Just4U

9 Chapter Eight Part I


Notas iniciais
Demorei né kkkk estou cheia de coisas pra fazer e estudar para a semana de provas está tomando meu tempo, mas vou "tentar" estar sempre por aqui!
Obrigado por acompanharem a fic. Mais um capítulo pra vocês, e esse em especial ficou muito grande (tornou-se um dos meus favoritos pela história em si) então tenho planos de dividir em três partes ok?
Boa Leitura.

PDV Tiffany


Puxei alguns casacos embolando-os atrás de mim, não tinha pretensão alguma de sair do chão porque me sentia tão segura em meu closet que o único problema era a mala aberta soltando as mesmas memórias que eu gostaria de esquecer, mas tinha que lembrar para entender de novo como Yuri estava. Senti vir um flashback da minha vida.

Começou a voltar à imagem de quando olhei aquele letreiro luminoso onde se lia “The Stage” mudando de tons de vermelho para alaranjado, como as outras fachadas de prédios na rua movimentada, mesmo a noite. As portas de vidro mostravam que ainda não havia sido aberto, mas me parecia bem aconchegante lá dentro e constatei assim que pude me interar com o ambiente. Era apenas mais um bar dentre tantos em Seoul, porém nos fins de semana subiam ali cantores com belas vozes para encantar á todos ao vivo, o estabelecimento só abria quando a tarde se findava, mesmo assim não era uma boate, apenas serviam os melhores drinks, boa música, e um espaço agradável. Gostei bastante de como haviam me descrito.


Flashback


Confesso, contudo estar um pouco nervosa ao entrar nesse lugar tão exótico, não se parecia com muitos dos que já tinha visto, realmente tinha boa aparência e um toque de descontração em contraste com a aparência vintage. Sorri ao passearmos pelo local, SooYoung á meu lado desfilando pelo local cumprimentando os presentes ali.

As cadeiras ainda estavam viradas sobre as mesas e os funcionários estavam as organizando, as moças atrás do balcão limpavam os copos que seriam usados e arrumavam o uniforme. Vi pelo menos três delas e pareciam bem contentes com o trabalho, o que me animou bastante já que é terrível chegar num local onde os empregados possuem a cara fechada e mal sabem te atender. Suspirei vendo o dono vir em nossa direção.

- Seja bem vinda senhorita SooYoung, isso são horas? – ele apontava para o relógio de pulso com um olhar reprovador.

- Desculpe. – inclinou-se. – Essa é Tiffany Hwang, lhe falei sobre ela. – sorri nervosa e o cumprimentei. – Veio ocupar a vaga da garçonete.

- Ah sim, eu me lembro. Seja bem vinda, vamos até minha sala. – ele me conduziu e começamos a entrevista, sentia incomodada por não ter experiência alguma naquela área, mas para uma universitária de medicina que não queria depender totalmente do dinheiro do pai, era isso ou nada.

- Então você não tem experiência. – ele uniu as mãos apoiando o queixo. – E é universitária do curso de medicina.

- Sim senhor. – confirmei já sabendo que não seria admitida.

- Eu não tenho razões nenhuma para empregar você aqui, mas percebi que é uma pessoa esforçada, pois mesmo com uma família de posição você está á procura do emprego. – pausou fitando-me e sorrindo brevemente. – As qualidades que minha funcionária listou são muito boas e por isso você começará hoje mesmo, tudo bem? – ao ouvir aquilo senti grande alívio e o sorriso bobo tomou meu rosto, estava realmente feliz por conseguir. – Sei de seus horários apertados e não se preocupe que vamos encaixá-los, mas peço que não se ausente sem avisar ou ter um motivo aparente.

- Não se preocupe, eu vou me esforçar Sunbae. – agradeci e ele abriu a portando passando e o segui.

- SooYoung-sshi venha aqui por favor. – o enorme sorriso de minha amiga estava estampado, sabia que eu tinha conseguido. – Você irá ensinar todo o trabalho para a novata e tenha o cuidado de lhe ajudar nos horários. – ela acenou obediente e puxou minha mão em direção á ala dos funcionários.

- Parabéns. – me abraçou. – Sabia que você conseguiria, mas também quem te indicou fui eu né. – jogou os cabelos conformada e eu lhe dei um tapa.

- Não seja tão convencida, mesmo sendo verdade. – gargalhamos.

