Just4U

2 Chapter Two Part I


Notas iniciais
Nossa eu fico realmente feliz e animada que estejam gostam, isso é muito gratificante.
Bom, esse capítulo ficou bem grande e por isso eu vou ter que dividi-lo em duas partes, ele serve para entrar mais na vida dos personagens e em como as coisas irão acontecer daqui pra frente.
Espero que gostem.
Boa Leitura.

O despertador se fez presente e ecoou pelo cômodo me acordando. Spencer já estava desperta e me olhava do chão. A claridade daquela manhã entrava sem permissão no ambiente. Eram 6:30 e eu só precisava estar na construtora ás 7 horas. Estiquei meu corpo preguiçosamente e desci da cama mimando minha cadela e indo logo em seguida fazer minha higiene. Percebi que a roupa que usara na noite anterior estava jogada ao chão perto da pia. Recolhi as peças sentindo o perfume suave daquela garota em contraste com o meu próprio e com isso vieram às memórias da melhor balada. Sorri e peguei meu celular no bolso esquerdo da calça.

Desci com as peças na mão e brinquei com Spencer que pulava em mim desesperada por carinho. Fui em direção á lavanderia e antes de jogar a roupa da máquina lembrei que Tiffany havia colocado algo em meu bolso direito. Enfiei dois dedos tentando procurar o objeto sem identificação até agora.

Achei um pedaço de papel e retirei observando que havia escrito em uma caligrafia perfeita o que devia ser seu número e a frase “Me ligue!” seguidos de uma marca de batom rosa. Exatamente a cor que acho que ela usava. Poxa, eu não me prendi a esses detalhes.

Ri alto tentando esconder a emoção de poder vê-la de novo, ela me trouxe sensações que antes eram desconhecidas e agora desejadas. Comecei a pensar que ela havia armado nosso próximo encontro.

Tomei meu café, também alimentando minha cadela. Subi ao quarto para me trocar e ainda eram 6:45. Como o dia estava lerdo. Desci maquiada e perfumada, vestindo um dos meus preferidos vestidos cinza com aplicações de pedras simples no busto e mangas de renda até os pulsos, era justo e descia até perto dos joelhos. Acompanhado de sapatos de salto fino dourados.

Peguei Spencer no colo e fomos até o carro. Coloquei-a no banco do carona e joguei minha bolsa no detrás, lembrando no instante do corpo que habitou meu carro noite passada. Se ligasse para Tiffany, com certeza perguntaria se aquela moça estava bem.

Deslizei o votante pelas minhas mãos fazendo o carro andar e a paisagem ao redor correr. Seoul estava em clima nublado essa manhã, o sol não quis aparecer. Spencer deitou-se em meu colo e eu passava quando podia a mão em seu pelo.

No caminho a levei para o pet shop de minha confiança certificando que minha empregada passaria para pegá-la mais tarde e segui meu destino.

Estacionei na minha vaga e entrei pelo salão da construtora, estava prestes a terminar de cruzar o local indo para o elevador quando senti passos rápidos perto de mim e percebi uma mão em meu ombro.


PDV Tiffany


Minhas costas estavam desajeitadas e senti um estalo assim que me levantei, passara a madrugada trabalhando. Reclamei do sol que entrava na sala e levei as mãos ao rosto.

Olhei no relógio da mesa em que eu estava debruçada e me impressionei. Eu havia caído no sono no meio do meu plantão.

Tudo por culpa de algumas pessoas e entre elas estava àquela morena incrível. Vai ser bem difícil esquecer aquele gosto. Yuri, se bem me lembro do nome, agora estava na lista dos que eu queria ter de novo.

Infelizmente não pude me dar ao luxo de aproveitar qualquer café da manhã e segui ás minhas obrigações, e antes eu tinha que verificar se uma pessoa estava bem.

- Porque me deixou dormir? – perguntei á minha assistente.

- Parecia cansada, fiz mal? – perguntou nervosa. – Se fiz... desculpe...

- Não, que isso Seo, estou grata por ter conseguido dormir alguns minutos. – sorri colocando a mão em seu ombro.

- Duas horas. – sorriu de volta. – Eu não deixei que lhe incomodassem.

- Duas horas perdidas? – bati a mão na testa. – Tudo bem então. – suspirei. – Há mais alguém na espera?

