Just4U

10 Chapter Eight Part II


Notas iniciais
Cumprindo o prometido e postando hoje mais um pra vocês! Espero que gostem e obrigada pelos comentários xD
Boa Leitura.

PDV Taeyeon

As contas se acumulavam e a dona do prédio já havia me procurado essa manhã para lembrar o prazo, estava ficando louca com a possibilidade do despejo, mas não tinha como lidar com isso agora. Passei as mãos no rosto, tensa enquanto lia o valor dos mantimentos que encomendei do mercado.

— Jinjja! Eu não vou dar conta disso tudo! – quase chorei pensando que poderia recorrer á meus pais, mas não seria certo pedir dinheiro com o tanto que já gastaram com minha vinda até aqui. – Esquece isso Taeyeon, você está por si mesma agora.

Não tinha fome, nem sono e muito menos cabeça para abrir os livros e ler as páginas indicadas pelo professor. Lembrei de minha conversa com a novata Tiffany e peguei os classificados olhando os aluguéis e decidindo seguir seu conselho de não desistir de procurar um lugar mais em conta. Daqui a pouco teria que me arrumar para ir ao trabalho, contudo ainda tinha tempo para andar e ver algumas propostas.

Arrumei o cabelo rapidamente, peguei a bolsa, tranquei o apartamento e cumprimentei minha vizinha da frente com um sorriso e segui para o primeiro anúncio.

— É muito amplo, gostei bastante, mas o preço está um pouco fora do previsto. – comentei com a moça que me mostrava o local.

— Tem que considerar a vista maravilhosa que temos disponíveis, a ótima instalação e localização. – andava de um lado para outro.

“Eu não preciso de sua maravilhosa vista, uma pequena janela que dê para um muro qualquer já seria o suficiente. Eu não vou pagar uma fortuna para apreciar uma vista sendo que posso subir até o alto de uma montanha e ver a cidade inteira se quiser”, pensei irritada, mas apenas agradeci dizendo que pensaria a respeito do imóvel e segui para o próximo da lista.

Ao fim do horário marcado para as visitas de apartamentos eu não tinha tempo para voltar ao meu e segui direto para o bar com bolhas nos pés e não aguentando mais o sol que se mostrava mais forte sobre a cidade. Tomei o transporte agradecida aos céus por poder sentar ao menos esse momento no dia.

“Preciso de uma solução caída dos céus”, meditei nessa frase e sem demorar vi entrarem no mesmo ônibus SooYoung com seu cabelo ondulado e Tiffany, a novata com seu brilho nos olhos e bochechas rosadas. Não pareceram me notar, mas sentaram-se nas poltronas da frente, estavam numa discussão constante sobre bagunça espalhada, roupas soltas pelo chão e o desleixo de Soo com o apartamento delas.

“É mesmo injusto que enquanto preciso de uma colega de quarto, SooYoung está expulsando a sua”, constatei. As coisas são um pouco desproporcionais para algumas pessoas, porém se fosse para arrumar uma pessoa que me deixasse tão nervosa como Tiffany parece estar com Soo, era mais preferível ficar sozinha e com dívidas, gargalhei voltando a prestar atenção nelas.

PDV Tiffany

— Eu não quero saber, você tinha prometido não voltar para a bagunça, eu já estou cansada. – tentei manter a calma no ambiente público. – SooSoo, você está nessa desde que chegamos, o que já faz duas semanas inteiras!

— Ah Fany, você precisa parar de se importar com tudo. Eu gosto desse jeito.

— Mas nós tínhamos acabado de arrumar tudo e não deu meia hora para que você transformasse o quarto num desastre. Eu convivo bem com a bagunça, mas aquilo já é demais. Estamos como as pessoas que sofrem com os terremotos e ficam sobre os escombros, a diferença é que estamos entre suas roupas, sapatos, livros e maquiagens. – pausei me contendo. – Isso sem falar nas louças da pia que parecem ondas gigantescas de um tsunami. – ela riu de meu exagero.

— Não é pra tanto.

— Você que pensa. – ela levantou-se chegando ao ponto de descer e eu fiz o mesmo não esquecendo de infernizar seus ouvidos ao máximo.

Não é por muito falar que será ouvido, eu sei, mas talvez com SooSoo isso funcione.

— Eu te dou aquela torta de chocolate que tanto quer. – tentei suborno.

— Eu comprei um pedaço dela e é realmente deliciosa, mas poderia me dar de presente e não como chantagem. – parecia ofendida e bufei sentindo o ônibus frear bruscamente sendo atingida por um peso, virei encarando o sorriso bobo do dia anterior.