- Venha, esse é o seu número de uniforme. – pegou as peças e esperou que eu as vestisse, saí um pouco tímida do vestiário com seu olhar de cima a baixo. – Não fica com vergonha de mostrar as lindas pernas que você tem. – riu boba. – É um pouco curto eu sei, mas você não vai querer trabalhar de saia longa né.

- Eu me dou bem com qualquer roupa. – brinquei mostrando a língua.

- Ótimo, vamos ao trabalho. – ela me puxou novamente apresentando todas as meninas que entravam e os garotos por ali, sorri e me apresentei á cada um enquanto a tagarela da SooYoung ia anunciando minha vida brevemente. – Ela veio dos Estados Unidos e cursa medicina, moramos juntas e...

- Tudo bem Soo, eles já entenderam. – a interrompi ficando corada pela atenção.

- Sério e está sendo difícil se acostumar por aqui? – começaram as perguntas e a cada uma respondida vinha mais e mais.

- Relaxa estou te enturmando porque você ainda é peixe novo na rede. – Soo sussurrou em meu ouvido.

- Essa é TaeTae. – ela disse apontando para a morena que entrava agitada e prendia o cabelo rapidamente, estava atrasada.

- Eu perdi a hora. – ela disse com um tom abafado pela respiração cortada, teria corrido no caminho.

- Essa é a garota nova.

- Oh. – seus lábios formaram um sorriso tão confortável. – Prazer, meu nome é Kim Taeyeon. – inclinou-se e eu sorri de volta automaticamente.

- Eu te conheço da turma de medicina. Você senta atrás de mim. – ri de sua expressão. – Sou Tiffany Hwang.

- Nossa, desculpe não sou de reparar muito.

- É na verdade você é bastante dispersa. – a voz de nosso chefe YeSung soou no local e todos dirigiram-se á seus postos, inclusive Taeyeon que ficou corada no mesmo instante.

- Desculpe. – ela murmurou. – Eu não me atrasarei novamente.

- Está certo Kim Taeyeon. – um sorriso imenso abriu e pude analisar agora com mais tempo que sua afeição era linda.

As sobrancelhas não eram muito fartas, mas ainda sim elegantes, os olhos num fino traço brilhante, a linha expressiva entre a testa sumindo conforme o sorriso aumentava e as bochechas levemente cheias, o nariz sinuoso e os lábios tinham um contorno perfeito e tudo fazia dele uma imagem para ser apreciada.

- Não fique babando assim. – SooYoung me cotovelou e balancei a cabeça percebendo ter ficado tempo demais ouvindo sua rouca voz e analisando seu rosto.

- Vamos começar a noite e espero que seja tão produtivo quanto às anteriores, temos hoje mais uma colega de trabalho, a senhorita Hwang. – olhou-me dentre as outras moças e depois voltou á todos. – Seja bem-vinda. – todos aplaudiram e eu voltei a sentir minhas bochechas formigando. – Bom, vamos abrir! – ela foi até a porta e começamos a nos mover.

Percebi por seu discurso que gostaria de trabalhar aqui, me senti em casa de alguma forma. O bom humor de meu pai chegava a ser bem aparente com o de YeSung sunbae, que posso jurar não ter mais idade que meu irmão. Já era bem sucedido e creio que herdara o estabelecimento de família e pelo que percebo está o tocando muito bem.

- Você precisa ficar atenta Tiffany. – Soo atraiu minha atenção e começou a despejar instruções conforme os clientes se acomodavam e iam chamando. – Nós não saímos daqui, atendemos no balcão, mas quando estiver lotado podemos ajudar e isso nos renderá mais gorjetas. – ela sorria. – Entendeu? – afirmei e ela seguiu com as instruções.

Eu ficava de olho no relógio, não querendo me atrasar para a aula daquela noite e reparava que Taeyeon fazia o mesmo gesto e cruzava nossos olhares, ríamos de longe atendendo ás pessoas e ao fim do nosso expediente, pois a hora de nossa saída era mais cedo que a dos outros, ela saiu até o vestiário e a segui.

- Estou indo Soo, nos vemos em casa. – disse piscando pra ela e correndo para retirar o uniforme.

