Just4U

8 Chapter Seven


Notas iniciais
Está ai mais um capítulo, espero que gostem e esse ficou bem maior do que o esperado e como não quis dividir eu deixei assim mesmo pra vocês.
Boa Leitura.

PDV Yuri


Segui minha rotina de café da manhã e quando saia de casa avistei uma figura conhecida, quase cai pra trás reconhecendo.

-Yuri! – ouvi o grito e os acenos.

Meus olhos acompanharam-na atravessando a rua e vindo em minha direção, fui pega por seu abraço apertado e sorri afagando seus cabelos loiros. Senti falta desses abraços e já nem conseguia esconder o quanto minha pequena fez falta.

- Bom dia. – sorri assim que nos separamos, olhei para ela alguns instantes, minha garota estava diferente.

- Bom dia, estive com saudades. – beijou minha bochecha sorridente. – Onde está indo? – levantou uma sobrancelha.

- Trabalhar. – virei para dar adeus á Spencer e fechar a porta, caminhamos conversando sobre meu emprego e ela pediu carona até o centro, queria ir á uma imobiliária.

No carro, começamos a lembrar de nossa infância, das trapalhadas e encrencas que nos meti no passado.

- Você mudou esse cabelo desde a última vez que te vi. – ela parou e sorriu passando a mãos em minhas madeixas.

- Gostou Sunny-ah? – tirei os olhos da estrada apenas para fitá-la.

- Está linda. – riu. – E pra quem foi essa mudança? — essa curiosidade dela me lembrava Yoona, só gargalhei sem responder a pergunta.

- E então veio pra ficar também? – questionei, Sunny morava na minha antiga cidade, fomos vizinhas e colegas de classe durante muito tempo.

Quando me mudei para Seoul ela prometeu que viria depois assim que terminasse o ensino fundamental. Tinha previsões de fazer sua faculdade de pedagogia por aqui. Ela se encaixava bem na profissão e esse era seu sonho desde pequena. Então quando seus pais á chantagearam para que se tornasse uma advogada como todos na família, somente eu a apoiei. Fui responsável por mudar a mente de sua mãe em relação á isso e o pai foi logo convencido também, porém este ainda guardava certa esperança dela, ou melhor, do dele para ela.

- Sim. – ela respondeu sorridente. – Eu vim procurar uma casa.

Pensei por alguns instantes voltando á minha tese de como seria bom ter alguém pra me esperar voltando do trabalho sem ser Spencer ou Tiffany que tem a vida muito corrida. Além do que seria encantador ver o aegyo de Sunny á cada manhã. Eu não via problema nenhum em acolher minha amiga em minha casa. Me senti radiante com a possibilidade.

- Sunny-ah... – disse desviando minha atenção á ela. – E se você... – pausei e voltei meus olhos para o carro vermelho á nossa frente, não conseguia falar, talvez fosse muito invasiva em sua vida, pois poderia como eu querer ser independente.

- Fale. – pediu já curiosa.

- Você já tem lugar pra ficar! – disse sorrindo.

- Você está me convidando? – perguntou piscando confusa.

- Para morar comigo. – fiz a curva á frente e depois voltei a fitá-la por alguns instantes. – Seria bom ter você morando lá. A casa é muito grande, às vezes me sinto sozinha...

- Eu aceito. – interrompeu agarrando meu pescoço.

Fiquei alegre por ter minha pequena comigo, já fazia tanto tempo que não riamos juntas comendo pepero ou passando a noite assistindo filmes, até que a perdedora se rendesse ao sono e tivesse que enfrentar uma punição. Eu era sempre a que ganhava.

- Você pode me contar tudo que tem aprontado.

- Por mim tudo bem. – gargalhei, teria que ocultar algumas coisas de qualquer jeito.

- Ou você pode me mostrar suas roupas novas. – seus olhos brilharam. – Deve ter muitas mais agora e todas provavelmente ficam ótimas em você.

- Ah não! – revirei os olhos. – Eu não vou fazer um desfile de cada peça.

- Vai sim. – dizia começando o aegyo, nem precisava dar resposta, apenas soltei um suspiro arrastado, ela iria me convencer.

