Just4U
7 Chapter Six
Notas iniciais
Boa Leitura.
PDV Yuri
– Eu estou bastante preocupada. – ela começou com o tom cuidadoso.
- É sobre a garota? – perguntei com medo de que estivesse preocupada com a nossa situação, a qual eu queria resolver hoje ainda.
- Sabe Yuri, não sei como agir dessa vez. Está realmente complicado lidar com a situação de Jessica e com sua teimosia. Ela tem aversão a todas as formas de tratamento e também a simplesmente comentar sobre o fato com a equipe.
- O que você acha que pode ter levado a procurar por esse caminho, mesmo que não haja desculpas.
- Jessica recusa a ouvir o nome de qualquer parente e pode ser por ai que o problema começa. Seus pais não apareceram até o momento, mas da última vez mandaram um carro buscá-la ao sair do hospital. Pode ser que não tenha dado muito certo o reencontro. – ela deu um suspiro cansado. – Desculpe estar despejando isso em você, mas é que tinha pedido informações.
- Tudo bem, eu realmente queria saber o que está acontecendo. Eu não gostei muito de vê-la naquela situação. – estou incomodada que ela não tenha melhoras. – Ela já acordou?
- Sim, mas não quer comer de maneira alguma.
- Ela parecia realmente teimosa. – analisei a imagem da última vez que estivemos juntas. – Bastante durona.
- Exatamente, ela parece se esconder atrás de uma armadura. – outro suspiro passou por seus lábios. – Mas foi somente por isso que ligou?
- Na verdade não. – pausei temendo tocar em qualquer assunto. – Só queria te ouvir novamente.
- Nossa já estou fazendo falta na sua vida não é? – era bom ouvir aquele riso.
- Se eu disser que sim você vai se sentir muito convencida, então pode ser que talvez.
Gargalhou novamente. – Também estou com saudades, mas não posso sair agora.
- Era sobre isso que eu queria falar... – ela me interrompeu com a voz baixa.
- Estão me chamando, assim que puder eu te ligo. – e desligou antes que eu pudesse dizer qualquer coisa que a impedisse de sair assim.
Joguei o telefone não me importando o quanto amaldiçoaria os arranhões nele depois e sentei bufando com as mãos em punhos. Como ela espera que eu possa matar a minha saudade se não consegue ficar mais do que 10 minutos ao telefone?
- Yuri eu preciso que você dê uma olhada nesses projetos... – Yoona entrava e ao me ver abaixou os olhos. – Eu volto depois.
- Acho melhor. – disse ríspida.
- Quer saber? Eu não vou voltar depois coisa nenhuma vai ser agora mesmo. – colocou as mãos na cintura me desafiando. – O que te fez ficar com essa cara?
- Nada. – apertei as unhas nas palmas das mãos.
- Pare de ser criança, vamos conversar! – puxou a cadeira em minha frente e sentou sem pedir.
- Eu prefiro dar uma olhada nos projetos.
- Não vai olhar nada enquanto não me disser quem te deixou assim, olhe pra você.
- O que você está vendo? – fiquei assustada e ereta na cadeira esperando respostas.
- Você está diferente, nem ao menos controla mais seus sentimentos, a cada hora parece uma nova pessoa e se te conheço bem poderia dizer que está apaixonada.
- Impossível você ver isso. – levantei da cadeira e fiquei de costas para ela.
- E porque você acha que pode esconder?
- Não tem o que esconder Yoona, não tem nada acontecendo.
- Mas você gostaria que tivesse. – aquilo foi demais e percebi que estava tentando enganar mais a mim do que á Yoona.
- Eu gostaria que tivesse. – sentei derrotada, pois não era essa a primeira pessoa que deveria ficar sabendo desse sentimento, imaginei que seria Tiffany.
- O que está te impedido de contar?
- Eu não sei bem o que essa pessoa vai dizer.
- Ele seria louco se te dispensasse. – ela cruzou os braços.
- Louco? – estava errada.
- Por acaso acha que ele iria te dispensar assim? É tão difícil te prender que se souber disso não vai medir esforços pra te ter por perto. – ela sorriu convencida de sua tese.
