Notas iniciais
Olá meninas!
Chegamos, mas conversamos melhor logo lá em baixo!
Boa leitura!
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Musica do Capítulo: Pais e Filhos - Legião Urbana
http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22488/

"...É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há..."

Pais e Filhos — Legião Urbana


PDV Bella

Não sei se foi o cansaço, o medo ou os remédios, mas eu adormeci lendo o meu diário de gravidez e chorando. Também não sei se Charlie veio me ver quando chegou em casa. E eu também não sabia o porque estava tendo um sono tão agitado, daqueles que você não descansa completamente. A única coisa que eu sabia é que estava sonhando novamente com Jacob e o acidente. Mas desta vez foi diferente... eu não cheguei até o final do sonho. No momento em que eu vi o sorriso glorioso de Jacob, eu acordei arfando e gritando palavras desconexas.

– Ah! Oh meu Deus. Jacob. Meu bebê!

Então uma revolta sem precedentes tomou conta de meu corpo e eu já podia sentir as minhas mãos tremerem. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo, pois pelo que conheço de mim, não sou uma pessoa agitada ou sem paciência. Eu sempre chorava quando acordava deste sonho, porém desta vez eu não queria chorar. Não mesmo. Eu queria gritar, quebrar coisas e socar a cara de alguém. Eu estava extremamente fora do meu controle habitual, mas isso não me importava. Para que manter o controle, quando a vida retirou simplesmente TUDO de você? Te deixou sozinha? Decidi fazer o que tinha vontade naquele momento. Levantei-me de minha cama — com raiva — e joguei o edredon longe, peguei o copo de aguá na mesa de cabeceira e atirei na parede.

– DROGA DE VIDA!

Não contente, peguei um porta retrato com uma bonita foto minha e de Renée e também joguei na parede. Como eu não estava nenhum pouco melhor, fui até a minha mesa de estudos e joguei todos os livros no chão. Charlie entrou no quarto nesse momento.

– Bella, o que houve?

– SAI DAQUI CHARLIE! – Falei jogando um livro nele também. O livro não passou nem perto. Mas que droga!

– Querida, você precisa se acalmar!

– Me acalmar? Estou cansada das pessoas pedirem para eu me acalmar. EU NÃO QUERO ME ACALMAR! – Falei passando a mão em meus cabelos. Então eu vi meu celular e corri para pegá-lo e quebrá-lo também. Mas Charlie percebeu o que eu iria fazer e segurou minha mão. – NÃO ENCOSTA EM MIM! – Ele me soltou e eu coloquei o celular em meu bolso.

– O que aconteceu com você?!

– Você não sabe? ACONTECEU QUE A PORRA DA MINHA VIDA É UMA DROGA! QUE EU PERDI MARIDO, FILHO... EU PERDI TUDO!

– Você vai superar isso!

– NÃO VOU NÃO!

– Claro que vai... e eu...

Tentei me controlar um pouco.

– Me diz Charlie, do que adianta todo esse martírio, se recobrar a memória não vai me trazer Jacob e nem meu filho? Charlie, as pessoas não sobem dos seus túmulos depois que já estão lá. – Falei e comecei a chorar e soluçar compulsivamente. Eu definitivamente não sabia o que estava acontecendo comigo.

– Mas Bella, o que você precisa fazer até recobrar a memória é...

– É o que? O que eu faço até lá? Eu corro risco sabia? Eu corro risco nessa porra dessa cidade idiota!

– Do que você esta falando Bella? Todo mundo em Forks sabe que é minha filha, ninguém ousaria... — Eu havia decido não contar nada sobre o incidente com James, mas naquele momento eu estava pouco me importando com aquele idiota.

– HOJE EU QUASE FUI VIOLENTADA, PORQUE DEIXEI JAMES SE APROXIMAR DE MIM! – Eu ainda gritava e soluçava.

– Você o que? Oh meu Deus, Bella! James é um cretino da pior espécie e...

– MAS EU NÃO ME LEMBRAVA DISSO PORRA! SE EU LEMBRASSE, NÃO TERIA DEIXADO ELE SE APROXIMAR DE MIM! – Falei andando de um lado para o outro do meu quarto e passando a mão no cabelo.

Então se fez um silêncio mortal entre nós. Parei em frente ao meu espelho, examinando minha imagem por alguns segundos. E depois virei-me – quase que de forma teatral — e olhei ironicamente para Charlie, que estava quase roxo ao meu lado.

