Just4U
14 Chapter Eleven
Notas iniciais
Boa Leitura.
PDV Taeyeon
Para ficar longe de Tiffany me abriguei na casa dos meus pais, não precisei usar nenhuma desculpa apenas contei a verdade sobre nosso relacionamento e eles aceitaram pedindo que eu ficasse por ali o tempo que precisasse e esquecesse aquela moça, viam meu sofrimento. Não conseguia esconder muita coisa deles.
Havia voltado semanas antes da formatura de minha antiga turma de medicina e decidi ficar em Seoul, já tinha acostumado com o ritmo e também feito amigos apesar de tudo que me trazia dolorosas recordações. Tive que pedir á YeSung sunbae me contratar de volta já que estava difícil encontrar um novo emprego.
Em agradecimento por me acolher e depois de conhecer a soma dos prejuízos que carregava devido á um roubo recente que arrasara seu capital decidi subir ao palco para tentar entreter alguém. Fui impulsionada pelos comentários de SooYoung e do próprio YeSung sobre minha voz e minha estréia foi marcante tanto pra mim quanto para o The Stage que conseguiu se reerguer tornando-se referência de boa música. Naquelas duas noites por semana eu me apresentava junto de outros colegas ao vivo e recebia as palmas e fidelidade do público. Hoje em dia subo naquele palco para entreter á mim mesma e sentir um pouco satisfeita com o rumo da minha vida pelo carinho que me dão.
SooYoung saiu apressada pela porta carregado alguém do qual não consegui prestar atenção pelo enorme movimento e a conversa animada que uma das garotas puxou comigo, assim que ela sumiu de vista para atender os pedidos mergulhei o olhar no copo tentando acalmar meu coração que desde o primeiro instante dessa noite batia descompassado.
Durante a música senti como se fosse explodir á cada nota que cantava, era como se em meu peito algo fosse esmagado por uma dor, uma aflição, na verdade uma saudade imensa já que era uma das músicas favoritas de Tiffany que a cantarolava por nosso antigo apartamento nos dias de distração. Não prestei atenção no tempo que se passou, foram quatro anos inteiros e alguns meses, estes não quis contar já que era massacrante adicionar os dias em que ela estava longe. Sequei com o polegar a lágrima boba que se formava no conto do olho direito, não queria borrar a maquiagem e deixar que alguém me percebesse assim. Lembrar dela sempre faz estragos no meu coração.
Terminei a bebida e segui para a coxia parabenizando os outros que também fizeram a noite espetacular e depois fui me trocar. Saí vestida em meu costumeiro uniforme pronta para pegar no batente quando YeSung sunbae chamou-me sorrindo.
– Você me surpreende a cada dia mais. – o brilho em seu olhar denunciava o quanto estava feliz, era um dos meus maiores admiradores, se mostrando um fiel amigo também. – Pode ir pra casa descansar se quiser.
– Que isso, o bar está cheio e é maldade deixar SooYoung cuidando das novatas. – rimos e ele assentiu, mas acrescentou que se quisesse sair mais cedo poderia, agradeci e fui ás mesas recolhendo pedidos e ganhando elogios de todos os que haviam assistido minha performance.
– Mas o que houve? – encarei o rosto abatido de Soo escondida atrás da pilastra.
– Nada. – disse emburrada. – Não estou aguentando mais essa noite.
– Pede para sair mais cedo Soo, você bem que merece. – comentei colocando alguns copos e pratos sujos na bandeja. – Não fique com essa cara que YeSung sunbae vai perceber.
– Eu sei, mas não estou me sentindo bem. – larguei o objeto sobre o balcão e voltei abraçando-lhe.
– Sério, vai pra casa que eu tomo conta de tudo isso aqui. – ela sorriu. – Mais tarde eu passo lá para te ver. – beijei sua bochecha. – depois de alguns instantes ela voltou acompanhada de YeSung que perguntou se eu me responsabilizaria pelo resto da noite. – É claro que sim, pode confiar em mim. – sorri e ele a liberou.
Difícil identificar o que ela tinha, mas com certeza pelo que a conheço não era algo físico e sim emocional, sua expressão mostrava claramente isso pra mim. Nosso chefe não percebeu pedindo que ela descansasse e melhorasse da indisposição.
– Obrigada TaeTae, você não existe. – sorriu passando já arrumada por mim.
– Aliás, mais tarde terá que me explicar direitinho o que aconteceu contigo. – forcei a expressão mais desconfiada possível para que ela sentisse que eu não era boba.
– Somente uma indisposição passageira. – acenou mostrando um sorriso de canto. — Até mais tarde se você for me ver, mas não precisa se incomodar. – saiu.
Estou incomodada é com esses sentimentos misturados, não sei nem o que pensar e agora com o movimento todo em minhas mãos não era hora, porém por mais que tentasse concentrar inteiramente em ajudar as garotas, toda vez que as via em algum deslize com os pedidos meu coração batida forte e parecia quebrar ao lembrar de Tiffany, para meu azar há uma garota americana aqui que se chama Stephanie e nem quero passar perto dela para não ter que pronunciar seu nome ou tentar chamar seu apelido que infelizmente era Fany.
