Just4U

20 Chapter Seventeen


Notas iniciais
Capítulo novo e tenso hehehe
Isso mesmo, ficou grande porque diversas coisas vão acontecer por aqui e pra frente.
Inicialmente teria 5 mil palavras, mas esse número me assusta um pouco, parecia grande demais então fui tirando algumas coisinhas, mas nem deu tanta diferença assim né? AUHSAUH' Escrevi a maior parte em sala de aula xD
Obrigado aos que acompanham a fic.
Boa Leitura.

Sem PDV


SooYoung havia demorado horas se arrumando para encontrar a menor e pedido á YeSung sunbae que lhe dispensasse aquele noite para acompanhar uma pessoa, foi difícil convencê-lo já que nesses dias em que Taeyeon cantava o bar lotava, mas Sunny valia á pena e logo ele assentiu sabendo que a funcionária era dedicada e não pediria algo assim se não fosse tão importante.

Ao avistar a loira saindo de um táxi com um dos sorrisos mais lindos que SooYoung já vira suas mãos instantaneamente gelaram e o coração parecia querer saltar do peito, se aproximaram ainda tímidas pelas apresentações formais e sem Tiffany para interrompê-las ficava mais difícil se concentrar no show pela companhia que ainda trazia algum desconforto por nunca terem se falado sem a morena junto.

YeSung sunbae as observava de longe com um sorriso e perguntava á Taeyeon quem era a loira.

– Uma amiga de SooYoung, ou melhor, a futura namorada dela que estou indo conhecer depois de mais uma música. – o chefe saiu contente murmurando que esse era um bom motivo para que a funcionária pedisse um dia de folga, mas que mesmo assim cobraria a reposição mais tarde, Tae apenas riu.

– Realmente fico contente que tenha ligado. – SooYoung dizia entre um gole do vinho e uma mordida nos aperitivos deliciosos trazidos.

– Foi a primeira pessoa que pensei quando quis me divertir. – Sunny corou com medo de ter sido indiscreta. – Sabe como é... – disfarçou tomando rápido demais o vinho da taça e engasgou.

As mãos da morena envolveram suas costas e a trouxeram mais perto ajudando a parar de tossir pelo líquido que agora queimava em sua garganta.

– Está tudo bem? – a voz de SooYoung era preocupada ao olhar para Sunny vermelha devido ao esforço.

– S-Sim, obrigada. – a vergonha agora ardia mais do que o vinho desavisado.

– Não se preocupe, logo passa. – Taeyeon surgiu depois de terminado o show, a cena ainda trazia uma pequena familiaridade á ela em relação á Tiffany, sorriu diretamente para Sunny que por dois longos segundos ficou analisando as afeições lindas e detalhadas da cantora, aquele olhar tão calmo e mesmo assim com intensidade suficiente para prender toda atenção lembrava uma criança e ao sorrir confirmou que Tiffany tinha todas as razões do universo para querer estar perto de Taeyeon. – Atrapalho alguma coisa?

– Imagina. – SooYoung disse girando a fina taça entre os dedos. – Não quer sentar? – o tom era menos convidativo do que Tae pensou e gargalhou.

– Obrigada. – puxou uma cadeira ao lado de Sunny e se apresentou gentilmente sem deixar de olhar aquele rostinho fofo que a loira tinha e também a encarava.

As frases “Ah eu sei quem é, pois tenho ouvido muito sobre você” ou “Tiffany já detalhou como você era bonita, mas ainda sim me surpreendeu te ver pessoalmente” ficaram presas em sua boca por não saber se deveria soltá-la assim tão de repente. Educada somente devolveu a gentileza.

– Pode me chamar de Sunny. – sorriu olhando para SooYoung que agora parecia quieta demais.

– Então, gostou do show?

– Adoramos. – a morena respondeu fixando-se em Tae que ria incontrolável dos ciúmes da amiga. – Como sempre, ótimas músicas Taengo.

