Just4U

22 Chapter Eighteen Part II


Notas iniciais
Aqui está a segunda parte do capítulo como prometido e espero que gostem.
Escrevi ela faz algumas semanas e simplesmente adorei xD
Não se preocupem que a Black Pearl vai para o hospital logo Õ/
Boa Leitura.

PDV SooYoung


Fazia pouco tempo desde que estive com Sunny-ah e agora sinto tanta falta dela como não pensei ser possível. Aquele sorriso lindo e delicado não saia da minha mente mesmo tento encontrado outros pelo bar a todo instante, nenhum com certeza que chegue a ponto de ser bom o bastante para uma comparação.

Ainda suspirando debruçada pelo balcão percebi os olhares intimidadores de YeSung sunbae e endireitei a postura desviando o olhar para os copos á frente fingindo limpa-los o mais profissional possível.

– Faça valer seu salário senhorita Choi. – ele passou por mim com um minúsculo sorriso e encarei suas costas em direção á rua. – Ficará responsável pelo bar por algumas horas, não deixe que as coisas saiam da ordem. – engoli seco querendo ter capacidade suficiente de enfiar dentro do copo que limpava e desaparecer de vista, mas era tarde demais e ele já tinha saído me deixando por conta disso tudo.

– Você está começando a ficar importante SooSoo. – ouvi uma gargalhada abusada já conhecida se aproximar do balcão e o atravessei retirando meu uniforme para tomar o posto de YeSung.

– Prefiro ser invisível.

– Ah para com isso. – Taeyeon revirou os olhos desdenhando minha opinião.

– Falo sério e se quiser ser assim tão importante pode ficar com o lugar. – ofereci a vaga e torceu o nariz negando.

– Ele mandou você.

– E eu estou te dando de graça essa imensa e importante oportunidade, por favor, Taeng, não estou com a mínima cabeça pra isso tudo e nem quero estar. – suspirei sentando em uma das mesas.

– Lee SunKyu? – perguntou sorrindo e fiz o mesmo.

– É claro. – escondi bem fundo e olhei para meus dedos tamborilando pela mesa o outro motivo de minha distração: Kwon Yuri, atual namorada de Fany. Isso tem me tirado o sossego e nem quero lembrar o rosto bonito que tem para não ficar ainda mais brava.

– Acha que Tiffany-ah é superficial?

– Como é que é? – Taeyeon bateu inconsciente na mesa e percebi que a pergunta soou alto demais, levantei fingindo ter ouvido algum funcionário do fundo me chamar, mas seus dedos apertados seguraram meu braço. – Repita a pergunta. – ordenou e selei os lábios com a outra mão imitando um zíper. – Vou arrancá-la de você de um jeito ou de outro então diga!

– Não é nada Taengo, apenas pensei alto. – consegui me safar ouvindo realmente alguém chamando meu nome e corri não esperando duas vezes.

Mal conseguia prestar atenção no carregamento de bebidas que chegava e juro que havia confirmado errado, só que agora simplesmente não importa, na verdade depois daquele fiasco nada importa e ao fitar Taeyeon decidida e furiosa vindo em minha direção se esgueirando pelos outros funcionários com seu já figurino para cantar sei que essa conversa não irá prestar.

– Você havia perguntando se acho Tiffany superficial, é isso mesmo? – apenas acenei sabendo ser inútil negar, mas não queria usar palavras ou elas poderiam me trair como costumam fazer ao saírem por minha boca sem permissão. – Qual o motivo?

– Motivo nenhum, é só que recentemente eu... – ela colocou um dedo em meus lábios os forçando a ficar parados e confusa a encarei.

– Tem falado com Fany-ah recentemente? Se sim me diga SooYoung, diga por favor. – aquele pedido era meu limite, não dava pra simplesmente despejar o que sei sobre Tiffany ou esconder. No fundo minha melhor amiga merecia saber, mas antes de ir embora havia prometido á Sunny que não contaria nada e esperaria que Fany e Yuri voltassem e tentaria entender a história de um lado de cada vez.

O mais importante segundo Sunny era que Yuri não ficasse realmente sabendo do envolvimento de Tiffany com Taeyeon ou se magoaria por ter sido esse o motivo de ter sofrido rejeição da morena. Na verdade essa parte da história não me foi explicada muito bem, mas prometo descobrir.

– Não tenho falado com Fany, apenas pensando se ela é uma pessoa que se importa apenas com a imagem das pessoas ou não.

