Just Remember - Hiatus -
22 A verdade para Renée
Notas iniciais
...................................................
Agradecimentos: Lu Nandes... obrigada por recomendar JR! Dedicamos esse capítulo à você. =)
...................................................
Musica do capítulo: Daughter Pearl Jam
Link:http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:ADFXZnBAXkwJ:http://letras.mus.br/pearl-jam/30325/traducao.html%2BDaughter+-+Pearl+Jam&rls=com.microsoft%3A*%3AIE-SearchBox&oe=UTF-8&redir_esc=&hl=pt-BR&ct=clnk
“Não me chame!
Ela segura a mão que a segura para baixo
Ela vai, passar por cima
Não me chame filha, não faz sentido
A foto guardada me recordará”
Daughter – Pearl Jam
PDV Bella
Meu quarto parecia grande demais.
Vazio demais.
Frio demais...
Para onde foram as cores alegres das paredes, daquele que foi meu refúgio de infância? Tudo parecia tão desbotado e gasto. Sentada no chão, com as pernas encolhidas próximas ao peito, percebi que isso apenas refletia meu podre estado de espírito, que a muito estava gasto com toda a podre história do meu passado. Por que eu não conseguia simplesmente me libertar de toda aquela sujeira? Os pensamentos negativos começaram a me atacar de uma maneira violenta, que senti a bile subir a boca. Fechei os olhos com força e consegui reprimir a ânsia.
Automaticamente, meus olhos vasculharam o quarto a procura de algo que pudesse me trazer algum conforto... e encontraram a conhecida foto. A única foto, ainda centralizada em meu mural. Era dele. Daquele que desde que entrou naquele elevador e consecutivamente em minha vida, se tornará o centro do meu universo. Que despertava meus sentimentos mais puros e sinceros... meu porto seguro. Forcei meu corpo a se levantar do chão e me arrastei até o quadro de fotos, ignorando completamente minha mãe que continuava sentada em minha cama analisando minuciosamente o dossiê, e com muito cuidado retirei os imãs que prendiam a foto de Edward. Meu Edward. Meu coração se derreteu mais um pouco com o rosto perfeito do meu amor. Questionei-me internamente se algum dia eu iria acostumar com tamanha beleza e bondade dele. Não! Eu sabia que não... Meu namorado devia ser feito de um tipo diferente de ser humano. Essa era a única explicação que eu tinha para ele ser tão fantástico para mim e por ter aceito toda a minha bagagem de vida. Apertei sua foto contra meu peito e respirei profundamente. Ele estava, naquele momento, a poucos metros de mim, bem ali na sala de estar junto de Charlie. E de Edward meu pensamento voou até meu carinhoso pai. Meu companheiro! Eles deveriam estar tão preocupados lá embaixo. Ambos acataram meu pedido de “contar a verdade” para Renée sozinha, pois tanto eu quanto eles sentíamos que eu estava forte o suficiente para tal. E o que seria apenas uma alegre visita de cortesia de minha mãe, para me parabenizar pelo noivado, havia se tornado algo muito diferente. Eu a levei para o andar de cima e lhe contei tudo. Absolutamente tudo.
Quanto tempo havia se passado enquanto estávamos naquele silêncio constrangedor? Eu realmente não fazia ideia. Não gosto de dizer que sempre esperei por esse momento, porém, por vezes imaginei como seria quando ele chegasse. Era inevitável não pensar nisso. Imaginei sim que seria difícil contar toda a verdade para minha mãe, mas nunca, jamais imaginei que seria difícil a esse ponto... Afinal, sempre esperei uma única reação de Renée, quando eu lhe contasse a verdade sobre Phill. Na verdade, nessa história toda, a única certeza que eu tinha é que minha amável mãe ficaria do meu lado. Isso é o que as mães fazem. Não é?! Bom... à primeira vista, a minha parecia não concordar muito com a regra geral...
Forcei meus lábios a se mexerem e emitirem algum som, tomando uma iniciativa para acabar com aquele silêncio.
– Errr... mãe... a senhora não vai falar nada? – disse tão fraquinho e não tive certeza se minha mãe conseguiu ouvir. Como só o que recebi de Renée foi mais silêncio, tentei mais uma vez...