Terminei a noite acabada tanto por dentro como por fora, meu corpo doía pela falta de sono e meus olhos reclamavam da luz que os afetava. Troquei rapidamente de roupa e mais uma vez as lembranças preencheram minha mente ao sentar no banco do ônibus e fazer meu trajeto para casa pensando nos dias em que ela esteve comigo.
Abri calmamente a porta de meu apartamento, aquele que um dia foi dela também e joguei minhas coisas sobre o tapete, despejei meu corpo no sofá confortável e não importa pra onde corresse ela parecia estar em todos os cantos e justamente hoje resolveu fazer sua essência mais presente.
– PORQUE HOJE? – gritei. – PORQUE AGORA? EU ESTAVA TÃO BEM SEM VOCÊ Tiff... – não consegui terminar nem seu nome nem a frase sem antes transformar em lágrimas tudo que estava machucando, apoie o rosto numa almofada e apertava-a como se pudesse descontar minha dor. – Na verdade, nunca vou me sentir bem sem você. – levantei o objeto falando diretamente com ele e depois voltando a esmagá-lo.
Nada seria fácil outra vez, é sempre assim quando eu abro minha caixinha de memórias que possuem a marca dela, levo dias para me recuperar, porém cantar aquela música havia manchado demais o que eu queria limpar e esconder.
PDV Tiffany
Odeio tudo que está acontecendo, não quero sair dessa cama nunca mais, gostaria que o mundo acabasse. Analisei meu estado e constatei que preciso de um banho, levantei apoiando nas paredes e cheguei até o cômodo arrancando minhas peças e metendo-me debaixo da água quente que se misturava com minhas lágrimas.
Queria esmurrar a parede ou alguém próximo, mas só consegui ficar imóvel vendo a água quente escorrer por meu corpo. Quente como o café que antes queimara meus lábios e aproximou-me de Taeyeon naquela manhã, tão quente como o corpo dela ao meu por nossas noites de amor, porém menos reconfortante que sentir seu beijo ou sua voz em meu ouvido.
A voz que eu ouvi cantar e despedaçou todas as forças que reuni durante dias para recomeçar com Yuri. Nossa, como esse nome magoa agora, não posso deixar que nem ao menos sonhe ou descubra meu atual estado e por isso preciso ficar presente em sua vida para que também amenize um pouco de minhas incertezas com o amor que ela sente por mim.
Se a magoar agora estarei sendo injusta e ela fechará seu coração para o próximo amor que poderá aparecer e não quero que guarde mágoas ou rancor, já bastam os meus que se tivesse como arrancar não hesitaria. Vesti qualquer coisa, passei o perfume por pontos estratégicos como fazia toda manhã e por fim maquiei olhando o reflexo de uma pessoa á qual não reconhecia.
Cheguei á tempo para o café da manhã preparado por Sunny que me recebeu sorridente e pediu que a ajudasse em algumas lições da faculdade, atendi me distraindo com ela até ver Yuri descer.
– Bom dia Fany-ah! – murmurou em meu ouvido e beijou minha bochecha. – Senti sua falta. – essa frase nunca martelou tanto em minha alma como agora.
– Resolvi dormir em casa ontem. – esbocei um sorriso. – Estava com saudades do meu apartamento.
– Sei. – seguiu para a mesa puxando á mim e a Sunny para comer. – Não entendo porque não se muda de uma vez pra cá. – vi a loirinha bater palmas.
– Isso unnie, venha morar com a gente. – cantarolou.
– Bem que eu queria, mas meus horários são meio apertados e não sei se vocês me aguentariam. – contestei.
– Para de bobeira meu amor, mas só faça isso se quiser ok? – Yuri beijou rápido meus lábios e ofereceu uma torrada moreninha em seguida, não tinha como rejeitar e passei manteiga de amendoim e geléia como fazia antes e comi com gosto sendo a única coisa que provava por horas.
Sunny ficou interessada sobre minha infância e a descrevi sob sua constante atenção, enquanto Yuri gargalhava de algumas das minhas trapalhadas quando menor, pulei drasticamente os momentos que envolviam outra pessoa, mas tive que parar no último ano da faculdade o qual Sunny fez o favor de me pedir para detalhar, atendi a deixando contente.
– Mal posso esperar para trabalhar, por sorte sei que fiz a escolha certa.
– Não aconselho ninguém a seguir uma profissão por obrigação.
– Eu concordo e por isso ajudei como pude para convencer os pais dela. — Yuri comentou levantando da mesa levando as louças sujas.
Sorri ouvindo o relato sobre a família de Sunny e percebendo que de alguma forma o estável clima dessa casa e o astral dessas pessoas agiam sobre mim, contudo meus problemas não diminuíram, só ficaram obsoletos por hora.