Entrei no cômodo sem avisar e minha visão ficou focada na linha suntuosa das costas de Taeyeon que não percebera minha presença. Suas mãos percorriam o fecho da roupas e o tecido caiu no chão relevando suas coxas. Arrumou os cabelos que se desprenderam num coque e prendi a respiração por algum tempo pensando que ela me notaria e perdi depois de segundos a visão de seu corpo, pois uma nova camada de roupa o cobriu e soltei um suspiro despontado, ela virou-se num rompante e me escondi voltando ao corredor de entrada com o coração disparado e um arrepio gélido passando por meu corpo.

- Quem está ai? – ela perguntou em voz alta, caminhei até a porta aberta por onde ela olhava já vestida e fiz minha entrada como se tivesse acabado de chegar. – Ah, você. – sorriu e abriu o espelho no armário.

– Pode entrar e se trocar que já estou saindo. – disse pegando a mochila e fechando a porta.

Escorreguei pela parede soltando o ar que parecia me sufocar e minha mente ainda voltava para a visão anterior, ela tinha um corpo lindo e que ficava escondido por todas aquelas peças sem necessidade.

- Mas o que é isso Tiffany. – passei a mão na testa e lembrando do horário corri para vestir minhas roupas e pedir informações de como chegar á universidade.

- Taeyeon acabou de sair você deve pegá-la se correr. – SooYoung disse quando perguntei qual caminho seguir. – Ela normalmente pega o transporte coletivo, senão tem que andar muito.

- Ok, eu vou correndo. – passei portas quase trombando em um cliente e olhando para todos os lados desesperada por medo de não encontrar a garota que no auge dessa noite seria minha salvação.

Vasculhei todos os cantos até vê-la parada no ponto do transporte e atravessei a rua correndo já vendo o veículo se aproximar.

- Você quase o perdeu. – ela sorriu.

- É que eu não sabia. – comentei sentando á seu lado. – Não conheço esse bairro.

- Nossa desculpe, eu deveria ter oferecido ajuda. – sorriu daquele jeito confortável e infantil novamente e retribui. – A propósito desculpe novamente não te reconhecer.

- Tudo bem, você não tinha como lembrar. – ri. – Já que no primeiro dia vi você dormir um pouco em sala de aula. – ela pareceu se envergonhar e começou a brincar com os dedos.

- Eu não ando tendo uma vida muito organizada. – comentou.

- Entendo, também não estou, já que acabo de me mudar.

- Seja bem vinda a Seoul então.

- Obrigada. – ela engatou uma risada contagiante e não tive escolha a não ser segui-la. Começamos a entrar em pequenos detalhes sobre nossos gostos e coisas bobas que sabíamos de diversos assuntos e nem vi o tempo passar e sequer prestei atenção no caminho que faria outras milhões de vezes, por sorte sabia que Taeyeon também o faria.

- O nosso ponto é o próximo. – ela disse se levantando, fiz o mesmo.

- Então você está tendo dificuldade em arrumar um apartamento? – perguntei novamente não querendo ficar sem assunto.

- Sim, meus pais me deixaram vir, mas ficaram em minha cidade, eu tenho um irmão e uma irmã caçula. – saímos do veículo e senti de imediato o frio que começava a fazer, passei as mãos pelos braços descobertos e ela sorriu tirando da mochila uma blusa que me entregou. – Pode usar, eu trouxe outra por acaso esquecendo que já tinha essa no armário do bar.

Passei a peça por meus braços sentindo o perfume que exalava e confesso que era muito bom. Sorri agradecendo e voltamos a andar.

- Eu ia levá-la para casa antes que não lembrasse mais dela. – riu. – Sou muito esquecida.

- Nossa, eu nem percebi isso em apenas um único dia. – gargalhei.

Entramos em sala de aula e ela se sentou novamente perto de mim, só que ao meu lado esquerdo dessa vez. O professor entrou e começou a se apresentar e dar sua matéria, os horários se arrastaram pela noite e a cada novo professor eu queria sair correndo, mas confesso que alguns caíram em meu gosto. Notei que Taeyeon não havia dormido hoje e ela virou-se no fim do período e riu.

- Não dormi. – comentou orgulhosa.

- Percebi e parabéns.

- Não é sempre que isso acontece, na verdade é raro, mas como disse não estou nada organizada esses dias.

- Entendo e não se preocupe eu não vou contar para os professores. – levei um tapa de leve no braço.

Enquanto voltávamos pra o ponto de ônibus perguntei curiosa. – Já trabalha lá há quanto tempo?

- Desde que cheguei o que já tem um mês. – explicou.