– Mãe, a senhora... – mas um significativo gesto de Renée me interrompeu.
Ela levantou o dedo indicador como se pedisse um minuto e eu apenas assenti. Foi nesse exato momento que eu percebi a postura de Renée mudar drasticamente. Ela arqueou o corpo para trás, sentando-se ereta em minha cama. E de um jeito angustiante o clima em meu quarto piorou consideravelmente. Os olhos de Renée perderam o foco e ela ficou uma pouco mais pálida. A tensão foi registrada automaticamente por meu corpo e senti, mais uma vez, meu estômago embrulhar. A bile veio à minha boca e só assim consegui notar que estava prendendo a respiração. Por quanto tempo fiz isso? Com muito esforço, consegui retomar o controle do meu corpo e conter mais uma ânsia.
Como uma leoa pronta a atacar sua presa, eu observava atentamente cada movimento de Renée. Ela recolheu os papeis da cama muito lentamente e isso até chegou a me assustar. Não era essa a reação que eu esperava. Por que ela não falava comigo? De repente minha mãe me encarou pela primeira vez, desde que lhe confessei o que Phill fez a mim, e tudo o que consegui distinguir em seu olhar era incredulidade. O semblante de Renée agora era cruel. Quem era aquela mulher? Meu subconsciente gritava para mim aterrorizado.
– Mãe? – a chamei com a voz trêmula.
Renée rapidamente se levantou e atravessou meu quarto em um segundo, parando bem a minha frente. Estávamos próximas a ponto de respirarmos o ar uma da outra. Ela falou olhando bem no fundo dos meus olhos:
– Isabella, eu vou te dar uma chance de desmentir toda essa porcaria que você acabou de me contar e fazemos de conta que nada disso ocorreu. – Os olhos castanhos que sempre me acalmavam e me transmitiam afeto, agora eram duros comigo. Incisivos. E isso me deixou chocada.
– Isabella? – minha mãe invocou meu nome com uma voz tão, mas tão fria, que fez todo meu corpo arrepiar.
E logo a voz de Renée era um som distante em minha mente...
Minha mãe não acreditou em mim! E nem no maldito dossiê.
Deixei a foto de Edward cair aos meus pés. Esperei pelas lágrimas em meus olhos, mas elas não apareceram. Esperei a ânsia subir, mas esta também não apareceu. Renée não acreditou em mim... E por isso entrei em um estado de torpor que, pelo que consigo me lembrar, nunca entrei antes... Sentia como se fosse desfalecer. Ou explodir em mil pedacinhos e deixar de existir. Ela não acreditou em mim! Ela não acreditou em mim! Os olhos de Renée ainda estavam presos aos meus, esperando por uma resposta que eu não podia dar. Eu não podia simplesmente desmentir a história! Impaciente, minha mãe recuou dois ou três passos e jogou em minha cara o bolo de papel que estava em suas mãos. Isso me desequilibrou, mas eu não cai no chão. Consegui me apoiar na mesa do computador atrás de mim... E claro, não estava mais entorpecida. A chuva de papel foi o suficiente para me acordar do transe e eu finalmente recuperei a fala.
– Isso não é mentira... – disse por fim. Mas o que saiu de minha boca foi apenas um sussurro mal pronunciado. Comecei a duvidar da minha capacidade de comunicação.
– Isso tudo é uma babaquice, Isabella! Babaquice! – disse Renée jogando os braços para o alto. Ela estava indignada. Dada às circunstâncias, eu também poderia ficar indignada? Claro que poderia!
– Babaquice? Não é não mãe. É difícil de ouvir, eu sei. Mas é tudo verdade. – elevei um pouco meu tom de voz, a fim de mostrar mais confiança.
– Ah... Pelo amor de Deus! – esbravejou minha mãe.
– Pelo amor de Deus o que, mãe? Phill me estuprou, quer você queira acreditar nisso ou não. E ele cometeu todos esses crimes que constam no dossiê. Eu não inventei nada disso. – agora fui eu quem jogou os braços para cima exasperada. Ela não acredita em mim!
