Just4U
21 Chapter Eighteen Part I
Notas iniciais
Boa Leitura.
PDV Sunny
Acabamos esparramadas na cama, as mãos dela segurando minha cintura formavam uma posição boa de ficar, porém precisávamos acordar e queria surpreender-la com um dos meus ótimos cafés da manhã. Com esforço escorreguei pelo lençol e desci até a cozinha, não demorou muito até que SooYoung acordasse correndo pelas escadas. Sorria pra mim tentando arrumar os cabelos. Desejei que Yuri também viesse correndo, porém nenhum som atrás de SooYoung denunciava que ela estivesse se levantando. Aquela preguiçosa vai atrasar justo quando queria lhe apresentar uma pessoa?
– Vem tomar o café da manhã comigo e depois damos um jeito de você ir pra casa. – disse apontando a cadeira ao lado. Ela virou o rosto me deixando um beijo de “bom dia” e delicadamente, contudo percebi que faminta, atacava tudo que eu havia preparado.
Mais tarde tenho que contar á Yuri tudo que ela perdeu do meu encontro.
– Tudo aqui é tão lindo. – SooYoung dizia ainda impressionada indo em direção ao jardim e decidi que ainda tínhamos tempo de fazer um tour pela casa. Seus olhos pareciam saltar e brilhar a cada novo ambiente que passávamos.
– Minha amiga é uma arquiteta conceituada e trabalha duro. – exibi meu sorriso mais orgulhoso.
– E tem um incrível bom gosto. O que é isso? – saltou ao ver Spencer pela primeira vez. – Ele morde? – escondeu-se atrás de mim e ri pegando o bichinho de estimação no colo.
– Ela é mansinha. – corrigi direcionando sua mão á acariciar o pelo da cadelinha que nos observava com seus cativantes olhos fazendo com que todos sempre cedessem a seus encantos.
– Que linda, é da sua amiga? – passei satisfeita Spencer para seus braços a vendo adorar o novo carinho.
– Sim, Yuri-yah não consegue viver sem ela. – sorrimos. – Quer saber? Estou ficando preocupada por não haver nenhum sinal dela em casa, não é normal que ela se atrase tanto assim. – era melhor subir até seu quarto para verificar.
A cama estava feita, não como se tivesse sido recém arrumada e sim como se nem houvesse sido tocada. – Ela não esteve aqui. – suspirei sentando e vendo SooYoung fazer o mesmo ainda com Spencer no colo, hipnotizada pelo animal. – Alguma coisa deve ter acontecido. – comentei olhando pra ela.
– Relaxa, provavelmente foi dormir na casa de alguma amiga ou namorado.
– Namorada. – corrigi.
– Então ótimo, deve ter sido isso.
– Acho pouco provável porque Tiffany unnie não está na cidade e... – os olhos de SooYoung fitaram-me intrigados, impacientes e então ficaram tomados pela raiva. Nem a vi se levantar somente segurei por reflexo a cadela que quase jogou em minha direção. – Mas o que deu em você?
– Tiffany Hwang? Tiffany? Nossa Tiffany? – ela estava agitada.
– Calma. – sorri sem ver nem ao menos sombra disso em seu rosto. – O que tem Tiffany unnie e... – parei de falar me levantando também e deixando Spencer correr pra fora percebendo o erro de ter trago-a pra cá justo quando era amiga de Taeyeon — ex-namorada de Fany — bati a mão na testa e ela soltou um riso breve e sarcástico.
– Não acredito, sério, simplesmente não acredito. – rodeava o quarto de Yuri concentrada a encontrar algo em especial.
– Desculpe, não devia ter te metido nisso, ou melhor, não me metido nisso.
– É ela? – focou a foto mais próxima de Yuri e a segurou como se fuzilasse minha amiga, fui gentilmente até ela pegando a foto que quase se rasgou entre os dedos duros de SooYoung.
– Não adianta em nada ficar assim. – voltei a fotografia para seu devido lugar.
– Não mesmo? Olha só pra ela, é tão bonita, na verdade bonita demais e será que foi isso que chamou atenção de Tiffany? Por que ela foi se envolver com outra pessoa assim tão cedo? — disse embolada e inconformada, apenas segurei suas mãos a virando pra mim.
– Cedo? Se Fany unnie contou direitinho tudo que aconteceu isso não foi cedo de maneira nenhuma, se passou muito tempo. – ao ver seu olhar procurei concertar a situação em vez de piorar com minhas explicações. – Não foi por causa de beleza que ela não procurou Taeyeon-sshi depois de tudo aquilo.
– E você sabe de tudo?
– Fany confiou em mim.
– Então deve saber que tento desesperadamente fazer com que voltem. – arqueou a perfeita sobrancelha.