— Desculpe Tiffany.

— Tudo bem Taeyeon, eu estava distraída. – descemos do ônibus e SooYoung começou a reclamar de mim para a morena que parecia no fundo concordar com meus apelos do mínimo de limpeza possível.

— Eu acho que precisa se esforçar para manter as coisas limpas, é tão ruim ficar num ambiente sem organização. – sua voz trouxe uma sequência de sorriso vitoriosos para mim.

— Isso Taeyeon-ah! Ensina para ela como se vive! – bati palmas como uma criança e corei após ela rir de mim.

— Vocês estão todas contra mim. Eu não gosto das coisas muito arrumadas, porque é assim que eu encontro o que quero.

— Impossível! – Taeyeon discordou.

— Eu vivo dizendo isso, mas não sirvo pra dar palpites segundo SooYoung. – entramos no bar e fomos ao vestiário.

No mesmo instante lembrei da visão do corpo de Taeyeon e senti as bochechas arderem. Peguei meu uniforme entrando para me trocar, ela poderia ter ido ao lugar mais apropriado aquele dia para tirar a roupa, mas fez isso tão despreocupada que me pergunto se isso seria hábito.

— Vocês que gostam tanto de coisinhas arrumadinhas deviam morar juntas! – Soo gritou.

A ideia não me pareceu tão ruim, pois noite passada eu tentei pensar numa forma de ajudar Taeyeon com o problema em achar alguém para dividir o apartamento. Seria bom dormir e acordar sem a mesma confusão de objetos.

— Não é má ideia. – ouvi Taeyeon sussurrar, sai já arrumada e encontrei sua expressão questionadora.

- O que acharia? – perguntei.

— Não é ruim, mas tenho certeza que SooYoung falou isso da boca pra fora. – respondeu.

— Talvez, mas pode escrever o que te digo, vou surtar qualquer dia desses e ai ela vai se assustar comigo.

— Não te vejo ficando brava. – gargalhou.

— Deveria estar lá ontem enquanto eu queria matá-la. – cerrei os punhos.

Fomos para trás do balcão e a cada vez que olhava para o relógio ou pra onde a morena estava trabalhando, seus olhos encontravam os meus e me faziam pensar na possibilidade de me ver livre das bagunças, mesmo assim deixar SooSoo ainda parecia muito inaceitável para mim.

— Não se preocupe comigo, nosso aluguel nem é tão caro. – ela disse quando fui conversar sobre o assunto. – Mas me admira você querer me deixar. – olhou para o chão.

— Não é assim baby. – segurei seu rosto. – Eu quero te dar privacidade viu? Você vai se sair bem sozinha. – ri. – Ainda não sei bem se vou, mas pode ser já que Taeyeon está com problemas com o preço de aluguel. – franzi o cenho.

— Problemas com dinheiro? Taeyeon? – perguntou arqueando uma sobrancelha.

— Sim, a pessoa que dividia as despesas com ela saiu do país, acho que não fazia mais faculdade e foi embora.

— Ah sim, eu sabia quem era, mas não lembro o nome. Bom, se for assim você deveria ajudar, ela é nova também e soube que os pais dela mandam dinheiro, mas ela não gosta de pedir já que estão precisando também.

— É por isso que eu pensei nessa possibilidade, se fosse qualquer outra situação eu não te deixaria, nem pela bagunça. – rimos e ela me abraçou.

— Você vai me visitar certo?

— Lógico SooSoo.

— Isso mesmo, eu vou precisar de uma empregada, então passe lá uma ou duas vezes por semana. – ela mereceu o tapa na bunda e saiu rindo.

Era uma quarta-feira agitava por ali e eu estava tentando dar conta dos pedidos feitos e muita vezes vi SooSoo sair do balcão e ir ajudar os outros atendentes com os pedidos nas mesas. Preferi ficar ali atrás com medo já que nunca tinha manejado uma bandeira cheia de bebidas e aperitivos, ainda mais no meio daquela confusão de pessoas.

Taeyeon se aproximava pedindo drinks e eu vi a oportunidade de contar a notícia, mas não havia tempo então ela me sorriu e disse que conversaríamos mais tarde. A perdi de vista e me lembrando do horário corri para trocar de roupas.

Cheguei e encontrei quase a mesma cena do dia anterior, ela estava com a blusa aberta e o sutiã aparecendo, vi pelo espelho que agora estava aberto e ela conseguiu me ver também, desviei o olhar de seus seios e ela os cobriu os a blusa, sem abotoar, mas ficando violentamente vermelha. Sorri e cheguei mais perto abrindo meu armário.