– Não são? Eu que escolhi.

– Tem um bom gosto então. – Sunny completou ainda sorrindo.

– É verdade, TaeTae sempre tem os melhores gostos e instintos como os de chegar na hora certa. – bufou recebendo um olhar assustado de Sunny.

– Tudo bem, ela é sempre assim. – Tae revirou os olhos e pediu uma bebida. – Vou ficar com vocês tudo bem SooYoung?

– Claro Taengoo, você é sempre tão bem-vinda.

– Éer claro que pode. – mesmo querendo conhecer mais da unnie que tinha ganhado o coração de Tiffany daquela maneira tão intensa Sunny ainda preferia ficar a sós com SooYoung, afinal era isso o que tinha em mente para o resto da noite.

SooYoung desistiu de fazer a amiga sair da mesa e a enturmou com a loira que ria cada vez mais do que falavam, das besteiras que saiam pelas bebidas que tomaram e deixava a morena cada vez mais entorpecida pela menor. Aos poucos tinha que se controlar mesmo que já perdendo o foco para não deixar os suspiros saírem ao encarar Sunny tão firmemente.

– Preciso voltar lá pra cima. – Taeyeon dizia sem conseguir se levantar e continuava rindo. – Foi muito bom conversar contigo Sunny-ah. – abraçou a loira e arrastou-se para o palco, cambaleou sentando de frente para o microfone.

– Ela vai cantar? – Sunny perguntou chegando mais perto de SooYoung.

– Ah sim, ela consegue. – sorriu. – Ela é ótima nisso, sem problemas.

– Vou dedicar essa música para duas pessoas muito especiais na platéia. – o coração das garotas da mesa em frente começou a fraquear nas batidas e as bochechas de ambas ficaram incrivelmente quentes e muito rosadas sem ser pela maquiagem que usavam. – Na verdade o futuro casal mais fofo que já conheci. – todos riam e esperavam ansiosos pela dedicação. – Choi SooYoung e Lee SunKyu, espero que fiquem juntas e apreciam a canção. – os olhos de Taeyeon se fecharam embalados pelo ritmo calmo e tocante da melodia que ecoava dos instrumentos no palco e todos aplaudiram brevemente assim que sua voz soou firme.

– Me desculpe, me desculpe por isso Sunny-sshi – um nó se formava na garganta de SooYoung e tateou qualquer coisa em cima da mesa para se segurar e apertar até que o nervosismo passasse e então pudesse olhar para a outra que devia estar achando aquilo estranho e até ruim, seus dedos encontraram outros e os apertou inconsciente até senti-los retribuir o toque e encarar o rosto vermelho de Sunny muito perto.

Perto o bastante para fazer a respiração de SooYoung prender e seus olhos se impressionarem ao sentir os lábios macios e quentes sobre os seus, os olhos de Sunny estavam fechados e parecia embalada tanto pela música que a cantora dedicara á elas quanto pelo sabor dos lábios que desejou provar durante a noite toda.

SooYoung pediu passagem com a língua invadindo a boca da menor e seus dedos explorando a nuca dela a fazendo quase se sentar na mesma cadeira que já estava pareadas do mesmo lado da mesa, as mãos da garota envolviam seus cabelos na mesma frequência que o beijo se tornava urgente. O ar começava a faltar e afobadas cessaram o beijo entreolhando-se sem voltar a sentir aquela incomoda vergonha de antes.

– Eu realmente sabia que essa noite seria incrível. – Sunny sussurrou entre o pescoço de SooYoung até ter seus lábios tomados de novo pela fome da morena que movimentava sobre ela aquecendo tudo ao redor nem sequer se dando conta das pessoas ou da própria Taeyeon que poderia estar observando e adorando a cena, as duas apenas se concentravam no beijo.

Horas depois se levantavam da mesa de mãos dadas e sem conseguir tirar o sorriso do rosto enquanto caminhavam pra fora do bar que ameaçava fechar. Taeyeon estava igualmente feliz as observando enquanto terminava de tomar sua bebida após descer novamente do palco.