– Esta vendo Charlie, eu não sei quem é essa moça no espelho. – apontei para a imagem da moça descontrolada no espelho — EU NÃO RECONHEÇO A DROGA DO MEU ROSTO NO ESPELHO!

– Não fala assim menina. – Charlie falou já se aproximando para me abraçar. Eu não queria ser abraçada. Então me desviei de seu abraço e sai correndo para o meu banheiro – batendo a porta com toda a força que pude ao passar por ela — e me tranquei lá.

– Bella, abre a porta! – ele falou.

– Vai embora! – meu corpo inteiro tremia.

– Eu quero te ajudar.

– EU NÃO QUERO A SUA AJUDA! VAI EMBORA!

E ele foi mesmo embora. Senti a parede gelada em minhas costas e deslizei por ela, sentando-me no chão. Coloquei a mão em meu peito, pois naquele momento estava muito difícil respirar e me entreguei ao choro por um tempo inestimado. Era um choro de angústia e de raiva.”

Quando consegui recobrar o controle do meu corpo, percebi dua coisas. A primeira, eu estava com uma dor de cabeça terrível. A segunda, eu era uma completa idiota, afinal em um surto de apenas cinco minutos eu destrui, com maestria, semanas de convivência com Charlie. Semanas tentando conquistar sua confiança. Ele provavelmente já teria ligado para Renée e minha volta para Phoenix certamente estava combinada. Me entreguei ao choro novamente, mas era um choro de arrependimento e medo. Fiquei um pouco mais feliz quando lembrei-me do celular em meu bolso. Eu queria conversar com alguém e graças ao Charlie eu não havia quebrado meu celular. O peguei rapidamente, fui até a agenda a procura do número da Mel e apertei send. O número chamou até cair na caixa postal. Foi então que olhei a hora – eram 04:17am – e lembrei-me que Mel deveria estar muito ocupada com o plantão no hospital. Refiz meus planos rapidamente e liguei para Alice, que atendeu no segundo toque.

– Alô? – ela respondeu sonolenta.

– Oi Alice, é a Bella...

– Bella, o que houve? – agora ela estava preocupada.

– Me desculpe por ligar tão tarde, mas... eu estraguei tudo... – comecei a explicar o episódio do meu surto para Alice e novamente eu comecei a chorar. Ela me acalmou e me aconselhou a falar com Charlie calmamente, para resolvermos a situação como adultos. Ela disse ter certeza de que ele entenderia minha situação. Foi uma ligação rápida, mas bastante afetuosa, o que me tranquilizou muito. Assim que estabilizei minha respiração, levantei do chão frio, fui até o armário do meu banheiro, peguei uma novalgina e tomei. Eu não queria que a forte dor de cabeça atrapalhasse minha conversa com Charlie. Decidi que era hora de encontrá-lo. Destranquei a porta e marchei decidida para fora do banheiro, mas não precisei ir muito longe. Charlie estava sentado em minha cama, apoiando os cotovelos em cima de meu diário. Então ele tinha lido. Cheguei perto dele com a cabeça baixa, completamente envergonhada.

– Charlie... eu não sei o que aconteceu comigo. Me perdoa... eu... eu... – fui interrompida pelo abraço surpresa de Charlie, que murmurava algo do tipo “não precisa pedir perdão”. Choramos os dois juntos e naquele momento eu percebi que minha dor também era a dele. Eu não estava sozinha, como sempre pensava estar. Eu não precisava ter medo de encarar a batalha, pois Charlie estava lutando ao meu lado. Eu só não havia entendido isso ainda. A vida me levou um marido lindo e um filho, mas trouxe de volta o meu pai. Claro que ele não substituiria Jacob, mas ele estava ali o tempo todo, como meu alicerce. Agora eu realmente acreditava que ainda não estava preparada para ser mãe... e talvez a vida soubesse disso mais do que eu mesma. Eu precisava ser a filha de Charlie e nada mais. Era ele que eu tinha agora. E eu viveria por ele.



(...)