— Desculpe.

— T-Tudo bem. – ela disse começando a abotoar a blusa. – E então o que queria conversar comigo?

— Eu acho que vou poder te ajudar. – sorri esquivando-me da porta aberta para olhar seu rosto iluminado.

— Sério? – ela soltou num apito. – Nem posso acreditar. – me abraçou tão forte que por um momento prendi o ar ao senti seu corpo quente em meus braços, minhas mãos espalmaram suas costas e a vi suspirar algumas vezes, provavelmente de alívio, nos afastamos do abraço e sorrimos abertamente. – Eu nem sei como te agradecer, então você vai deixar o apartamento de SooYoung? Não quero que isso magoe a amizade de vocês.

— Não se preocupe, não irá. Eu é que irei ficar aliviada. – gargalhamos enquanto saíamos do bar e acenávamos para ela atendendo atordoada aos pedidos. – Além do que ela terá privacidade para se afogar no mar de roupas espalhadas que quiser.

— É realmente tão ruim? – parecia incrédula e só pude rir de sua confusão, ela realmente não conhecia Soo o suficiente, retirei o celular da mochila e mostrei a foto que tirara noite passada, isso deveria ficar para a posteridade.

— OMO! Isso é demais! – seus olhos se assustaram. – Como Soo consegue?

— Não sei, mas eu estou feliz de não ter que aguentar mais. – ri enquanto tomávamos o transporte novamente. – Também preciso te agradecer por isso.

— Estamos quites então. Quer ir conhecer o lugar antes de fechar negócio?

— Não, obrigada. Gostaria de fechar isso agora mesmo. – apertamos nossas mãos e sustentamos o olhar por longos segundos, ambas sorrimos e eu senti minhas bochechas queimarem como nunca havia sentido ao desviar para a paisagem que passava na janela do transporte e virava um borrão pela velocidade que seguíamos.

Dois dias depois eu estava me instalando na casa de Taeyeon, ou melhor, nossa casa agora já que metade era minha por direito. SooYoung não ficou totalmente sentida com a separação, porque sabia que eu estaria por perto e que nossa amizade não correria risco algum , pelo contrário, porque se eu ficasse lá iríamos acabar brigando.

— Isso está pesado, deixa que te ajudo. – Taeyeon segurou minha mão por baixo da enorme caixa de roupas que carregávamos até o meu quarto, escondi o rosto no volume do objeto e respirava fundo para não deixar o ar faltar, estava muito bobo sentir-me assim com os toques dela.

“Você precisa manter a calma Tiffany e tentar entender isso”, afirmei mentalmente, mas entender realmente o que? Não havia muito o que entender, apenas estava tímida e constrangida por estar morando com uma pessoa desconhecida e ponto final.

Meu pai soube de minha mudança, mas pedi que não interferisse e ele assentiu mantendo a promessa de não mandar mais dinheiro que o combinado ou meter-se em meu novo emprego. Estava feliz por minhas realizações e meu pai também demonstrava isso em nossas conferências pela internet ou nas ligações frequentes que me dava.

O período de provas se aproximava e Taeyeon pediu minha ajuda para estudar, assim como eu precisava da sua para inúmeras coisas. Ela já não dormia em sala de aula como no primeiro dia, seus problemas estavam solucionados e os meus também já que éramos devidamente organizadas e não passávamos da bagunça á nível normal de uma pessoa.

SooYoung nos via no bar e ríamos bastante de seus lamentos por não me ter catando suas peças e colocando as sujas na máquina de lavar, o que ela detestava ter que selecionar. Certa noite ela contou que acordou assustada e caiu da cama com um estrondo vindo da cozinha, ao chegar deparou-se com todas as vasilhas espatifadas pelo chão. Taeyeon e eu ríamos e pedíamos que ela arrumasse aquilo, mas ela não dava ouvidos e, portanto pela primeira vez passara a madrugada acordada limpando a cozinha para que no dia seguinte pudesse ter algumas vasilhas para cozinhar.

Ainda não sei como ela se vira com a comida, mas creio que está comendo fora ou preparando algo rápido, porque não gosta muito de preparo demorado, mas de aproveitar o sabor. Já levei Taeyeon para se certificar do estado deplorável de meu antigo lar e ela concordou que eu precisava mesmo sair de lá. Agora estou me dando melhor com ela, já que sinto mais intimidade e afeição por aquela criança.

— Fany-ah eu preciso disso aqui passado, por favor. – ela implorou correndo pela sala.

— Mas onde você está indo? – perguntei pegando o vestido que ela me mostrava e indo passá-lo.