Ela parecia uma criança e era realmente isso que eu adorava nela.

- Sendo assim, para onde quer ir?

- Já tenho lugar pra morar, mas preciso ir ao hotel e acertar a conta. – pausou pensando. – Provavelmente irei ficar mais essa noite e saio amanhã cedo tudo bem?

- Eu mando alguém pegar você e a bagagem, é só me ligar.

– Tudo bem, nem é tão difícil achar sua casa já que você me mandava ótimas descrições. – ela riu, sempre nos falávamos de alguma maneira e ela praticamente já conhecia minha rotina.

Estacionei em frente ao hotel. – Aproveite sua última noite sozinha. – gargalhou.

- Finalmente a última. – sorri de volta e ela desceu entrando no prédio enquanto eu observava as horas e percebi estar atrasada e não poderia deixar que meu chefe desconfiasse disso.


PDV Yoona

Ela está atrasada de novo, suspirei voltando para a tela do computador, se Yuri não tomar cuidado logo nosso superior vai ficar sabendo e as coisas não ficarão boas. Apoiei o queixo com a mão e comecei a ler um email que chegara esta manhã.

Parei no segundo parágrafo porque minha mente passava para os acontecimentos anteriores, pensei bastante nisso noite passada e agora volta. A revelação de Yuri era bastante delicada, contudo sinceramente não vejo problemas nenhum no que me contara. Confesso que estou explodindo para achar razões pelas quais a tal Tiffany encantou tanto a bela mulher que minha amiga era. Me intrigava o fato de ainda não tê-la conhecido.

- Bom dia. – uma voz doce me interrompeu e levantei os olhos ainda mergulhada na relação complicada de Yuri.

- Bom dia, em que posso ajudá-la? – soou cordial como sempre e ela distribuiu um sorriso simpático pelos lábios.

- Estou procurando uma funcionária dessa empresa. – seus olhos estavam contornados por uma maquiagem leve, mas marcante, embora fosse tão bonita que juro não precisar daquilo para tirar um sorriso dos que a olhassem, como havia feito comigo nesse mesmo instante.

- Pois não, quem procura? – retribui a simpatia.

- Kwon Yuri. – meus olhos se impressionaram um pouco, mas era tão normal receber pessoas á procura dela que somente pela confidência de ontem acho que comecei a pensar demais nesse assunto.

- A senhorita Yuri está um pouco atrasada. – olhei novamente ao relógio. – Mas você pode esperar.

- Hmmm, eu realmente não sabia que ela se atrasava.

- Se me permite dizer, tem ocorrido algumas vezes essa semana. – mordi a língua antes que pudesse falar demais. – Coisas pessoais. – ela riu.

- Entendo. – sentou e cruzou as pernas olhando o ambiente e fiz o mesmo, tentando prestar atenção em meu trabalho.

Nunca foi tão difícil ter concentração porque a todo o momento meus olhos pulavam para os minutos que se passavam e nada de Yuri chegar.

“ Onde foi que ela se meteu dessa vez?”, pensei impaciente.

- Com licença, eu poderia esperar lá dentro?

- Não sei se isso é possível senhorita... – pausei pois não sabia seu nome.


PDV Yuri


Consegui chegar depois de um engarrafamento que durou uns 12 minutos. Olhei para os céus pedindo que não brigassem comigo.

- Yuri-yah... – Yoona me chamou assim que sai do elevador. – Tem uma pessoa esperando por você lá dentro.

- Quem? – franzi o cenho curiosa.

Abri a porta cuidadosa, não tinha marcado nada com ninguém e muito menos esperava a visita de algum trabalhador da obra para hoje. Era uma mulher de cabelos escuros ondulados até a altura das costas, em pé olhando a vista de minha janela e não se virou quando entrei. Reconheci o perfume e andei suave abraçando seus ombros, sentindo seu cheiro e as mãos dela em meus cabelos.

- Fany-ah. – sussurrei contra seu pescoço. – Como sabe que eu trabalho aqui?

- Segui você outro dia.

Olhei seus lindos olhos e pensei arrancar um beijo, mas esperei paciente querendo saber o que ela fazia ali.

- Seguiu mesmo?