– Ela não é assim, acredito que Tiffany não seja o tipo de pessoa que olha o exterior das pessoas. – ela comentou olhando o chão e mexendo timidamente os dedos como sempre fazia ao ficar constrangida. – Mas falando a verdade, hoje já não sei muito sobre Tiffany Hwang pra te responder isso corretamente. – e como se nunca houvéssemos tido essa conversa Tae se virou e entrou no bar, claro sinal de que estava pensando nela, contudo preferia negar isso até o fim do mundo.

O celular começou a tocar tirando minha atenção dessa importante questão e ao olhar o número permiti que um sorriso viesse e atendi contente, porém o som de sua voz era tão devastador que logo tudo significava menos que nada. Sunny expressava tristeza e dor apenas por sua voz e aquilo cortava meu coração, corri em direção ao bar entregando minhas obrigações á qualquer um que encontrei pela frente, não temendo mais por meu emprego tendo em vista que ela precisava de mim.


Não demorou muito para que o táxi chegasse à casa que ela dividia com Yuri e ao me atender na porta seu sorriso havia completamente sumido, não havia sombra de que um dia tivesse iluminado seu rosto, as bochechas ainda mais vermelhas e os olhos da mesma forma me assustaram ainda mais pelas lágrimas incessantes que rolavam. Seu corpo pequeno correu até meus braços e os abri abrigando-a juntamente com os soluços e reclamações sobre o sumiço da amiga.

– Yuri desapareceu? – perguntei fechando a porta e nos colocando sentadas no sofá que estava todo abarrotado de almofadas e tinha uma caixa de lenços de papel ao lado indicando que Sunny havia chorado mais do que eu previa.

– Te tirei do horário de trabalho não foi? – soluçava abrindo espaço entre as almofadas para deitarmos e se aconchegar ao meu lado, sua cabeça em meu ombro.

– Já tinha terminado. – menti mordendo o lábio sem querer pensar na bronca de YeSung sunbae.

Tentei de todas as formas a manter calma mesmo quando me contava o que havia descoberto sobre aquilo tudo. Completava agora dois dias que Yuri não ia ao trabalho, aparecia em casa ou sequer ligava para nenhum de seus conhecidos, o que deixava Sunny apavorada assim como uma moça, de nome Yoona que ligou demonstrando extremo descontrole emocional sobre a amiga.

– Não consigo comer, dormir ou sequer pensar. – sua voz saiu tão fraca que era ruim de ouvir e pior de imaginar o que estaria sentindo com essa perda. Não vou mesmo muito com a cara de Yuri desde que soube quem era, ainda não a encontrei pessoalmente e se continuar assim vai demorar, de qualquer modo não gosto dela, mas isso não me deixa menos preocupada com Sunny que está sofrendo tanto ou mais do que os próprios pais da garota que ligam a cada dois minutos por notícias. – Eu não sei mais o que fazer Soo. – levantei seu rosto a fazendo se sentar de frente pra mim.

– Precisa se acalmar. – respondi sem palavras melhores a oferecer.

– São dois dias, imagina o que é isso? Dois dias SooYoung. – mostrava os dedos para que eu entendesse a gravidade. — Dois dias sem notícias, sem uma resposta sequer no celular ou de qualquer um que conheça Yuri. São dois dias sem Yuri. – o choro se tornava mais urgente e aquilo fazia meu coração ser esmagado no peito e um nó subir pela garganta.

Nem mesmo com a mesa de jantar já posta no outro cômodo pela empregada eu conseguia ter fome ao ver Sunny desesperada desse jeito. Abracei-a forte mais uma vez já discando os números instantâneos que vieram em minha mente e pedindo que mais uma vez não me deixasse na mão e viesse correndo. Depois de dar o endereço desliguei mais calma.

– Escute Sunny-ah, vai ficar tudo bem e mesmo sem conhecê-la tenho certeza que Yuri jamais gostaria de te ver assim. – beijei sua bochecha quente, úmida e salgada pelas lágrimas.

– Eu gostaria de ver Yuri agora. – soluçava e novamente o telefone tocou, revirei os olhos já sabendo que poderia ser ou os pais dela ou sua amiga Yoona e estiquei o braço para pegá-lo sendo impedida por Sunny ao apontar o aparelho em sua direção.