– Eu durmo e acordo a mais de vinte anos ao lado daquele homem, Isabella! Acha que eu não o conheço?! – questionou-me.
– Não, a senhora não o conhece. O Phill é... – ela me interrompeu.
– Ele pode ter muitos erros, mas duvido muito que ele tenha feito algo assim. – concluiu ela e eu não consegui identificar nem uma pontada de dúvida em sua voz. Ela realmente acredita na inocência dele!
– Está certo... ele já cometeu muitos erros, mãe! Me estuprou, deixou outro rapaz cego e ainda violentou outras moças mãe, antes de estar com você! Ele é... um criminoso.
– Ele é meu marido! Pode ter errado em uma coisa ou outra na vida, mas nunca, nunca faria isso com você. Com minha filha! – Renée agora estava eufórica e andava de um lado para outro do meu quarto.
– Mãe, que motivos eu teria para mentir para a senhora? – tentei outra abordagem, ainda incrédula com o fato de Renée duvidar da história, do dossiê e, sobretudo, duvidar de mim...
– Esse é o ponto Isabella... Não sei. Eu não sei porque de uma hora para outra você decidiu estragar completamente a minha felicidade. A minha vida! Isso é toda a minha vida! Phill é... tudo para mim.
– Phill é tudo para você... — repeti quase que simultaneamente as palavras dela. Uma onda de compaixão e culpa me invadiram violentamente. Se eu tivesse contado tudo a Renée naquela época, hoje ela já teria superado isso. Oh meu Deus! Como eu fui deixar minha mãe continuar a viver com aquele monstro? O que eu fiz com a vida dela? Tenho o direito de estragar toda a felicidade que ela imagina ter... Agora? Tantos anos depois? Eu tenho esse direito? Meus pensamentos estavam bem confusos e meu senso de julgamento um tanto danificado. Como se ouvisse meus pensamentos, Renée soltou uma astuta pergunta.
– Se tudo isso é verdade, por que não me contou antes? Por que esperou todos esses anos? – me olhou desafiadora.
– Eu não contei antes... Por... Por causa da morte do vovô. A senhora estava tão fragilizada naquela época. Entrou em depressão pela morte dele e tudo mais. E eu prometi ao vovô que cuidaria da senhora. – Entreguei o jogo, como se isso amenizasse a minha culpa ou diminuísse meu erro.
– Pelo amor de Deus, não faça isso! – disse passando violentamente as mãos pelos cabelos curtos. O castanho no tom exato do meu. Somos tão parecidas fisicamente. E tão diferentes em personalidade.
– O que?! – questionei sem entender nada. E Renée explodiu.
– NÃO COLOQUE A MEMÓRIA DO SEU AVÔ NESSA HISTÓRIA NOJENTA! – gritou.
No minuto seguinte, Renée já não estava mais em meu quarto.
Sai correndo atrás de minha mãe, descendo as escadas gritando o nome dela e a encontrei na sala, recolhendo a bolsa e a chave do carro. Ali também encontrei Charlie e Edward. Os dois mantinham os olhos arregalados, como se não acreditassem naquela cena. Eu os ignorei completamente e me concentrei em Renée. Precisava convencê-la de que tudo que eu falava era verdade. Passei pelos dois homens assustados em minha sala e agarrei com força o braço da minha mãe, que já estava quase na porta de saída.
– Acredita em mim, mãe! Acredita em mim, mãe! – estava desesperada e as lágrimas traiçoeiras bem naquela hora resolveram aparecer. Eu sabia que aquela cena era completamente patética e humilhante, mas mesmo assim não consegui evitá-la.
– ME SOLTA ISABELLA! – gritou minha mãe tentando me soltar de seu braço.
