Notas iniciais
chegou a hora da verdade!

ANTES

"O desfile foi um sucesso Mari!! Só não entendi por quê, se o tema era carnaval, você não incluiu máscaras na coleção..."

Marinette olha pra Alya e sorri.

“Às vezes podemos surpreender por não atender o óbvio!”

Elas riem juntas, enquanto Nino abraça Alya por trás. Finalmente eles também estavam se acertando. Alya começa a abastecer seu blog com fotos quentinhas do desfile, enquanto Marinette tenta se aproximar de um Adrien cercado de pessoas deslumbradas.

Eles trocam um olhar e fazem uma promessa silenciosa. Ainda estavam vivendo um relacionamento secreto. Sempre que podiam, se transformavam e davam uma escapada até o espaço do outro. Não conversavam muito, mas se amavam o suficiente.

Marinette dá uma breve entrevista para um tabloide local, enquanto Adrien faz o de sempre — posa para fotos. Horas depois todos os convidados já estão num imenso saguão, participando de um coquetel de comemoração.

“Não é justo que eu seja privado de beber na comemoração da minha própria grife!”

Nino dá uma risada. “Relaxa amigo, você já está se intoxicando o suficiente com essa água açucarada gasosa!”

Adrien ri e fica pensando naquilo. Tóxico. Era assim que se sentia em relação a Marinette. Ela parecia um entorpecente do qual ele ficava cada vez mais dependente. No começo era normal aquela fome atroz, mas entre eles estava demorando pra estabilizar. Era chato às vezes porque não conversavam mais como antes. Na medida que seus corpos se conheciam, eles se distanciavam. E ele sentia que era ela quem erguera uma espécie de barreira emocional.

Mais tarde, quando a multidão começava a se dispersar, uma comoção no saguão do hotel onde estavam celebrando coloca várias pessoas pra correr. Alguém estava um pouco “alto” e ao sofrer um fora, transforma-se num monstro de coração partido. Ladybug e Cat Noir já tinham enfrentado o Cupido Negro há um tempo atrás. Esse era diferente, fazia com que as pessoas ficassem apaixonadas de forma doentia, e começavam a se agredir por causa de ciúmes. Marinette e Adrien se olham à distância e poucos minutos depois estão combatendo a coisa.

Em meio às manobras e lutas, Ladybug acaba sendo lançada contra uma mureta. Cat Noir fica desconcentrado por causa do susto e também é atingido. Eles não conseguem capturar o akuma naquela noite e passam dois dias entre transformações, destransformações, escola e compromissos. Todo tempo que podiam estavam caçando, até que finalmente capturam o jovem desiludido e destroem seu amuleto.

Após acionar o Miraculous, Ladybug volta às pressas para sua casa, sem sequer se despedir de Cat Noir.

Ele a vê correndo sem olhar pra trás e suspira. Tinha sido uma das piores batalhas que já enfrentara. Principalmente porque não conseguia se concentrar, se mover, focar. Ele ficara preocupado com Ladybug, mesmo sabendo que ela lutava melhor do que ele. Percebe que o fato de não estarem conversando direito estava atrapalhando a sintonia da dupla. Algo estava muito errado, e Adrien sente um extremamo cansaço por causa da situação.

Aborrecido, segue direto pra sua casa. Está confuso e só quer apagar numa cama. Uma lufada de vento úmido o atinge no peito ao mesmo tempo em que um relâmpago cruza o céu. Que bom, dormir com chuva era sempre muito relaxante, mas era melhor correr, afinal, gatos não gostam de banho frio.

Após atravessar os portões, parou no meio do jardim atraído por um brilho violeta, em algum ponto no alto da mansão. Novamente aquele mistério… o instinto felino causa-lhe um arrepio na espinha.

Mais uma vez sobe até o último pavimento e busca em cada recinto. Quando não encontra nada, fica parado no corredor pensativo, então olha pra cima e se lembra do sótão. Chega embaixo da entrada no teto e acessa uma escada manual que leva até lá. Ele raramente entrava ali.

Fica por ali um tempo, perambulando pelo espaço entulhado, até que tropeça numa caixa aberta no chão, cheia de velhas fotografias.

São fotos de sua mãe.

Ele vai passando uma a uma. Não há fotos dele, apenas dela. Não há fotos dele com ela.

Ele se senta e encosta numa viga, mantendo uma única foto nas mãos. É seu pai ao lado de sua mãe, grávida de uns 6 meses. Fica apreciando o silêncio enquanto olha o retrato e acaba adormecendo no chão empoeirado.

Passa das 2h da manhã quando é despertado por um faixo de luz que atinge seu olho esquerdo. Sua pupila se contrai. Era a luminosidade violeta, novamente. Ele recua e se esconde nas sombras.

De repente uma porta se abre. Que raio de porta era aquela? Nunca tinha visto nenhuma porta no sótão até aquele momento. Uma figura alta e esbelta é recortada pela luz do vão. Muito familiar. Ele cogita sair das sombras quando um detalhe o faz recuar. A luz reflete em algo no rosto da misteriosa aparição. Trata-se de uma máscara! Um bando de borboletas sobrevoam ao seu redor, formando um redemoinho.

Adrien se inclina a tempo de ver uma espécie de escotilha se fechando dentro da sala secreta. Seu coração dá um salto, pois agora ele sabe quem é o estranho: trata-se de Hawk Moth!

Que merda Hawk Moth está fazendo no sótão da sua casa?

A escortilha se fecha totalmente e restam as sombras e o ruído das asas de muitas borboletas. Adrien está assustado. O vulto passa por ele a centímetros de distância, desce a escada e fecha a portinhola. Adrien corre e abre uma fresta pra espiar o estranho, quando seu coração falha uma batida.

É Gabriel Agreste: o seu pai!

Notas finais
surpresos? aguardem que vem mais por ai!!