Notas iniciais
Desculpa a demora mas esse capítulo doeu de ser escrito estou também com muitos problemas com o computador, estou postando esse capítulo da casa de uma amiga. D:

Acordei com um grito e rapidamente tentei processar o que estava acontecendo. Meu pai estava na minha porta, amassando uma lata de cerveja com uma mão e tinha em seu rosto uma expressão de surpresa que logo se transformou em raiva.

“Mas que porra?” Ele disse.

“Droga, pai o que está fazendo?” Disse Kevin do outro lado do corredor.

De repente me caiu a ficha, olhei para baixo e Kyle estava acordando, corri o mais rápido que pude para trancar a porta do quarto, vesti uma camisa e uma calça rapidamente, e tentei acordar o ruivo.

“Kyle acorde.”

“Hmm?” Perguntou-me o ruivo coçando os olhos e abrindo-os lentamente.

“Kyle, porra meu pai descobriu a gente e ele vai me matar de porrada, saia daqui antes que ele te toque.”

O ruivo se levantou com o rosto em pânico e vestiu-se imediatamente. No corredor pude ouvir meu pai gritando contra Kevin. Vesti meu casaco também, mas seria difícil sair do quarto.

Com um chute forte a porta do meu quarto foi escancarada pelo meu pai, roçando os dentes, meu irmão está segurando-o pela cintura, mas a diferença de peso e força é muito grande. Escondi Kyle atrás de mim, não posso deixa-lo tocar no meu ruivo.

Por sorte Kevin fez meu pai tropeçar, aproveitando a brecha, puxei o ruivo pelo braço e corri até a porta de casa. Empurrei-o para fora, mas ele segurou minha mão.

“Vai logo pra casa Kyle!” Gritei.

“Não, não sem você.”

“Que merda Kyle... Eu não posso ir, se eu sair ele mata meu irmão.” Pude ver seus olhos me encarando com espanto, e sacudi o braço para que largasse minha mão.

“Escuta aqui, eu vou ficar bem, por favor, confie em mim e vá pra casa. Não chame ninguém, não fale com ninguém, só vai pra casa. Amanhã eu te visito.”

“Kenny...”

Eu fechei a porta e quando me virei, lá estava meu pai, bufando furiosamente contra mim. Eu fui descuidado, serrei meus punhos de raiva e esperei até que ele viesse em minha direção.

Besteira minha achar que conseguiria vencer o meu pai, embora eu tenha acertado um soco em seu rosto, ele me deu uma joelhada tão forte no estômago que cai no chão.

“Porra!” Cobri minha barriga com as mãos, me encolhendo num canto.

“O que foi? Não consegue se levantar?” Disse com um tom irônico enquanto apoiava sua bota no meu ombro.

O peso de seu pé foi aumentando gradativamente até que se cansou de ficar me olhando e voltou a me agredir, tentei me proteger o máximo possível e evitei fazer sons, qualquer coisa agora pode ser levado como provocação e a última coisa que eu preciso é enfurecê-lo mais. Senti um cuspe sendo lançado em meu rosto.

“O que foi o gato comeu sua língua? Viadinho! Seu bosta” Disse, chutando-me cada vez mais forte. “Eu criei um filho pra ser macho, não uma bichinha. Você não é mais meu filho!”

Ele parou por um momento para tomar fôlego, seu rosto completamente vermelho, seus terríveis olhos azuis transbordando em fúria e com suor escorrendo até seu bigode louro escuro. Tentei me levantar, mas estava difícil, a porra do meu corpo doía todo.

Quando consegui ficar de quadro, ele me acertou mais um chute no estômago, dessa vez tão forte que cuspi sangue no chão. O cheiro de álcool emanava da figura em minha frente, começando a ficar ofegante de tanto descarregar em mim. O pior é que depois ele cairia no chão, dormiria e quando acordasse não se lembraria de nada que tivesse feito a mim.

Não havia nada que eu pudesse fazer, o velho é muito mais forte do que eu, devia já ter acertado Kevin na cabeça tão forte, que ele desmaiara, agora era minha vez. Ele se agachou e me pegou pela camisa olhando-me no rosto com desprezo.

Acertou-me um soco em cheio que cortou meus lábios fazendo-os sangrarem um pouco. Respirava algumas vezes e voltava a me acertar o rosto, eu já mal sentia a dor, sabia que daqui a pouco ele me nocautearia ou me mataria, tanto faz. Ao menos Kyle não estava mais aqui.

Ouve um leve som da porta da frente se abrindo, e dela entrou uma figura ruiva, minha mãe. Ela largava no chão as bolsas que trazia consigo e correu em direção ao marido que estava praticamente em cima de mim.

“Stuart! O que está fazendo?” Ela correu em nossa direção e empurrou papai para longe de mim.

Ela segurou meu rosto com as duas mãos e limpou o sangue de meus lábios com o dedo, estava com um rosto tão preocupado. Acho que queria checar se eu ainda estava vivo.

“Saia de perto dele mulher! Isso é assunto de homens!” Disse meu pai se aproximando e colocando sua mão em seu ombro.

“Saia de perto dele você seu monstro! Vai mata-lo de novo assim!” Ela gritou de volta, abraçando minha cabeça.

“Bom, quem sabe ele não aprende a ser homem.” Ele a empurrou e dessa vez me acertou a joelhada na testa, a sala começou a girar, já não ouvia mais suas ofensas.

“STUART!”

Desmaiei.

*****

Quando acordei estava com uma dor de cabeça horrível, abri lentamente meus olhos e meu corpo estava todo dolorido. Quem diria dessa vez eu sobrevivi. Que merda. Estava no quarto de Kevin, com a cabeça apoiada no colo de minha mãe que gentilmente acariciava meus cabelos com sua mão.