Incrivelmente, as coisas em minha vida melhoraram muito após meu surto. Já havia se passado um mês desse episódio e eu ainda não havia me lembrado de nada e nem ninguém, porém eu não me importava mais, eu estava vivendo “o novo”. Eu havia percebido o quanto a obsessão para me lembrar das coisas de antes do acidente estava me fazendo mal, e na noite do meu surto eu havia prometido que a partir daquele momento eu faria tudo diferente. Eu viveria por Charlie e era o que eu estava fazendo. Minha nova rotina era trabalhar na loja dos Newton, estudar canto, – eu havia me matriculado em um curso de canto, na manhã seguinte ao meu surto – ser voluntária aos sábados na creche de crianças com câncer, que o Dr. Carlisle era sócio benemérito, sair com os amigos, – os mais chegados eram os Cullen, alguns rapazes de La Push e o quarteto Ângela, Eric, Mike e Jessica – ligar para Renée, enviar e-mails para Mel, fazer coisas de “pai e filha” com Charlie e escrever em meu diário – Just Remember – coisas que eu ia gradativamente me lembrando sobre mim.

Nos dias que se seguiram, minha amizade com a família Cullen, principalmente Alice, triplicou e isso agradava a mim e ao Charlie. Era inexplicável o quanto eles me faziam bem. Alice já havia me levado para conhecer suas duas lojas de roupas femininas e todos os postos de gasolina de Emmett, que a propósito agora tanto eu, quanto Charlie tínhamos excelentes descontos. Eu também havia conhecido Esme (a matriarca Cullen), Jasper (o advogado noivo de Alice), Rosalie (a dentista esposa de Emmett, prima de Jasper e insuportavelmente linda. Conhecê-la foi um golpe em minha auto-estima, que já não era tão alta) e Bear (o cachorrinho Cullen vira-lata). O único Cullen que eu ainda não havia conhecido era Edward, pois além de não morar em Forks (o sortudo morava em Los Angeles) ele ainda estava extremamente ocupado, em uma espécie de turnê pelo mundo divulgando seu novo filme – que por ironia do destino o personagem dele chamava-se Jacob – intitulado “Aguá para Elefantes”, que era uma adaptação de um livro com o mesmo nome. Alice já havia tentado me fazer assistir os outros filmes dele e até mesmo ver suas fotos – sempre que eu ia à casa dos Cullen, eu evitava a parede de fotos próxima a sala de jantar — mas eu sempre desviava o assunto, pois ela ainda insistia que eu deveria conhecê-lo, me apaixonar por ele, me casar com ele, ter lindos filhos e vivermos felizes para sempre. Eu recusava veementemente esta idéia, pois este não era o meu foco no momento. Eu evitava até pesquisar o nome dele no Google. E assim eu fui vivendo minha nova e tranquila vida na nebulosa Forks.

(...)

A manhã de sexta-feira me assustou. Eram raios de sol passando pela minha janela? Sol em Forks? Com certeza o prefeito decretaria feriado. Depois de rir de minha piada interna me levantei, peguei minha necessaire e fui preguiçosamente para o banheiro tomar banho, morrendo de sono por causa dos remédios anticoagulantes que eu ainda tomava duas vezes ao dia, devido a cirurgia que fiz em Phoenix para drenar um coágulo no cérebro. Primeiro demorei mais do que devia no chuveiro e depois para encontrar uma roupa. Terminei com uma calça jeans, uma camisa branca e meu tênis All Star, que subitamente lembrei que eu adorava. Decide tomar nota dessa nova informação sobre mim, peguei meu diário e anotei mais um item: “Adoro All Star”. Quando olhei no relógio, constatei que estava atrasada para o trabalho e então desci as escadas correndo e fui em direção a cozinha. Passei direto por Charlie — que já estava sentado tomando seu café da manhã — e disse, já abrindo a geladeira para pegar um pouco de leite e beber rápidamente:

– Bom dia, Charlie!

– Bom dia, Bella!

E então não se ouviu mais nada na cozinha além de nossa respiração e o mastigar de Charlie, que estava comendo torradas com geléia. Fora Charlie quem rompeu o silêncio.

– Bella, achei algo que Jacob havia te dado muito tempo antes do acidente. Estava atrás do sofá, acho que caiu ontem quando você recebeu o sedex de Renée – me enviar coisas por sedex havia se tornado um hábito de Renée, pois ela ia constantemente em meu apartamento em Phoenix e se encontrava algo interessante, que consistia em “coisas que ajudarão a Bella a se lembrar”, ela prontamente me enviava – É uma pulseira com dois corações de cristal – Falou Charlie pausadamente e com um olhar cauteloso, como se quisesse decifrar cada expressão facial minha ou com medo de eu ter outro surto, eu não sabia dizer. – Aqui está... acho que vai te ajudar a lembrar, afinal você usou ela anos. Ele te deu como presente de formatura. Bom, pelo que sei, um coração representa Jacob e o outro, o bebê. Esse ele acrescentou quando você descobriu que estava grávida. Você estava com ela no dia do acidente.

