K²
12 Encontro
Notas iniciais
Como sempre sou o primeiro a acordar, do meu lado está deitado esse maravilhoso garoto loiro dormindo largadamente, e esse mesmo ‘maravilho garoto loiro’ é quem vai me levar a um encontro hoje.
Eu estou muito ansioso, Kenny disse que vamos para a cidade vizinha, Denver, assim tem menos chances de tombarmos com alguém conhecido para nos encher o saco. Nós devemos sair depois do café então acho que já vou me arrumando.
Quando saio do banho Kenny está acordando, eu acho incrível a capacidade que ele tem de ficar bonito sempre, seu cabelo bagunçado se molda em seu rosto parecendo proposital, ele esfrega os olhos e se espreguiça.
“Bom dia” ele diz levantando-se e me dando um beijo na bochecha.
Respondo e ele entra no banheiro. Ouço o som do chuveiro, tenho vontade de entrar lá e tomar banho com Kenny, mas é melhor deixar essas coisas para depois do encontro. Preciso me vestir, quero usar algo bonito, mas principalmente que realce meu bumbum que o loirinho tanto gosta.
Vesti uma jeans que ressaltava minha parte de traz, uma camisa de manga comprida branca e uma verde por cima, acho que não tem problema usar tênis hoje, não tem muita neve. Deitei na minha cama de barriga para cima, o cheirinho do Kenny fica tão facilmente impregnado no travesseiro.
Kenny sai do banho usando somente cueca, eu espio ele se vestindo eu adoro seu corpo, não é muito musculoso é na medida certa. Ele veste uma calça preta, uma camisa de manga comprida laranja, por cima uma jaqueta preta de imitação de couro e converse preto.
“Vai ficar com frio usando só isso” Olho para minhas roupas, acho que ele tem razão. Kenny se aproxima de mim e me veste com um casaco, não é qualquer casaco é o seu favorito, laranja da mesma cor do casado tipo Parca que usava quando éramos crianças.
“Mas esse é o seu favorito, você usa sempre.”
“Por isso mesmo, meu casaco favorito com minha pessoa favorita.”
Corei levemente enquanto Kenny beijou minha testa, ele tem essa capacidade de ser tão fofo! Isso foi um pensamento tão gay! O casaco era um pouco grande em mim, as mangas cobriam minhas mãos, mas não me incomodava.
Descemos para tomar café da manhã, meus pais e Ike já haviam comido então ficamos a sós. Depois subi para escovar meus dentes e peguei meu celular e carteira, não acho que precise de mais coisas.
Desci as escadas até a porta que estava aberta. Kenny estava lá fora encostado em uma moto muito bonita, uma Kawasaki preta com leves detalhes em azul muito escuro. Eu não sabia que Kenny sabia andas de moto, muito menos onde arranjar uma, digo eu nunca o vi com uma não deve ser dele.
“Onde arranjou isso?”
“Não se preocupe, é de um amigo.” Ele me estendeu um capacete. “Só tem um então fica com você, confie em mim eu dirijo a mais de um ano.”
Ele subiu na moto e eu sentei atrás dele, vestindo o capacete e colocando meus braços em volta de sua cintura. É a primeira vez que subo numa moto, estou um pouco assustado então apertei bem Kenny, eu confio nele.
“Está com medo?” Ele perguntou sorrindo.
“Eu deveria?”
Ele ri.
“Claro que não! Relaxa, eu nunca deixaria você se machucar.”
Ele ligou a moto e acelerou. É muito rápido, mas eu sinto menos medo uma vez que estamos em movimento, é na verdade muito divertido, o vento batendo nas roupas, o cabelo loiro de Kenny vindo em meu rosto e parece bem mais seguro do que eu imaginava.
Chegamos mais rápido em Denver do que eu esperava, droga, eu estava gostando do passeio! Kenny encostou a moto perto de uns carros e nos dirigimos ao cinema. Havíamos combinado de assistir um filme de terror porque Kenny gosta e eu não quis admitir que morro de medo, não sei porque, acho que é só um lance de Jersey, é tudo falso mesmo não tem do que eu ter medo.
