Just4U
1 Chapter One
Notas iniciais
A música ecoava em batidas maçantes, que entravam em meus ouvidos sem permissão, apenas me deixava envolver por aquele som. Milhares de pessoas juntas, unidas numa só batida, esfregando seus corpos suados e cheios de desejos uns aos outros. O calor parecia infernal, e as luzes contribuíam para te deixar com uma terrível dor de cabeça e se você estivesse aproveitando os drinks, seria uma oportunidade á mais da ressaca ser em dobro. Mas realmente não me importava.
Havia chagado na cidade á algumas semanas e essa tinha se tornado minha vida, procurava as baladas que me atraíssem por qualquer motivo ou pessoa que me fosse interessante. A questão não era necessidade, eu nem precisava daqui, mas eu tinha que me manter ocupada. Seria melhor que ficar em casa olhando para minha sala bem decorada.
Minha faculdade havia rendidos bons frutos, e eu pude sair da minha pequena e insignificante cidadezinha para me encontrar nesse mar de oportunidades. Minha cabeça rodava só em pensar no salto que minha vida tinha dado, de uma simples universitária louca por emprego á arquiteta renomada que era hoje. Eu tinha orgulho do que tinha me tornado, mas isso não me fazia menos entediada nas noites em que não tinha meus projetos para trabalhar.
Tudo era convidativo nesse mundo de diversões e confesso que mergulhei de cabeça nele, aproveitando ao máximo. Afinal eu era jovem, tinha apenas 24 anos e não poderia deixar de aproveitar as opções que a vida dava pra mim.
Quanto á ressaca, eu lidava bem com ela, só precisava de algumas horas de sono e muitos remédios, e já me sentia melhor para comparecer ao meu amado emprego no dia seguinte. Por longos dias minha rotina de festas se seguiu, até que eu finalmente achei ter encontrado algo ainda mais emocionante.
Enquanto lutava por um espaço para dançar percebia muitos olhos em mim, olhares convidativos eu confesso, mas o decepcionante era que até agora ninguém tinha chegado em mim. Não se passou muito tempo e percebi alguém mais perto, de uma maneira diferente dos que esbarravam em mim.
- Oi! – senti uma voz gritar próximo ao meu ouvido, por conta da música ensurdecedora.
Sorri me virando, apesar disso ser muito novo, poderia ser apenas uma oportunidade interessante. – Oi! – aproximei meus lábios de sua orelha e a vi reagir com a mão em minha nuca.
- Sozinha? – sorriu enquanto analisamos uma a outra de cima á baixo.
- Não mais. – dancei com a batida do novo som que ecoou e ela me acompanhou.
- Tiffany. – sorriu pra mim, dançando ao meu lado.
- Yuri. – me apresentei.
Por incrível que pareça eu havia mudado muito, se em alguns anos atrás uma coisa dessas acontecesse, acho que ficaria assustada. Hoje? Apenas vivo o momento. Conversamos animadas pela pista de dança que parecia nunca se esvaziar, pelo contrário a cada batida enchia mais.
Senti meu celular vibrar no bolso da calça e enquanto ela foi pegar alguns drinks resolvi atender, isso se a pessoa conseguisse manter o contado verbal comigo nessa confusão. Era Amber, sorri.
- Fala sumida! – gritou, percebendo o lugar em que eu estaria. – Outra vez?
Gargalhei e revirei os olhos, ela nem imaginaria onde estive nos dias que se passaram.
- Eu preciso me divertir nessa cidade. – gritei.
- Você está ai para trabalhar! – disse parecendo desapontada, eu não deixei de concordar, mas eu enlouqueceria em alguns dias se ficasse apenas uma noite á mais sozinha. – Que música horrível! Como você consegue ficar ai?
- Não são todas assim. – coloquei a mão no outro ouvido tentando entender melhor o que ela dizia, mas estava impossível.
- Então você gosta? – seu tom de voz era duvidoso.
- Eu já disse que é diversão.
- Então se diverte? – provocou.
- Até parece que nunca foi á um lugar como esse. – rebati.
- Sim, já fui. Mas eu sei me divertir melhor. – ri ao imaginar a expressão pervertida dela.
- Pare de se preocupar. – disse enquanto ela dizia coisas como “Você está perdendo a razão” e outras que não ouvi, e nisso Tiffany voltou com as bebidas.
- Obrigada. – gritei em seu ouvido pegando um copo, ainda com o celular na mão direita.
- Espero que goste. – brindamos e por alguns minutos eu esqueci Amber no telefone.
- Heey. – gritou e voltei minha atenção á tela. – Eu ainda estou aqui. – ficou irritada.
- Eu sei. – ri.
- Quem está ai?
- Milhares de pessoas. – gargalhei debochando de Amber enquanto dançava ainda mais perto de minha “colega”.
- Nem sabe o nome dela. – suspirou decepcionada.
- Como sabe que tem alguém em destaque? – ela ficou em silencio por alguns minutos e depois de um suspiro gritou comigo.
- Porque você não fica sem companhia Kwon Yu Ri! – suspirei reconhecendo a verdade e rimos em seguida.