- E então como ainda tem problemas com estalagem? – ela me fitou. – Desculpe, se estou sendo intrometida.

- Que isso, sem problemas, mas vai chegar minha vez de perguntar hein? – ambas sorrimos. – Vim morar com uma amiga, mas após o termino de seu ano de faculdade ela foi embora e os aluguéis estão muito caros, estou com dificuldades para encontrar alguém que queira dividir outro local ou o mesmo em que já estou. Tenho só mais uma semana de prazo para entregar o apartamento e nem sei para onde ir.

- Nossa, que coisa complicada, mas você pode procurar outro lugar.

- É verdade, só que você nem tem ideia do quão difícil está, aliás, seria muito melhor ficar no mesmo que já consegui. – suspirou. – Só preciso de alguém para ajudar nas despesas.

Comecei a pensar numa maneira de ajudar, mas eu não conhecia muitas pessoas ou lugares para recomendar, coloquei a mão em seu ombro e ela sorriu pra mim parecendo agradecida por minha preocupação, nos despedimos já que morávamos em lugares diferentes e eu segui meu caminho até o apartamento de SooYoung pensando no que Taeyeon havia contanto.

Abri a porta encontrando a mesma bagunça que deixara quando saímos, ela precisava cuidar disso.

- SooYoung! – gritei. – Já cheguei! – não recebi resposta e fui até o quarto, deixei minhas coisas sobre a cama e resolvi tomar um breve banho antes de voltar á meus estudos.

Ouvi o ronco profundo dela em baixo de meu edredom e balancei a cabeça negativamente percebendo o quão desleixada minha amiga estava sendo. Tenho que dar um desconto, mas desde que chegamos ela continua assim e não muda nem um centímetro de seus hábitos. Suspirei cansada e fui ao banho.

Saí vestida e perfumada indo até a cozinha fazer um lanche e encarando as louças empilhadas soltei um rugido de raiva.

- Isso está começando a me irritar. – disse levantando as mangas da blusa e levando as mãos até a água gelada da torneira, lavava pratos e copos que pareciam não ter fim.

Terminei já tarde e tinha perdido completamente a fome. Sentei na mesa e abri os cadernos e livros jogando para o chão as revistas que antes ocupavam o espaço. Senti os olhos pesarem e não consegui mantê-los abertos fazendo de meu livro um travesseiro nada confortável, mas com a preguiça de retirar todas as roupas sobre a cama de Soo ou despejá-la da minha, era preferível continuar ali por alguns minutos e mais tarde levantar e tentar dar um tapa nas tralhas do sofá e terminar a noite nele.


Não vi mais nada desde a última letra do capítulo e o último pensamento sobre continuar o sono no sofá, acordei com uma provocante e aguda dor nas costas e me revirei fazendo os ossos estalarem. Eu tinha tomado uma surra, só pode.

Abri os olhos preguiçosa vendo a claridade entrar na cozinha e encarando o olhar cobiçador de SooYoung sobre uma tigela de cereais, os mastigava fazendo barulho e levantei fechando os livros num estrondo.

- Precisamos conversar. – meu tom era sonolento e ameaçador, suponho já que com a incomodação que sentia eu queria expor minhas condições e reclamações.

- Fa-le. – ela disse entre as mastigadas. – Dormiu bem?

- Nada bem, porque você ocupou minha cama.

- Era só usar a minha Fany.

- Não era só isso Soo, você fez uma enorme bagunça por aqui em algumas horas que estive fora, sem contar na anterior que já tinha deixado. – coloquei os dedos nas têmporas contendo a dor de cabeça que chegava. – Ah, a gente conversa depois. – sai cansada e curvada para a cama onde joguei meu corpo sobre as bagunças que ela havia largado já vendo o borrão que o quarto se tornada, estava morta de sono, parecia que a noite anterior não valera de nada e ainda tinha me rendido aquela dor nas costas.

Ouvi seus passos rápidos pelo corredor. – Não Fany, eu sinto muito. Prometo não deixar mais bagunça, aliás vou começar á arrumar agora. – ela pegou uma única blusa jogada e a colocou na cama. – Está vendo, eu vou arrumar. – pensei em dizer algo, mas não adiantaria, pensei em rir, mas isso só mostraria o quão impaciente eu estava.

Fiquei calada e abracei a edredom fazendo-o de travesseiro voltando a dormir rapidamente sentindo minhas costas se arrumarem sobre o colchão.


