Notas iniciais
Boa leitura!

–Talvez eu te ajude com isso. — dissera o velho que a olhava naquele instante. — Minha escola pode lhe ajudar com estas coisas, estes sentimentos...

–Você não sabe nada sobre os sentimentos de Juvia. — cochichou a menina de cabelos azuis. Os olhos que tinham a tonalidade da noite o encaravam marejados, suas roupas não passavam de fiapos chamuscados. Aquela noite não era nada boa à ela.

–Desculpe por isso. Mas quero que considere vir para a minha escola. Aquele seu amigo já o considerou e aceitou o meu pedido. — dissera novamente o velho a sua frente. Sua voz era macia e mansa. Ele realmente a queria na sua escola.

A moça a qual falo, já era uma menina triste. E neste dia, horrendo, essa sua tristeza pareceu aumentar. Quisera ela ter poderes para que aquilo não acontecesse. Logo agora que aprendera a sorrir de verdade. O rosto corado pelas lágrimas faziam seus cabelos curtos e enrolados nas pontas se destacarem, a pele pálida estava mais ainda e o corpo esbelto se encolhia pelo frio que sentia.

Perdê-lo da forma que o fez, fazia seu coração doer tanto. Toda vez que seu cérebro lhe pedia para pensar nele a única imagem que lhe vinha era de...

–Juvia Loxar. Dezessete anos. Notas altas em música, moda e natação. É você vai adorar estudar na Fairy Tail. — o velho riu bem alto. — Vou pedir para que você desenhe diversos biquinis para que acorra um desfile de moda na escola. — Juvia abaixou a cabeça se perguntando se realmente o velho a sua frente de olhos escuros careca com o alguns tufos de cabelo branco atrás das orelhas, com um bigode branco e espesso, baixinho e que parece ter bipolaridade — especialmente quando se fala de mulheres — podia ser algum professor daquela escola.

–Juvia... — ela não sabia o que pensar. Ela não tinha para onde ir. Seus pais desapareceram, o seu única lar fora destruído e tudo que tinha era aquela mão que aquele velho pervertido estava lhe estendendo. Ela podia escolher vagar nas ruas e ser tratada como lixo, uma mendiga, ou estudar em uma escola e sair de lá com uma vida cheia de esperanças e sonhos a serem realizados. A segunda opção lhe pareceu melhor. — Aceita.

O velho, que nem mesmo havia parado de rir, a olhou com lágrimas nos olhos devido ao riso, secou-as com as pontas dos dedos e estendeu a mão a menina-mulher a sua frente, com um sorriso de orelha a orelha.

–Bem Vinda a Escola Fairy Tail. Sou Makarov Dreyar. O diretor e agora seu tutor.

Alguns dias depois.

Juvia chegara a escola e contemplou a magnificência do lugar. Grande, brilhoso, charmoso. cheio de flores, arvores estavam espalhadas pelo lugar para trazer sombra para os alunos. Seus olhos brilhavam enquanto dizia "lindo" olhando pelo lugar. Ao seu lado encontramos uma garot com piercings pelo rosto de cabelos negros e compridos que tinham o famoso corte repicado. Suas roupas eram uma calça com coturnos pretos, uma camiseta branca e um casaco de couro jogado nos ombros. Riu de uma maneira estranha e seus olhos de cor avermelhada pousaram na azulada que segurava por entre dedos uma folha de uma Sakura.

–Não estamos mais na Phanton não é? — sussurrou ela.

–É. Mas vamos logo, aquele velho deve estar nos esperando. — disse o moreno que caminhou na frente e deixou a menina com seus pensamentos. Olhou para si mesma procurando encontrar algo sujo mas apenas encontrou a cor que tanto amava, azul.

O vestido azul escuro plissada chegava aos seus joelhos, as sapatilhas pretas tinham uma laço fofo na ponta e um casaquinho de cor branca usava. Sorriu rapidamente e assoprou a folha rosada para dançar com o vento que resolveu brincar com os seus cabelos. Ele havia partido e levara o coração dela junto. Ainda pensava naquelas palavras que lhe foram ditas nos últimos sussurros da noite horrenda que tiraria ele de sua vida. Olhou para frente e viu o amigo estar irritado com a demora dela. Correu e pediu desculpas ao alcança-lo.

Mal entraram dentro da escola e ouviram a voz mansa do velho Makarov:

–Yo! Estão atrasados! Mas vieram é o importante.

–Ohayo Makarov-Sensei. — disse a azulada com educação diferente do amigo que virou a cara e ficou de braços cruzados.

–Bem, os dois terão que pedir ajuda para a representante de turma. Ela vai querer me matar por isso... Mas hoje tem campeonato de natação e não quero perder. — disse com os olhos brilhando. — Mas enfim... A sala da representante fica no final do corredor a esquerda. O nome dela é Erza Scarlet. Não errem e nem chegam atrasados na próxima aula, caso contrário terei que puni-los.

Juvia suspirou não gostava de falar muito com as pessoas. Olhou para o amigo que já ia pelo caminho dado pelo diretor e passou a ir junto com ele. Quis ela quebrar o silêncio com uma pergunta que achou estúpida.

–Gajeel-San... Você acha que eles vão rir de mim? — o moreno parou e a encarou.