Conversamos mais um pouco e eu tive que desligar, não estava entendo 75% do que ela falava. A ligação não estava ruim, era a música alta demais.
Soou algo conhecido e que mexeu comigo, algo que me fazia muito bem. Cheguei mais perto do DJ e gritei.
- Isso sim é música!
- Os melhores ritmos. – balançava a cabeça e cantarolava a letra. – Gosta dessa aqui? – gritou enquanto e mudava a música e me fitava no meio da multidão.
Acompanhei os passos do MV que eu havia visto á alguns dias, e então sorri orgulhosa da minha performance.
- Isso aê garota. – bateu palmas pra mim.
- Obrigada. – gritei saindo de vista ainda dançando.
A pista lotou ainda mais, estava difícil dançar, mas eu não sairia tão cedo.
- Gosta do ritmo? – uma voz já conhecida segurou minha nuca, aproximando nossos rostos.
- Muito. – sorri colocando uma mão em sua cintura. – E você?
- Estou curtindo. – se aproximou ainda mais e com os corpos colados nos movíamos no ritmo de uma das minhas músicas favoritas. Não tinha como não conduzi-la para onde eu queria, porque era eu que conhecia a batida.
Só digo que a expressão do seu rosto era puro deleite, estava adorando e eu também. Dançávamos coladas, ela virou de costas pra mim colocando minhas mãos em sua cintura e rebolando contra meu corpo. Senti que tudo pegava fogo ao redor, mas nem por isso me importei. Movi contra ela colocando minha mão direita na parte interna de sua coxa, apertando-a por sobre a calça preta que usava. Senti seus lábios em meu ouvido, enquanto apoiava a cabeça no meu ombro e gemeu.
Ela fez isso de propósito, porque só assim eu ouviria onde queria chegar. Mordi seu pescoço e ela agarrou meus cabelos. Beijamos-nos numa posição meio desajeitada, nos mantendo unidas e dançando. Mas estava tão bom que eu não seria louca de afastá-la nem um centímetro. Descemos da pista sem perceber e eu a encostei na parede mais próxima. Ela passou as pernas por minha cintura, e eu a segurava investindo meu corpo contra ela. Suas mãos arranhavam meu pescoço descoberto. Eu queria fazer algo mais intenso, só que já estava na minha hora de ir pra casa, e aquilo era uma boate e não um motel. Com uma força de vontade descomunal me afastei de onde havia começado a tirar sua blusa e apenas dei um selinho em seus lábios.
Fiquei decepcionada de não conseguir provar mais daquela sensação que percorria meu corpo.
- O que foi? – ela disse rouca de prazer estranhando minha atitude.
- Eu tenho que ir.
- Não faça isso cinderela. – ela gargalhou mordendo meu queixo.
- Não, é sério. – imprensei seu corpo de novo contra a parede arrancando gemidos dela, apesar do som alto, agora estávamos mais afastadas e eu conseguia ouvi-la melhor. Isso seria pior, porque eu estava em situação perigosa e se ouvisse mais um gemido seria difícil manter o controle.
- Não vou te prender então. – sorriu simpática.
Eu gostei dela. Gargalhei olhando seu rosto colorido em diversas tonalidades pelas luzes do local que nos alcançavam. Ela desceu do meu colo, mas manteve os braços presos no meu pescoço. Apoiei minhas mãos na parede, mantendo-a encurralava.
- Te verei de novo. – sussurrou beijando e sugando meu pescoço feroz.
- Isso foi uma afirmação. – sorri deixando meu pescoço ir pra trás, minha pele ainda mais exposta.
Sabia que ali ficariam marcas, mas era inevitável repelir aquele contato. Os lábios dela tão quentes e macios em mim, arrepiando cada parte possível de meu corpo e me fazendo sentir coisas que nenhuma outra pessoa conseguiu.
Eu não tinha tantas experiências com relacionamentos. E muito menos entre duas mulheres, como era o caso. Mas me deixei levar.
Enquanto ela mordia e arranhava com os dentes minha pele, eu apenas gemia. Era minha vez de ter prazer. Terminei de tirar sua blusa e a segurei. Não iria deixar suas peças jogadas nesse chão qualquer. Seguimos apalpando a parede até o banheiro. Imprensou-me na porta, impedindo a passagem de qualquer ser que tentasse nos interromper. Abriu meu zíper com habilidade e enfiou as mãos dentro de minha peça íntima. Fazia deliciosos movimentos de vai e vem e a cada um eu soltava um gemido arrastado de prazer.
Aquilo era incrível, esqueci-me de qualquer outra coisa que poderia me distrair disso. Massageei seus seios por cima do sutiã e nos beijávamos ensandecidas, sem que ela deixasse de me masturbar. Aos poucos com aqueles contatos me senti aliviar em sua mão. Ela sorriu deixando uma mordida na minha bochecha.
