Ká-bum!

13 Capítulo 12 - A fuga


Rapidamente eles atravessaram o campo e chegaram ao muro, o qual limitava aquela grande propriedade.

Alicia, que não entendera ao certo o que Willian dissera, vigiava-o a cada movimento, assim pôde vê-lo procurar algo entre as paredes impregnadas de ramificações das flores que a enfeitavam. Como se encontrasse o que procurava, Willian olhou para ela e sorriu largamente. Alicia inclinou-se através de Willian e logo viu uma pequena maçaneta escondida entre as raízes das plantas. Ele forçou a porta até que se abrisse e pediu com as mãos para que Alicia entrasse. Sem fazer alguma pergunta, ela entrou, e para a sua surpresa, observou que aquilo era bem maior do que pensara.

Enquanto ele fechava a porta, a luz do fim da tarde que iluminava o local foi aos poucos desaparecendo, cedendo o lugar para a fraca luz de um lampião.

Aquela passagem secreta era um túnel que se iniciava com uma enorme escada íngreme que os levaria para o subsolo. Seus olhos procuraram o fim, mas este não era visível. As paredes contornadas por pequeninas pedras que as desenhavam como em uma obra de arte, apesar de velhas, ainda demonstravam grande firmeza. Sobre o teto pendia-se inúmeras teias de aranha, as quais iam sendo retiradas do caminho por Willian que tomara à dianteira.

Alicia parecia estar tão fascinada quando amedrontada. Através daquela branda luz, ela observava tudo detalhadamente, o que fazia o divertimento de Willian ao ver as caretas feitas pela garota.

– Como sabias deste lugar? — questionou a garota curiosa, que nunca imaginara que por ali teria um túnel subterrâneo.

– Quando eu era menino meu pai me mostrou esta passagem contando várias histórias sobre ela. Não sei ao certo, mas parece que foi o pai de meu avô que a criou para caçar a noite e voltar antes do amanhecer, pois teria assim um atalho para a floresta. Meu avô e meu pai contavam-me histórias de fugas amorosas, talvez todas por aqui, utilizando esta passagem para se encontrar com suas namoradas as escondidas — Willian sorriu-lhe — Pena que era nossa fuga não seja tão romântica quanto a deles.

Alicia corou-se e desviou o olhar de Willian.

Após algum tempo caminhando, um fresta de luz vinda do alto surgiu no fim do túnel. Depois de uma leve elevação, Willian ergueu uma tampa de madeira pela qual passava a luz e os dois saíram em meio a entrada de uma caverna.

– Onde estamos? — indagou Alicia ao perceber que tudo que enxergava ao seu redor era uma densa floresta.

– Estamos na floresta de Alice Holt. Necessariamente não sei como chegar na cidade, mas talvez este mapa ajude. — Willian retirou um mapa de uma das malas e começou a se localizar — Para chegarmos a Menchester, onde aconteceu o incidente de meus pais, nós teremos que passar pela cidade de Birmingham. Assim que chegarmos lá, pegamos um cavalo para irmos mais rápido.

– Mas essa cidade é muito longe!

– Sim, se irmos por entre os vilarejos... Mas se continuarmos cortando o caminho pela floresta chegaremos lá daqui 3 dias. Isso já será metade do caminho.

– Mas esta floresta é perigosa! Ela pode estar cheia de malfeitores ou de animais perigosos!

– Não se preocupes, desta vez EU irei protegê-la.

– Proteger-me com o quê?

– Com isto! — Willian retirou dois arco-e-flecha da mesma bolsa que pegara o mapa e jogou um para Alicia — Este é teu.

Ao segurá-lo Alicia abaixou a cabeça e em tom de desapontamento disse a Willian:

– Perdão... mas não sei como usar isto.

Willian riu-se gostosamente com o mimoso jeito da garota. A garota corou-se e abaixou ainda mais a cabeça. Ao ver tal constrangimento partindo da menina, ele pegou gentilmente o arco de sua mão e deu-lhe um doce sorriso.

– Eu ensinarei vós a usá-lo, isso de quiseres...

– Eu quero! – disse a garota banhada de um resplandecente sorriso.

Willian guardou o arco na bolsa e começou a andar entre a mata. Alicia correu para segui-lo antes que o perdesse pela vastidão da floresta.

***

Na velha casa de campo, os empregados gritavam e bravejavam inutilmente o nome de Willian na esperança de encontra-lo. Antes que começasse o casamento, a falta do moço já era notada, com a chegada da carruagem que trazia a noiva a procura espalhou-se pela casa inteira, até que depois de um tempo começaram a procura por todo o jardim e demais terrenos.

Diana, em sua carruagem, observava a procura de Willian. “Já é tarde”, sorriu a moça com o pensamento, onde correu-lhe uma lágrima pela face. “Espero que eu tenha a mesma coragem de seguir o meu destino”.

Ao perceber a movimentação, ela saiu e caminhou novamente para o quarto, arrastando o seu belo vestido de casamento que no fim nunca seria utilizado. Para a surpresa dos convidados, nem o noivo ou a noiva realmente apareceu.

Adelaide que momentaneamente só sentira falta do jovem Willian, começou a procurar por Alicia. Como não a encontrou, apareceu no salão falando sobre a fuga dos dois.

O pai de Diana chorava e gritava amargamente aos céus amaldiçoando Willian, e Oscar Bollier consolava-o com doces palavras amigas.

O crepúsculo daquele dia trouxe o espanto e o desfecho da ilusão daquele casamento.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.