– Não consigo dar mais uma única desculpa que seja á eles. – seus olhos vermelhos e opacos diziam pra mim que era verdade e que agora não era o momento de forçá-la a nada muito menos se despedaçar com palavras vazias àqueles que também estavam preocupados com a morena.

Ainda relutante atendi controlando o tom, não sabia como proceder numa situação dessas, o que dizer ou como tentar explicar que ainda não tínhamos notícias. Pude ouvir de longe o manhoso choro da mãe de Yuri enquanto seu pai tentava falar alguma coisa. Assim que desliguei já afetada pela tristeza deles ouvi a campanhinha soar e sorri entre os cabelos de Sunny que agora se deitava em meu pescoço e esperei que a figura reconfortante de Taeyeon surgisse.

– Oh meu Deus, mas o que é que está acontecendo? – se ajoelhou deixando a bolsa e tudo que tinha em mãos no chão ao nosso lado e afagava os cabelos loiros e curtos de Sunny enquanto olhava pra mim confusa. – Foi por isso que saiu daquele jeito com YeSung sunbae te procurando e... – acenei impedindo que continuasse e ela assentiu.

– Yuri sumiu. – disse.

– Yuri, que Yuri? – perguntou ainda fitando meu rosto como se ele lhe mostrasse as respostas.

– Kwon Yuri, minha amiga. – a voz abafada de Sunny disse ao fungar e apertei o abraço ao seu redor.

– K-Kwon Yuri? – franzi o cenho ao vê-la tão chocada. – Como isso foi acontecer? Quando?

– Também queremos saber e por que você... – mordi a língua com medo da pergunta e ignorei deixando que a própria Sunny tentasse lhe explicar.

Aquilo não estava me cheirando nada bem e se não fosse por ver minha garota tão triste desse jeito jamais teria chamado TaeTae á essa casa, vai que esperta como é encontra uma foto de Tiffany. Vasculhei a sala com o olhar e suspirei aliviada por não ver nenhuma prova incriminatória da relação delas espalhadas por aqui. Estranho mesmo era a súbita preocupação de Tae, porém com tanta gente de nome parecido vai que ela conhece uma Yuri por ai? Nunca se sabe.

Enquanto afagava as costas de Sunny a vendo finalmente dormir sob efeito de tranquilizantes que Taeng a deu, parei pra pensar na forma com que a tinha chamado para mim mesma.

“Oh vamos SooYoung, ela ainda não é sua garota e isso não é hora pra romances.” – corrigi negando ser egoísta num momento como esse. Ela só precisa que Yuri volte pra casa sã e salva o mais rápido possível e é com isso que tenho que me preocupar, que sua amiga esteja mesmo bem. Seria horrível ter uma má notícia, tremi pensando em como Sunny reagiria.

Sem prestar muita atenção nas palavras que Tae dizia recostei minha cabeça sobre os fios loiros de Sunny e fechei os olhos sentindo-a estremecer e suspirar repetidas vezes. Como será que estão os sonhos dela?

Seja como for, estarei aqui quando acordar não importa o quanto isso vá me prejudicar no The Stage, é possível que depois de uma boa conversa YeSung entenda que meu motivo era realmente maior do que qualquer coisa e não me demita. Se acontecer o pior em todo caso, vai ter sido por uma causa justa e pelo bem de Sunny.


PDV Jessica

Ainda estávamos naquela posição estranha quando a porta abriu rudemente causando um estrondo e nossos olhos saltados se moveram em direção á figura que entrava não muito contente. Revirei os olhos feliz porque ele havia me achado, em breve provaria da sensação boa de ter minha droga em mãos e seu sorriso parecia tão afiado quanto lembrava.

– Que linda cena Princess, porém não é pra isso que me chamou não é?

– Óbvio que não, se a moça aqui me soltar... – apontei com a cabeça na direção de Yuri atônita pelo que se passava e seus caras a tiraram de cima de mim, mordi o lábio vendo o jeito com que a seguravam e percorriam seu corpo com um olhar sugador e bufei nervosa. – Também não precisam pegar nela assim. – usei um tom possessivo demais e me pergunto de onde saiu isso.

– O casal vai ficar de namoro ou posso te levar agora? Já pensou em tudo que vai fazer quando chegar na América de novo? – sorriu puxando-me do chão e começando a desamarrar minhas mãos, o olhar de Yuri fazia com que não quisesse encará-la.

– Jessica. – disse entre dentes.

– Não vai ter que se preocupar comigo Yuri. – respondi sentindo as mãos soltas e o alívio por poder tocar meus pulsos.