– Quer que eu te leve em casa? – SooYoung perguntou ainda sem jeito sobre a situação.

– Quero passar mais algum tempo com você, pra conhecer tudo o que puder. – a menor acariciou as bochechas da morena trazendo seu queixo mais perto, SooYoung como era mais alta, inclinou-se para frente e rodeou a cintura da menor com os braços fazendo-a ficar na ponta dos saltos e alcançar seus lábios. O beijo foi rápido e ainda sim uma nova sensação invadiu as garotas.

– Eu te levo e aproveito pra conhecer onde mora. – a morena parou um táxi as colocando pra dentro e Sunny ficou por dois segundos preocupada sobre o que Yuri acharia se as visse chegando, provavelmente ainda estaria no hospital e se não tivesse seria até bom conhecer SooYoung o mais rápido possível.


PDV Yuri


Não tive que engolir o mau humor daquela garota já que felizmente a encontrei dormindo. Agradeci mentalmente em poder voltar pra casa sem ao menos ter falado com Jessica e me despedi de SeoHyun indo ao estacionamento.

Procurava as chaves dentro da bolsa quando vi um vulto passar correndo, uma enfermeira sem direção deixando os cabelos loiros alvoroçarem e sequer olhava pra trás, parecendo fugir de alguém. Os gritos conhecidos de SeoHyun percorreram o estacionamento e ofegante parou diante de mim com as mãos nos joelhos.

– Jee-Je-Jessica. – demorou a pronunciar e meu coração acelerou ouvindo aquilo e seguindo a indicação de seu dedo trêmulo.

– Ela não estava dormindo? – assustei quase deixando as chaves caírem.

– Pre-precisa segui-la. – corri junto dos outros enfermeiros tentando alcançá-la, a vendo entrar num táxi voltei rápido para o carro jogando-me dentro dele e girando o volante, foquei apenas na placa do táxi seguindo-os por todas as ruas conhecidas até que tive a impressão de estar perdida.

Não arrisquei voltar, iria continuar seguindo o carro que levava a sem noção da Jessica. Como aquela garota conseguiu fazer isso? Tem alguma coisa errada com o cérebro dela. Algo em minha mente dizia que não deveria ter acordado hoje.

– Eu te mato! – gritei nervosa virado o volante com agilidade para não perdê-los numa curva arriscada.

O carro parou sendo impossível a passagem pela estreita rua á frente e a enfermeira que agora já sabia ser Jessica desceu apressada percorrendo o caminho escuro e não tive tempo de pensar duas vezes antes de largar meu carro e ir atrás tão apressada quanto para não perder por onde havia passado.

Estava difícil enxergar qualquer coisa enquanto me movia pelos becos desconhecidos, poças continuavam espirrando contra mim assim que as atingia e gemi descontente com minha imagem suja e largada, dava pra ilustrar sem muito esforço a situação pavorosa que me encontraria e estar em casa sob uma grossa camada de cobertas bloqueando o frio era tudo o que precisava agora.

Jessica estava manipulando minha capacidade de perseguição, com as pernas latejando e os saltos realmente impróprios tentando segui-la, diversas vezes tive de segurar o vestido para que não mostrasse demais enquanto corria. O tecido leve e solto abaixo da cintura preso somente por um cinto levantava e agradeci por não ter escolhido algo justo ou curto demais.

Mesmo que não tivesse responsabilidade nenhuma com ela ainda sim sei que Tiffany ficaria abalada e SeoHyun se sentiria culpada por ter sido enganada.

Não conseguia ver mais do que suas costas cobertas pelo uniforme branco que com toda certeza tinha roubado e os cabelos soltos ao correr. Observei-a parar fixamente olhando algo que não consegui enxergar e segundos depois levar as mãos ao rosto até que pude perceber que não estava sozinha, havia mais alguém ali que a entregava alguma coisa, Jessica pendeu a cabeça pra trás soltando um gemido arrastado. Não acredito que esteja com aquela porcaria.

