Just4U

3 Chapter Two Part II


Notas iniciais
Pronto, a segunda parte.
Boa Leitura.

- Você precisa retocar a cor desse cabelo garota. – direcionei minha fala á pessoa de cabelos um pouco abaixo da altura do queixo, com um corte Chanel repicado, franja sempre longa na altura dos olhos e em um tom de cobre entrando em minha sala. Ela se aproximou me entregando papéis para que assinasse.

- Eu vou. – parou me analisando. – Você deveria mudar o corte um pouco também.

- Não está bom assim? – passei a mãos nos fios castanhos escuros á altura de minhas costas.

- Está, mas mudar faz bem.

- É. – pensei por um instante que eu já havia ficado assim há muito tempo, e era hora de renovar. – Eu aceito. – sorri.

- Ótimo. – comemorou. – Vamos juntas depois do trabalho então.

Acenei e ela voltou á seus afazeres me deixando sozinha novamente. Eu já não pensava mais na batida surda de ontem à noite, e sim nos gemidos que soltamos no banheiro daquela boate. Talvez eu voltasse hoje numa tentativa de encontrá-la. Eu tinha seu número em mãos, mas ela não atendeu a minha chamada. Portanto eu estava sem pistas.

Parei alguns instantes focando as chaves do carro em cima da mesa e me lembrei de onde as levara.

- O hospital! – levantei apressada da mesa apenas pegando as chaves.

- Aonde você vai? – Yoona gritou enquanto eu corria ao elevador.

- Resolver um problema. – apenas virei para acenar.

O caminho até o estacionamento pareceu um percurso ainda mais longo agora que eu estava com pressa. Não havia trazido nem celular, apenas entrei no carro e coloquei as chaves no lugar correto. Parei, respirei e tentei clarear a mente, eu queria lembrar exatamente onde era aquele hospital. Assim, eu poderia vê-la de novo.

Eu queria apenas me certificar que a reconheceria sóbria e que teríamos mais noites como aquela.

O caminho foi aparecendo em minha mente, porque eu sempre guardava pontos de referencias pelas viagens. Refiz meus passos passando pela boate e seguindo o instinto. Se fosse o hospital mais perto, eu saberia onde ficava, mas aquele era totalmente diferente e desconhecido. Enfim depois de voltas e minutos perdidos no transido agitado eu consegui avistar a fachada do prédio. A mesma que estava nas minhas memórias. Um tom verde folha seca em contraste com o branco se mostrava sobre as luzes acesas da estrutura. Sorri, e fui direto ao pronto socorro.

Pensei em procurar pela garota da noite passada, a viciada. Mas eu nem sequer sabia seu nome e uma descrição falha da minha memória não serviria. Eu lembrava os traços angelicais e meigos dela, dos cabelos loiros caindo por seus ombros em cachos e de sua expressão pálida e esverdeada.

Sai do carro tomando cuidado para não mostrar nada inapropriado, o vestido era um pouco justo. Minhas coxas eram fartas e bem torneadas o que dava certo destaque.

O local estava quase lotado de pacientes em macas, filas e encostados em algum canto sendo atendidos por inúmeros enfermeiros, mulheres e homens. Todos pareciam estar muito mal, havia alguma epidemia na cidade a qual eu não tivesse conhecimento?

Estranhei o lugar e o cheiro de remédios começou a mexer com meu estômago. Passei por algumas pessoas sendo atendidas e sorri penosa á uma mulher sentada em uma cadeira de rodas. Seu corpo magro parecia definhar, o cheiro de morte que ela exalava me fez querer chorar. O sorriso amarelo que ela abriu pra mim embaçou minha mente, eu por segundos esqueci o que havia vindo fazer, apenas analisava aquela vida á minha frente.

- Está perdida linda moça? – pronunciou em um fio de voz chamando minha atenção.