– Yuri é? – JiWong chegava mais perto dela e aquilo me irritou de novo. – Lindo nome para uma linda garota. – nossa que frase mais manjada, tive que rir. – O que foi Ice princess ela já é sua? – gargalhou e apertei os olhos impedindo a imagem dela sobre mim de voltar trazendo aquela sensação esquisita.

– Não.

– Ótimo, então ela vai com agente também. – os caras seguraram o corpo de Yuri enquanto ela gritava e se debatia. Segurei furiosa o braço de Wong.

– Que isso? Ficou louco? – enfrentei. – Larga ela agora!

– Suas ordens não me atingem, faço o que quero. – retirou minha mão e começou a descer a escadaria sendo seguidos pelos outros.

Ouvia os gritos de Yuri mais autos com medo e ódio do jeito que a estavam segurando, fechei os olhos ao imaginar a dor que sentiu quando bateram o tornozelo dela na porta e depois nos enfiaram no banco traseiro do carro entre dois capangas que me arrepiavam.

– Não era esse o combinado. – protestei. – Não foi por isso que paguei aquela fortuna, só quero sair do país e ela não precisa ir.

– Ela vai e pronto, pretendo me divertir um pouco. – avancei sobre ele, mas fui contida pelas mãos mais fortes de seus sujos garotos e Yuri pediu que me acalmasse.

– Não toca nela de novo ou juro que vai ficar sem as mãos. – balbuciei nervosa vendo a mão na perna dela e o olhar cheio de malícia que um dos japoneses que andavam com ele exibia, receoso retirou-a e sorri amarelo.

Continuávamos na parte mais terrível da cidade na qual havia convivido por anos tentando me esconder da procura de LeeTeuk e dos meus pais enquanto aproveitava da minha droga em paz. Assustei ao reconhecer o lugar mais falado dessa área. Descemos do carro sendo forçadas a caminhar pra dentro da casa de prostituição de Wong tão famosa pelas garotas e seus ótimos serviços.

Apertei os olhos não querendo encarar as cenas pornográficas e sem nexo que se moviam por nossa frente á cada uma das portas entreabertas que passávamos sendo empurradas pelo corredor apertado e mal iluminado.

– Essa é sua casa? – zombei diretamente para JiWong quando uma dar garotas o chamou por um apelido íntimo ganhando um tapa dele na bunda e saindo sorridente.

– A segunda. – dizia orgulhoso fazendo meu estômago revirar. – Em breve teremos mais um lugar disponível. – disse puxando outra garota que estava parada na entrada de um quarto vazio, pelo rosto desgostoso dela não havia conseguido um só “cliente” e os gritos dele para que fosse embora arrancaram súplicas incessantes dela.

– Não tenho pra onde ir. – o coreano dela era muito embolado e quase não dava pra entender, pela cena ridícula á frente senti os dedos amedrontados de Yuri procurar os meus e devolvi o forte aperto também com pavor do que realmente viemos fazer aqui, nada disso estava saindo com o combinado. Não era esse o local do encontro e Yuri também não devia estar envolvida nisso.

Analisei o rosto da garota com os cabelos morenos embolados nos dedos rudes de Wong e realmente não era asiática, era uma bela americana de olhos azuis e ao vê-la pedir “por favor” em inglês constatei minha afirmativa, seu olhar atordoado encarou o meu também parecendo analisar minhas afeições.

– Não quero um entojo Gina, preciso de lucros. Não entendeu ainda? Você não está servindo pra nada! – jogo-a pra longe e por instinto segurei seu corpo quente e mole antes que batesse as costas nas garrafas quebradas de bebidas dispostas sem cuidado algum no chão. – Cuidando dos fracos e oprimidos? Ou melhor, das vagabundas sem futuro? – a risada dele era grudenta.

– Nem um nem outro. – rugi. – O que realmente estamos fazendo aqui? Esse não era o trato. – levantei apoiando-a em meus ombros. – Pode ficar em pé? – perguntei olhando seu rosto agradecido e suado, ou seriam lágrimas?

– Viemos deixar minha encomenda de última hora. – não me dei conta do que falava até estar segurando o queixo de Yuri fazendo o olhar dela atingir o seu, apreciava a morena como uma de suas recém obras de artes furtadas o que me fez rugir de novo entrando na frente dela atirando sua mão pra longe.