– NÃO SOLTO! Você precisa acreditar em mim, mãe! – disse ainda me agarrando a ela com uma força que eu nem imaginava que tinha. Senti que Renée começou a se debater em meus braços. Os nossos movimentos poderiam até dar a impressão de que estávamos lutando. Milésimos de segundos depois, senti o toque familiar das mãos de Edward em minha cintura, enquanto ele tentava me separar de Renée. Vagamente vi meu pai atrás, entre eu e minha mãe, acredito que tentando apaziguar meu ataque de fúria. E quando dei por mim, estava mesmo lutando com ela. Eu tentando prendê-la e ela fazendo o possível para se soltar. Edward e Charlie estavam perdidos ali no meio daquela bagunça, fazendo o papel de meros coadjuvantes da cena lastimável protagonizada por nós duas. Eu, com exceção das asas, ainda estava fantasiada de sininho... E agora toda descabelada. Renée não estava assim tão diferente de mim.
Os braços habilidosos de meu namorado finalmente me puxaram para trás, separando-me por completo de Renée. No ambiente, a única coisa que se escutava naquele momento eram quatro respirações ofegantes. Com Charlie ainda entre nós, minha mãe ajeitou o cabelo e arrumou sua postura, tentado recuperar o que restou de sua dignidade, imagino. Meu pai recuou um pouco, abrindo espaço para ela ir embora. Ele olhou sugestivamente para Edward, como se dissesse para ele continuar me segurando. Meus olhos estavam presos em Renée. Não conseguia acreditar que ela estava mesmo indo embora. Não conseguia acreditar que eles estavam a deixando ir! Eu estava mortificada. Vi minha mãe chegar até a porta, vacilar e dar meia volta. Meu coração saltou anunciando um fio de esperança nascendo, que foi brutalmente destruído assim que ela começou a falar.
– A partir de hoje você não é mais minha filha, Isabella. Você não é mais nada para mim. Nunca mais me chame de mãe... Adeus.
A verdade com que foram ditas aquelas palavras foi forte demais para mim. O chão faltou aos meus pés e eu cambaleei como uma marionete cujas cordas foram cortadas. A última coisa que senti foram os braços de Edward instintivamente se fecharem ao meu redor.
...
O forte cheiro de álcool me despertou. Pisquei algumas vezes enquanto recobrava a consciência. Minha cabeça doia. Aliás, cada terminação nervosa do meu corpo doia. Conforme fui retomando os sentidos e o controle de meu corpo, as memórias dos últimos minutos invadiram a minha mente. Eu preferia um milhão de vezes aquela dor física, à dor emocional causada pela conversa com minha mãe. A dor física era suportável e dada às circunstâncias, eu poderia até apreciá-la e viver com ela. Eu não poderia viver sem minha mãe... Um gemido de frustração saltou de meus lábios. Senti alguém me balançar e chamar meu nome. A voz era apenas um zumbido distante, mas me concentrei nela e por fim consegui abrir os olhos. Encontrei dois pares de olhos ansiosos e ao mesmo tempo aliviados. Charlie e Edward permaneciam comigo.
– Filha, por favor, fale comigo. – pediu meu pai transmitindo muita preocupação na voz.
– Vamos lá, Bella. Acorde. – agora meu namorado que me chamava.
A agonia na voz de ambos era latente e urgente. De alguma forma, consegui respondê-los.
– Estou bem. – minha voz estava rouca e baixa. Mas eles me ouviram perfeitamente.
– Graças a Deus! – disseram em uníssono.
– Podem me ajudar a sentar? – pedi ainda tonta.
Os dois me sentaram no sofá e meus olhos vasculharam a casa. Reparei no frasco de álcool que Charlie segurava nas mãos. Ah claro! Foi com isso que eles me acordaram. Mas a casa parecia fria e vazia. Eu sabia que faltava alguém.
– Renée? – questionei olhando para meu pai.
– Ela foi embora assim que você desmaiou, filha. Eu... Sinto muito. – os olhos de Charlie estavam vermelhos, o que indicava que ele tinha chorado.
– Ah... Ok. – assenti me desviando dos olhos dele.
Um grande e largo buraco estava sendo cavado em meu peito. Renée não ficou nem mesmo para conferir o que havia provocado meu desmaio. Eu havia perdido a minha mãe...