O primeiro erro estava na pronúncia, no meu caso era ela. E o segundo é a falta de tempo para me manter por perto e nem eu sabia sua reação ao ouvir o pedido.
- Você está errada. – não fitei seus olhos com medo de que descobrisse o que realmente perturbava.
- Yuri para de mentir pra mim. Você mudou seu comportamento nos últimos dias e eu não sou boba.
- Sei que não é boba, mas a questão é que você está equivocada em relação á isso. – o ar faltou por algum instante, não tinha como contar assim. – Você não sabe que...
- Agora vai dizer que estou vendo coisas. – revirou os olhos e se levantou. – Você não quer confiar em mim.
Não era isso, vi em sua expressão que estava imensamente chateada e que se eu não fizesse algo o clima entre nós ficaria pior já que ela fecharia a cara por achar que eu não confio nela, mas o nó em minha garganta impedia que eu dissesse qualquer coisa. Enquanto a via saindo me obriguei a tomar uma atitude.
- Pare Yoona, me escuta. – gritei.
- Tudo bem Yuri, eu aceito que é mais um dos seus assuntos pessoais. – sua voz estava magoada.
- Não é homem. – disse baixo.
- Como assim, está brincando comigo? – virou-se me encarando.
- V-Você disse que era ele, mas não é. – chagava mais perto.
- É que você não me deu um nome.
- O nome é Tiffany. – seus olhos se arregalaram. – É uma garota. – ela apertou minha mão cada vez mais forte.
- Y-Yuri vo-cê está falando sério?
- Sim Yoona, é ela que eu quero que seja minha garota. – seus olhos me fitavam estáticos. – Não me olhe assim. – implore chorosa.
- Eu não estou te olhando de um jeito ruim, apenas quero entender mais... De que jeito isso aconteceu?
Ficamos horas trancadas em minha sala e ao olhar no relógio tenho certeza de que todas as pessoas já deveriam ter ido, estávamos sozinhas.
- Mas isso aconteceu muito depressa. – ela passou as mãos pelos cabelos.
- Só eu sei como isso me pegou de surpresa. – tentei sorrir recordando no dia em que conheci Tiffany. – Sabe que nunca pensei que isso aconteceria.
- Olha que essa era a única notícia da qual eu estava despreparada para ouvir, mas está te fazendo tão bem. – sorriu. – Como sua amiga eu apoio e pra falar a verdade isso não é coisa do outro mundo. – pausou franzindo o cenho. – Quer um conselho? – abri um imenso sorriso ao saber que ela estava junto comigo nessa.
- Lógico, porque agora você já sabe a situação em que me encontro.
- Você me contou de uma tal...
- Taeyeon. – completei.
- Isso mesmo e você disse que ela mexeu contigo, mas que o carinho que você possui pela Tiffany é ainda maior. O jeito dessa mulher realmente balançou suas estruturas e você sabe que sente falta dela quando não conseguem se falar. – concordei fervorosamente. – É por isso que você vai tanto naquele hospital não é?
- Sim, eu fiz uma amiga lá, mas o motivo é para vê-la pelos corredores.
- Hmmm Yuri, você está apaixonada.
- Eu já disse que sim, mas e o que eu faço?
- A pergunta é pra que você está perdendo tempo. – senti uma luz no fim do túnel e o sorriso brotou.
- Viu, você sorri ao pensar na hipótese. E esse é o meu conselho – olhou no relógio, levantou abrindo a porta e virando-se para me encarando orgulhosa. – Faça a coisa certa.
- Eu farei só que hoje vai ser meio impossível já que ela não tem tempo.
- Você não quer vir comigo e no caminho pensar no assunto?
- Vou seguir o conselho, mas não no momento. – suspirei voltando para minha mesa.
- Se você quer assim. – saiu batendo a porta.
Fiquei pensativa e rodei o telefone nas mãos pensando em ouvir mais do que conselhos e tirar da minha cabeça um pouco dessa preocupação. Yoona estava certa, estou perdendo tempo. Só que mesmo que eu quisesse Tiffany não poderia me ver hoje, ela tem suas obrigações e eu tempo de sobra para brincar com Spencer.
