Justiça

7 Capítulo VII - Ansiedade


Notas iniciais
Rodada 7, tema "Escolha de cena com cachorro do filme O Artista, onde a cena escolhida foi onde o cachorro lambe o rosto de seu dono, que estava apagado."

Gian chegou com os médicos e retirou Antonio da sala enquanto o mesmo ainda se debatia. Saí por conta própria, abatida. Os médicos retiraram os tubos, prepararam o desfibrilador e antes que víssemos o desenrolar da cena, fecharam as cortinas. Antonio se recompôs e começou a andar de um lado para o outro, nervoso. De repente, veio em minha direção e me abraçou. Por um momento fiquei estática, mas retribuí logo em seguida.

Foi então que o médico saiu da sala, cabisbaixo. Sem dizer uma palavra já sabíamos o veredito. Antonio desatou a chorar, no meu ombro. Gian se apoiou em uma balcão próximo. Coloquei a mão na boca, horrorizada. Alisei seus cabelos e queria me manter firme, manter a postura.

— Sinto muito, senhor Oliveira. — Ele pareceu engolir seco.

— O que aconteceu? — Gian pronunciou nervosa e rapidamente, segurando-se para manter-se controlado. — Ela estava bem.

— Pelo que parece, houve uma confusão na bolsa de sangue.

— Isso não deveria ser possível. — Continuou Gian.

— Estamos verificando, mas o erro não foi do nosso pessoal. Acreditamos que foi durante o processo de transfusão.

— Está dizendo que houve a troca da bolsa momentos antes da transfusão? — Disse ainda apoiando Antonio.

— Possivelmente. — O médico concordou.

Gian olhou para nós perplexo diante daquela informação e arregalou os olhos.

— Abaixa! — Gian saltou sobre nós e nos derrubou.

Uma rajada de tiros surgiu no salão. Um tiro acertou o médico em cheio. Outro estilhaçou o vidro atrás de nós. Engatinhei por trás do balcão e vi um vulto correndo. Sua mira estava livre para Antonio, mas ele não esperava que as outras duas pessoas vestidas de civis do seu lado eram policiais. Levantei-me rapidamente e o segui enquanto Gian ajudava Antonio a se levantar.

— Chama reforço! — Gritei para Gian enquanto me afastava.

O homem já estava no fim do corredor, próximo á saída. Apertei o passo e joguei meu corpo para frente. Saindo do hospital a chance era grande de perdê-lo de vista, por isso deveria diminuir a distância entre nós. Cheguei na porta e a atravessei sem diminuir o ritmo, visualizando o indivíduo tentando atravessar a rua.

A rua estava movimentada os carros não passavam tão rápido, por pouco ele não foi atropelado, mas continuou. Eu o segui, desviando dos carros e mostrando o distintivo, sem muita dificuldade devido ao alvoroço que ele causara. Ele entrou por uma rua estreita e movimentada, lotada de lojas dos dois lados, de modo que atrapalhou mais ainda minha visão. Mas consegui acompanhá-lo pela abertura entre as pessoas, enquanto ele saía esbarrando em tudo e todos.

Mais á frente, virou em um beco sujo e escondido, que por pouco consegui perceber, coloquei a mão no revólver e me preparei para qualquer problema.

— Parado! — Disse mirando o homem.

No final do beco, ele parou e levantou as mãos. Vendo-o pela primeira vez pude notar algumas características, mesmo estando de costas. Camisa polo e calça jeans de marca, sapatenis, cabelos longos e lisos até os ombros, alto e postura ereta. Nunca havia passado por ele antes. Ele lentamente foi se virando, até que se jogou para dentro de uma porta, antes que eu pudesse reagir. Corri em sua direção e, de repente, fui nocauteada.

Logo depois acordei um pouco grogue com algo quente em meu rosot. Um cão lambia minha cara. Assustei-me um pouco mas reconheci Lacey, cadela mascote do batalhão e que auxilia na procura de suspeitos. Sirenes tocavam ao fundo, um grupo de cinco homens analisavam o local e já estavam com o cartucho da bala. Conduzindo o cachorro, com seu cabelo raspado e característico óculos escuros, Gian sorria de canto e me estendia a mão. Pude notar outros homens de olho na cena e rindo. Fui humilhada.

— Antonio seguiu para o escritório. Deixei um homem com ele.

Assenti com a cabeça. — Precisamos ir vê-lo. — Disse nervosa. — Temos um suspeito.