Yuri e eu seguimos para o quarto enquanto a menor cuidava das últimas lições. Sentei na cama macia e massageei meus próprios ombros sentindo muita tensão e desconforto ali, estou por acaso carregando o mundo?
Aos poucos fechei os olhos e outros dedos substituíram os meus e tocavam minha pele nos pontos essenciais, desceram rodeando a gola de minha blusa e indo desabotoar o tecido com destreza, levantei a mão para impedir Yuri, mas ela insistiu que relaxasse e que não iria fazer nada demais e como estou precisando acatei a ordem.
Seus dedos percorreram minhas costas e ombros em movimentos variados me fazendo suspirar e dar adeus ao cansaço que me atingia, ela me fez deitar de bruços e subiu sobre mim continuando a massagem que provocava constantes arrepios, segurei todos os gemidos que vieram á minha boca enquanto seus lábios tomavam conta de minha pele e depois as mordidas arrastaram-se por meu pescoço. Suas mãos estavam fazendo mais do que me relaxar, aos poucos senti as pálpebras pesadas e ci ao sono e o toque de suas mãos ia sumindo.
– Está melhor? – sussurrou com a voz pesada de prazer e tremi respirando fundo.
– Xim (Sim). – murmurei sobre os lençóis a fazendo rir.
– Ótimo, parecia mesmo que precisava de uma dessas. – sentei na cama recebendo seus lábios conduzindo os meus naquela sensação gostosa que era provar dela e minhas mãos foram até sua nuca a puxando pra perto, queria afogar tudo que tinha naquele beijo, Yuri estava me fazendo bem.
Afastei meus lábios dela repentinamente deixando-a confusa. Meus pensamentos rodavam sobre a hipótese de que talvez, ou com certeza eu estaria a magoando mais do que podia pensar. Estou claramente usando dela e do sentimento que tem por mim, fiquei estática analisando seu rosto.
– Ainda está tensa. – aqueles olhos vasculharam-me da mesma forma que eu fazia, fiquei apreensiva por alguns segundos esperando que não entendesse meus medos.
– Nada demais, apenas lembrei de planejar minha viagem. – lembrei disso e até usei como desculpa.
– Viagem? Agora? – seus olhos se surpreenderam.
– Sim, para o aniversário do meu pai. – pedi desculpas mentais por usar essa data assim, mas valia ao caso. – Vou passar alguns dias nos Estados Unidos para comemorar a semana com ele, ainda tenho que organizar uma festa com todos os parentes e amigos intermináveis de sua lista. – seu rosto ainda me fitava e passaram por mim milhões de ideias, porém uma surgiu afagando todos os outros pensamentos e acariciei seu rosto. Quero tanto poder dar mais de mim á Yuri. – Gostaria que viesse comigo. – pedi sem pensar arrancando-lhe um sorriso.
– Quer mesmo que eu vá? – brincou com as alças de meu sutiã e segurei sua cintura encostando nossos corpos fazendo-a sorrir e passar as mãos por meu pescoço.
Suguei seu lábio inferior concentrando-me nela, sabendo que eu e Yuri merecíamos realmente uma chance, desci mordendo seu queixo e senti o arder de suas unhas em minhas costas, mordi e chupei olhando orgulhosa a marca que deixara em sua pele a vi pender a cabeça para trás me dando acesso, tirei cuidadosamente o vestido que usava e a cobria de beijos até sentir meu corpo atingir o colchão e seus lábios passearem por meu abdômen e descendo por minhas coxas que sem que percebesse já estavam descobertas, minha respiração começou a ficar ofegante e tive que parar o que fazíamos para evitar danos á minha sanidade mental.
Ela riu divertida voltando para meu lado e aconchegando-me em seus braços, o perfume inebriante dela tomou meus sentidos e brincava com seus dedos sobre os meus até que ela quebrou o silêncio.
– Apesar de ter cortado a brincadeira, vou considerar os carinhos como um sim. – beijou-me carinhosa. – Vou fazer o possível para ir com você nessa viagem e conhecer o famoso Senhor Hwang de que tanto desliza elogios. – sorri sem esforços dessa vez realmente feliz por saber que não estarei sozinha. – Se ele for tão encantador como a filha, acho que posso me apaixonar. – gargalhamos e voltei á beijá-la.
– Eu agradeço por ter entrado na minha vida Kwon Yuri. – olhei fixamente dentro daqueles olhos e os vi sorrir.
– Você não sabe o quanto me faz feliz por isso. – seus braços envolveram meu corpo num aperto gostoso e forte, escondi o rosto sobre sua pele macia e quente, agora mal conseguindo conter a animação sobre essa viagem.
Deixar Seoul significava dar um tempo de toda essa situação que me cercava. Serviria como uma proteção já que agora sei que Taeyeon está por perto e não posso voltar a vê-la. Vou seguir em frente com um esforço ainda maior por mim e pela mulher á meu lado. “Todos já sofremos demais.” – afirmei respirando o cheiro de Yuri.
Notas finais
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