– Eu sei muito bem disso. – ri. – E minha única observação é de não querer que Yuri saia machucada dessa história, já foi o bastante por aqui tudo que vi sobre ela e Tiffany.
– Como assim? – seu tom era apenas curioso e ela se aproximava fazendo meus lábios formigarem por mais um beijo.
– Isso é história para outra hora. – mostrei a língua e pisquei.
– Ainda quero saber disso, por hora diga se é contra ou a favor?
– A favor de Tiffany e Taeyeon?
– Exatamente. – aquilo parecia mesmo sério para SooYoung e eu não seria capaz de negar que queria ver Yuri longe dessa confusão e depois de saber de tudo que Tiffany viveu com Taeyeon e de tê-la conhecido, realmente sou a favor.
– Nem um nem outro, porque não sei o rumo que as coisas vão tomar. – forcei a dizer o que era correto, terminantemente não iria dar uma opinião sem saber como ambos os lados estariam depois de tanto tempo. – Só digo que se for melhor para elas pode contar que estarei a favor, caso contrário, ainda não decidi porque dependerá das circunstâncias. – minha resposta era objetiva e pelo sorriso de SooYoung satisfatória, sendo assim inclinei o rosto esperando mais um beijo.
– Adorei saber como pensa sobre isso. – ela cedeu ao beijo levantando-me do chão novamente e já prevejo que essa deliciosa sensação de estar em seus braços será algo frequente se depender de mim.
Sem PDV
A psicóloga atendeu ao telefone sendo noticiada do recente desaparecimento de Jessica, um arrepio culpado e gélido percorreu seu corpo e sentou-se com os lábios abertos pelo choque da notícia, era SeoHyun na ligação.
– É impossível que ela tenha feito tudo sozinha ao encurralar aquela enfermeira, deixando-a inconsciente e amarrada em sua cama com os lençóis do hospital e sem o uniforme. – a voz apática da assistente de doutora Tiffany deixava-se vagar pela mente conturbada da psicóloga que reunia as informações sentindo-se uma completa idiota ao ter sido enganada por uma paciente do nível de Jessica quando já teve casos piores tratados com sucesso. – Preciso saber exatamente o que aconteceu na última sessão dela. – a mulher tremeu segurando uma caneta qualquer sobre a mesa e quase a partindo ao meio.
“E se SeoHyun-sshi lembrar do pedido que fiz aquele dia sobre a ligação? E se foi exatamente a chance que Jessica tinha de contatar alguém lá fora pra fazê-la sumir? Meu Deus!”, uma fina camada de suor fixou-se sobre sua testa e ela apertou os olhos.
– Claro. – disse mais firme do que pensara.
– Isso é realmente necessário porque a vida de outra pessoa está incluída.
– Como assim?
– Kwon Yuri, uma amiga da própria doutora que veio visitar Jessica e no meio da confusão a seguiu. – a voz da outra na ligação parecia quase sumir pelo remorso de ter deixado Yuri ir sozinha e não conseguir notícias delas para acalmar á si e aos familiares da morena que logo fariam contato.
– Mas você não acha que Jessica faria algum mal a ela... Acha?
– De Jessica pode ter certeza que espero qualquer coisa. Portando venha até o hospital para conversarmos assim que estiver disponível. – desligou.
A sala parecia mais intimidadora do que antes e os diplomas pendurados na parede mostravam culpa arrasadora à psicóloga que se sentia impotente pelo sumiço das duas garotas tanto quanto a pobre SeoHyun também estaria sentindo. Porém sabia que no fundo foram apenas peças descartáveis nas mãos da loira.
___
Há menos de dois dias dentro do mesmo cômodo tudo começou a ficar estranho, Yuri se contorcia de dor e fome e já não sabia mais o que fazer ou de onde arranjar forças pra continuar vigiando Jessica que persistia na ideia de ser solta, mas graças á morena e sua determinação era algo que em hipótese nenhuma faria.
– Tudo bem Yuri, é sua última chance. – dizia fazendo a morena se sentir ainda mais enjoada e zonza pela fome e sede, não queria ao menos abrir a boca e deixar a voz sair, tinha medo de falhar e demonstrar fraqueza. Como será que estaria sua aparência agora? Quantos teriam notado que ela havia desaparecido?
– Minha última chance de quê?
– De me soltar. – Jessica rosnou.
– Pela milésima vez nesses dois últimos minutos: Não vou te soltar! – a garganta estava seca demais, porém o tom saiu na medida certa a deixando orgulhosa.
– De qualquer jeito estarei livre em pouco tempo. – o riso provocante preencheu o quarto e isso já era demais, Yuri se virou como pôde sentando-se com todo cuidado para não tocar ou mover demais a perna que parecia ainda pior e a encarou do outro lado. – O que foi? – Jessica ainda ria. Essa garota não se cansava nunca?