Ele colocou a pulseira em minha mão olhando diretamente em meus olhos. Charlie tinha uma maneira diferente de me olhar agora, não parecia sentir pena de mim, muito pelo contrário, era um olhar de confiança, de amor e ele não sabia como isso me fazia bem. Era o mesmo olhar de Alice. Me desviei dos olhos cautelosos dele para examinar a pulseira e havia algo familiar ali... eu sabia que havia, mas é claro que não lembrei de nada. Olhei para Charlei já formulando uma desculpa mas... ah... lá estava o olhar de confiança de novo!

– Tudo bem menina, não se lembrou hoje, mas amanhã é outro dia.

– Essa pulseira é tão linda Charlie.

– Você vai se lembrar de tudo e vai voltar para mim, menina. Não que...

Certamente ele imaginou que tivesse me falado alguma besteira e iria se corrigir, mas eu o interrompi com um abraço.

– Obrigada Charlei... por tudo!

Charlie afastou o abraço e sustentou meu olhar – com seus olhos marejados – por mais uns 25 segundos e com um meio sorriso cheio de rugas, me deu um beijo na testa e então se foi.

Eu não me torturava mais por não lembrar das coisas. O que me preocupava agora era Mike, pois com a conversa de Charlie eu estava muito mais atrasada para o trabalho. Coloquei a pulseira em meu pulso, com cuidado para não quebrar e corri em direção a saída. Depois de fechar a porta de casa, peguei meu celular e liguei para a loja nos Newton. A loja ficava a dez minutos da minha casa, mas eu queria avisar ao Mike que chegaria um pouquinho mais atrasada além do que já estava. Eu odiava chegar atrasada em qualquer lugar que fosse.

Assim que cheguei na loja, coloquei meu avental, passei como um foguete pelo Mike – que já atendia dois rapazes – lançando um olhar de “Desculpe-me, isso não vai mais acontecer” e fui para de trás do balcão. Mike riu e me lançou um olhar de “Não se preocupe com isso” e eu ri com ele. Eu gostava de Mike. Comecei a mexer na agenda de meu celular – um costume que adquiri com Alice – e constatei que hoje teria consulta com o Carlisle, para pegar mais receitas de remédios. Eu já havia me acostumado com essa rotina de médicos e remédios. E a consulta com o Carlisle era sempre muito agradável, pois nunca na vida – ou nessa minha segunda vida – conheci alguém tão bondoso. E ele era meu amigo. O dia na loja foi agitado e apesar de eu trabalhar apenas meio período, passou voando. Mike me liberou bem mais cedo, pedindo para eu postar algumas cartas no correio e assim eu fiz, afinal o correio era ao lado do hospital. Sendo assim, cheguei cedo demais para minha consulta e decidi ficar dentro do carro e esperar os minutos passarem.

Nesse meio tempo não pude deixar de pensar em como o dia estava diferente hoje, afinal eu estava me sentindo estranhamente muito bem. Será que era o sol? Eu não sabia dizer. Me peguei pensando em Charlie e em como ficou mais fácil a convivência com ele, depois do meu surto. Ele era a pessoa que mais estava comigo nessa. Olhei novamente o relógio, ainda faltava meia hora e então liguei o som do carro – que funcionava perfeitamente – em uma rádio desconhecida.
Estava tocando uma música do Legião Urbana – banda brasileira que adorava — chamada “Pais e Filhos” e eu sabia a letra inteira. Comecei a cantarolar e lembrei-me do dia em que Charlie preparou uma “armadilha”, para que eu pudesse assistir ao final do campeonato de beisebol com ele.

Memórias ON

Era sexta-feira e chovia lá fora. É claro.