Escutamos uma batida na porta da frente e no momento seguinte minha casa foi invadida por alguns Cullen. Assim como no dia em que desapareci no cemitério, Carlisle e Alice vieram para ajudar. Carlisle porque era médico e era natural Edward recorrer a ele perante o meu súbito desmaio, para que eu fosse examinada rapidamente. E Alice porque era... Alice. Minha mais nova amiga e irmã. Por um nostálgico momento lembrei-me de Mel, minha enfermeira e amiga em Phoenix. Como estaria ela? Tomei nota mentalmente para que, assim que possível, enviasse um e-mail para ela.
O meu “check-up” seria feito ali na sala mesmo, mas eu insisti para que fosse em meu quarto e estivessem presentes somente eu e meu sogro. Para que ele entendesse o que tinha acontecido de fato, lhe contei toda a história de Phill e a reação de Renée. Chorei em alguns momentos pela tristeza da história. Ele apenas assentiu completamente profissional e isso me consolou. Não havia nada além de compreensão nos olhos de Carlisle. Depois de tudo esclarecido, ele começou a me examinar.
– Bella, siga a luz com os olhos. – ordenou suavemente enquanto apontava a lanterna em cada um dos meus olhos. Em seguida ele mediu minha pressão e o nível de glicose no meu sangue. – Quando foi sua última menstruação? – questionou.
– Hum... Eu não me lembro. – respondi envergonhada. Eu não lembrava mesmo.
– Não costuma controlar isso?
– Não. Ela é muito desregulada, cada mês vem em uma data. – senti meu rosto aquecer enquanto eu corava.
– Ok. Tem se alimentado direito?
– Hum... Na verdade não.
E com essa minha resposta vieram um batalhão de outras perguntas como “Quando foi a última vez que você comeu” ou “Tem tomado seus remédios controlados na hora correta?” e eu me concentrei para responder tudo com a maior eficiência possível.
– Bom, ao que indica, o desmaio foi causado pela alta carga emocional. Vou preencher algumas guias de exames de sangue, para você fazer no começo da próxima semana. Tudo bem?!
Eu apenas assenti.
– Ótimo. Preencherei as guias lá embaixo, para que você possa descansar.
– Ok, obrigada.
– Fique bem, Bella. Se concentre em seu futuro. O passado, por pior que seja, não pode ser mudado, então não vale a pena dar tanto crédito a ele. – Carlisle deu um beijo em minha testa e caminhou em direção a porta do meu quarto.
– Errr... Carlisle, será que você poderia pedir para Alice subir para... errr... Pra me ajudar com um banho? – Eu precisava tomar um banho e tirar a fantasia, mas ainda não me sentia forte o suficiente para fazer isso sozinha. Minhas pernas continuavam fracas.
– Claro. Boa noite. – ele sorriu para mim e fechou a porta atrás de si.
Menos de um minuto depois o sorriso largo e radiante de Alice irrompeu pela porta de meu quarto e eu me senti em casa.
...
Banhos sempre têm efeitos calmantes, principalmente para mim... E principalmente naquele momento. Depois que Alice gentilmente me ajudou num banho e na rápida arrumação do meu quarto – que foi basicamente recolher do chão a papelada que Renée havia jogado em mim — ela pôde ir embora, prometendo voltar no dia seguinte para me fazer companhia e conversarmos um pouco. Juntamente com ela, Carlisle foi embora, restando apenas Edward e Charlie comigo. Enquanto Edward foi tomar um banho, mais do que merecido, fiquei por alguns instantes sozinha e pude friamente pensar em toda a situação. Deliberadamente tomei uma decisão e compartilharia com Edward assim que possível. Minutos depois, Charlie entrou em meu quarto lentamente, com uma bandeja nas mãos.
– Devo ser o pior pai do mundo... pois vou oferecer sopa de pacote para minha filha. – ele sorriu um pouco.
– Você é o melhor, pai. – retribui o sorriso para ele – Obrigada.
– Como está se sentindo, Bella?
– Bem... Um pouco dolorida, talvez.
– E seria essa uma dor... física ou emocional? A tal da “dor na alma’’...?
– As duas... Meu corpo está cansado, mas minha mente também está. – respondi enquanto recebia a bandeja, que continha um prato de sopa com cheiro apetitoso, um prato com torradas e um copo de suco de laranja, aparentemente natural.
