso.
“Kyle posso conversar com você?” Disse a garota, ela parecia um pouco preocupada, não sei como não sentia frio usando um vestido tão curto.
“Claro.” Ele abriu a porta da casa e fez um movimento convidativo. “Vamos entre, deixe-me te ajudar com suas coisas.”
Eu não posso dizer o quanto estou desapontado, essa garota chegou e interrompeu tudo! Além do mais ela estava com uma mala, quem é ela e o que faz aqui? Ela vai arruinar toda a semana!
Entramos na casa e Kyle foi preparar um café. A tal ‘Rebecca’ deixou sua mala em um canto e sentou-se num banco da cozinha para fazer companhia, eu fiquei lá com meus braços cruzados.
“Kenny, essa é a Rebecca, não se lembra?”
“Não.” Kyle me deu um olhar irritado. Embora esse nome me soe familiar, sinto que já a vi... Ah! Era aquela vadia, irmã do garoto que estudava em casa! Ela estudou conosco, mas por muito pouco tempo e nem era da mesma turma. Se não me engano foi ela que levou o primeiro beijo de Kyle, eles vêm mantendo contado desde aquela época?
“Não tem como ele se lembrar Kyle, foi a muito tempo tínhamos o que? oito, nove anos?” Respondeu Rebecca.
“O que a traz aqui, assim de repente?” Ele comentou.
“Bem, meus pais me expulsaram de casa. Se importa se eu usar o telefone?”
“Expulsa de casa? Por quê?” Ah Kyle, importa o motivo? Manda ela embora.
Apoiei-me na parede ainda com os braços cruzados, espero que não demorem.
“Kenny, porque não nos deixa a sós e vai resolver suas coisas lá no quarto?”
O que? Sério isso? Ele me olhava bem sério, ta bem que eu não estou sendo o mais agradável, mas qual é estávamos no meio de algo quando ela chegou. Soltei um suspiro e fui até o quarto, fiz questão de bater a porta bem forte. Rebecca maldita veio até aqui com seus probleminhas só pra nos atrapalhar.
Eu confio no Kyle, mas não confio nessa garota. Quais suas intenções pra cima do meu ruivo? E como ele pode me expulsar, ela não é melhor do que eu! Nem me incomoda ela ser ex-namorada dele do jardim de infância, eu sou o namorado atual, devia dar prioridade a mim e não me tratar como cachorro.
Joguei-me na cama e acabei caindo no sono, quando acordei já era bem escuro. Ouvi Kyle encostar a porta atrás de mim e entrar no quarto. Eu sei que estou sendo infantil, mas eu tenho razão!
“Ela já foi.”
“Que bom.” Respondi ainda emburrado.
“Ela pediu para seu irmão vir busca-la, ele mora aqui perto, mas ela não sabia o endereço.” Disse ele.
“Não me importo.”
“O que foi Kenny! Porque você está desse jeito?”
“Porque eu estou assim? A gente estava tendo um momento junto, seus pais não vão ficar na casa e quando as coisas começam a ficar quentes chega essa piranha aí com problemas pra você resolver! E você me deixa num canto e vai se preocupar com sua ‘peguetezinha’ do jardim de infância!” Eu estou bem exaltado, mas também ele é quem está errado! Eu sou seu namorado é pra mim que ele tem que dar atenção.
Kyle sentou-se na cama, estava surpreendentemente calmo. Digo, eu estava gritando com ele.
“Poderia ser, que você estivesse com ciúmes por eu estar dando mais atenção á Rebecca?”
Eu fiquei sem resposta, senti meu rosto inteiro ficar quente, parecia que eu estava sendo acusado de culpado em um tribunal, por mais que eu tentasse não saia nenhuma palavra de minha boca.
“Então eu acertei. Hum, me explica uma coisa como que você consegue ter ciúmes de uma garota? É que eu não sei se você sabe, mas eu sou meio... tipo... totalmente gay.”
“Cale a boca.” Murmurei. Eu estou sendo idiota, mas eu tenho esses ciúmes bobos às vezes, é que o Kyle é meu e eu não quero dividi-lo com ninguém. Mas agora eu não posso dar o braço a torcer, eu fiz o maior escândalo.