–Como na Phanton fizeram com você?

–S-sim.

–Não sei. — deu de ombros e continuou com o caminho. Ela quis desaparecer naquele momento. Achava ela um defeito seu falar sempre em terceira pessoa. Mas realmente aquilo é um defeito?

Caminharam e encontraram a sala, estava meio óbvio já que tinha uma placa grande dizendo "sala dos representantes de turmas". Bateram na porta e entraram encontrando uma bagunça enorme. Havia uma ruiva batendo em alguns meninos enquanto um outro de cabelos da mesma cor que os de Juvia e olhos castanhos com uma tatuagem/cicatriz no olho esquerdo, estava em um canto assistindo a tudo aquilo.

A ruiva de cabelos compridos estava com uma aura negra irreconhecível. Juvia se escondeu atrás de Gajeel, com medo. Um dos garotos que era segurado pela gola de sua camiseta fora jogado longe enquanto foi parar na parede ao lado dos alunos novos. A garota dos cabelos vermelhos olhou para o garoto de cabelos azuis e simplesmente ficou olhando-o com cara de "menina, pega, fazendo arte".

–D-desde q-quando v-você e-esta a-ai? — gaguejou a garota.

–A uns dez minutos. — respondeu ele.

–E-eu e-estava c-conversando s-sobre o-os p-projetos n-novos c-com o-os o-outros r-representantes. — gaguejou novamente.

–Eu vi. — respondeu ele saindo de seu lugar e virando-se para Juvia e Gajeel. — Ah! Posso ajuda-los? — perguntou como se nada daquilo que a ruiva fez tivesse acontecido.

–Nós estamos procurando Eva Escarlate. — disse Gajeel.

–Eva? — perguntou o azulado e a ruiva ao mesmo tempo.

–Gajeel-san é Erza Scarlet. — dissera Juvia saindo de trás dele.

–Eu sou Erza Scarlet. — aquela aura negra novamente estava se espalhando pelo lugar quando a ruiva se pronunciou. Parece que não gostou nada de terem errado o seu nome.

– S-somos os alunos novos. — falou Juvia novamente, tentando um sorriso para acalmar a ruiva.

–Desculpem por isso. Mas acho que vocês devem ser Gajeel Redfox e Juvia Loxar. — disse o azulado novamente. — Sou Jellal Fernandez. Sou o representante de outra turma. Se não me engano vocês vão ficar na classe de Erza. — disse se virando para a menina e logo a sua aura negra desapareceu dando espaço para uma criança. — Erza poderia leva-los para a sua classe logo a aula vai começar.

–Sim. — disse saindo levando Juvia e Gajeel consigo.

A sala em que entraram estava em um caos. Garotos brigando entre si, meninas discutindo sobre a última moda lançada, bolas de papel voando em direção ao lixo mas nenhuma acertava-o, papeis sobrevoavam o ar, mas tudo em um segundo mudou tão drasticamente quando a ruiva passou pela porta.

–Vocês podem sentar nas carteiras vazias. O primeiro p-professor de hoje será o de redação. — disse ela tremendo um pouco quando falou no tal professor. — Preparem-se caso e-ele mande escrever algum poema ou conto.

–Sim -respondeu baixinho Juvia que ficou para ouvir Erza e Gajeel já havia ido se sentar na única classe vazia no fundão.

Olhou para a turma que a olhava com certa curiosidade mas encontrou um lugar na fila que dava para a janela. Mal se lembrou da bolsa que trazia consigo. Tirou um caderno com estampas coloridas e um lápis. Ouviu o som de uma buzina ecoar pelo lugar e três minutos depois um professor muito estranho que ficou a falar o tempo todo sobre perfumes. E sempre em meio a suas frases falava "men" um pouco meloso.

–Prova surpresa. — dissera ele. — Terão que me dizer sobre o que mais gostam. Só pode escolher uma coisa apenas e depois conta-la oralmente-Men — um murmúrio de lamentações surgiu na sala. Mas a menina de cabelos azuis já havia começado a falar sobre o que mais gostava.

A Chuva...

Ela cai, tão serenamente e misteriosa. Tão calma e fria. Ela cai se recusando a parar. Mas ninguém sabe o que ela sente, ninguém sabe sobre os seus sentimentos. Ela parece contar aquilo que preciso ouvir, ela leva os meus sentimentos, ela os carrega. Juvia se pergunta se um dia voltarás.

Algum dia, mas onde? O que você vê quando pensas em Juvia?

Nós continuamos a correr para alcançar aos nossos sonhos de final feliz, mas nunca iremos conseguir.

Ela continua a cair lá fora. Levemente solitária. Tentando acalmar meu coração, ela é as minhas lágrimas que se esboçam trazendo aquilo que tento esquecer, os sentimentos, mas estão tão enroscados como arame farpado machucando a Juvia tão fortemente. A Chuva aponta à Juvia uma outra direção o que será que estará esperando por Juvia, no final desta procura por um final feliz

Juvia está correndo. E parece que Juvia vai alcançar. Mas Juvia não está com ele. Juvia desperta de um belo sonho com o barulho das estalactites batendo contra o vidro da janela. A chuva. É uma ilusão?

Notas finais
Gostaram? Contem-me.