Ao me ver chegar quem quer que fosse correu despertando a atenção dela que olhou na minha direção assustada.

– Yuri? – tentou esconder o que tinha e com raiva crescente por ter me feito correr e ficar completamente suja, com um tapa arranquei o objeto de suas mãos jogando-o no chão a vendo abaixar freneticamente envolvida na procura da droga.

– Não tem vergonha? – puxei seu corpo o jogando contra a parede mais próxima e me mantendo sobre ela.

Aquilo era incomodo. Essa sensação do seu corpo imprensado contra o meu, nossas respirações aceleradas, olhos esguios e as mãos dela ainda tentavam me afastar, tive que ser firme e a única parte fácil de manter presa á parede era a cintura fina e esculpida que segurei com força.

Não estava com paciência de ficar ouvindo as ofensas e tapei sua boca com a mão livre a deixando ainda mais nervosa. Nesse mesmo segundo enquanto apenas seus abafados gemidos raivosos eram ouvidos além do alarme de algum carro que soava não muito longe tentei me concentrar e descobrir sobre onde estávamos e como faria para nos levar de volta, senti seus dentes apertarem minha pele com uma intensidade impressionante e a derrubei no chão imobilizando seu corpo entre minhas pernas e massageei o local da mordida na mão esquerda.

Aquela filha da mãe tinha força, mas não o bastante que conseguisse me parar. Os braços agitados de Jessica tentavam segurar os meus enquanto gritava.

– Me solta Yuri! – apenas olhei indiferente, porém com raiva e até um pouco assustada e não respondi nada do que se passava por minha mente.

As coisas começaram a ficar feias quando suas unhas arrastavam-se por meus braços. Os pressionava achando que poderia surtir algum efeito, o problema era a voz irritante que continuava alta e mesmo que tentasse bloquear mentalmente ouvir as agressões verbais daquela idiota, já estava irritando.

– Sua louca! Quer ficar quieta? – gritei de volta.

Socos seguiram em minha direção – sem realmente acertar, pois de tão agitada não havia mesmo uma mira e sim o instinto – não tive escolha senão mostrar quem manda com um tapa carregado e certeiro. Parecia que ia ficar a marca, mas não era relevante pra mim.

– Você? – seus olhos estavam desnorteados e a tinha deixado assustada o que já era o suficiente.

Nos levantei mantendo os braços trancados ao redor de sua cintura a fazendo andar conforme meu ritmo preocupado em sair dessa parte intimidadora e mal cuidada de Seoul, nem nas minhas piores opiniões sobre como a arquitetura era terrivelmente desleixada em alguns bairros da cidade poderia ter imaginado algo assim tão distante e excluso dos desenhados e magníficos edifícios que minha própria construtora projetava.

Reconheci que já não sabia voltar até onde havia deixado o carro. Não tinha como ao menos lembrar o trajeto que fiz atrás dela porque nunca estive por aqui. Era horrível estar imersa nessa confusão e com a inundante e transtornante sensação de estar completamente perdida com a civilização tão perto, horrível mesmo era ter de estar com Jessica que só fazia por me atrapalhar.

Por que motivo mesmo eu havia aceitado aturá-la?

Nada nem de longe compensa tudo isso, estou cansada, com fome, com raiva e na companhia menos agradável que poderia pedir.

Uma pontada bruta e aguda ergueu-se por minha costela, soltei sem hesitar a cintura daquela mal agradecida para apalpar a cotovelada que tinha me dado. Não pude curtir o desconforto porque o corpo esguio continuava a fugir.

Meus sapatos escorregavam querendo sair dos pés pela rapidez em que eu cortava a distância entre nós. Havia um ressalto á frente em que a vi cambalear, — era tão mal iluminado quanto o resto do estreito beco – tive que descer e era complicado me orientar e não perdê-la de vista ao mesmo tempo.

