Notas iniciais
Mais respostas. Daria até pra adivinhar o final... mas ainda poderia surpreende-los... será?

"O que foi que você disse que aconteceu mesmo?” Um enfermeiro perguntou novamente enquanto passava uma gase ensopada de algum produto amarelado e de cheiro esquisito em sua nuca.

“Um gato. Ele pulou no meu pescoço.” Marinette deixa sair as palavras sem expressão.

“Esse gato devia ser muito grande!” Comenta o rapaz de modo desconfiado. “por pouco não tem que tomar pontos. Três cortes bem fundos, do pescoço até a nuca…”

Marinette deixa escorrer uma lágrima. Mais uma entre tantas que derramara naquele dia. Estava entardecendo e finalmente seus pais a haviam convencido — na verdade, obrigado — a ir até o ambulatório. Esperavam por ela na recepção, e não poderiam imaginar o tamanho do problema que ela tinha que enfrentar.

Ela tinha que fugir.

Logo depois do encontro com Adrien ela ligara os pontos. Ele tinha sido akumizado.

Nunca imaginava ser possível que um deles pudesse ser akumizado, e não tinha a menor idéia de como fazer a purificação. Ela não poderia enfrentar Cat Noir. Não realmente. Talvez pudesse vencê-lo num duelo de habilidades, mas não teria forças de investir contra ele se necessário. Não poderia lutar de verdade.

E ele era maior do que ela, tinha garras e um poder de força sem igual. E o fato de não nutrir sentimento algum para com ela dava-lhe uma grande vantagem.

Mais lágrimas.

“Está doendo muito?” Pergunta o enfermeiro, preocupado.

“Sim, muito.” Ela responde, referido-se ao seu coração partido.

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Cat Noir está agora no alto de um prédio, vigiando. Passara o dia seguindo os passos de Marinette. Depois de ter sido akumizado, Plagg tinha meio que desaparecido em seu anel. O efeito da transformação era constante, como se seu Kwami tivesse sido aprisionado.

Ele não via problema algum quanto a isso. Estava livre de todos, inclusive de Adrien. Não precisava mais cumprir com as expectativas de ninguém.

Principalmente de seu pai.

Espicha as garras e arranha o telhado de zinco da construção, produzindo um ruído agudo. Havia ainda um ranço de ressentimento afinal. Ódio. Apenas o frio e pungente ódio por todos.

Ele a vê saindo do consultório médico com os pais. Por que ela não se transformava? Por que não facilitava as coisas pra ele? Uma luta, pra finalmente mostrar quem era o melhor dos dois.

“Você precisa pegar o miraculous dela!”

“Cale a boca. Eu faço o que eu quero. Você não pode me manipular!”

Era verdade. Hawk Moth não contava com isso. Não tinha como manipular as ações de Adrien como com as demais vítimas de sua vilania. Ele seria o próximo na lista de Cat Noir, era só uma questão de tempo.

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"É noite. Chegou a hora, Tikki…”

Antes de sair, dá uma espiada no quarto dos seus pais e os contempla dormindo. Sentiria saudades. As lágrimas ameaçam escapar, mas ela as engole e segue adiante com seu plano.

O objetivo era levar Cat Noir para um ponto afastado de Paris. Talvez lá, sem platéia ou distrações, pudesse entender melhor como enfrentá-lo, até convencê-lo a recuar. Se necessário fosse, teria que dar um jeito de purificá-lo.

Marinette sai de casa e dá sinal para um táxi. Ela entra no automóvel e fecha a porta, sem saber que é seguida por olhos verdes à distância.

“Siga pela Route des Fond, rumo à Floresta Domaniale de Montmorency, por favor. Eu aviso quando parar.”

O taxista olha desconfiado pra ela. O cabelo curto está solto sobre o ombro, e é possível ver a ponta de um curativo por baixo dos fios. Parece muito jovem e idefesa, jovem demais pra sair sozinha à noite. Ele se preocupa em levá-la para um local tão afastado.

“Moça, está certa de…”

“Faça o que estou pedindo, por favor. Sou maior de idade e responsável por meus atos."

Ele ainda está inseguro e pensa em pedir um documento comprobatório, mas a determinação em seu olhar o faz recuar. Bom… não era problema dele, afinal. Dá partida e seguem rumo à floresta de frondosas árvores nos mais derivados tons terrosos. Uma beleza outonal que ninguém notaria naquela noite.

Depois de aproximadamente quarenta mintos ela desembarca e paga o taxista. “pode ir embora.”