Dessa vez acordei mais disposta e encarei a mesma bagunça, ferveu meu sangue, mas posso constatar que algumas coisas haviam sumido.

- Será que ela arrumou nem que seja 10% disso tudo? – perguntei indo procurar SooSoo a encontrando sentando de frente á TV com um enorme pote de sorvete rindo do programa bobo que passava, fechei as mãos em pulsos e gritei seu nome, sua expressão assustada soltou um grito ao me ver de pé.

- Não adiante me olhar com essa cara arrependida, eu já pedi pra arrumar isso SooSoo. Não venha com desculpas. – coloquei a mão na testa ignorando seu olhar implorador.

- Desculpe, desculpe! Eu só iria fazer um lanche e voltar para o trabalho.

- Você já é crescidinha o bastante para ficar assim Soo, precisa tomar uma atitude e eu não gosto dessa confusão. Parece mais meu irmão.

- Ah também não seja assim Fany-ah. – cruzou os braços sobre o peito e fez bico inconformada com a comparação.

- É sério, e olha que ele ainda fazia menos bagunça. – franzi as sobrancelhas. – Não é que eu estou querendo te criticar ou algo do tipo, mas só aconselhando, porque você sabe que não pode viver assim pra sempre.

- Porque não? Assim eu encontro tudo que quero e está disponível nos lugares mais visíveis.

- É realmente, está tudo visível! – aumentei o tom nervosa. – Por favor, SooSoo me escute apenas uma vez. – ela começou a ir para a cozinha levando o pote de sorvete de volta e o guardando com a expressão amuada, o que me fez sentir culpa. – Mas que coisa! Não me faça sentir a pior amiga do mundo. – bufei sentando no sofá.

- Não estou fazendo nada e você não vai ficar sentada me vendo trabalhar. – puxou meu pulso. – Vem logo!

- Eu? Mas não fui eu que... – suspirei pesado. – Ok, se eu não ajudar você não termina isso nunca! – ela me deu um tapa forte no braço e riu de minha expressão raivosa.

Demoramos horas para acabar a arrumação, dentre as roupas jogadas eu achei a blusa que Taeyeon me emprestada e segurei-a perto do rosto sentindo seu perfume ainda presente, misturado com o meu e sorri pensando nela. Levantei bruscamente do chão e balancei a cabeça desfazendo a imagem daquele pensamento e guardei nervosa a peça no fundo de minha bolsa, iria devolver e agradecer. Por sorte o bar só abre mais a tarde e paramos para o almoço, que seria macarrão instantâneo.

- Eu quero outra coisa.

- Não tem e não vamos sair para comprar ou você se distrai pela rua. – briguei com ela já fervendo á água.

- Não que eu esteja me desfazendo de ti macarrãozinho. – ela segurava o pacote falando diretamente com ele. – Mas eu quero algo mais gostoso. – pediu vasculhando os armários.

Gargalhei com gosto ao ver seu desespero. – Você esqueceu de fazer compras como o combinado e agora sofra as conseqüências.

- Para de brigar comigo. – fez bico. – Invente algo para meu almoço.

- Não posso, eu quero ser médica e não cozinheira profissional. E já está quase pronto por isso contente-se. – ela se recusou a início, mas como sou boa e não queria ouvir suas reclamações pelo resto da tarde, eu acrescentei alguns ingredientes que achei ao macarrão e SooYoung comeu com vontade, como sempre e sem nenhuma objeção seguinte.

- Delícia! – ela disse colocando as vasilhas na pia.

- Sim, uma delícia e será ainda melhor se você limpar o que sujamos. – apontei para as louças e ela fechou a expressão.

- Mas foi você que cozinhou e sujou. – fechei a cara igualmente.

- Por isso mesmo agora você lava. – levantei da mesa voltando aos estudos interrompidos noite passada. – E a propósito eu já lavei montões delas ontem.

- Tudo bem, tudo bem Fany. Vou lavar.

- Se acha que eu vou ficar com dó está enganada, pode lavar tudo e direitinho. – gargalhei maleficamente pegando os livros e sentando no sofá já mais aconchegante do que a tempos não era.

Agora sim isso era uma casa e se SooYoung voltasse á fazer aquela baderna eu sumiria com todos os doces que ela pensa esconder de mim.



Notas finais
Pretendo postar amanhã a segunda parte.
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