Uma movimentação de gritos e passos estranhos despertou ao redor, ainda descia o íngreme pedaço ao ser empurrada de cara no sujo e úmido chão, ergui a cabeça nervosa e zonza procurando pelo responsável vendo Jessica também ser lançada pelo grupo barulhento, atordoado e consideravelmente grande.

Fechei os olhos sentindo algo pior, uma corrente alcançando e arrastando minha perna, algo parecia quebrar só naquele toque brusco de alguém que pisava forte no meu tornozelo, felizmente também caiu, perdi a noção de tudo gritando. O magro corpo ao lado resmungava algo enquanto simplesmente eu conseguia gemer e deixar lágrimas virem. A pior dor com certeza. Não podia sequer pensar mover minha perna.

Engoli o bolo de saliva e arfei o vendo levantar sem se importar ou parecer me notar e seguir a direção desordenada do grupo que passara segundos antes.

O calor subia trazendo ainda mais daquela dor que se guiava por toda a perna direita concentrando-se no tornozelo que não queria obedecer meus sinceros apelos em que expulsasse aquela intrusa que ardia, machucava, torcia e revirava minha calma.

Jessica já estava de pé observando minha agonia em não conseguir me levantar também, devia estar pensando que era um castigo e que nessas condições já não a perseguiria mais. Ignorei sua presença que era a causa de toda essa desgraça e voltei a tentar sair daquele chão imundo, sabe-se que coisas nojentas estavam esparramadas ou haviam passado por ele, mas a mínima ideia de movimento já me fazia tremer.


PDV Jessica

Era tão bom, incrível e completamente sem descrição aos leigos o modo com que aquela preciosidade atingia e eletrizava cada parte do meu corpo o deixando vivo e alerta. Temia pelo horrível momento em que o efeito acabaria e teria que procurar por mais. Só que já tinha desfeito de tudo a não ser o relógio em meu pulso que havia sido doado por aquela lerda e estúpida enfermeira que também diante da pressão em que a submeti cedera esse uniforme branco insuportável.

Porém amanhã, o que estou passando agora será apenas um vago reflexo em minha mente sobre uma garota desesperada, porque terei saído desse país e vou estar desfrutado uma das melhores suítes nos hotéis mais caros da América com ajuda dos desvios feitos nas contas de Sr. Jung que carinhosamente não desconfia do grande empréstimo que doou á filha, no caso eu. É o mínimo que aquele egoísta mesmo que ausente desse fato poderia ceder.

Talvez eu possa planejar mais tarde uma viagem á Dallas e visito alguns antigos amigos ou fico em LA mesmo já que é o paraíso de tudo que preciso: cassinos, dinheiro, bebidas, homens e Cristal.

Esse último item é algo indispensável. A deliciosa metanfetamina que exibe seus dotes poderosamente fazendo com que as funções do corpo acelerassem num ritmo realmente impressionante. Havia feito de mim uma pessoa bem melhor, pelo menos é o que eu acho, não tanto quanto doutora Tiffany concorda, mas não importo com opiniões. É dela, dessa pequena pedrinha cristalizada branca ou incolor confundida até com açúcar nos truques mais espertos dos traficantes, de que preciso urgentemente.

O que aquele vendedor chantagista e sujo havia me cobrado por aqueles míseros saquinhos tinha me levado exatamente quase tudo de valor. Mas por ela sou capaz de muitas coisas. É uma das poucas paixões que mantenho na vida.

Curioso pensar que a aceitei num dia normal onde faltara ás aulas da faculdade com minha turma de amigos — pouco agradáveis aos outros colegas — naquela mesma boate em que voltamos tantas vezes, a mesma em que infelizmente havia passado mal e ido direto parar naquele inferno com cheiro de remédio. Apenas queria dançar e um dos carinhas ofereceu, pra que iria negar? Não era nada demais e na verdade ainda não acho que seja.