Arranquei seu sutiã e deixei cair aos nossos pés perto da blusa que antes eu segurava. Chupava com vontade e lambia cada um deixando-a louca, arranhando meu pescoço e colocando suas coxas presas nas minhas. Tateei sua calça e a abri rapidamente, abaixei até a altura do joelho junto com sua lingerie, e a joguei contra a porta. Fazia movimentos com a língua que a faziam gritar, não mais gemer. Segurava meus cabelos e ditava um ritmo junto comigo, movia seu corpo contra o meu, me dando cada vez mais acesso. Dediquei tudo que tinha aprendido em anos de filmes e passei a aumentar a frequência das investidas. Não demorou e ela se desfez em mim. Sorri limpando nossa pequena bagunça.
Estávamos suadas e cansadas, isso tinha sido ótimo. – Eu vou querer mais disso. – sorriu buscando um beijo que não pude negar.
Procuramos as peças caídas e vestíamos quando ouvimos batidas impetuosas na porta do banheiro. Ao passarmos visualizei a minha frente uma garota de cabelos loiros até a altura dos ombros e com aparência pálida tendo sua pele um tom esverdeado. Rimos alto e logo saímos como se nada tivesse acontecido.
Antes que tivéssemos deixado o local, Tiffany me olhou preocupada e voltamos encontrando a garota caída se contorcendo. Sua expressão era confusa e mal conseguia parar de tremer.
- Droga! – olhou pra mim. – Viciados. – revirou os olhos, mas ainda sim tinha algo de cuidadoso em seu rosto e gestos pelo ser estirado no chão.
- Quer que eu chame a emergência? – ameacei tirar o celular do bolso, mas ela me parou no mesmo instante.
- Não. – disse impetuosa. – Ela. – apontou para a garota. – Precisa de ajuda e não chegará aqui rápido o suficiente, isso se atenderem á um chamado em um local como esse. – ajoelhou ao lado da garota e disse desapontada. — Isso está ficando pior nos últimos dias. – balançou negativamente a cabeça.
Tiffany olhava para a desconhecida tremendo no chão com tanta complacência que me perguntei se ela havia sido uma figura dessa menina antes. Fiquei calada apenas observando.
Tomou com destreza o pulso da garota em suas mãos. – Os seus batimentos cardíacos estão acelerados demais. – olhou a garota que tinha os olhos cerrados.
Impressionei-me, pois já descobri que era habilidosa em muitas coisas. – Ela vai precisar de cuidados. – comentei.
— Ela vai ficar bem. – sorriu pra mim. – Pode nos dar uma carona?
— A uma desconhecida? Ou melhor, duas? – me levantei do chão indignada, não que eu fosse negar ajuda, só que mal conhecia a garota ao chão.
— A uma. – fechou a cara. – Acho que já me conhece bem. – abriu um sorriso pervertido no canto dos lábios e por mais que eu estivesse ficando louca resolvi ajudar.
Deixei-as no pronto socorro do hospital que ela me indicara. A garota viciada estava deitada com o rosto sereno e os olhos cerrados no banco de trás do meu carro, enquanto Tiffany veio comigo na frente. Ficara o tempo todo calada, parecia preocupada de verdade com algo.
— Estão entregues. – sorri. – Desculpe por oferecer resistência no começo. – encarei minhas mãos no volante.
Ela buscou meus lábios e após um encontro de nossas línguas terminou a aproximação.
— Tudo bem. – Passou a mão por minha perna, apertando minha coxa e indo em direção á minha bunda.
Seus dedos alcançaram meu bolso e colocaram alguma coisa ali, encarei-a sorrindo.
— Até qualquer dia. – saiu do carro e eu ajudei levar a garota até um grupo de enfermeiros na porta do local.
Eles sorriram pra ela e a ajudaram com a paciente. Voltei para o carro em passos lentos. Já se passava das 3:30 segundo meu relógio e eu devia voltar pra casa.
Sentei ao volante com a mente entorpecida pelos últimos acontecimentos. Eu havia feito sexo em uma boate, com uma desconhecida, encontrado outra que desta não sabia nem o nome e a ajudara. Eu tinha muito que contar á Amber depois. Tremi pensando que a parte do sexo com a morena poderia ser simplesmente ocultada. Estava até imaginando as broncas que ia tomar por isso. Mas havia sido um momento de irresponsabilidade delicioso.
Segui para casa normalmente, e ao entrar fui recebida por Spencer, minha cadela chow chow, de cor canela e que fielmente me esperara voltar. Aconcheguei-a em meu colo, nos direcionando para o quarto, subi a escada e nem ao menos consegui acender a luz.
Fui ao rumo do banheiro e sobre a água quente, desfiz-me do cheiro de Tiffany que ficara em mim, mesmo que eu não queira esquecer-me disso. Sorria lembrando de novo dos momentos no banheiro da boate e passeava o sabão em meu corpo calmamente. Depois de longos minutos relaxantes, enrolei-me numa toalha próxima e sequei os cabelos.
Abri o guarda roupa apenas escolhendo um conjunto de lingerie preto e após estar nele me joguei na cama chamando por Spencer que se deitou aos meus pés e adormecemos num instante.
Meus sonhos foram embalados por luzes fortes, cheiros estranhos e beijos já conhecidos por mim a partir dessa noite.
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