– Ela não é um brinquedo pra você. – não reconhecia minha própria voz, as mãos preocupadas de Yuri seguraram minha cintura apertando forte como se pedisse que não entrasse nisso.

– Como não? Você também é. – percorreu os dedos por meus braços e estapeei sua mão pro alto outra vez o vendo ficar furioso.

– Jessica é melhor parar de tentar arrumar as coisas. Não seja ainda mais cabeça dura. – a voz sussurrada de Yuri fez minha nuca arrepiar e segurei seus dedos em minha cintura tentando me acalmar.

– Não precisa disso você já tem demais. – olhei em volta a pequena platéia de pessoas á nossa volta, apenas algumas prostitutas dele com seus amantes que vieram investigar o burburinho no corredor principal. – Só quero que nos deixe ir embora, esqueça tudo, o dinheiro que lhe dei não precisará devolver e também não quero mais aquela quantidade de Cristal que pedi, nem mais ir para América. – ao ouvir os termos de nosso “contrato” sentia os beliscões incrédulos de Yuri por cima da roupa, devia estar furiosa por tudo que armei, mas não podia olhar seu rosto agora.

Novamente ele riu daquela forma irritante que fazia meu corpo tremer e algo perverso despontou em seu olhar.

– Acha mesmo que pode conseguir algo de mim assim? – ele segurou a garota americana entre os dedos de novo. – Está vendo? Ela também fez um acordo comigo Jess. – sorria apontando o rosto dela pra mim e para todos á volta. – Não se tem acordo sem um bom preço a pagar.

– Mas eu já te dei tanto! – gritei revoltada.

– É verdade, mas nada comparado ao que tem ai. – apontou para Yuri fazendo meu estômago revirar com medo e frio sob aquele olhar cobiçador dele novamente. – Nenhum dinheiro que me der vai pagar o que posso conseguir com ela.

– De jeito nenhum. – era a primeira vez que ouvia Yuri falar alto, a dor no tornozelo devia estar agonizante já que não teve cuidado algum e por ela a frase foi cortada. – Não vai encostar um dedo em mim, não tem esse direito. – suspirou contendo um tremor.

– Direitos? – Wong parecia quase inocente curvando as sobrancelhas pela pergunta. – Você está do meu lado da cidade, sobre meus cuidados. – dava ênfase nas palavras e deu de ombros. – Não acostumem com minha ausência.

– Onde pensa que vai? – gritei dando alguns passos e tendo as mãos dos idiotas que andavam com ele bloqueando meu caminho.

– Providenciar sua ida até a América. – sorriu quebrando minhas expectativas. – Não quero que fique fazendo a cabeça de minha nova garota. – se referia á Yuri.

– Ela não é sua garota e não vou a lugar algum sem ela. – mordi o lábio sentindo o sangue junto com a saliva.

– Sinto te decepcionar Jessica Jung, só que seus desejos não são uma ordem desse lado da negociação e nem vou acatá-los por educação já que não te devo nada. – antes que eu pudesse revidar o canalha já estava longe, as mãos de Yuri procuraram por mim e pela primeira vez sentia meu corpo pedindo por um abraço, queria chorar e dizer que estava arrependida de tê-la enfiado nisso.

Como seria daqui pra frente? Jamais vou me perdoar se algo acontecer á ela por minha culpa, não tinha nada que me seguir, mas a culpa era minha. O quarto do hospital não parecia tão ruim agora que estava a ponto de estragar a vida dela.

– Sua idiota. – ela socou meu ombro. – O que tem na cabeça?

– Nada. – respondi baixo com as lágrimas prontas para rolar. – Wanna get out of here!

– It's my wish too. – virei o rosto procurando a voz que era da garota tão pálida quanto o tom de tinta na parede á qual se agarrava, forçou um sorriso confidente assim que nos entreolhamos e a platéia ia voltando para seus afazeres pérvios.

– Gina não é? – perguntei arrastando Yuri até a parede, estávamos pelos poucos segundos desse pesadelo sozinhas, os japoneses que andavam com JiWong o tinham acompanhado.

– Jessica não é? – sorriu.

– Como faço pra sair daqui? – perguntei.

– Você acha que se tivesse como, eu ainda estaria aqui? – pareceu sufocada por uma tristeza imensa e afastou o sutiã preto fazendo uma cicatriz avermelhada aparecer. – Um dos últimos castigos por tentar. – Yuri voltou a apertar minha mão mais forte.