Ele se preocupa com garota, mas dá de ombros e manobra o carro. Quanto menos soubesse, menos problemas. Mesmo assim ele deixa o seu número de telefone com ela antes de partir. Aos poucos as lanternas desaparecem na estrada; Marinette dá meia volta e entra na floresta.

Caminha por quinze minutos, adentrando cada vez mais a mata. Usa a lanterna do celular para enxergar a trilha entre as árvores, quando a luz faz refletir dois pontos verdes, ha uns dez metros de distância. Ela não se questiona como ele havia chegado até ela tão rapidamente. Não faz realmente idéia dos poderes que ele guarda, e quantos haviam sido potencializados pela contaminação do akuma.

“Tikki, tá na hora!” Ela toca no brinco e faz a transformação. É Ladybug agora, pronta e posicionada, esperando pela aproximação de Cat Noir.

E ele vem, correndo como um felino. Dá um salto no ar e desce em direção a ela, com garras à mostra. Ela rodopia pra traz e lança o seu ioiô, tentando laçar-lhe as pernas. Com o bastão ele desvia a rota do ioiô, fazendo com que ela o solte acidentalmente. Ela cai e ele vem andando lentamente em direção a ela, com uma expectativa maligna no olhar. Ela se levanta novamente com um salto e ergue os punhos em defesa.

“Eu fiz o que você pediu… eu fui embora!”

“Ah, joaninha… você não sabe que uma das características mais divertidas de um felino é brincar com sua caça?”

“Cat Noir… por favor!… Eu o amo! Eu não posso lutar contra você!”

“Você está começando a estragar a brincadeira…”

Então ele a golpeia nas pernas com o cinto, derrubando-a novamente de costas no chão. Dá um pulo sobre ela e imobiliza-a entre suas pernas. Levanta-lhe os braços acima da cabeça e fica com o rosto muito próximo do dela, ao ponto de suas respirações se cruzarem.

Então ele dá uma lambida em seus lábios, depois a beija. Ela sente a ereção dele contra sua coxa, e por um momento se esquece de tudo. Seu corpo responde instantaneamente e ela começa a arfar. Ele aprofunda o beijo e se movimenta sobre ela, melhorando o encaixe dos corpos. Sua língua brinca na boca de LadyBug, enquanto ele começa a se mover lenta e ritmicamente, como leves estocadas, e mesmo ambos estando completamente vestidos, a brincadeira aumenta exponencialmente o nível de excitação. Ele está arfante e abandona seus lábios para beijá-la na face; segue lambendo o rosto, pescoço e orelha, deixando-a completamente úmida, em todos os sentidos. Ali ele fica mais tempo, mordiscando e chupando.

Ela sente seu corpo suar numa febre enlouquecida. Independente de todos os acontecimentos até ali, ela se assusta com a capacidade de entregar-se tão inconsequentemente ao seu agressor. Dá um gemido, e ele geme também, o coração de ambos bate sincronizado, e ela sente ele parar um pouco, talvez retomando o autocontrole. Sua mão desce pelo corpo dela e para entre suas pernas, sentindo a umidade que traspassa-lhe a roupa. Mais uma vez entra numa caixa branca de sensações onde o mundo externo não existe, apenas Adrien. Em meio a esse torpor, ela é surpreendida quando o poder do miraculous se esvai do seu corpo. Fica paralisada quando percebe que é novamente apenas Marinette. Olha pra ele confusa, então ele fica de joelhos, ainda mantendo-a entre suas pernas, e ri de uma maneira fria e maldosa.

“Ponto pro gatinho!”

Ele se levanta com um salto e cospe o brinco dela na mão. Ela olha pra ele, a frustração pelo desejo não saciado queima-lhe as entranhas, e a decepção por ter sido o objeto de uma brincadeira de mal gosto amarga-lhe a boca. Então ela nota que ele também está arfante, e o volume entre suas pernas comprova sua excitação. Aquilo pareceu-lhe um pouco para além de um simples jogo. Ele a queria também e não podia esconder.

“O que você pretende fazer com isso? Entregar a Hawk Moth?”

“Eu quero que Hawk se exploda!”

Ele lhe dá as costas e ela percebe que sua pergunta o abalou. Ele está tentando se recompor também. Aquilo tinha sido muito intenso.

“O que aconteceu realmente com você, Adrien?”

No silêncio que se seguiu ouvia-se apenas o piar de uma coruja à distância e o leve farfalhar das copas das árvores causado pelo vento. Ela percebeu que havia uma fresta, uma minúscula abertura que ela poderia usar pra entender melhor o que acontecera. E tinha a ver com Hawk.

“Como foi que ele o pegou?”

