Já não somos tão jovens
2 Mais um job
Adrien está voltando pra casa em sua Limousine quando seu celular apita com um wattzapp. Ele olha a tela e sorri.
M: “Hoje a noite, você não me escapa ;)!”
Adrien: “O que você tem em mente? O_O ”
M: “Estou criativa hoje, você vai ter que esperar pra ver! ”
Adrien: “Estou ficando excitado =] ”
M: “Pare de falar besteira! 8 horas, não se atrase!”
Ele guarda o celular no bolso e olha pela janela, apreciando distraidamente a vizinhança, bem mais animado. Faz uns 6 meses que eles estão trabalhando juntos — sim, trabalhando. E não como heróis, como ha mais tempo. Ele está numa nova empreitada em sua carreira de modelo: sua própria grife. Gabriel Agreste, seu pai, não satisfeito com as conquistas do rostinho bonito do seu filho, ambiciona impulsionar a carreira do filho. Certamente uma linha própria seria uma excelente fonte de recursos.
Já Marinette entra no contexto quando encontra sua oportunidade participando de um concurso escolar de desenho de moda, no qual ganha destaque, e Adrien acha interessante trabalhar com alguém da sua idade. Eles começam a se reunir e criar novas tendências, baseadas nos gostos dos seus amigos e sua vivência escolar, um campo de estudo inigualável.
Adrien lembra-se de que Marinette era apenas uma garota que sentava-se atrás dele na sala. Nunca olhara direito pra ela — nunca conseguira, nem que quisesse, pois Chloe Bourgeois não saía do seu campo de visão um minuto, sufocando-o com suas atenções e apelos. Chloe vivia num universo paralelo em que as pessoas eram exatamente o que ela decidia que eram — e nesse caso, Adrien era seu namorado, mesmo que nunca a tivesse tocado.
Voltando a Marinette, ele se recorda do dia em que ela entrara no escritório em sua mansão para uma reunião. Ela o olhara com olhos azuis muito grandes e muito familiares. Eles cintilavam e suas bochechas estavam vermelhas. Dava pra notar suas mãos tremendo e ele pensara na época que era o efeito que seu pai causava nas pessoas. Até as suas próprias mãos suavam em sua presença.
Depois de um tempo, a pedido dela, começaram a trabalhar na casa de Marinette, pra que dentro de um ambiente mais pitoresco e familiar, ela tivesse mais liberdade de criação. Adrien então contemplou Marinette desabrochando de garota tímida a amiga divertida, que não gaguejava mais ao falar com ele. Foi aí que começara a se sentir muito confortável em sua presença, como se se conhecessem havia anos. Algo na forma como se moviam estava sempre em sincronia, e ambos notavam isso, porém guardavam para si as suas impressões.
Era sempre bom quando ele tinha algo marcado com ela mais tarde. Ele passava o dia mais animado — ansioso até — e esse sentimento o deixava por vezes confuso, visto que seu coração sempre disparara por sua Lady — sua esnobe e encantadora Ladybug — e essa fantasia não deixava espaço pra mais nada em seu coração. Ela seria dele um dia, ele tinha certeza… mas por enquanto, Marinette estava ali, tão… olhos azuis e cabelos de ébano… Não! Não iria se aproveitar de uma situação dessas. O que ele estava pensando?
Já em casa, ele decide tomar um banho e dormir, para que o tempo passe mais rápido.
——-
Marinette ajeita mais uma vez o bloco de desenho sobre a prancheta, e fica batendo o lápis na boca, ansiosamente. Esse frenesi tinha mudado de desesperado para controlado, mas continuava ali, borbulhando dentro dela. Toda vez que ela sabia que ele viria à sua casa, começava a ter pequenos choques em suas terminações. Era tensão sexual, ela sabia disso. Estava no auge de sua sexualidade, e… virgem. Nada de errado com isso, a maioria das suas amigas eram. Mas a maioria das suas amigas não tinha um partido cobiçado sem camisa em seu quarto, várias noites por semana. E ela o amava. Como o amava! Ele se revelara um amigo tão divertido, despojado e interessado que ela chegava a assemelha-lo ao seu gatinho de estimação. Ah, Cat! Será que uma hora dessas eles não poderiam ter uma conversa mais profunda? Marinette não entende, mas quanto mais tempo passa com Adrien, mais se sente conectada a Cat Noir.
"Entrandoooo! Espero que esteja vestida!"
O sobressalto faz com que Marinette bata com a cabeça na luminária.
"Adrien, como você entrou assim? Não ouvi a campainha!"
"Sua mãe estava na porta, saindo pra algum lugar. Só cruzei com ela, ela disse que você estava me esperando!"
"Sim, sim. Desculpe o mau jeito!"
Adrien olha pra ela, com suas bochechas sempre rosadas, e arfante. Ele imaginou ela assim, num outro contexto… Ei! O que há com ele? Parou de imaginar coisas antes que seu corpo reagisse de forma notável.
Marinette vira-se, ainda desajeitada e exclama: "Voilá!! … Carnaval!! — e dá um rodopio gracioso, com um bloco de desenho nas mãos.
"Carnaval?"
"Sim!! Esse é o tema da próxima coleção. Acabou de chegar por email, e eu já estou super animada!!! Luz, música, máscaras…"
"Ahn… ok." — Adrien não é muito fã de festas. A constante exposição e o estar cercado por interesseiros deixava tudo meio sem sentido. Ele mesmo nunca havia tido uma festa de aniversário que não envolvesse algum interesse de marketing, então festas não passavam de mais um compromisso na sua agenda. Mas ela estava tão animada…
"Vamos fazer hoje a prova do modelo da outra semana, eu fiz uns retrabalhos no ombro, queria ver isso primeiro. Pode tirar a camisa agora!"
"Você pedindo desse jeito, como vou resistir?"
Marinette, de repente, fica paralisada com a peça de roupa na mão... Aquele tom sarcástico, debochado, era muito, muito familiar…
"Err… ok, e-eu…" — por que estava gaguejando de novo?
Adrien percebe a gafe e se sente desconfortável novamente, mas de uma maneira gostosa; o seu coração dá um salto do peito até seu baixo ventre. Caramba! O que estava acontecendo com ele? Precisava resolver esse assunto mais tarde, no seu quarto, sozinho com um pôster predominantemente vermelho com bolinhas pretas…
E eles começam a dança do tira põe — roupas!
———
AGORA
M está pulando sobre alguns telhados, cortando caminho até sua casa. Sua antiga casa. Agora o seu quarto não é mais cor de rosa, e suas coisas foram encaixotadas. De qualquer maneira suas antigas roupas não serviriam mais. Seus seios não cabem mais nos mesmos soutiens, e seu jeans fecharia na cintura, se passasse pelo seu quadril. Ela gostava do que via no espelho, do nariz pra baixo. Muito menos magrela, muito mais mulher. Mas seus olhos azuis eram muito diferentes de antes. Havia sombras neles. Pra se recuperar ela tinha partido, mas ao desembarcar do trem em Paris tudo viera como uma bofetada, atingindo-a em cheio no peito, subindo até seus olhos e transbordando, molhando sua face.
Dá mais um salto para uma varanda abandonada e ali permanece. Está tudo muito quieto, já passa das 3hs da manhã e só alguns poucos movimentos na rua abaixo tornam vivo um bairro pacato como aquele. Um cão comendo restos num beco, um casal se “engolindo" numa escada de incêndio, um homem vestido de gato… o que?
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