- Um pouco. – tentei sorrir e esconder o quanto triste eu havia ficado por vê-la nesse estado. – Estou procurando uma pessoa.

- Oh! Esse lugar é muito cheio, vai demorar á encontrar, mas pode ser que você tenha sorte... – tossiu um pouco com a fala comprida que me dera e fez menção de querer água.

- Eu pego para a senhora. – sorri e sai a procurar um bebedouro próximo. Olhei em todos os cantos e por fim ao lado de uma grande porta de vidro encontrei o que queria. Peguei um copo ao lado e enchia de água calmamente quando alguém saiu pela porta e parou ao meu lado.

Senti mãos firmes em meus ombros e me virei sorrindo. Algum médico, á julgar pelo jaleco comprido que trajava, deveria achar que eu estivesse passando mal também.

- Estou apenas ajudando uma pessoa. – disse levantando o copo cheio de água e me virando para encarar a pessoa.

- Oi. – sorriu lindamente mostrando também aquele brilho no olhar da noite passada. – Como veio mesmo parar aqui?

- Tiffany. – seu nome saiu em tom vitorioso, se eu não estivesse com o coração tão apertado eu teria me sentido mais feliz por encontrá-la. — Vim te procurar. Você não atendeu minha ligação. – confessei encarando o copo.

Lembrei da mulher que esperava por ele e andei, ela me seguiu calma e me dando explicações.

- Estive de plantão. Foi uma loucura por aqui.

Avistei a pobre pessoa que sorriu ao ver que eu não me esquecera dela e abaixei levando água a sua boca, ela parecia fraca demais e poderia deixar o objeto cair derramando em suas roupas.

Com todo cuidado consegui fazê-la beber o líquido que pra ela parecia o mais doce néctar, comparado aos vinhos que me faziam ter aquela mesma expressão de deleite dela. Sorri outra vez e ela me puxou para um abraço, me surpreendi, mas não neguei o gesto.

- Obrigada. – sussurrou em meu ouvido baixinho.

- Espero que fique melhor. – passei a mão em seus cabelos e olhei Tiffany sorrindo feito criança perto de nós

- Já fez mais uma amiga certo? – perguntou acariciando também o topo de sua cabeça como eu fazia e esticou os dedos alcançando os meus.

Meus olhos não conseguiam sair da mulher á frente.

- Sim, ela veio procurar uma pessoa... – tossiu. – Mas achou á mim.

- E fiquei muito feliz por isso. – eu havia ficado muito comovida com a situação dela e me propus a voltar para vê-la não somente por ficar perto de Tiffany, mas porque aquele sorriso tinha lembranças de minha doce avó.

- A Senhora está aqui fora e não podia. Vamos te deitar. – Fany disse. – Precisa descansar. – advertiu calma.

- Eu sei. – a mulher suspirou cansada e assim Tiffany e eu a empurramos a cadeira de rodas com ela de volta ao quarto.

O cômodo era simples e bem confortável ao que percebi, havia duas camas, alguém deveria também estar ali, uma janela que iluminava o quarto, cortinas em tom bege, uma mesa cheia de revistas, um poltrona ao lado, e uma pequena televisão de frente para as camas. Tudo muito simples, e trazia certa comodidade e solidão de alguma forma.

Deitamos a senhora na cama com pouco esforço, ela pesava muito pouco, ossos frágeis e pela doença, que eu ainda não sabia qual, estava bem fraca. Apoiou em nós enquanto se ajeitava e sorriu.

- Vamos deixá-la dormir um pouco. – Tiffany segurou meu braço e me guiou para fora.

- Voltem depois. – disse tentando adormecer.

Saí com pesar no coração. Suspirei tentando me aliviar de qualquer forma. A morena ao meu lado sentiu o que eu devia estar querendo esconder e me abraçou gentil.

— Não fica assim. – passou a mão em meus cabelos. – Ela nem está na fase pior ainda. – sua voz falhou.