Kevin estava sentado em sua cadeira da escrivaninha onde normalmente, ele ficava trabalhando, eu e mamãe estávamos na cama. Ela estava com um olho roxo e algumas marcas no braço, papai realmente não tem controle.

“Ah, você acordou!”

Não respondi, não tinha o que dizer.

“Kenny...” Falou Kevin “É melhor você sair de casa. Papai caiu no chão por efeito da cerveja, mas quando acordar esse ciclo vai se repetir. É mais seguro pra nós, se você sair.”

Droga agora eu estava sendo expulso de casa, que maravilha! Provavelmente era melhor do que viver aqui e arriscar a vida todo o dia contra meu pai, mas ainda sim... Levantei-me para poder ficar sentado.

“Kevin me contou que você estava com um garoto na cama.” Minha mãe explicou. “É impossível fazer o seu pai entender esse tipo de relação, ele é muito conservador. Esse menino é especial para você?”

“Sim... muito.”

Ela suspirou, e se levantou da cama com uma expressão séria.

“Vamos até a casa desse garoto, vou pedir aos seus pais que o deixe ficar lá por um tempo. Eu e seu irmão já arrumamos suas coisas, é melhor sair antes que Stuart acorde.”

“E para você está bem eu estar em uma relação assim?”

“Desde que você esteja feliz, como mãe eu vou apoiar sua escolha.”

“Então deixe que eu falo com ele. É melhor.”

Mamãe me olhou confusa, e Kevin também. Acho que não tem problema se eles souberem com quem estou saindo, suspirei e disse:

“É o Kyle mãe, você conhece sua mãe e sabe como ela pode ser tão conservadora quanto papai. Estou falando de Sheila Broflovski.”

Mamãe estava um pouco surpresa, colocou a mão na testa e começou a andar para os lados pensando em algo, acho que preocupada.

“Tudo bem Kenny, dizemos que houve um problema com seu pai e deixamos você cuidar do resto.” Ela olhou para meu irmão que concordou imediatamente.

Eu não queria causar problemas pro Kyle, pedir para ficar em sua casa seria extremamente inconveniente para sua família, mas não me restava muitas escolhas. Peguei meu celular e liguei para o ruivo.

“Kenny?” Ele atendeu preocupado.

“Kyle, aconteceram algumas coisas ruins, posso ficar um tempo na sua casa?”

“Pode, eu convenço minha mãe.”

“Estou indo para aí agora mesmo.”

“Ok.”

Desliguei o celular e coloquei-o no meu bolso, essa situação era degradante, meu orgulho conseguia doer mais do que as marcas roxas em meu corpo.

“Eu vou primeiro, mãe. Depois que estiver tudo certo você e Kevin podem vir me visitar. Digam pra Karen que estou com Kyle ela o conhece e deve não se preocupar.”

“Você está bem?” perguntou Kevin.

“Não.” Suspirei “Mas vou ficar.”

Apanhei a mochila e a mala que minha mãe e irmão haviam preparado com minhas coisas e desci as escadas em direção à porta. No caminho encontrei meu pai jogado no chão roncando alto e fedendo a álcool. Senti um desprezo profundo, um nojo de carregar o sobrenome McCormick e segui meu caminho.

A noite era de lua cheia, e como ainda é inverno, estava muito fria. Eu mal sentia o frio devido às dores em meu corpo. Não conseguia pensar em nada, só seguia em frente deixando pegadas pela neve, se pelo menos eu fosse mais forte... não, de que adiantaria eu bater em meu pai?

Quando cheguei à verde residência dos Broflovski, mandei uma mensagem para Kyle, não quis tocar a campainha, não queria que sua família me visse desse jeito. Sentei na porta e esperei-o vir atendê-la vendo minha respiração no frio.

Kyle abriu a porta e me ajudou a pegar minhas coisas, silenciosamente subimos para o seu quarto. Deixamos minhas coisas em um canto e ele encostou a porta do quarto.

Ele não disse nada apenas pegou em seu armário algumas pomadas e começou a passar em meu rosto.

“Tire a camisa.” Eu tirei e ele continuou o que estava fazendo pelo meu corpo.

Quando terminou, guardou as coisas de volta em seu armário e se sentou na cama, ao meu lado. Ficamos um bom tempo em silêncio.

“Meu pai estava muito bêbado.” Eu disse com uma voz sem vida. “Mas esse não foi o único motivo pelo qual ele me bateu, aparentemente para ele eu sou uma aberração. Ele não me quer mais como seu filho, se eu permanecesse na casa ele me mataria.”

Senti gotas de água cair no meu joelho, molhando meu jeans. Minha visão começou a ficar embaçada e minha voz a falhar, foi quando percebi que eu estava chorando.

“Ele é meu pai, e me bateria até a morte quantas vezes fosse preciso até estar satisfeito. Se eu não saísse da casa ele também bateria no meu irmão, na mamãe e na Karen! Ah Kyle e agora, como eu vou proteger a Karen dele?”

Kyle não me respondeu apenas abraçou-me até que meus soluços sessassem. Do jeito como meu pai bebe, ele pode acabar fazendo algo com a Karen, e eu digo coisas muito piores do que surras e ofensas. Eu não entendo, somos seus filhos! Que merda.

Kyle me deu um remédio e água, eu nem perguntei o que era só aceitei. Depois chutei meus sapatos para fora e deitei minha cabeça em seu colo. Eu estava com tanta raiva de tudo, que se não fosse pelas carícias do ruivo em meus cabelos eu faria alguma besteira.

Comecei a me sentir cansado, o ruivo me beijou na testa e logo caí no sono, que merda. Não queria que esse tipo de problemas que tenho saísse de casa.

Notas finais
Então aqui está o resto da família McCormick. Desculpa Kenny ç.ç