Justiça

8 Capítulo VIII - Desamparo


Notas iniciais
Rodada 8, tema "Sarcasmo".

Em meio ao caos de policiais que não tinham o que fazer, Gian e eu tentávamos chegar ao carro para irmos encontrar Antonio. Quando íamos atravessar a rua para pegarmos o carro, uma pessoa encostou no meu ombro e segurou meu pulso. No impulso levei a mão á minha arma, mas ela havia sumido. Tentei não me desesperar, mas antes que pudesse, Gian se dirigia á pessoa tranquilamente.

— O que está fazendo? — Disse irritado.

— Ordens do capitão levá-la escoltada para o batalhão. — Respondeu o homem, que agora descobria ser um policial.

Gian parecia querer discutir, mas desistiu, deixou Lacey com outro policial e nos seguiu. Fiquei confusa por um momento, ele não precisava fazer isso. O policial me levou até uma viatura e indicou o banco de trás. Tentei achar uma saída, mas correr só faria minha situação piorar. Me contentei em entrar no carro. Gian pegou o volante, enquanto o outro policial sentou ao seu lado. Com as sirenes ligadas, saímos do Centro em direção ao batalhão.

— Onde estava com a cabeça? — Gian disse de repente. — E pensar que achei que era bom policial.

Não respondi. Gian nunca deu a entender que sabia o que estava acontecendo, mas também não fui idiota ao achar que ele não sabia. Ele estava atento no hospital e evitou que Antonio fosse baleado, talvez, eu também. Ele serviu de grande ajuda, mas agora parecia arrependido.

— Essas novatas. — Disse o policial escarnecendo. — Entram na polícia achando que vão virar super-heroínas.

— Pois é. Não quis cagar e se deu mal. Acabou envolvida demais

O policial já estava na gargalhada. — Foi querer dar uma de boa moça. Agora paga pau.

— O capitão tá puto, né? Não gosta de ser enfrentado por mulher. — Gian ironizou.

— Você não faz ideia! — Então o policial virou de costas pra rua e olhou pra mim. — Você deve ficar presa um mês no mínimo.

— Um mês? Isso é pouco. — Gian continou. — E agora tá com a bunda em um carro sem ter ideia do que tá fazendo torcendo pra que ninguém perceba que tá fazendo os outros de idiota.

Havia um toque no que Gian falava que me chamou atenção e me fez entender o que estava acontecendo. Ele não falava com o policial, falava comigo. Finalmente olhei pra rua. Estávamos em um lugar muito longe do batalhão e bem próximo de Antonio. Gian nos levava para ele. Ele queria me ajudar e estava fazendo isso.

— Idiota? Idiota aqui é ela. — Esnobou o policial.

Fiquei quieta para não deixar claro que queria rir.

— Ficou sentida! — Disse o policial apontando para mim pelo espelho. — Mulheres...

— Desculpa. — Gian olhou pelo espelho com a expressão completamente mudada e parecia arrependido. Mas logo o sorriso voltara ao seu rosto. — Aposto que você deve tá super feliz agora.

O policial escangalhava de rir. Deve ter achado a situação tão divertida que nem percebeu que fazíamos o caminho errado. Gian parou o carro em frente à Santi Escritórios, destravou a porta de trás, me entregou arma e distintivo, disse a localização de Antonio no prédio, e desejou boa sorte. Antes que o policial do seu lado pudesse entender o que estava acontecendo ou protestar, corri apressada em direção ao prédio.

O salão principal parecia tranquilo. Não me preocupei em dar satisfação á ninguém, apenas deixei o distintivo á mostra e segui disparada para o elevador. Lá em cima, algo estava errado. A recepção para o escritório de Eduardo estava vazia. Segui para o corredor e vi dois policiais apagados na porta do escritório. Peguei minha arma e dei um chute na porta.

Do outro lado do cômodo, o mesmo homem que antes atirara em mim apontava uma arma para a cabeça de Antonio, fazendo-o refém.

Eu estava esperando por você. — Disse o homem. — Sente-se, temos muito a conversar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.