— O que ela tem? – perguntei contendo os soluços.

— Osteoporose. – disse afastando nossos corpos, mas mantendo nossos rostos próximos.

— Eu gostei dela. – tentei sorrir, mas saiu muito fraco.

PDV Tiffany

Conversamos um pouco e eu a contei sobre minha vida, de como me formei em medicina há 1 ano e como esse veio a ser meu destino, ela me ouvia com atenção, seus olhos presos nos meus.

Não sei porque, mas tive firmeza em contar essas coisas, ela parecia sincera e eu realmente havia gostado daquela presença. Não só pelo que tivemos noite passada. Apesar de que isso contava muito e eu esperava provar de novo.

PDV Yuri

Enquanto ela falava da profissão que escolhera seus olhos brilhavam e eu me perguntava se eu passava essa mesma adoração quando me perguntavam sobre o meu.

Rimos e conversamos sobre coisas aleatórias quando me lembrei do meu trabalho e de Yoona que deveria estar me esperando, pois marcamos de sair.

— Preciso voltar. – me levantei do banco que estávamos.

Ela havia parado um pouco pra ir tomar café comigo e havíamos nos sentado juntas em um banco na área externa do prédio. Onde não havia mais tanto cheiro de remédios e meu estômago estava melhor. Ela sorriu fraco ao ouvir minha despedida.

— Tudo bem. – colocou sua mão sobre a minha e ficamos brincando com os dedos enlaçados.

— Você também precisa trabalhar. – comentei. – Eu saí correndo, tenho mesmo que voltar.

Ela olhou para os dois lados e tudo parecia calmo, estávamos sozinhas ali e quando percebeu isso aproximou nossos rostos tocando meus lábios provocando reações em mim. Como eu iria resistir? Não havia saídas e eu queria tanto aquilo outra vez que me deixei levar pedindo passagem com a língua para dentro de sua boca. Senti seu gosto e arrepiei ao lembrar como aqueles lábios me tocaram antes. Sua mão me puxava para mais perto, aprofundando aquele contado e novamente me senti arrepiar. Paramos o beijo apenas por falta de ar e nos olhamos travessas. Ainda acariciou meu rosto por alguns segundos.

— Eu te ligo dessa vez. – riu e andou para dentro do hospital.

Voltei satisfeita pela minha visita ter me proporcionado tantas sensações. Tiffany e eu estava funcionando bem, mas não como um relacionamento de verdade, parecia dar em uma amizade cheia de benefícios, e nisto estava incluído o sexo é claro. Isso seria bom para as duas.

Ainda me senti triste por lembrar HyeMin naquela cama de hospital e prometi de novo pra mim mesma que voltaria. Aquela mulher deveria ter mais de seus 50 anos, e aquela doença a deixava aparentar mais fraqueza e idade. De alguma forma me afeiçoei á ela. Ela tinha movimentos delicados, tanto na fala quanto no jeito que sorria e movimentava as bochechas. Sorri pensando nela e em quanto minha avó deveria estar com saudades minhas, iria visitá-la em breve.

Voltei á construtora me recordando bem do caminho do hospital agora. Não iria esquecer.

— Até que enfim. – Yoona gritou assim que apareci de volta no elevador. – Todos já saíram e eu estou aqui á meia hora esperando você. – fechou a expressão brava comigo. – Estamos atrasadas. – completou.

— Já sei. Desculpe. – sorri. – Só me deixe pegar minha bolsa. – entrei na sala procurando meu celular e em seguidas saímos.

Passamos um tempo conversando e ela insistia em perguntar sobre a noite passada e mesmo que eu cortasse e mudasse o assunto o aegyo dela me fazia querer desabafar, mas não iria de maneira alguma. Isso ficaria guardado pra mim e Tiffany apenas.

Notas finais
Aguardem o terceiro ansiosos, coisas irão começar a acontecer hehehe'
Reviews?
Kisses ;*