PDV Jessica
Estou entediada e o incomodo da fome voltava, mas não vou fraquejar e dar á Doutora Tiffany o gosto de me ver vulnerável. Por falar nisso, sei que deveria ter parado, mas é impossível ter que suportar o vazio que carrego e a saudade que ainda sinto.
Fechei as mãos em torno dos lençóis brancos da cama e virei o rosto não querendo lembrar, mas tendo as memórias daquele maldito encontro voltando.
Cheguei contrariada e minha cara não era das melhores ao avistar a fachada luxuosa de nossa mansão, revirei os olhos ao ver tanto desfrute e futilidade juntos. Vovó concordaria comigo. Fui recebida com a mesma cordialidade de sempre embora não estivesse nos meus antigos trajes a rigor, apenas uma calça jeans rasgada nos joelhos, uma blusa preta e minha jaqueta de couro branco. Retirei os óculos de sol e os coloquei na gola da blusa encarando os empregados procurando por uma em especial. Não a encontrei e isso me intrigou um pouco.
- Bem vinda de volta Senhorita Jung. – acenei e voltei a andar sendo conduzida pelo mordomo da família.
- Eles estão a sua espera. – a voz grave dele soou e ouvindo isso um frio gélido passou meu corpo e se concentrou em minhas mãos que suavam frias, o observei abrir a porta do escritório com todo o cuidado e então anunciar minha entrada.
- Querido, acho melhor vendermos essas ações para que se valorizem. – vi a expressão ambiciosa dela e isso me deu repugnância, era sempre a mesma.
- Eu estou de pleno acordo. – o homem levantou os olhos e sorriu para a esposa voltando para seu computador compenetrado como toda a vida fora. – Entre Jessica. – me dirigiu a fala e não á atenção, andei alguns passos e ouvi a porta se fechando. – Sabe que precisamos ter uma conversa séria. – levantou a mão indicando para que eu me sentasse.
Continuei em pé e me recusei á tocar em algo naquela casa a não ser o chão que obrigatoriamente eu teria que pisar. – Eu prefiro ser direta sem todo o rodeio que vocês costumam fazer.
- Se você assim preferir. – seus olhos me encararam furiosos e brotou rugas em sua testa, sua postura estava irritada como não a via faz algum tempo. – Eu queria ser direto também, o que você tem na cabeça? Essa foi à criação que te demos? – o tom me assustou um pouco.
- Seu pai está te fazendo uma pergunta. – ela levantou-se também, com pouca raiva e alto teor de desprezo, mas ele eu já conhecia.
- E vocês querem mesmo a resposta? Façam-me o favor. – formei um bico nos lábios e o vi atravessar a distância entre nós ficando a alguns passos de mim, tremi fracamente com sua ação. – Resolvem lembrar justo agora? – arrisquei.
- Não me provoque Jessica, sabe muito bem que esse é o meu limite. Não aceito que você zombe de mim a essa ponto jogando o nome de nossa família na lama. Sabe o quanto eu e sua mãe gastamos para que te déssemos tudo o que desejou?
- É somente com o nome que você se importa. E você não deu tudo que desejei! Eu queria tempo e isso você nunca teve pra mim e nem para a pobre da minha irmã, ficamos mendigando todo o seu amor durante anos e você se negava a... — minha mãe segurou seu braço para que não avançasse, contudo senti que queria pular sobre mim. – A verdade dói não é pai, se eu sou o que sou a culpa é toda sua. – cuspi as palavras.
- Não me julgue por sua irresponsabilidade! Eu não te guiei por seus passos! – as lágrimas dele estavam á beira, mas como homem forte que era não as deixou cair assim como as minhas que estavam trancadas.
- Julgar você? Eu não tenho mesmo o direito já que nem sua filha eu sou mais.
- Não fale assim conosco Jessica Jung. – a compostura de meus pais estava se perdendo e agora minha mãe parecia lembrar meu nome.
Aquilo me incomodava de verdade já que eu não os culpava realmente por serem o que são, porém isso não os dá o direito de menosprezar as filhas, ou melhor, a filha já que eu fui embora.
- É verdade, você não é mais considerada nessa casa, entretanto não precisa jogar a família ao vento. – voltou a se acalmar.