Já experimentei outras coisinhas também, não rejeitei nada mesmo que nunca tenham me deixado pegar uma quantidade realmente satisfatória. Mas foi durante a dança inebriante e o escondido sexo excitante que Cristal havia me pagado de jeito. Ainda mais curioso é que ela me traz lembranças, tanto pelo nome quanto pela parte vibrante e intensa que tem.

Agora na busca por liberdade de prová-la longe de tudo isso, da doutora, do hospital, da minha família, tenho que aguentar Yuri. Já é a segunda vez que essa garota se intromete.

Por pensar nela, posso ver que ainda continua jogada no chão a uma distância considerável. Poderia facilmente virar as costas e ir, mas seus gemidos arrastados e fracos atrapalhavam meus pensamentos e até me deixavam com pena do jeito que parecia machucada, seria apenas um truque pra me fazer voltar? Não confio nela.


PDV Sunny


– Mora sozinha nesse lugar tão... – a voz dela mostrava o quão impressionada estava rodopiando pela casa com os olhos analisando cada canto da decoração que Yuri-yah havia feito. – Tão incrível?!

– Não. – ri oferecendo algo para bebermos. – Moro com uma amiga. Ela sim é a dona da casa.

– Não obrigado, já bebemos bastante por uma noite não acha? – piscou chegando mais perto sem deixar de olhar a sala. – Que sorte você tem.

– Também acho, meses atrás eu estava completamente sem um lugar pra ficar quando cheguei em Seoul e ela foi muito generosa me convidando. – as sobrancelhas de SooYoung se contorciam e não dava pra imaginar o que estaria pensando.

– Ah sim.

– Somos amigas de infância e prometi vir morar aqui na cidade também caso meus pais permitissem. – ainda estou sem jeito de chegar nela novamente depois do beijo quente no bar da antiga namorada da Fany unnie.

– É sempre bom ter amigos. – ela sorria. – Não vou demorar caso ela chegue, aliás, já está muito tarde e acho que preciso ir embora... – já? Quase pulei em cima dela pelo desgosto de ouvir aquelas palavras, não queria que isso acabasse tão cedo mesmo com a possibilidade de poder vê-la amanhã e depois de amanhã e depois, porque hoje que ainda queria ficar junto.

– Ir? – repeti encarando a televisão desligada á frente.

– Por quê? Isso é quase um pedido pra que eu fique?

– Se considerar assim e se não for rápido demais pra você e... – antes que pudesse terminar a frase os lábios ansiosos dela já encostavam-se aos meus, nos guiei até meu quarto. Decididamente não faríamos algo agora sem antes terminar de conhecê-la, porém isso não impede de ficar nos braços dela mais algumas horas.

Subia um degrau de cada vez nos puxando pra cima, senti meus pés pararem de tocar o chão ao ser levantada e carregada faltando pouco para terminar a escada até o segundo andar e sorri entre o beijo.

– Não gosto de ser baixinha. – comentei. – Um fato sobre mim.

– Assim é bem melhor. – suas mãos pressionaram meu corpo com mais força como se quisesse mostrar que me segurar era bom. – Já aprovei esse fato sobre você. – rimos entrando no quarto e nos sentando na cama um pouco desajeitadas por ser algo novo demais.

Ao invés de nos deixar naquela situação incomoda, SooYoung começou as vasculhas meus filmes jogando pra mim alguns dos quais queria assistir comigo e também eram meus favoritos. Essa era uma ótima maneira de começar a conhecer alguém.


PDV Yuri


Arqueei aliviada sentindo mãos trêmulas segurarem minha cintura, fui arrastada sem muito cuidado, mordia o lábio inferior e em questão de segundos senti o gosto de sangue pela boca, porém não podia focar nisso já que meu pé estava sendo tocado bruscamente por vários objetos no caminho, e sabe-se lá que caminho é esse.

– Jessica. – disse baixo devido á concentração que fazia por manter os gritos fechados em minha garganta.