Compramos pipoca e refrigerante e nos encaminhamos á escura sala de cinema. Que bom que não está muito cheio, odeio cinema cheio. Sentamos nas cadeiras de trás, bem no meio da tela. Eu adoro ficar com ele no escurinho.
“Se sentir medo pode segurar minha mão.” Disse Kenny rindo.
“Eu não tenho medo.” Eu tenho sim.
O filme começou, era uma história clichê de algum espírito irritado com seu passado assombrando as pessoas vivas por causa de seus sentimentos egoístas. Eu estava comendo muita pipoca para abafar meu nervosismo, não queria demonstrar medo, é só um filme não tem nada para se temer.
Infelizmente foi um esforço em vão, na primeira aparição do tal espírito, que a musica ficou desnecessariamente alta e seu rosto próximo, levei um susto tão grande que não só segurei a mão de Kenny que a deixou estrategicamente posicionada para eu segurar, como afundei meu rosto em seu peito, com os olhos bem fechados.
“Devo assumir que foi um lapso?” Disse Kenny ironicamente.
“Tá bom, eu tenho um pouco de medo.”
Kenny respondeu com uma risada e passou sua mão gentilmente em minha cabeça, isso me acalmou. Respirei fundo e voltei a olhar para a tela, mas sem soltar a mão do loiro nenhum segundo. Sempre que sentia medo apertava-a com toda a força.
Só soltei a quente mão de Kenny, quando vieram os créditos e as luzes do cinema se acenderam. Eu não entendo como ele acha esse tipo de filme divertido, não vejo a graça mesmo. Não quero dormir mais sozinho. Nunca mais.
Recolhemos nossas coisas e saímos do cinema.
“Então, você NÃO tem medo-”
“Nem comece.” Interrompi.
Não quero discutir sobre esse filme, não quero pensar nessas coisas, quero dormir a noite. Enquanto andávamos pelo shopping, senti o loiro segurar minha mão esquerda.
“Podemos andar assim?” Ele me perguntou apertando minha palma.
Senti o calor em minhas bochechas, eu devia estar bem vermelho agora, não sabia bem o que dizer então simplesmente concordei com a cabeça. Kenny sorriu e beijou minha testa. Meu coração escapa em uma batida cada vez que me deparo com esse sorriso dele, é tão... perfeito.
“Então vamos pegar algo para comer.” Ele disse.
Um simples gesto como poder segurar a mão do Kenny me deixou mais feliz do que eu poderia imaginar, digo está certo ele é meu namorado, mas o fato de ter pessoas do qual não conhecemos nos olhando andar de mãos dadas, era um tanto constrangedor e ao mesmo tempo... bom? Continuamos seguindo.
“Kyle? Kenny!” Uma familiar voz interrompeu meus pensamentos.
“Stan!” Senti Kenny apertar ainda mais minha mão.
Encontramos com Stan por coincidência, mas ele não estava só, pelo que eu posso ver ele e Wendy voltaram a namorar. Tanto trabalho para sairmos num encontro sem sermos atrapalhados. Eu sinto uma rivalidade por essa garota há muito tempo. Wendy e eu sempre competimos indiretamente, tanto pelo primeiro lugar na escola quanto pela atenção do capitão do time de futebol.
Eu não a odeio, mas também não sinto simpatia, mesmo que agora eu tenha Kenny ela ainda é minha rival na escola. Sinceramente de todas as pessoas que eu poderia ter encontrado nesse shopping, as que eu menos esperava estão aqui na minha frente. E posso ver que Kenny não ficou muito contente.
“Oh, estou tão feliz por vocês dois! Deve ter sido difícil se assumirem publicamente desse jeito. Eu dou meu total apoio.” Comentou Wendy com sua irritante voz, sempre falando demais, e nunca nada que interesse a ninguém. Sinceramente não sei o que Stan vê nela.
“Que bom que vocês dois voltaram, de novo. Agora se me dão licença não quero que atrapalhem nosso encontro.” Kenny colocou seu braço em minha cintura e aproximou nossos corpos beijando-me gentilmente nos cachos.
Saímos andando, não sei se ele percebeu meu desconforto ou simplesmente não queriam que nos atrapalhassem, mas eu fiquei feliz. Embora um pouco decepcionado, então Stan realmente só havia sentido remorso por mim daquela vez, quer saber pouco me importa! Eu gosto do Kenny! Muito.