- Estou brincando. – ouvi o som de sua risada envolver o ar da minha sala. – Você me disse aquele dia no hospital enquanto conversamos sobre nossas profissões. – esclareceu se aproximando de mim.

- Ah sim! – encostou nossos lábios num beijo intenso e encontrei sua língua querendo tanto ou mais a minha.

Por longos minutos nos envolvemos naquele gesto e a guiava até deitar seu corpo no sofá vermelho devagar. Ela parecia nem perceber ou estava gostando do que fazia. Encaixou as pernas entre as minhas e me puxou ainda mais para perto de si. Senti os pulmões pedindo por ar, estava ofegando no beijo e parei apenas para respirar percebendo que ela estava no mesmo estado.

- Então... Eu vim... Saber... O que você... Queria tanto falar... Desculpe não... Ter te dado atenção. – disse cortando a frase por conta da respiração acelerada.

- Tudo bem, estou me acostumando. – levei um tapa no braço.

- Não fala assim. – franziu as sobrancelhas. – Não gosto de te deixar toda vez que liga. – beijei o bico que formava em seus lábios e ela começou a rir com a minha persistência, desci os beijos até o pescoço e mordisquei por ali sentindo seus dedos entrarem por dentro de minha blusa.

- Eu estava pensando em nós. – voltei a morder seu queixo e depois encarar sua expressão.

- Também estive pensando. – sorriu. – Mas me conta o que passou nessa sua cabeça.

Não quis responder no momento, apenas aprovei mais de seu gosto e tempo enquanto achava coragem para aproveitar a oportunidade de Tiffany estar aqui, descia por seu corpo aproveitando os arranhões que ela dava em minha nuca.

- Já que você não fala... – ela disse e eu parei com tudo que fazia voltando á altura de seu rosto, mas minhas mãos permaneceram em sua coxa. – Eu queria dizer que você tem me feito muito bem... – coloquei o dedo em seus lábios, não quero que ela chegue à conclusão nenhuma antes de mim.

- Quero jantar com você essa noite. – pedi.

- Está me chamando para sair?

- Sim, estou. – levantou o corpo ficando apoiada no cotovelo e acariciou meu rosto. – Você aceita?

- Como eu poderia recusar? – mordeu meu lábio inferior. – Eu aceito. – passou as mãos em minhas costas levantando minha blusa branca, senti seus longos dedos passeando por meu corpo e indo em direção ao meu sutiã. Minha cabeça rodou, ela queria aquilo outra vez também, só que não podia ser ali no sofá da minha sala. Qualquer um incluindo Yoona poderia entrar e nos pegar nessa situação ou em outra pior. Tive que me esforçar para parar de beijá-la.

Ela me fitou sorrindo. Encarei seus olhos travessos com uma expressão de desaprovação e isso só a fez levantar as mãos acima da cabeça em falso rendimento.

- Eu espero até hoje á noite. – voltamos a nos beijar mais calmas e depois de algum tempo caímos no chão, ela deitada em meu ombro enquanto afagava seus cabelos até lembrar que tinhas muitas coisas á fazer e me afastei.

- Agora é você que está me deixando por trabalho. – mostrou a língua.

- Vou começar a revidar. – abotoei os dois botões soltos de minha blusa.

- Onde vai ser nosso jantar?

- Na minha casa. – ajudei que levantasse.

- Finalmente vou conhecer a casa da famosa arquiteta Kwon Yuri.

Gargalhei e nos abraçamos. — Enfim você não deveria estar no hospital? – arqueei uma sobrancelha.

- Hoje não, porque é meu dia de descanso. Também preciso de folga. – riu e escrevi meu endereço.

- Eu saberei chegar. – olhou para o papel e depois guardou soprando um beijo em direção.

Seu perfume passou por minha sala pelos próximos segundos e logo depois também se foi. Sentei-me à mesa recebendo ligações das obras que agora necessitavam de minha atenção e sabendo que logo Siwon chegaria, precisava estar atualizada para passá-lo informações.

Yoona entrou alguns minutos após Tiffany sair, com um sorriso de canto á canto no rosto e os olhos ansiosos por detalhes. Conversamos por alguns minutos antes que ela também saísse contente porque não escondi muita coisa dessa vez.