– Tem certeza que não há um meio mesmo que perigoso? – continuei.

– Esses sempre têm, mas ninguém é louco o bastante para tentar. – toda minha animação acabou no mesmo instante que começou. – Primeiro é preciso encontrar alguém que mostre a saída e te dê proteção pra isso como no caso somente os guardas dele têm, e infelizmente todos são extremamente leais.

– Não posso te deixar aqui Yuri. – virei encarando a morena que suava e levei a mão até sua testa que estava quente. – Você não parece nada bem.

– Tudo certo. – mordeu o lábio fechando os olhos e abaixei verificando o inchaço, o mais simples de meus toques a fizeram cambalear e se apoiar em Gina.

– Não importam quais sejam esses meios, quero tentar. – olhei o rosto da garota apavorada com minha atitude e levantei abraçando Yuri de lado para que se apoiasse totalmente em mim. – Pago o que for preciso, tiro quem tiver que tirar daqui, só não fico nem mais um segundo. – propus vendo um homem se ajuntar á conversa.

– Quanto? – estendia a mão.

– Primeiro a saída, depois o apagamento. – fui afiada.

– Mas quanto? – repetiu com os olhos ambiciosos, pensei por alguns instantes quanto seria capaz de desviar de meu pai e dei a soma o fazendo se impressionar e estender a mão em minha direção mais firme. – Eu aceito. – a arma fazia relevo sob a camisa verde escura manchada e tremi pensando se realmente trairia JiWong ou seria mais uma armação.

– Como poderia confiar?- arqueei uma sobrancelha sentindo a morena estremecer em meus braços.

– Não vou aguentar muito tempo, está doendo muito e se não fosse preciso não estaria implorando pra me tirar daqui. – sussurrou me fazendo rir brevemente.

Gina se aproximou do rapaz que ainda apertava minha mão no ar e o beijou logo abaixo do queixo.

– JinYoung é confiável. – sussurrou sorrindo.

– Não sei não... – balancei a cabeça duvidando da maravilhosa coincidência.

– Sou tudo que você tem. – sua voz firme chamou minha atenção. – Ou é isso ou nada.

– Tudo bem, aceito. – balancei a mão dentro da sua e nos deixou, olhei Gina ainda desconfiada.

– Sempre quisemos sair daqui, mas Jin é muito importante para Wong. – abaixou o olhar. – O problema é que ele já está cansado do jeito que é tratado e de como sou castigada. – ela parecia realmente sincera. – Você não tem noção do que é passar a vida inteira como um animal de estimação. – sentia a dor em sua voz e apesar da tontura que começou a percorrer meu corpo foquei naquelas palavras, começava a ficar desesperada por mais. – Precisávamos de alguém que nos ajudasse com dinheiro.

– E é ai que entramos. – completei e ela acenou positivamente. – Certo, mas se isso for uma armadilha pode ter certeza que mesmo tendo que deixar Yuri com JiWong sem poder fazer nada pra impedir. – um nó subiu arranhando minha garganta. – Vou procurar vocês dois até no inferno. – Gina tremeu assentindo.

– Confie, tudo que queremos é sair daqui mais do que vocês. – JinYoung voltava com mais relevos sob sua blusa verde e passou para a minha uma arma que me fez gelar ao entrarmos em contato.

– O que é isso?

– Defesa. – disse pegando Gina e a beijando rapidamente sem se importar comigo ou Yuri de platéia. – Vamos, realmente pouco tempo. – olhou o relógio e começou a nos indicar um caminho entre os quartos e salas abarrotadas de gemidos. – Wong não vai demorar. – começou apressar o passo quase correndo, por ter que carregar Yuri estava difícil andar no mesmo ritmo.

– Não vou conseguir. – comentei respirando fundo, não que a morena seja pesada, mas ambas estávamos tremendo, ela pela dor e eu pela falta da Cristal novamente.

– Eu ajudo vocês. – acenou como se pedisse permissão pra mim e passou os braços de Yuri por seu pescoço, segurou seu corpo tomando cuidado com o tornozelo e disparou apontando com sussurros o caminho, Gina ia mais rápido que todos nós mesmo estando com altos e finos saltos.

Paramos arfando numa parede que nos separava de mais cinco capachos de Wong e Yuri piscava os olhos sonolenta, tremi preocupada. Ela lançou um sorriso calmo e pendeu a cabeça pra trás, quase gritei, mas a mão de Gina tapou minha boca dando um olhar cauteloso pra mim enquanto seu namorado espiava através da parede a situação á frente.

