Ká-bum!

12 Capítulo 11 - Casamento


Alicia saiu correndo o mais rápido que conseguiu até chegar em seu quarto. Ela passava as mãos em seus lábios relembrando o inesperado beijo que recebera de Willian. Sentia uma imensa raiva por ele ser tão contraditório com as próprias palavras que dizia. Talvez se ele tivesse feito aquilo alguns dias antes, ela poderia corresponder tais sentimentos, mas em seu coração prevalecia apenas ódio e confusão.

Enquanto Alicia descontava sua raiva em um travesseiro, jogando-o contra as paredes e batendo nele, Willian estava deitado na grama, ainda no mesmo lugar, pensando em quão estúpido ele era para conseguir piorar uma situação que já estava ruim. Porém, ele não se arrependia de seu ato. Pensava que ao menos ela sabia os sentimentos que ele guardava por ela.

Os outros dias que se passaram até chegar o dia do casamento, serviram para que Willian examinasse o local e encontrasse um meio para a sua fuga.

Tentou conversar com Alicia e mostrar-lhe suas ideias, mas parecia que quando ele se aproximava, ela simplesmente fugia de seu campo de visão, o que deixava claramente que a garota o evitava.

Diana não conversara mais com Willian, talvez nem tempo tivera, já que estava ocupada, como todos da casa, com os preparativos do casamento. Willian era o único que não parecia interessado, sempre fugindo de qualquer tarefa que era a ele colocada.

Um dia antes da realização desse grande acontecimento, Willian estava arrumando as ultimas coisas para colocar em sua bagagem quando observou pela janela de seu quarto que Alicia dirigia-se ao local se seu aposento. Logo em seguida ele foi atrás dela.

Alicia trocava de roupa quando escutou baterem em sua porta. Ninguém entrou. Viu um pequeno envelope sendo arrastado por debaixo da porta para dentro do seu quarto. Suspeitando de que se tratava de um bilhete de Willian, ela virou o rosto como rejeição na vontade de não querer lê-lo, mas curiosa como era, cedeu a tentação e confirmou as suas suspeitas sobre o remetente. Assim, começou a ler o bilhete:

"Alicia;

sei que fui um tolo em várias atitudes, sei que estás brava comigo e que nãos queres me acompanhar nesta aventuras que dizes ser loucura, mas eu preciso de sua presença e de sua companhia, pois és especial para mim. Esperarei por você uma hora antes de meu casamento no jardim atrás da casa, perto do salão de armas".

Ao fim da leitura, Alicia amassou o papel e jogou-o no chão brutalmente. Não sabia ao certo o que pensar ou como agir. De que modo ele pretendia fugir? Seria um ato quase impossível: o casamento seria realizado na frente da casa, onde tudo já estava preparado; o único portão que havia era o de entrada, o qual serveria de espera para a noiva que iria vir da cidade, e além disso, o portão seria bem guardado para que não houvesse visitas indesejadas. Talvez ele pretendesse pular o muro, mas como?

***

O nascer do outro dia veio radiante. Todos esbanjavam felicidade ao cuidarem dos ultimos preparativos do casamento. Era apenas 10h da manhã e tudo estava pronto para a celebração que ocorreria as 17h.

A noiva preparava-se para ir na cidade quando Willian adentrou em seu quarto. Ele viu a pequena garota e foi ao seu encontro. Deu-lhe um forte abraço, e ela, como se entendesse que aquilo era uma despedida, sussurou-lhe "Boa Sorte" em seu ouvido e saiu do quarto. Pela janela, ele pôde vê-la subindo na carruagem acenando para ele se despedindo. Logo apareceu Adelaide na porta pedindo que ele experimentasse o terno mais uma vez. Ele não recusou. Adelaide alegrou-se ao ver Willian no traje de casamento.

– O sinhô tá bonito por demais da conta! — a negra ria-se banhando-se de lágrimas de emoção.

Ele agradeceu a ela e deu-lhe um abraço.

E de um jeito discreto ele despedia-se de todos.

***

Quando tudo já estava preparado, tanto para o casamento como para a fuga, Willian foi esperar no local combinado. Meia-hora se passou e Alicia ainda não tinha aparecido. Willian pensou em voltar, pois ainda nem deviam ter sentido a falta dele, pensariam que ele poderia estar se arrumando e ainda tinha tempo para se casar. Pensou em encarar os fatos e aceitar que Alicia não viria e que deveria se casar, mas o pensamentos pararam logo. Não queria ser chamado de fraco outra vez. Sem perceber, ele já estava cercado de um enorme desespero e insegurança. Não queria desapontar os outros, mas se ele casasse agora, estaria desapontando a si mesmo.

Enquanto estava mergulhado na escuridão de seus pensamentos, como uma luz surgiu Alicia ao longe, trazendo algumas coisas consigo.

–Alicia! — Ele esbravejou de felicidade. A garota, porém, não demonstrou reação. Ele caminhou rapidamente para perto dela e, antes que chegasse, ela colocou a mão na frente como um sinal para parar.

– Não chegues mais perto. — Ela não demonstrava sentimento algum em sua voz, nem de raiva ou em um tom de quem perdoou.

– Por que dizes isto?

– Sou uma criatura de natureza muito curiosa e quero saber como sairás daqui.

– E qual a relação siddo com o que disses anteriormente?

– A relação é que não quer que penses que isto será uma aventura amorosa. Talvez o que ocorreu entre nós demosntre que sentes algo por mim, mas isso não significa que sinto o mesmo por ti.

Ao escutar tais palavras, Willian sorriu levemente sacudindo a cabeça. Ele pegou a trouxa da garota colocando-a nas costas com as demais que carregava.

–Vamos, espero que tenha pego o necessário.

Para o espanto da garota isto foi a única coisa que ele falou. Logo ele começou a se afastar cada vez mais da casa, chegando a um pequenino cercado onde havia um matagal.

– Creio que não cuidas dessa parte do jardim.

– Desde que não criam mais gado nesta terra, eles abandonaram o local. As vezes ainda trazem alguns animais, por isso ele não é cuidado.

Um silêncio pairou no ar enquanto Willian olhava para o terreno. Logo ele entrou por entre o matagal, até que a voz de Alicia o fez parar um instante.

– Como pretendes sair?! — indagou a menina quebrando o silêncio — Ainda há um muro por trás desta pastagem. Por acaso pretendes pulá-lo?

– Não. — Willian virou-se sorrindo para Alicia — Pretendo simplesmente atravessá-lo.