Bati a porta do carro com força dando sinal á Spencer de que havia chegado, entrei a vendo com a língua pra fora, o rabinho abanando e dando pulos ao meu redor, ansiosa e carente.

– Oh baby. – peguei e a levantei no alto brincando enquanto latia. – Eu sei que sentiu minha falta, mas em breve não ficará tão sozinha.

Contei a notícia anunciando que Sunny viria logo pela amanhã e viria pra ficar. Mesmo estudando á noite, teria o dia todo para aproveitar o conforto e luxo das dependências da casa e que por ser apaixonada por coisas fofas iria se atrair por Spencer tanto quanto eu.

Segui para o banheiro e relaxei entrando na banheira, hoje eu não queria ducha e sim um bom banho á regado sais e muita espuma. Quem me dera se tivessem pétalas de rosa, mas seria querer demais Kwon Yuri, gargalhei pra mim mesma e larguei o roupão macio na entrada da banheira, mergulhei minhas pernas na água em temperatura ideal soltando um breve suspiro cansado, pois á dias eu não tinha tempo pra mim.

Aproveitei cada segundo e ainda faltavam algumas até do encontro. Estava com a cabeça para trás aproveitando o banho quando fui interrompida pelo som estridente do celular que ficara em cima da cama.

– Droga. – gritei saindo depressa sem preocupar em me vestir.

Peguei o aparelho que gritava enlouquecido pela chamada. Mesmo que esse ser tivesse atrapalhado o meu momento não contive um sorriso nos lábios ao ver quem era.

– Yuri-yah porque demorou tanto pra atender? – gritou comigo.

– Desculpe Amber, estava no banho. – voltei calmamente ao meu local de descanso e fiquei submersa em espuma de novo.

- Hmmm no banho. – reconheci o tom safado de sua voz. – Ah. – soltou um suspiro triste. – Estou tão longe.

Ri alto. – Fica dizendo essas coisas só porque Krystal não deve estar por perto. – provoquei.

- Não. – limpou a garganta. – Ela sabe que eu tenho fetiche com você.

Senti minhas bochechas chegarem ao ponto máximo de calor, vermelhas pelo que o espelho mostrava e sorri constrangida. – Para com isso.

- Não posso. – riu do outro lado. – Só liguei pra saber se ia voltar para sua vida de diversão.

- Não, não. Hoje eu sou uma menina comportada. – nem eu acreditei nisso.

- Ah sei! Fala sério, você não consegue manter esse corpo escultural longe de uma batida. – brincou me provocando com esses adjetivos sugestivos.

- Pois é, aprendi contigo lembra? – antes de vir pra cá e que ela começasse a sair com Krystal, Amber me carregava para toda e qualquer balada que encontrasse, mas eu tenho que admitir que ela soubesse escolher os melhores lugares. Percebi que faz alguns dias que não saio, na verdade desde a noite que conheci Taeyeon.

- Sim, lembro também de você dançando colada em mim. – nesse momento ouvi uma voz á mais na ligação.

- “Como é que é Amber? Colada com quem?” – gritava a voz de Krystal e caí na gargalhada imaginando a cena.

- Nada não amor. – a voz dela atingiu o tom de desculpa esfarrapada. – Eu juro.

- Me deixa ver com quem está nessa safadeza toda. – senti o telefone ser tomado de Amber e parei de rir, pois iria sobrar pra mim.

- YURI? – gritou.

- Calma Krystal. – disse afastando o celular do ouvido. – Só estávamos conversando e...

- Hmmm Já entendi tudo. – riu. – Não tem problema não, mas to avisando que quando eu estiver por ai esses papos vão ter minha supervisão ok?

- All right. — relaxei com ela levando aquilo na brincadeira e ficamos conversando por algum tempo e a voz de Amber só apareceu poucas vezes para comentar algo, desliguei e sai do banho calculando já estar atrasada.

Sequei rápido e fui ao closet analisando minhas roupas, como seria apenas algo casual vesti um short curto dos meus favoritos e uma blusa branca que deixava a alça do meu sutiã preto aparecendo, borrifei o melhor perfume e uma maquiagem que apenas destacasse meus olhos, sem ser nada gritante.