Entregou-me Yuri desacordada e o peso dela titubeou minhas pernas fracas, encostei-me á parede com Gina ao lado enquanto ouvia os sons da luta que JinYoung travava com os cinco caras, fecheis os olhos com medo do que poderia se suceder e sem saber como implorei para que nada nos acontecesse, odiei sentir as mãos de Yuri gélidas e moles caídas ao lado do corpo cansado. Gina fez um sinal para seguirmos e encontrei os rapazes estirados no chão de qualquer maneira, tremi novamente já sem um pingo de esperanças de conseguir afastar essas imagens da mente quando olhei pra trás vendo os malditos japoneses nos perseguindo e gritando meu nome e o de JinYoung.

– Meu irmão não vai se acalmar tão fácil. – Jin respondeu puxando o corpo da morena dos meus braços e correndo, fiz o mesmo ainda perplexa.

– Irmão?

– Sim. – ele sorriu. – Não temos nada em comum, temos? – perguntava arfando.

– Não mesmo. – revirei os olhos e pulei até sem forças o muro segurando Yuri que foi escorregada pela parede abaixo caindo sobre mim e Gina.

A seguramos enquanto Jin fazia a ligação elétrica em um dos carros estacionados no beco deserto, os capangas de Wong continuavam gritando e alguns tiros foram disparados nos fazendo abaixar por reflexo, como previstos foram interceptados pelo muro. Nos apressamos enfiando Yuri no banco traseiro, os pneus rangeram alto derrubando latas de lixo pelo caminho.

A cabeça de Yuri estava em meu colo ainda com os olhos fechados e segui sua respiração lenta tentando me acalmar enquanto o casal apaixonado trocava beijos e carícias no bando da frente pela libertação.


– Nos vemos em breve. – ele disse parando o carro já bem longe de todos aqueles minutos aterrorizantes. – Não podemos seguir com vocês. – explicou. – Quando pode mandar o dinheiro? Wong provavelmente não hesitará em nos procurar. – segurou minha mão rabiscando um número do que seria sua conta.

– Amanhã de manhã farei todo o possível.

– Ótimo e, por favor, não nos deixe na mão. – o olhar dele parecia desolado em um simples segundo e nos próximos foi escondido por um brilho furtivo. – Precisamos de você tanto quanto precisou da gente.

– Não se preocupem, queria sair de lá tanto quanto vocês. – sorrimos.

– Vou levá-las até onde está estacionado o carro da moça. – voltou a dirigir rápido e parou logo perto do carro dela, me ajudou a descê-la, só que agora meu corpo parecia mais pesado e sem controle do que antes e não ia conseguir guiar até o hospital tão fácil. – É melhor ligar para alguém. – aconselhou.

– Sim. – tateei o banco do carro de Yuri encontrando seu celular e arrisquei optar pelo último número discado, não conhecia, porém sem muitas opções esse serviria.

Disquei, me apresentei e expliquei a situação dando nossa breve localização, o casal se despediu e prometi á mim mesma mandar o dobro do dinheiro assim que amanhecer.

Não demorou muito e um farol nos acertou, pensei ser Wong, mas logo balancei a cabeça tirando a ideia de cena. Apesar de ter medo por não saber quem era cheguei perto arrastando Yuri e vendo sobrancelhas contorcidas e espessas vindo ajudar, o sorriso que deu era preocupado e os músculos envolveram o corpo da morena o colocando no banco traseiro sem esforço. Comentou que iríamos em seu carro e voltaria depois para buscar o dela.Virou-se sorrindo novamente pra mim.

– Jessica Jung. – devolvi o sorriso entrando no lado do carona confiando plenamente no conhecido de Yuri.

– Choi Siwon. – deslizou o volante e sabia pra onde nos levaria, ao hospital de onde nunca deveria ter saído.

Relaxei o corpo, os espasmos cada vez mais fortes, senti a cabeça quase estourar e contive gritar afundando as unhas no estofado de couro marfim do carro sem que percebesse que quase não estou mais o vendo dirigir ou notando o caminho que seguia. Meus olhos embaçados cederam e apenas sabia que estava respirando.


Notas finais
Vejo que estão apreciando SooSun *----*
E o que acharam de Jin e Gina, e a fuga YulSic?
Mereço reviews?
Kisses x)