“Bem, ela já foi embora. E a casa ainda está vazia por uma semana” Ele disse se debruçando sobre mim. “mas vai ser difícil aproveitar isso se você estiver emburrado assim.”
Fica difícil manter uma pose com ele fazendo essa voz doce e empinando o bumbum. Droga Kyle! Você venceu!
“Desculpa, eu sei que você não tem interesse em meninas, eu fui idiota, é que eu queria atenção.”
“É bom que você saiba mesmo que eu não tenho interesse em mais ninguém além de você seu bobo. Você é meu namorado e é a pessoa mais especial pra mim.”
“Você está certo, desculpe. Eu te amo Kyle.”
“Que? Desculpe-me não estava prestando atenção...” Disse em um tom brincalhão.
“Ah, é?” Eu o peguei pelos braços e o joguei na cama podendo assim ficar por cima. “Vou me certificar de que sua atenção não saia de mim, onde paramos mesmo?”
Fui direto para seu pescoço desta vez, beijando-o todo enquanto passava minhas mãos por debaixo de sua camisa. Mordi o lóbulo de sua orelha, pois sei que ele gosta, sempre deixa escapar uns gemidinhos. Tirei sua camisa e me aproveitei para tirar a minha.
“Uau!” Ele disse mordendo o lábio inferior.
“Já consegui sua atenção?”
“Quase toda.” Respondeu apontando para minha calça.
Como exigido, removi meu Jeans e joguei no chão, agora faltava só me livrar do Jeans do Kyle. Beijei seu umbigo enquanto desabotoava-a e depois a joguei no chão com as demais roupas.
Quando fui voltar a beija-lo, empurrou-me com o pé e caí de barriga para cima, segurou meu membro e começou a me lamber. Quando fiquei totalmente ereto, o ruivo me engoliu completamente, essa boquinha maravilhosa! Percebi que estava usando uma de suas mãos para se alargar, mas acho injusto vê-lo brincar sozinho.
Puxei-o agressivamente pela coxa, assim teria seu bumbum virado para mim, como em um 69 e pus-me a lamber seu rosado cuzinho.
“Kenny...” Disse virando-se para mim e beijando-me de língua e sentando no meu colo.
Ao separar nossos beijos ficou uma breve ponte de saliva entre nossas línguas, Kyle sorriu e eu respondi com um simples beijo no queixo. Kyle se apoiou no meu peito com uma mão e com a outra posicionou meu pênis em sua entrada.
Conforme fui adentrando-o, pude ouvi-lo segurando sua voz bem no meu ouvido, até finalmente estar completamente dentro. Kyle começou então a mover-se pra cima e pra baixo. Mas, eu gosto de ouvi-lo gemendo, então resolvi derruba-lo na cama e penetra-lo novamente, com mais força.
“Ah! Kenny!” Assim, mesmo. Segurei seus braços para que não pudesse cobrir o rosto.
“Eu disse que teria toda sua atenção em mim, certo? Quero ouvi-lo gritar meu nome para a rua toda te ouvir.” Sussurrei em seu ouvido, deixando-o vermelho.
Sei que ele fica constrangido quando fico olhando-o, como se tivesse vergonha de suas reações eróticas, mas eu as amo e bem, não queria que esses olhos esmeralda reparassem mais nada além de mim.
“Eu vou- Ah!” Kyle gozou em seu peito todo, mas alguns segundos depois eu terminei de suja-lo, só que por dentro. Na verdade eu acho que exagerei...
“Seu idiota, você me sujou todo!” Gritou meu ruivinho.
“Tecnicamente isso aqui foi você.” Apontei para o seu peito.
Ele me jogou um travesseiro na cara, bateu e trancou a porta do banheiro.
“Kyle me deixa tomar banho com você!”
“Fiquei longe de mim.”
Eu fico tão feliz com como nós parecemos um casal recém-casado.
*****
BZZZZ.
Assim que saí do banho, ouvi meu celular tocando. Era uma mensagem de Karen dizendo ‘você poderia vir aqui?’. Não entendi a mensagem, tentei ligar, mas ela não atendeu, mandei outra mensagem, mas ela não respondeu então respondi que já estava indo. Que esquisito.
“Kyle, vou passar lá em casa e já volto.”
“O que houve?”