– Já vamos chegar. – respondeu fazendo alguns acenos e outras figuras trêmulas seguraram meu corpo fazendo-o subir uma escada que rangia as tábuas a cada degrau que avançávamos, imaginei ser uma bandeja por alguns instantes. Senti algo como um colchão, só que tão duro quanto o chão em que estava colocado.

Os olhares sobre mim eram assustadores. Percorri cada rosto que parecia me secar suas observações, onde eu tinha me enfiado? Todos estavam tremendo e segurando o próprio tronco para controlar, machucados por todas as partes expostas de pernas, ombros, pescoço e até no rosto. Uma garota ruiva chamou minha atenção, meus olhos encheram-se de lágrimas ao ver seu estado e imaginar o quão bonita tinha sido sem tudo isso.

Jessica estava ao lado dela sem sorriso ou expressão alguma em seu rosto. Chamei seu nome ainda com medo, apavorada e sem conseguir pensar, toda atenção dirigida com pavor pela roda de pessoas, preciso ficar atenta.

– Jessica... – chamei de novo e pareceu escutar, depois de alguns segundos socou uma parece balbuciando algo incompreensível.

– Tudo culpa de vocês! Quem foi? – ela olhava desconfiada e alterada á todos que recuaram. – Quem foi o engraçadinho viciado que nos empurrou e ainda pisou no tornozelo dela? – o rosto delicado perdera toda sutileza e detinha a expressão sólida de raiva. – Se não fosse por vocês, agora ela não precisaria estar aqui comigo, o que têm na cabeça? Nada?

– Sabe de quem estávamos correndo, precisamos de mais. – a ruiva dizia esfregando as mãos.

– Não me importo, sumam daqui! São um bando de imprestáveis, não quero saber o que se passa nessas mentes ocas! – mesmo com resistência dos outros gritando os expulsou do cômodo. Aproveitei enquanto a briga se estendia no corredor e o observei como boa arquiteta.

As janelas do andar quebradas e mal fechavam deixando o vento frio ultrapassarem por seus cacos e encher o ambiente. A única luz ali era a da lua que se refletia parcialmente dando pouca visibilidade, havia uma lâmpada ainda pagada no teto e duvido que estivesse condições de ser acesa. O piso era de tábua e algumas se soltavam. O papel de parede em um tom vinho com alguns desenhos irregulares, o espelho velho na parede surpreendentemente não trincado remetia á uma peça bem antiga largada ali por algum dono da casa ou coisa do tipo.

– O que está fazendo aqui? – ela gritava segurando meus ombros. – Você tem que se meter em tudo? – soltou-me e no movimento brusco reclamei de novo da dor assim que seus pés trombaram com minha perna sensível.

– Segui você sua desmiolada. – encontrei voz.

– Não me provoque. – reagiu.

– Eu digo o mesmo, quer fazer o favor de se acalmar. Depois pode ficar nervosinha, mas preciso de ajuda aqui.

– Ajudar você? Com mais o quê? – aumentou o tom de voz com desdém. – Já não chega ter te tirado de lá? – apontava pela janela. – E quer saber Yuri, nem te conheço e não devo nada pra você!

– Só estou aqui por sua culpa, acha que viria atrás de você somente por boa vontade? – desviei o olhar do dela tentando ter forças para tocar na lesão.

– É apenas uma luxação. – concluiu chegando mais perto. – Pelo menos não é uma fratura exposta, mas segundo suas reclamações de dor. – encostou o dedo e gemi. – Quebrou ou deslocou o osso e isso é sério.

– Nossa, obrigada por esclarecer. – rugi enquanto ela procurava algo no cômodo e voltou com alguns instrumentos improvisados. Recusei que colocasse aquilo.

– Já está inchando, vai querer ou não? – apenas afirmei sem muita escolha e suas mãos fizeram trazer a pior dor ao colocar o osso no lugar, agarrei suas roupas e gritei, ela enfiou um pedaço de uma coisa qualquer na minha boca para ajudar e depois cuspi o objeto, não conseguia acreditar que ela tinha feito aquilo comigo, tudo culpa dessa destrambelhada.