- Por hoje não. – parou pensativa. – Apenas aquela garota que você trouxe ontem á noite.

- Certo. – abri um sorriso, era exatamente a pessoa que eu queria ver essa manhã.


PDV Yuri


– Yoona. – sorri virando para vê-la.

- Nossa, que sorriso é esse. – arqueou uma expressão desconfiada.

Ela sempre fazia isso, típica expressão insaciável por notícias. Mal sabia o motivo desses meus sorrisos bem humorados.

- O que tem meu sorriso? – perguntei disfarçando.

- Está... – parou colocando uma mão no queixo, me analisando. – Está mais radiante essa manhã.

Rimos e eu puxei seu braço em direção ao elevador.

- Precisa mesmo esconder de mim? – dizia ainda inconformada por eu não ter contado nada da noite passada, eu apenas retoquei o batom no espelho do elevador.

- Hmmm. O que quer saber? – fechava a bolsa olhando pra ela parecendo indiferente.

- Noite passada! – tentou conter um grito, o elevador estava quase cheio.

Sorri constrangida. – O quanto vai se matar pra saber?

- Eu vou enlouquecer. Não esconda. – fez bico. – Eu quero saber com quem saiu.

Meus olhos se mostraram impressionados com a insistência dela, e se eu desse corda isso ia longe.

- Passeie por lugares divertidos da cidade. – respondi simplista.

Mas de simples aquela minha noite não teve realmente nada.

- Sei... – disse contrariada.

Por sinal o elevador abriu, era nosso andar e para sairmos esbarramos em algumas pessoas.

– Senhorita Kwon Yuri. – uma voz bem conhecida e em timbre autoritário chegava mais perto.

– Sim? – virei me deparando com meu chefe, ele tinha uma camada fina de suor em sua testa e parecia estar bastante ansiosos com algo. – Em que posso ajudar? – perguntei preocupada.

– Fazendo seu trabalho. – respondeu ríspido e eu afirmei com a cabeça. – O que preparou para nossa apresentação hoje?

Apresentação? Essa palavra fez minha mente rodar.

“- Aish Yuri, os empresários viriam para avaliar o investimento. Como você pode esquecer?”

Começava a sentir o peso da minha irresponsabilidade.

– Não consegui pensar em nada Senhor. – mantive meu tom de voz normal, e tentei acalmar minha confusão interior.

Estragar minha maquiagem e meu humor não adiantaria em nada.

– Então pense! – alterou a voz. – Você tem dez minutos! – deu de costas, parando mais a frente analisando-me dos pés a cabeça. – E Yuri?

– Sim?

– Não me decepcione. – saiu de minha visão bastante tenso e eu apenas suspirei.

Pronunciei algumas palavras de irritação pra mim mesma e segui para minha sala. Joguei-me na cadeira que com meu peso rodou, parei o movimento e cruzei as pernas, coloquei os braços no descanso do móvel e enlacei as mãos, minha expressão era pensativa. Franzi o cenho procurando palavras rápidas de decorar e que melhor expressavam a ideia de nossa proposta arquitetônica.

Nos próximos 4 minutos que se seguiram me coloquei em pé, rodeando de uma extremidade á outra da sala falando frases em tom audível. Era meu jeito de decorar e sinceramente esperava que depois de tudo isso ainda não falhasse.

Minha saída e meu envolvimento com Tiffany trouxeram consequências á antes minha calma manhã. Yoona bateu na porta anunciando que estava na hora. Pequei minha pasta, celular e segui para a sala de reuniões.

O frio do fracasso despontava no fundo da minha mente, mas eu andei firme sobre meus saltos e no caminho respirei fundo. Não iria falhar, eu não aceitaria deixar que um dia estragasse uma carreira.

Entrei na sala de reuniões e algumas pessoas já estavam sentadas, sorri para os presentes e me sentei também. Analisei a maquete feita por mim ao lado da mesa e procurava melhor descrevê-la. Além disso, tive que colocar as palavras em fácil tradução, se houvesse muitos estrangeiros meu inglês entraria em cena. A minha sorte é que os vídeos e fotos já estavam prontos antes do meu parceiro viajar e eu me lembrava bem do que planejamos.

A sala foi enchendo e meu chefe chegou lançando um olhar ameaçador á mim, apenas sorri e me senti pronta para começar. Meus professores “exigentes” haviam feito de mim uma pessoa mais confiante.