“Recebi uma mensagem estranha da Karen, estou um pouco preocupado.”
“Quer que eu vá com você? Está bem tarde...”.
“Não, relaxa. Eu vou e volto rapidinho. Deve ser meus pais brigando novamente.” Vesti meu casaco e beijei a bochecha do meu namorado.
“Se quiser pode trazê-la pra cá.”
“Sim, sim.” Respondi fechando a porta. Está tarde, o que será que houve com ela?
Não gosto muito de pensar em voltar pra casa, não quero mais ver meu pai, mas Karen estava estranha, pode estar em perigo, sei lá. E vai ser bom rever meus irmãos e minha mãe.
A rua da minha casa é mais escura, mas não é tão perigosa. A noite é mais frio embora não esteja nevando, acho que só estou tentando manter minha mente ocupada para não me preocupar.
Minha casa é realmente desgraçada comparando com a de Kyle. É estranho, mas não sei se devo bater na porta ou entrar como sempre faço. Dei de ombros e empurrei a porta, não estava trancada.
Na sala estava Kevin sentado no sofá e Karen deitada em seu colo, mas nenhum sinal dos meus pais.
“Kenny!” Disse Kevin. “Sente-se preciso te contar algo.”
“Cadê papai?”
“Está no quarto, está muito bêbado para poder fazer qualquer coisa, nem vai suspeitar que você passou aqui, agora sente-se, precisamos conversar.”
Karen sentou-se também e pude ver que ela estivera chorando.
“O que houve? Papai fez alguma coisa?”
“Kenny sente-se!” Kevin elevou o tom e estava bem sério, resolvi sentar-me então e ver o que tinha de tão sério pra me contar que eu precisava estar aqui pessoalmente. Juro que se meu pai tiver feito um mal a Karen eu acabo com ele.
“Kenny, agora á pouco recebi uma ligação do hospital.” Ele suspirou antes de prosseguir. “Mamãe sofreu um acidente, um carro em alta velocidade pegou ela e alguns outros... ela não resistiu até chegar ao hospital.”
Fiquei um minuto em silencio, tentando processar o que Kevin havia acabado de me contar. Só caiu realmente a ficha quando Karen começou a chorar.
“Quer dizer que ela...”.
“Sim, ela faleceu.” Ele respondeu, passando a mão no cabelo de Karen, para consola-la.
Sabe, isso é uma coisa que eu nunca havia pensado, eu morro e renasço quase toda semana, mas nunca havia pensado na possibilidade de alguém da minha família morrer, sei lá é algo que a gente não pensa muito até acontecer uma coisa dessas.
Eu não sabia o que pensar, o que dizer, nem se isso era real. Senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto e Karen veio me abraçar. A coitada chorava e soluçava inconsoladamente então eu me abaixei e abracei-a.
“E agora?” Tentei ficar calmo.
“Bem, agora precisamos esperar o hospital liberar o corpo e enterra-la ou mandar crema-la. Não é como se tivéssemos muitas opções.” Kevin estava com a voz sem vida, provavelmente estava se mantendo forte pela nossa irmã, afinal ele é o mais velho.
Kevin passou sua mão pelas minhas costas para me consolar.
“Eu não queria te dizer isso por telefone, eu ainda não contei isso ao papai.”
“Kenny, a mamãe não vai mais voltar pra casa... Eu quero a mamãe...” Karen chorava nos meus braços.
“Calma, ela foi para um lugar melhor, um lugar onde ela pode descansar.” Tentei acalma-la com um beijo na testa, mas eu mesmo estava tentando me consolar.
“Kenny é melhor você voltar pra casa do Kyle que já está bem tarde, eu vou cuidar da Karen.” Kevin pegou-a no colo. “Teria como você busca-la da escola de agora em diante? Mamãe normalmente era quem fazia isso e não acho que papai vai tomar jeito, meu trabalho acaba muito tarde.”
Eu fiz que sim com a cabeça e abracei meus irmãos mais uma vez. Saí pela porta de casa como se fosse um zumbi, sentia um aperto no peito, como se isso não fosse real. Suspirei e voltei correndo para a casa de Kyle, eu precisava do Kyle, eu preciso me afogar no seu abraço é a única forma de esquecer essa tragédia.
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