– Tem tanta certeza assim? – Yuri arriscou um sorriso e movia-se novamente tentando se apoiar na parede atrás e ficar de pé.
– Certeza absoluta, talvez fique solta antes mesmo que você possa perceber. – piscou provocante fazendo o sangue da morena ferver.
– Cala a sua boca! Só estou nesse lugar nojento, com a perna direita nesse estado e tudo mais porque você nos meteu nisso! Não sabe pensar nas consequências? Aliás, o que você tem na cabeça? Não raciocina que é tudo culpa sua? – Yuri erguia-se com sucesso rodeando grudada na parede com todo o esforço que tinha á reprimir a dor de encostar a perna ao chão.
– Minha culpa? Quem foi que me seguiu se intrometendo onde não era chamada? Nunca te pedi nada nem o mínimo dos seus sacrifícios, muito menos as palavras que está dizendo agora sobre minhas atitudes e as que disse no hospital. – ela parou respirando fundo e ficando cada vez mais alterada rangeu observando o avanço de Yuri pela parede até si. – Por falar nelas, ainda não digeri nenhuma e espero que saiba que não ficarão impunes.
– O que mais tenho que pagar? – a morena apontou para a perna. – Já não é o bastante? Quer saber na conclusão que cheguei ontem à noite?
– Não me interessa. – a loira deu de ombros remexendo as mãos já ardendo por estarem presas. – Só quero ver a marca que vai ficar nisso. – fungou horrorizada.
– Não te interessa, mas vai escutar mesmo assim. – Yuri conseguiu chegar até Jessica depois de alguns longos minutos e a vendo no chão encolhida e amarrada parecia tão frágil que teve que sorrir. – É essa sua inconsequência que vai acabar com você um dia, mas agora ter você por perto está me matando. – confessou ainda sorrindo.
– Obrigada por falar isso numa naturalidade impressionante. Nem parece que estou realmente te incomodando, pensei que já tínhamos criado uma conexão. – aquele tom fez os dentes de Yuri ranger. — E por falar em incomodar, saiba que odeio esse seu sorriso vencedor, do que precisa se orgulhar agora? De ter finalmente usado o cérebro e andado grudada na parede até aqui? Nossa, que progresso Yuri. – a loira zombava com um sorriso ainda maior quando por impulso ao se soltar do refúgio, Yuri desabou no chão contorcendo e gritando por ter acertado a perna e não conseguir se virar para sair de cima dela.
Arfando de dor e com os olhos cheios de lágrimas vários rostos passaram por sua mente. Todos de quem ela sentia falta, sua Sunny, Yoona, Siwon, até YoungWoon seu chefe, Spencer e Tiffany com aquele caloroso sorriso que já não via á tanto tempo que podia ser considerado uma eternidade, o importante era que todos ali eram seus preferidos, menos a companhia que tinha direito de desfrutar agora.
– Sua ideia de usar a parede foi mesmo inteligente não foi? – Jessica continuava zombando e sua voz estava cada vez mais perto como se estivesse se aproximando, mas Yuri não podia prestar atenção nisso agora, não quando tudo que queria era estar longe e nunca ter ouvido essa mesma voz. – Você é tão teimosa que não percebe a hora de parar, nunca percebe! Nem de me perseguir nem de andar.
– Não pretendo seguir você pelo resto da minha vida.
– Vamos, segure. – Yuri sentiu-a bem perto, na verdade encostada a si oferecendo o ombro para se apoiar e levantar. Depois de muito ignorar cedeu sem saída melhor.
Forçando a perna boa a se ajoelhar pra sair de cima da outra, segura em ambos os ombros de Jessica, era uma tarefa difícil pelo inchaço e pelo cansaço que se encontrava, mas conseguiu até sentir os braços tremerem e ser levada novamente ao chão, desta vez agradeceu ter caído de barriga pra baixo e não sentada. Além disso, estava sobre algo macio.
Ao abrir os olhos afastou o rosto tão rápido quanto pode, estava exatamente onde não podia estar. Pelo menos tinha que aceitar ser bem melhor que o chão.
– Nunca está contente em me prender não é? Que tal um pouco de espaço pra mim? – Jessica ria, porém seu rosto não era muito satisfeito com a proximidade. — Te ofereço o ombro e você quer todo meu corpo como apoio.
– Não me venha com gracinhas. – Yuri revirou os olhos tentando se ajeitar ao sentir seu rosto esquentar pelo comentário. – E agora como levanto?
– A inválida aqui é você querida, se ao menos me soltasse. – aquele ar persuasivo da loira enjoava Yuri que sabia muito bem o tipo de pessoa que ela era e como se aproveitaria de uma situação tão favorável quanto essa para escapar.
– Isso seria útil se eu fosse burra e como não sou, você vai continuar aí.
– Com você em cima de mim?
– Eu posso me acostumar.
Notas finais
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