Cat Noir volta-se de novo pra ela, com olhos confusos. Sim, havia uma abertura ali.

“O que ele usou pra te dominar?”

“Engraçado você falar disso. Ele na verdade sempre teve um certo poder sobre mim, a propósito, eu cheguei a mencionar que ele é o meu pai?”

Aquilo teve o efeito de uma bomba. Mesmo tentando ser sarcástico com o comentário, ela percebe a energia que ele está empregando pra não deixar transparecer sua angústia. Ela no entanto está chocada com a revelação. Então era isso o que ele tinha ido falar com ela naquela noite. Quanta estupidez… Era necessário um milhão de palavras para se conhecer realmente uma pessoa. Uma única para feri-la… e nenhuma para destruí-la.

“Eu não podia imaginar…”

“Quem poderia, não é mesmo? Mas não foi de todo ruim, sabe? Agora eu sei porque ele nunca se importava muito comigo. Quem se importaria?”

O fim da frase paira entre ambos, tempo suficiente pra ele permitir que as garras da indiferença voltem a assumir o controle de suas ações.

“Não é verdade, Adrien! Eu me importo! Por favor!"

“Não faz diferença agora. Vou terminar logo o que comecei. Esta noite você vai morrer, Ladybug!”

Ele a levanta do chão com um único movimento, joga-a sobre os ombros e começa a correr em direção a uma colina.

Ela desiste de lutar. Deixa-se levar por ele, entregue. Sente os galhos arranhando seus braços mas isso não a incomoda. Talvez merecesse aquilo. Pensa nos pais, em Alya, e lágrimas começam a correr por sua face. Ela chora pelo tempo que não teria, pelas alegrias que não viveria. Chora por Adrien, e pelo pai dele, que transformara-se num monstro por alguma razão que não tinha implicâcia ali.

Ela chora mais do que se lembrava ter chorado durante toda a sua vida.

De repente Cat Noir para de correr. Estão num lugar alto, ela percebe pela velocidade do vento. Ele coloca-a no chão com força e segura-a pelos braços.

“Eu não posso seguir em frente se você estiver aqui… entende?”

Ela não responde, apenas o olha, chorando. Uma vez que deixara as lágrimas fluirem, não conseguira mais controlá-las.

“Você está o tempo todo ameaçando minha estabilidade, meu autocontrole! Eu olho pra você e algo fica me lembrando que eu não posso dar o próximo passo, que eu tenho que me importar! Eu tenho que matá-lo, entende? O meu pai! Eu tenho que acabar com tudo! E você não me deixa pensar direito, você fica abrindo um buraco em mim, a cada vez que eu olho pra você eu…!”

Ele está gritando com ela, e ela continua a chorar. Ele começa a ficar muito irritado com o efeito que suas lágrimas têm sobre ele, e em sua agonia perde o controle. Avança na direção dela ferozmente, agarra-lhe o pescoço com apenas uma das mãos e a ergue do chão. Ele quer fazer aquilo parar. Quer acabar com a dor, com a raiva, com tudo. Bastava jogá-la barranco abaixo e tudo passaria.

Ela começa a se debater no ar, segurando-lhe o braço com as mão na tentativa de se libertar. Ele mantém o braço estendido como se os esforços dela não fizessem a mínima diferença. Nesse momento a lua surge de trás de uma nuvem e seu brilho reflete os cabelos muito negros dela. Ele vê o brilho azulado e foca-lhe os olhos também anis, profundos e molhados. Uma agulhada em seu coração o faz soltá-la. Ela cai sentada, ele protela mas a raiva sobrepuja a dor, então se inclina em sua direção, apertando-lhe o pescoço.

Estão muito próximos a beira de uma encosta íngreme. Ela enxerga na iris verde bipartida de felino que ele pretende ir até o fim, e então passa a temer de fato pela própria vida. O instinto de sobrevivência faz ela apalpar ao redor em busca de algo que possa ajudá-la a se defender.

Ela sente a vista começar a escurecer e uma forte tontura nubla seus pensamentos. Estava sufocando. Já praticamente sem forças ela consegue tocar com a ponta dos dedos num pedaço de madeira, talvez um graveto grande, um galho de árvore. Ela o agarra e empunha, e com as últimas forças que encontra, golpeia-o na lateral da cintura.

Ele da um urro e fica de pé, segurando o local ferido. Ergue a mão e sangue escorre do ferimento. Volta-se pra ela com um semblante confuso, e é nesse momento que ele perde o equilíbrio, pisa na beira, no limiar da encosta e cai pra traz, em direção ao vazio.

Notas finais
Me perdoem por isso...