— É o aniversário de minha irmã e por isso eu preciso viajar até minha casa e voltar amanhã. – explicou colocando roupas na mala. — Já pedi um dia de folga para YeSung-sshi e ele concedeu, sinto muito em te deixar sozinha, mas você vai cuidar bem do nosso apartamento. – sorriu.

Passei o vestido vermelho com cuidado imaginando como ficaria em seu corpo e o entreguei, ela o colocou com cuidado na capa e pegou as chaves indo até a porta. – Não vou ter tempo de nada, tem tudo que precisa?

— Sim, não se preocupe, eu vou estudar bastante. – se aproximou beijando minha bochecha e eu senti alguns arrepios passeando por meu corpo, o que me deu uma sensação maravilhosa e assim que pudesse queria repetir.

Ajudei-a com as coisas que levaria e por fim tomou o taxi pra casa me deixando na calçada. Voltei para o prédio e tranquei a porta ao passar, poderia convidar Soo para dormir aqui, mas melhor não já que desde que cheguei não havia ficado um único momento á sós e isso seria como estar aproveitando um pouco de privacidade.

Almocei devagar e arrumei a cozinha, ainda era cedo e o tempo brincava comigo testando o quanto demoraria até que eu enlouquecesse e pedisse uma companhia urgente. Mas não cedi, joguei-me no sofá cheia de livros e cadernos, tanto meus quantos de Taeyeon, para confirmar as respostas e passei a tarde absorvida naquilo.

PDV Taeyeon

Eu estava tão feliz de voltar para casa e rever minha família, mas algo ainda me lembrava de Tiffany, mesmo quando chegava e corria para os abraços e beijos daqueles que já não via há tanto tempo.

Seja porque somos sozinhas naquela cidade enorme, nem ela possui seus pais por perto e isso nos tem aproximado bastante, seu jeito meigo e carinhoso também tem me feito chegar mais perto, já que gosto de pessoas assim, que me deixam confortáveis e me fazem sorrir, o que ela conseguia sem esforço algum.

Há algum tempo percebi o brilho que paira eu seu olhar toda vez que ela está feliz, dei o bobo e significativo apelido de eye-smile, o que ela certamente adorou. Ela era tão diferente das pessoas que conhecia, não sei o motivo, pode ser porque sua personalidade é bem dividida entre a mulher madura e a garota fofa que consegue ser, ou pelo sorriso que mostra sua alma, ou ainda pelos dotes culinários que ela insiste em dizer que não tem, mas consegue transformar um simples macarrão numa refeição deliciosa, SooYoung diz que ela tem esse poder e eu já provei inúmeras vezes.

Estou no meio dessa festa tirando fotos atrás de fotos com minha pequena irmã e vejo nela a mesma doçura de minha colega de quarto.

— Você está distraída hoje querida. – minha mãe comentou, olhei para minhas mãos e sorri.

— Está tudo bem umma. – sorri para seus olhos cuidadosos.

— Se você diz, então está tudo bem. – passou a mão sobre meus cabelos e sorriu.

Assim que acabou a pequena festinha, eu carregava nos braços o corpo sonolento de minha irmã. A coloquei na cama e segui para meu antigo quarto, ao lado do dela, e mesmo que eu quisesse não consegui dormir, Hayeon apareceu no meio da madrugada arrastando seu lençol e pediu para dormir comigo, estava com saudades da unnie e eu não neguei e logo aconcheguei-a ao meu lado e comecei a contar-lhe como as coisas estavam indo.

Minha mente de perdeu entrando nos assuntos relacionados á Tiffany, e me preocupei em descrevê-la detalhadamente para minha irmã que ouvia sorrindo e ora ou outra bocejava.

— Essa unnie deve ser linda. – disse coçando os olhinhos e ganhando meu sorriso. – Quero conhecê-la.

— Ela é linda. – sussurrei antes de cobri-la e ver seus olhos se fechando, beijei sua testa e também fechei meus olhos sabendo que os sonhos dessa noite teriam mais do que simples memórias, eles teriam o rosto de Tiffany e eu tinha certeza, porque nos últimos dias eu estou pensando tanto nisso que não poderia ser diferente.

— Você vai conhecê-la e também não vai conseguir parar de pensar nela. – sussurrei para mim mesma, mas em resposta á afirmação de minha irmã que já dormia. Aos poucos senti os olhos pesando e me concentrei no riso bobo e olhar brilhante que minha colega tinha.

Notas finais
Amanhã tem mais, não quero demorar muito a postar não ok? Só se houverem imprevistos.
Reviews?
Kisses x)