– Então coma, você precisa se fortificar cada vez mais.
– Renée foi embora de Forks...? – perguntei simplesmente. Entristecia-me o fato dela ter partido daquela maneira.
– Não sei, minha filha... E realmente não estou preocupado com ela, depois de tudo. Quero mais é que ela suma.
– Mas ela é minha mãe... – murmurei, enquanto colocava sopa na boca. Por mais que ela não aceitasse mais isso, ela continuava sendo minha mãe.
– E é a melhor coisa que ela tem na vida, Bella... Ser sua mãe. Você é uma garota maravilhosa, batalhadora...
– Quer que eu chore em cima dessa sopa deliciosa? – ambos rimos – Obrigada por tudo, pai.
– Eu sempre estarei aqui para você, pequena... Nunca se esqueça disso.
– Nunca esquecerei... – sorri – Sente aqui e me faça companhia.
– Espero que você não passe mal com a sopa. Ultimamente tenho percebido que você tem tido mal estar.
– Pode ser algum tipo de virose, ou apenas tensão... nada demais. – respondi rapidamente, querendo tranquilizá-lo.
– Você precisa se cuidar, Bella... Parece que ao invés de ver você engordar e ficar saudável, você só emagrece e isso não está me deixando feliz.
– Prometo que vou tentar pai... Prometo. – engoli seco. Eu não estava assim tão magra. Na verdade eu estava um pouco mais roliça em algumas partes.
– Promete o quê? – perguntou Edward, enquanto entrava no quarto em toda sua beleza, secando os cabelos úmidos na toalha. Na minha tolha!
– Estou falando para ela do quanto ela está ficando... magra. E você mais do que eu deve ver isso... – Edward sorriu um pouquinho com o comentário, enquanto eu, senti minhas bochechas se aquecerem de vergonha.
– Ela não está tão magra assim... – comentou – Mas não pode diminuir ainda mais.
– Ah, excelente! Os dois estão brincando comigo agora? Me chamando de pequena?
– Mas você é minha pequena, meu amor... – Edward sorriu.
– Momento casal... – Charlie murmurou se levantando, mas antes me beijou na testa. – Estou saindo. Boa noite crianças, não aprontem nada.
– Vou apenas cuidar dela, Charlie. – prometeu Edward.
– Sem mais detalhes, por favor. – nós três rimos com o comentário bobo de meu pai.
– Acho que a noite não vai ser muito bem como planejamos. – comentei enquanto via Edward tirar a camiseta e se aproximar da cama.
– Pode não ser como planejamos, mas estamos juntos. É isso que importa. – ele sorriu. – Venha...
Não pude negar me aproximar dele e me deixar relaxar em seus braços protetores e calorosos... Ali eu estava em paz, e muito segura. Ficamos alguns minutos num silêncio confortável e tranquilo, enquanto Edward acariciava meus cabelos e eu o abraçava mais forte.
– Eu amo você... – falou baixinho, próximo ao meu ouvido, depositando um beijo em seguida.
– Eu também amo você, obrigada por estar comigo.
– Estarei sempre com você... – falou entrelaçando nossas mãos – Na saúde e na doença... Na alegria e na tristeza...
– Até que a morte nos separe. – falei, aconchegando-me mais em seu corpo.
– Até depois disso... – respondeu com o sorriso torto mais lindo do mundo... meu sorriso!
Desfrutei dos carinhos de meu namorado por mais alguns minutos, e então resolvi lhe contar sobre minha decisão. Precisava dividir isso com ele.
– Edward... – murmurei escondendo o rosto em seu pescoço – Não vou mais denunciar Phill.
– Como? – perguntou rapidamente, ficando tenso. – Por quê?
– Tudo... Tudo isso acabou com a minha vida, com a vida de Renée e com a relação que tínhamos. Acabou, e eu não quero piorar tudo. Não quero mais mexer no meu passado. Só quero pensar no futuro agora. Pra mim, é só o que importa. – disse enquanto me lembrava das palavras de Carlisle.
– Amor, olha para mim. – pediu, mas não consegui atender, até ter meu rosto virado delicadamente para encará-lo. – Você não pode viver com isso para sempre. Com medo.