Fiz meu ritual de todos os dias, levantei-me, peguei minha necessaire, fui tomar banho, me vesti e desci para tomar café. Achei estranho a casa escura, pois normalmente Charlie acreditava ser sócio da companhia de luz e deixava todas as luzes da casa acesas. Então provavelmente ele já havia saído para o trabalho. Assim que cheguei na cozinha, vi um bilhetinho amarelo na porta da geladeira. Sim, Charlie já tinha saído de casa. Em uma caligráfia péssima – igual a minha, devo acrescentar – Charlei escreveu: “Não precisa fazer o jantar hoje. Trarei pizza. O dia é especial”. Pronto, pelo pouco que me conhecia sabia que ficaria o dia todo ansiosa para saber o que teria de especial no dia. Recorri ao calendário de meu celular, para ver se ele me dava alguma pista e eu não havia anotado nada. Teria mesmo que esperar pela grande revelação de Charlie. Droga.

Engraçado o que uma charada ou uma incógnita pode fazer com uma pessoa curiosa. Eu passei o restante do meu dia ansiosa e distraída. Fiz minhas tarefas e atendi os clientes na loja vagamente ciente do que estava fazendo. Atendi duas ligações de Alice no decorrer do dia. Como eu já era desastrada, andar por aí distraída piorou a minha lastimável situação. Eu tropecei em minhas botas duas vezes a caminho do carro, ansiosa para chegar em casa.

Cheguei em casa e é claro que Charlie ainda não estava lá. Subi para o meu quarto e fui ler meus e-mails. Respondi um e-mail da minha mãe e pesquisei mais algumas coisas sobre a amnésia psicogênica, li alguns depoimentos de pessoas que já passaram por esse problema, pois isso sempre me animava e me fazia acreditar que a minha recuperação era possível, apesar de eu não me torturar mais por minha atual condição. Depois decidi procurar no Google o que havia de especial no dia de hoje, afinal, se fosse a data de algum acontecimento histórico em nosso país, estaria lá. Não achei nada. Desliguei o meu note e fui me arrumar para jantar. Entrei em um conflito interno. O que eu deveria vestir? Qual seria a definição de “dia especial” de Charlie? Pensei em ligar para a Alice, mas desisti assim que imaginei ela chegando em minha casa, com várias sacolas de roupas e sapatos de salto. Então peguei o bilhete para ler novamente e ver se me dava alguma pista. Ele iria trazer pizza, então deduzi que não jantaríamos fora, o que me deixou feliz, pois estava muito frio lá fora. Decidi que pizza se aplicava a uma calça jeans, camiseta e tênis. Me olhei no espelho, amarrei a ponta da camiseta – tomei nota mental para incluir isso no meu diário – para ficar um pouco mais justa e gostei do que vi no espelho. E estava pronta. ( http://biiamuller.blogspot.com/2011/05/look-do-dia-kristen-stewart.html )

Assim, peguei meu diário “Just Remember” e fui para a sala esperar por Charlie, aproveitando para anotar “Gosto de amarrar a ponta da camiseta”. Depois deitei no sofá e fiquei folheando as páginas para saber as coisas que eu já havia lembrado sobre mim. Quando Charlie chegou, eu já estava quase dormindo. Malditos remédios anticoagulantes.

– Oi Bells!

– Oi Charlie! — ele disparou a falar e isso era muito atípico dele.

– Bom...achei que podíamos fazer alguma coisa juntos hoje. Eu trabalho tanto e acho que te deixo muito sozinha – Charlie parecia estar confessando um pecado – bom.. .trouxe pizza de calabresa, um pouco de cerveja pra mim – ele frizou a palavra pra mim – e refrigerante para você.

– Legal, o que vamos fazer?!

– Assitir a final do campeonato de beisebol.

Charlie começou a abrir o casaco de couro do uniforme de policial e só ai eu notei que ele já estava com uma camisa de um time de beisebol. Em meio a uma careta, eu falei:

– Ah... Charlie, eu gosto de beisebol?

– Gosta sim menina, eu te ensinei a jogar quando você ainda era uma criança.

– Eu jogo bem?

– Bom... seu pequeno problema de equilíbrio te atrapalha um pouco, mas dá para o gasto! – Rimos juntos. Eu sinceramente não sabia o que esperar do “dia especial” de Charlie, mas gostei da idéia de assistirmos a final do campeonato de beisebol. Não pelo jogo em si, mas porque Charlie se preocupou em fazer algo comigo, por mais que esse algo fosse fazer uma atividade que ele gostava. Passar mais tempo com a filha. Era isso que Charlie estava tentando fazer – por mais que de um jeito desajeitado — e naquele momento eu me senti realmente sua filha. Emocionada, entrei no clima dele.