– Senhoras e senhores, estamos prontos para começar. Nossa arquiteta Kwon Yuri irá demonstrar a proposta dessa empresa. – apontou para mim e as palmas se seguiram, ainda disse mais algumas palavras que sinceramente não tive ânimo de entender.

Levantei tendo confiança em minhas pernas e andei pelo salão exalando uma linda e falsa áurea de sabedoria.

– Essa estrutura foi desenvolvida para se tornar não apenas um símbolo de luxo e design, mas pensamos nela como um estilo de vida que será adotado por todos os que puderem desfrutar. Através dessas imagens vocês conseguiram visualizar melhor o projeto. – sorri começando a passar mais informações.

Todos prestavam atenção ás minhas falas, aos meus passos e até nos suspiros e isso de alguma forma me deu audácia, me senti dona da situação. Eu tinha a mania de ser controladora.

Após os minutos seguintes fiz explicações sobre os danos do meio ambiente e o fraco impacto que queria que esse projeto causasse, de como isso seria um investimento que renderia tanto lucros no presente quanto no futuro. Demonstrei mais sobre a estrutura em si da planta e todos pareceram gostar.

Arrisquei uma última pergunta aos meus ouvintes. Direcionei o olhar á uma das empresárias ali sentadas, alta, loira e de olhos lindamente azuis, que me acompanharam durante toda a apresentação.

– Na atual situação em que estamos com todos os apelos dos ambientalistas e depois de conhecer o projeto... – pausei olhando em seus olhos. – Poderia apostar nesse investimento? – aumentei mais o sorriso e ela me devolveu um em resposta.

– Eu não tenho dúvidas de que essa proposta é convincente e inovadora, inclusive depois dessa apresentação tenho convicção de que é o que procuramos. — disse em claro coreano, e pude supor que era americana, mas deveria ter passado muito tempo aprendendo.

Sendo assim acenei vitoriosa e os aplausos apareceram nada tímidos, voltei a me sentar e após mais algumas palavras de um representante Chinês, nos despedimos da sala.

A loira seguiu atrás de mim, senti seu perfume doce e marcante ao meu redor.

– Realmente impressionante. – comentou colocando-se a minha frente, eu que estava com o celular em mãos decidindo de ligava ou não para minha parceira da noite passada, apenas sorri e encarei aquele mar azul.

– Muita dedicação á essa ideia. – respondi. – Fico feliz que te agradou. – me aproximei dela dando espaço para que um rapaz passasse atrás de mim, estávamos paradas na porta.

Senti outra vez seu perfume e pude reparar mais perfeitamente no azul profundo daqueles olhos.

– Sim. – senti que ela tentava desesperadamente jogar-se em cima de mim, e sorri imaginando coisas.

– Preciso voltar ao trabalho. – apontei para minha sala. – Nos vemos em breve. – me referi ao dia da inauguração da obra, mas a expressão contente dela entendeu outra coisa, não me importei em explicar, apenas fui para minha sala.

– Senhorita... – antes que terminasse a frase me virei, encarando os olhos satisfeitos do diretor.

– Parabéns. – me cumprimentou.

– Apenas estive fazendo meu trabalho. – pisquei e ele sorriu um pouco enquanto eu voltava á minha rota.

Passei pela sala de Yoona que dava na minha e ela implicou com meus sorrisos novamente.

– Ah, esses sorrisos tem motivo específico!

– Sim! Uma impecável apresentação que acabo de fazer. – suspirei puxando as duas portas de correr que nos separavam.

Caí em minha poltrona vermelha, confortável e satisfeita. Lembrei do celular que esteve esquecido em minha própria mão. O número ainda estava digitado na tela e eu resolvi deixar chamar. Um, dois, três toques e nada. Não encerrei a chamada apesar de não querer parecer desesperada, longe de estar, mas e se eu desligasse na hora que ela fosse atender? Esperei até que não ouve mais toques e desliguei frustrada.

Fechei os olhos e senti meu celular vibrar, surpresa e ansiosa olhei á tela, mas com a decepção que me atingiu, soltei um suspiro pesado.

– Mãe? – atendi.

– Está ocupada? – perguntou com a voz doce.

– Não no momento. Acabei de voltar de uma apresentação fabulosa. – comemorei.