Comemos em um restaurante qualquer.
“Kyle, semana que vem é o aniversário da minha irmã, ela podia passar com a gente, o que acha?”
“Claro, e temos que comprar um presente. Do que Karen gosta?”
“Sei lá, coisas de menina?” Rolei meus olhos.
Isso não ajuda, do que possivelmente uma garotinha de doze anos poderia querer de aniversário? Eu não sei que tipo de música ela escuta muito menos as roupas que gosta de usar e não acho que Kenny vai ser de grande ajuda nesse assunto. Ele ama sua irmãzinha, mas não é muito observador nessas coisas.
Depois que terminamos de comer demos umas voltar pelo shopping, alguma coisa daqui Karen deve querer, eu acho. Fico olhando cada vitrine, procurando alguma pista, alguma coisa... É isso! Paro em frente a uma loja de brinquedos.
“Podemos comprar um bichinho de pelúcia, são uma gracinha deve ter algum pra ela.”
“Você é uma gracinha.”
Isso foi desnecessário, eu fiquei totalmente vermelho com esse comentário, sem dúvida, que embaraçoso. Como ainda estávamos segurando as mãos puxei-o para dentro da loja sem olha-lo novamente no rosto, mas pude ouvi-lo rindo.
“Boa tarde. Posso ajuda-los?” Pergunta uma atendente.
“Estamos só dando uma olhada.” Respondo.
“Qualquer coisa é só me procurar”
Odeio como os atendentes de loja simplesmente nos atacam quando entramos em uma, eu sei que faz parte do trabalho deles, mas mesmo assim, é irritante. Solto a mão de Kenny e reviro as prateleiras de bichinhos, quero algo que ela realmente vá gostar. Bem que ele podia me ajudar ao invés de ficar parado aí com as mãos nos bolsos, fingindo que não está olhando meu bumbum.
Acho que fiquei um cinco minutos mexendo nos bichinhos até encontrar um perfeito, só havia um era um coelhinho branco que usava um casaquinho laranja, me lembrou tanto o Kenny, que tinha que ser esse. Quando éramos pequenos ele vivia usando uma parca laranja que chegava a ser difícil de entender o que dizia às vezes. Era engraçado, senti uma leve nostalgia.
“Achei. Vai ser esse, parece com você.”
“Me acha parecido com um coelhinho?” Ele me provocou.
“Esquece!”
Não vale a pena tentar explicar, comprei também um embrulho para o presente e saímos da loja. Agora era voltar para casa para a melhor parte do dia romântico. Estávamos andando para fora do estabelecimento quando ouvi um som alto, como de um tiro. Na mesma hora houve alguns gritos e pessoas se abaixaram instintivamente, eu fechei meus olhos.
Por um momento, não houve nada além de silencio. Abri lentamente meus olhos, algumas pessoas estavam olhando aterrorizadas em nossa direção, oq eu será que havia sido esse barulho?
Olhei para o lado lá estava Kenny, com literalmente um buraco na testa, escorria sangue por todo o ser rosto, seus olhos não continham brilho e seu corpo pesava. Ele caiu no chão e eu me debrucei sobre o corpo chamando por ajuda, até vieram algumas pessoas preocupadas e a segurança teve que afasta-las, ouvi alguém chamando a emergência.
Eu apoiei sua cabeça em meus joelhos, sinto como se ele ainda pudesse me ouvir, segurei sua mão e ele a apertou, mas logo foi perdendo força, perdendo calor. Minha visão foi ficando embaçada e senti as quentes lágrimas escorrerem pelo meu rosto sem controle.
“KENNY! KENNY NÃO! FIQUE COMIGO KENNY!”
Eu chorava inconsoladamente até a emergência chegar para leva-lo em uma ambulância, eu senti como se meu coração tivesse parado, os policiais tiveram que me separar do corpo de Kenny, porque algo assim tinha que acontecer? Porque com Kenny? Quem fez isso!? KENNY!
Notas finais
Por favor não deixem de postar suas críticas, eu gosto de saber o que falta na história e o que é esperado e principalmente se tem algo que eu possa melhorar! :)
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