- Não quero saber, por mim pode usar os seus contatos e arrancar esse sobrenome já que eu não vou poder usá-lo e nem preciso. – abri as portas acertando o mordomo que estava atrás delas cumprindo seu dever e sai furiosa sem sequer olhar para trás.
- A senhorita não vai querer algo...
- Por favor, apenas mande abrir o portão. – esperei impaciente que cumprissem o único pedido que fiz nessa casa.
Sentia os olhos marejados e funguei correndo e sentindo o vento levar meus cabelos e alguns fios baterem em meu rosto, não tinha forças para parar de chorar, apenas corri para que ninguém pudesse me ver. O caminho até sair daquela propriedade era longo mesmo assim não me intimidei.
Olhei para trás como um último adeus aquela vida totalmente arrancada de mim e senti meu caminho ser obstruído e meu corpo trombar em alguém. Cai sobre algo forte e sólido e abri os olhos.
- Me tira daqui! – implorei vendo sua expressão confusa e levantou puxando minha mão.
- Jess, você sabe que isso é errado, eu não posso. – Não me interessa, eu quero sumir daqui e você já fez isso antes. – implorei forçando-o a andar. – Você diz que é meu anjo da guarda então cumpra sua palavra. – ele secou minhas lágrimas com os polegares e assentindo me enfiou em seu carro arrancando com toda a velocidade.
- Eu não entendo como você pode ser assim. – ele dizia olhando á estrada.
- Não me pergunte nada agora LeeTeuk. – olhei o borrão do céu e das árvores á nossa volta. – Aliás, tenho sentido você colado em meus passos. – funguei virando a encarar suas covinhas abertas em um sorriso pretensioso.
- Você sabe, é meu trabalho.
- O que me admira é ainda ser pago para isso, não se preocupam mais comigo. – abaixei o olhar para minhas botas. – Apenas com o nome.
- Não fala assim Jessica, você sabe que as coisas são complicadas e que nem tudo é dessa maneira. – bufei.
- Você sempre fica no lado dos vencedores.
- Não vou admitir isso. – fechou a cara. – Eu preciso te proteger e você não está ajudando nos últimos dias, estou espantado com o tanto que tentei fechar as portas dessas substâncias pra você. – balançou a cabeça em negação. – E mesmo assim você conseguiu. O que me deixa desapontado.
É, voltando ao presente a pior coisa nesses anos foi ter feito a vida de LeeTeuk conturbada e ter desapontado-o por várias vezes, ele era apenas mais um funcionário do meu pai havia contratado para me vigiar, o único pelo menos que eu deixei ficar, porque gostei do jeito dele. Dispensamos todas as formalidades mesmo em nossa relação profissional, ele era de longe mais que um segurança, era um amigo daqueles que servem para te pararem na hora da diversão e obrigar a seguir o caminho certo mesmo que seja entediante.
A porta abriu e dispersou meus pensamentos. – Doutora Tiffany. – disse em desgosto ao olhar seu rosto persuasivo.
- Vejo que está bem melhor hoje. – veio andando e senti suas mãos quentes tocando meu rosto. – Fique quieta, vou te examinar quer você queria ou não.
- Mas eu não quero. – tentei virar o rosto só que suas mãos foram mais hábeis e forçou nossos olhares em contato.
- Seja razoável, estou aqui para cuidar de você.
- Não pedi que fizesse isso!
- Não importa Jessica, farei assim mesmo porque é a minha profissão e ajudar pessoas é o que eu escolhi. — seu rosto se contraiu. – Não pense que vamos deixar você nessa.
- Doutora, eu apenas quero sair daqui. – ela foi até a porta e conversou algo com qualquer enfermeira que passava, voltou com o olhar sereno, porém decidido.
- É claro que você pode sair, mas primeiro vai comer e depois vai conversar comigo ou eu terei que fazer o que for melhor no seu caso.
Ela estava mesmo determinada e aquilo me fez ficar parada esperando enquanto a enfermeira trazia minha refeição e Tiffany fitava-me em pé enquanto comia, estava tão faminta que não contestei sua determinação.
Notas finais
Kisses x)
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