- Vamos ter companhia para o jantar. – comuniquei para Spencer como se fosse me responder.

Coloquei uma música das que eu julgava boa e comecei a me mover dando alguns toques finais ao nosso jantar e ora ou outra cantando junto com a melodia até ouvir a campanhinha. Respirei fundo antes de ir atender.

Spencer me acompanhou até a porta e abri vendo o imenso sorriso de minha Tiffany. – Bem vinda. – ela entrou beijando meus lábios e seguiu a atenção para minha cadela que dava á ela a melhor recepção. Depois de acariciá-la, Tiffany começou a analisar a decoração de minha casa.

- Eu não podia esperar por menos. – virou-se.

- Obrigada. – voltei á cozinha e ela me seguiu, provei nosso jantar e ela me abraçou por trás, senti o coração acelerar o os arrepios pela respiração dela em meu pescoço.

- Quero provar se é boa cozinheira. – gargalhei e lhe deixei experimentar, ela relaxou a expressão e passou a língua pelos lábios me torturando. – Delicioso. – piscou. – Quero mais.

- Eu é que quero você. – beijei-a novamente e nunca me cansaria de como ela se encaixava bem nos meus braços.

Seguimos para minha sala e como prometido era algo bem informal, fizemos nossas refeições sentadas em almofadas pelo tapete e ríamos de algumas bobeiras que saíam de nossas conversas. Parei para encará-la enquanto gargalhava sem parar com algo que já nem lembro, era tão linda quando fechava os olhos para rir e mostrava as bochechas rosadas. Ela corou ainda mais ao perceber meu olhar.

- Sua expressão é a de um artista admirando sua obra de arte.

- É quase a mesma coisa. – levei nossa bagunça de pratos até a cozinha e voltei sentando á seu lado, passei os braços por sua cintura e ela encostou-se á mim segurando sua taça de vinho.

- Estou feliz de estar aqui. – aquilo era tudo que precisei ouvir e por um instante tive coragem o suficiente e posso me condenar por desperdiçá-la então me afastei e engatinhei até ficar de frente para seu olhar cintilante e tomar a taça colocando sobre a mesa de centro.

- Tiffany, eu... – respirei fundo rodeando sua bochecha direita com meus dedos e a vendo fechar os olhos no carinho e sorrir de canto. – Não paro de pensar em você e nesse seu sorriso. – contornei seus lábios e beijei sei queixo. – Não gosto de ficar tão distante e como me disse mais cedo, você também tem me feito muito bem. – ela sorriu. – E não quero perder essa sensação boa que estamos tendo. Por isso que tomei uma decisão. – ela abriu os olhos devagar me encarando e me fazendo perder a coragem, vacilei deixando meus dedos saírem de seu rosto e ela segurou minha mão, isso parecia o sinal que tinha acabado de pedir. – Eu quero que seja minha garota. – disse todas as palavras juntas e ela franziu o cenho misto de preocupação e espanto com minha fala, talvez não tivesse entendido.

- V-Você está me pedindo em namoro? – sua voz saiu engasgada e podia jurar que apesar de ter achado que ela já adivinhara, não era o que eu via em seu rosto agora.

- Estou. – respondi a vendo se levantar e colocar a mão na cabeça e na cintura num claro sinal de que estava impressionada e um pouco perdida com aquela informação.

Poderia ter sido demais pra ela, levantei sorrindo e a virei pra mim. – Não sabia que ficaria tão impressionada. – meu riso parou ao ver seus olhos foscos e isso ardeu meu coração, estava com medo de que ela fosse contra todas as minhas expectativas.

- Fiquei bastante impressionada. – confessou. – Me pegou de surpresa.

- Pensei que já soubesse. – uni as sobrancelhas.

- Não sabia, achei que poderia ser algum problema familiar ou coisa do tipo. – riu seca. – Mas não tinha me passado isso na cabeça.

- Sério Tiffany? Que tipo de pessoas diz que sente saudades e te quer por perto, chama para um encontro e prepara o jantar sozinha apenas para agradar ou contar sobre problemas familiares? – fiquei um pouco nervosa e revirei os olhos. – Não acredito que pensou nisso. – cruzei os braços.