– Ok, para qual time eu torcia? – falei sorrindo.

– Para os Dodgers é claro, eu não ensinaria minha menina a gostar de outro time! — disse ele com uma fingida cara de tristeza. Eu ri e depois disse.

– Sei... mas eu não tenho uma camisa dos Dodgers.

– É claro que você tem. — Charlie tirou a camisa que estava vestindo por cima de uma fina camisa de frio, e solenemente vestiu em mim. Agradeci com os olhos marejados.

– Obrigada!

– Não por isso.

Foi assim que sentamos para comer pizza e ver o jogo. Após o jogo, eu e meu Charlie adormecemos no sofá.

Memórias off

Lembrar do episódio do beisebol com Charlie me fez rir. Constatei que minha mente estava cheia de Charlie hoje. Ri disso também. E então eu adormeci. Não dormi muito tempo, só o tempo necessário para me atrasar para a consulta com o Dr. Cullen, o que me deixou extremamente irritada. Era a segunda vez que eu me atrasava para um compromisso no mesmo dia.

Sai correndo do carro e voei em direção ao hospital. Era muito grande para uma cidade como Forks, pois tinha 5 andares e eu acreditava piamente que a população da cidade inteira caberia lá. Toda atrapalhada, tropecei assim que passei pela porta de vidro. Uma moça que esperava no balcão da recepção riu de mim. Babaca. Fui correndo até a recepção e entreguei minha carteirinha do convênio para Bete – a recepcionista do hospital, ruiva e velha – explicando que eu estava muito atrasada para a consulta com o Dr. Cullen. Eu olhava impaciente para o corredor dos elevadores. Eu tinha medo daqueles elevadores, pois já tinha ficado terríveis 15 minutos presa em um deles e se o consultório do Dr. Cullen não fosse no 5º andar e eu não estivesse tão atrasada, certamente subiria de escada. Voltei a olhar para Bete impaciente e fiquei batendo os dedos no balcão. Ela já me conhecia, então passou minha ficha na frente e rapidamente me liberou para subir. Olhei de relance para o elevador que já estava fechando e equanto corria na direção dele, eu gritei:

– Segura o elevador! Segura! Segura!

Quando minha mente acompanhou meus atos, me arrependi. Correr não era uma boa idéia para mim e eu já havia provado isso inúmeras vezes. Foi então que tropecei para dentro do elevador, atropelando desastrosamente um lindo par de olhos verdes...


Notas finais
Notas da Beta:
Oláaaaa meninas!!! Tudo bem?!
Não sei vocês, mas eu gostei da explosão da Bella logo no começo do capítulo! Ela precisava mesmo expressar tudo o que a estava angustiando, tudo que guardava dentro do coração, para dar mais um passo para frente, em direção a construção do seu presente e do futuro, certo?! Nesse capítulo, Charlie também teve grandes e ternos momentos. Tem sido mais que um pai para a Bella... se transformou em um grande amigo, o porto seguro que ela tanto precisa nesse momento, e eu me emocionei de verdade!!!
Bom e agora, depois desse final, o que fazemos com as duas autoras, hein?! Hummmm... aplicamos tortura? kkkk Acho que não dá, porque não teríamos mais capítulos heheh... então que tal comentarmos e recomendarmos a fic, para que as duas voltem o mais rápido com um novo capítulo, hã?! Pois é, parece que as apresentações da Alice não serão mais necessárias, afinal, o dono do par de olhos verdes acabou de cruzar com a Bella ;)
Beijos e até o próximo post!!!
Dani
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Notas Juh:
Olá meninas!
Nesse capítulo queríamos mostrar um pouco mais da relação de Bella com Charlie... e do amor e confiança que irá ajudar Bella a superar a sua atual situação! Nesse capítulo também tem uma surpresinha! Esperamos que gostem!
Bjssss =*
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Notas Máh:
Boa noite meninas! Tudo bem com vocês?!
Mais um capítulo, espero de coração que tenham gostado!
Agradeço também aos maravilhosos reviews que temos recebido! São fantásticos!
E.. Woa! Uma recomendação gente?! Agradeço de coração a RobMeQuer que recomendou a fic! Obrigada!!!
Nos vemos em breve, com muitas emoções chegando!
Beijos,
Máh.