– Pronto. – anunciou e vi a imobilização improvisada com um cabo de vassoura e algumas tiras, porém ajudava um pouco. – Sinto muito, mas nosso hotel cinco estrelas não conta com gelo á seu dispor no momento. – zombou tirando a jaqueta branca roubada de alguma enfermeira e colocando sobre o chão como um travesseiro. – Isso pode ficar feio sem gelo, mas vai ter que aguentar.

– Muito obrigada novamente, sua hospitalidade e gentileza estão me tocando sabia? – tentei deitar e confesso ter sido muito difícil ajeitar um posição favorável com a perna naquele estado, ela estava bem afastada, ótimo melhor assim ou sou capaz de matá-la enquanto dorme.


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As horas aqui parecia se arrastar ou era a companhia dela que fazia isso, estiquei o pescoço olhando o céu da janela que começava a clarear e não consegui acreditar que passei a noite fora de casa. Mesmo tentando descansar o tornozelo continuava doendo bastante, não conseguia mexer sem que o incômodo viesse e fosse obrigada a morder o lábio inferior e apertar os olhos numa forma falha de concentração para não gritar, mesmo com a ajuda de Jessica ainda estava sentindo a perna formigar sem poder mexê-la.

– Tudo bem ai? – seus dedos frios e longos percorreram minha perna e senti um arrepio, talvez pelo medo de que aquilo provocasse alguma dor, apenas acenei. – Não parece. – chegou mais perto começando um tipo de massagem, mas agora não consegui segurar o gemido e deixei que saísse. – Calma, sei que não devia estar fazendo isso, pois ainda não completaram 24 horas depois do ocorrido, mas ou é isso ou não me deixa dormir não é? – os olhos preocupados dela seguiram os meus que estavam marejados e vi um sorriso breve no canto de seus lábios.

– Maldita hora que tive de sair atrás de você. – soltei entre dentes pela dor e ela apertou meu tornozelo sem cuidado, abri os lábios em mais um grito e levei as mãos para agarrar seu pescoço e consegui, a pele branca e arrepiada sobre meus dedos se tornou quente e apertei levemente a vendo sorrir. – Ou faz isso direito, ou também vou saber brincar.

– Tudo bem, mas se não me soltar lembre-se que sua perna está em minhas mãos. – riu.

– E o seu pescoço nas minhas. – sorri de volta e depois de alguns segundos me encarando voltou a deslizar calmamente as mãos por onde incomodava.

As sensações sob o toque eram boas, dependendo do movimento ainda era obrigada a me contorcer, agora Jessica percebia e aliviava pra mim. – Obrigada. – sussurrei enquanto tentava deitar novamente com sua ajuda.

– Não acostume, mas se continuar assim conte comigo. – ajeitou a blusa usando-a de travesseiro como antes, prendeu os fios loiros num coque e deitou, logo voltei ouvir os suspiros constantes e a respiração uniforme dela que já devia ter dormido o que era realmente assustador e intrigante.

Não ia consegui voltar á dormir naquele chão duro que acabava com minhas costas. Sentei como pude analisando Jessica calma e quase pude ficar presa naqueles olhos fechados e no formato de seu rosto se não lembrasse o quanto complicado era lidar com a fera ao acordar, engatinhei tentando não gemer quando o tornozelo encostava ao chão e retirei o cinto de tecido grosso que prendia meu vestido unindo suas mãos como podia e sendo rápida para que não acordasse fiz o que era preciso.

– Sem mais fugas Jessica Jung. – sorri e não tendo forças pra voltar ao meu lugar que parecia longe demais considerando as dores que me seguiram até aqui, encostei perto dela, nossas costas juntas e meus olhos pesaram.


Notas finais
SooSun!!
O que acharam de Jessica e Yuri?
Reviews?
Kisses x)