– Mas não posso destruir ainda mais as coisas...
– Você não vai destruir nada, meu amor... Nada mais, ok? Não pense assim.
– Depois de tudo que aconteceu hoje, eu não sei o que fazer... – falei, olhando em seus olhos, mesmo com o ambiente pouco iluminado.
– Você tem muito tempo para pensar nisso, mas pense com cuidado minha Bella... Ele merece ser punido, e você, merece ser vingada, de certa forma... Você merece isso, e todas as outras pessoas a quem ele fez mal, também merecem.
– No fundo eu sei disso, mas tudo isso que aconteceu, acabou com muitas vidas. E... Eu perdi Renée. – lhe confessei aquilo que me angustiava.
– Shh... Você já passou por coisas demais hoje. Vamos relaxar um pouco agora, ok?
– Tudo bem.
Deixei que ele nos arrumasse da melhor forma possível na cama, sem nos separarmos. Arrumamos as cobertas e ficamos abraçados, apenas fazendo carinhos e ouvindo as respirações lentas.
– Vou cantar para você dormir... – falou – E eu te amo, sempre estarei aqui para você.
– Obrigada, eu te amo e estarei sempre aqui para você, igualmente.
E a voz de Edward ecoou suave em meus ouvidos. Antes de chegar ao meio da canção, eu já havia adormecido nos braços do meu anjo...
Adormecido nos braços do meu anjo, para sonhar com outro...
Meu outro anjo protetor...
Jacob.
Notas finais
Oieeee pessoal!!!
SAUDADES de beta e leitora plenamente satisfeita aqui ahaha! Tudo bem?!
Uau... as meninas vieram com um capítulo realmente doloroso para a nossa Bella, certo?! Doloroso... e muito real! Nos casos de um abuso como o sofrido por ela, a verdade, quando transformada em palavras, mobiliza sofrimento tanto para quem assume, como para quem escuta a afirmação, por isso entendi a reação da Renée como uma espécie de defesa mesmo! Ela literalmente dorme com o inimigo... tenso!
Mas eis que em meio ao caos, Bella tem sempre seu anjo ali, firme e forte ao seu lado... seu Edward! Porque olha, ele pode até não ter asas, mas oferece o que de melhor se pode dar ao outro: amor e carinho incondicionais... ADORO ;) E apesar das meninas terem nos torturado mais uma vez sem a confirmação rs, NADA tira da minha cabeça que esse amor está prestes a sofrer uma doce extensão! Será ahaha?!
Ansiosas por mais, como eu??? Então bora comentar e indicar a fic, escrita com tanto carinho pela Juh e pela Mah, certo?!
Beijosss e até o próximo post!!!
Dani ;)
.........................................................
Notas Mah:
Olá meninas, como estão?
Sim... A demora foi grande para que esse capítulo fosse postado e peço desculpas por isso. Mas, tivemos vários motivos para a demora, espero que compreendam.
Agradeço de todo o meu coração por tanto carinho de vocês... Seja por e.mail, por comentários e até mesmo DM's, que recebi várias, perguntando da fic. Obrigada!!!
Agradeço também pelos reviews e pelas recomendações... Isso é o combustível de qualquer autor, e é muito importante! Obrigada.
Dani, obrigada por betar (:
Já assistiram BD?? Quero saber o que acharam!
Espero que gostem do capítulo, nos vemos em breve.
Beijos,
Máh.
....................................................
Notas Juh:
Meninas, boa noite! Ou..bom dia! Hahah
Espero que estejam todas bem! Não nos matem... Demoramos mais chegamos. Não abandonamos a fic. Estamos com alguns problemas de tempo.
Bom, gostaria de agradecer a todas que comentaram e recomendaram JR! Obrigadaaaa pelo carinho! Recebemos algumas mensagens e DMs pedindo a atualização da fic e isso nos alegrou bastante! Obrigada por estarem com agente nessa! Vocês são demais! =)
O que acharam do capitulo? Espero que tenham gostado!
Fiquem com Deus e até a próxima atualização!
Bjsss,
Juh Cantalice
Fale com o autor