– Isso! Parabéns! – parecia sorrir. – Saudades da minha filha!

– Também estou, estive bastante concentrada no trabalho. — menti miseravelmente. — Por conta do outro arquiteto que esta em viagem de negócios... – parei de falar. – Mas vamos falar de vocês! Estou com saudades.

– Seu pai te manda beijos e diz que quer que você ligue pra ele, ele sonhou com você.

Um tremor passou por meu corpo involuntariamente, os sonhos dos meus pais são sinistramente previsíveis e reais. Já ouvi e vi muito deles acontecerem no mundo real. E contando meu comportamento agora, eu tinha até temor do que viria daquela conversa.

– Ah é? – perguntei tentando não parecer tão nervosa.

– Sim, ele ficou preocupado. – tranquilizei minha mãe dizendo que estava tudo bem, e mudamos de assunto.

Em pouco tempo ela tinha me contado todas as novidades da família e de maioria dos meus amigos.

Minha mãe falava demais, eu escutava pouco e meu pai aconselhava em excesso. Cada um com seu grande defeito de fabricação, mas ainda sim com uma convivência ótima e que melhorou cada vez mais quando consegui ser independente.

Terminei a ligação mandando beijos á todos os outros da família e dizendo que ligaria depois.

Levantei meu corpo cansado e em meio de ligações á pessoas da obra que estava atrasando o prazo e a empresas de materiais incompetentes com o tempo de entrega, me vi atarefada e ocupada novamente. Como sempre e pelo menos eu não teria que ir visitar nenhum terreno hoje.

– Ele quer você na sala em dez segundos. – Yoona batia na porta e entrava na minha sala.

– Já estou indo. – levantei empurrando a cadeira pra trás. – Ele não acha que esses limites de tempo estão ficando cada dia mais escassos? – rimos e sai ao encontro do meu chefe.

Apenas duas batidas na porta e ele já me pediu para entrar. Sorri ao vê-lo em sua mesa e ele fez menção que eu me sentasse. Acomodei em uma cadeira á sua frente e ele começou.

– SiWon ainda está em Dubai. – dizia como se para si mesmo. – E então eu quero que você esteja no jantar em minha casa daqui a duas semanas. – me encarou como se esperasse alguma desculpa ou objeção, mas eu não dei nada para que ele pudesse retrucar.

– Por mim tudo ótimo. – eu precisava mudar a rotina de eventos, mas sabia que seria tedioso. – SiWon chegará antes de qualquer forma.

Meu parceiro e eu tomávamos a maioria das decisões juntos. Era afilhado do meu chefe e tinha carta branca ali, mas graças aos céus nossa convivência era razoável.

– Você ainda terá de ir. – fechou uma de suas famosas expressões autoritária no rosto.

– Tudo bem. – conversamos sobre os prazos da obra e eu fui pra minha sala simplesmente carregada pelas próprias penas.

Sentei atrás de minha mesa novamente e comecei a mexer com balanços e e-mails que Yoona tinha me repassado. Senti a mesa de madeira ecoar um ruído e olhei para o lado onde meu celular vibrava. Nem me dei ao trabalho de verificar quem seria.

– Nossa há quanto tempo! – a voz gritante e animada dizia.

– Olha quem ainda sabe meu número. – ironizei.

– Babo. – rimos. – Soube da notícia?

– Sim, será ótimo ter vocês aqui.

– Como soube?

– Tenho meus contatos. – gargalhei.

– Hmmm. Só não tenho muita certeza se quero deixar minha namorada perto de você.

– Fique calma, eu sei me segurar.

– É sério Yuri. Sei que ela acha você atraente. – imaginei sua expressão fechada.

– Isso eu sou. – ri. — Larga disso menina. – voltei ao meu tom calmo. – Nem tem com o que se preocupar. Já tem datas?

– Ainda não, mas em breve te aviso. Bom, tenho que ir me arrumar vamos buscar as coisas dela parar morar aqui de vez! – ouvi gritos de felicidade.

Desligamos e eu voltei ao computador. O dia seria ótimo e as minhas obrigações estavam longe de acabar. Mesmo assim ela não me saia da cabeça, nem por um instante. Aqueles olhos rondaram minhas horas.


Notas finais
Não vou demorar em postar a segunda parte, daqui a pouco mesmo. Estou apenas revisando pra vocês.
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