Nos encaramos e por fim vi seus olhos voltarem ao mesmo brilho que conhecia, na verdade um brilho ainda maior e oscilante. Cortou a distância entre nosso corpos e colocou as mãos em meu rosto, estavam frias.

- Desculpe de verdade. – sorriu tentando quebrar minha postura ainda tensa. – Mas acho que se você reclama de tempo agora imagina depois... E além do más sua vida também é corrida e você tem Spencer pra cuidar a construtora e eu tenho os pacientes, o hospital... – ela estava se embolando e percebi sua contradição, me afastei segurando seus pulsos devagar.

- Não precisa achar desculpas para dizer um não pra mim. – aquilo arrancou lágrimas e eu suspirei sentindo meus olhos arderem. – Eu já entendi.

- Não é isso Yuri. – esse era o tom mais baixo que já ouvi em sua voz. – Só me dê um tempo pra pensar. – pegou a bolsa que estava no sofá. – Eu realmente gosto muito de você. – estava de costas para que não visse meu rosto, logo após ouvi os latidos de Spencer escutei batida da porta.

Sentei com as mãos no rosto e o choro vindo, não o impedi já que a primeira pessoa que entreguei meu coração havia sido cruel e ferido de tal maneira que não sei explicar, apenas solucei sem importar com nada. Estou só e ninguém mais poderia me ver, não quis levantar e afogar no macio de minha cama apenas escorreguei pelo sofá e abracei o corpo enquanto ouvia meu próprio choro e lembrava a expressão de Tiffany.


PDV Tiffany


- Me desculpe Yuri. – dizia pra mim mesma enquanto ligava o carro e dirigia para casa com os olhos embaçados e o coração apertado contra meu peito querendo não pensar no estado em que havia a deixado. – Me desculpe.

O que eu poderia fazer? Não sei se consigo me envolver assim. Já havia percebi suas intenções, porém ouvir suas palavras foi um dos golpes mais duros que tive que suportar, tive que me enrolar, tentar ao menos fazê-la desistir só que não deu certo. Yuri era esperta demais e eu apenas mais uma idiota tentando esconder a bagunça dos meus sentimentos.

- Mas que coisa Tiffany! Você poderia ter apenas dito alguma coisa ao invés de ter saído daquela forma. – gritei comigo mesma batendo as mãos no volante e sentindo as lágrimas quentes escorrerem por minhas bochechas e o soluço se formando na minha garganta. – Yuri não merece ficar sem resposta tanto quando você ficou... – lembrar disso doía mais do que ter deixado a morena para trás.

Estacione sem cuidados e subi correndo para meu apartamento, rodei as chaves na porta e entrei deixando-as pelo chão, fui ao quarto e joguei meu corpo sobre a cama. Não contive os soluços mais altos e o arranhar de minha garganta pela dor das lembranças de hoje e do passado.

Não sei bem quanto tempo o choro durou, assim que cessou ao menos um pouco sentei na cama limpando as teimosas gotas pelo rosto e olhando diretamente para meu closet, a dor no peito aumentando e novamente o desespero de querer braços á meu redor. Tomei coragem e sabia que preciso reviver algumas coisas para que possa ao menos cicatrizar essa ferida. Vasculhei no meio de minhas roupas até achar a pesada e grande mala rosa, encarei como se ali dentro estivesse minha sentença de morte e por fim a arrastei. Sentei entre as roupas e abri o objeto já vendo de primeiro as cartas que eu havia escrito e que não tinham sido lidas ou respondidas.

Yuri pode ter o coração quebrado agora por minha culpa, e eu não pretendia ter feito isso, mas só estou vivendo esse pesadelo repetitivo porque fui dura no passado e já havia devastado outro coração apaixonado. Vi a lágrima cair sobre o papel que segurava e a limpei. Mexi na mala novamente encontrando mais lembranças e a dor cortando em meu peito.



Notas finais
Triste não? Posso dizer que chorei escrevendo o final desse... Sabe como é né, Yuri e Tiffany nessa tristeza )':
Posso avisar que novos personagens entrarão na história e só. hahaha
Reviews?
Kisses(x