Just Nothing
1 Tudo isso e eu
Eu estava simplesmente me afogando, em um rio que eu mesma havia enchido de água, se é que me entende. Estava tudo tão mais confuso do que antes, eu cansei de me perguntar sobre o porque de aquilo tudo acontecer, afinal, era tudo minha culpa. Era minha culpa. E nada ia mudar isso, nada.
Coloquei os livros em cima da mesa, a biblioteca era um ótimo lugar pra pensar agora.
Eu tinha mais ou menos vinte livros para ler, e infelizmente, não conseguia me concentrar em nenhum deles, tudo o que eu conseguia ver eram as lagrimas nos olhos do Park, como eu pude ser tão burra? Como? Aquele dia me batia o tempo todo na memoria, a bicicleta, os olhos cheios de lagrimas, meus sorrisos falsos, até mesmo o coração batendo disparado, me lembrava de cada detalhe, mas o pior de todos os pequenos detalhes, o que eu mais queria esquecer, era de vê-lo se virar de costas e atravessar a porta de casa, chorando, se eu pudesse pelo menos voltar no tempo... Como podia eu ser tão idiota?
O sinal bateu, eu deveria voltar à sala de aula, mas se eu fizesse isso teria de passar uma aula inteira encarando meus ex-amigos, a biblioteca parecia um lugar seguro agora, embora um pouco de matematica pudesse me fazer esquecer essa historia toda.
Peguei os livros de cima da mesa, coloquei-os na mochila e andei apressadamente para sala.
Cheguei perto da entrada e dei uma olhada, ótimo, minha melhor amiga e quem mais me apoiava havia faltado, Tahara, não podia acreditar que ela havia decidido faltar a aula logo hoje!
– Aria? — Ouvi alguem me chamar.
Me virei para verificar quem era, uma aluna nova.
– Você é a Ryusaki Aria não é? — Ela perguntou estranhamente.
– Sim, e você é...
– Sandara. Park Sandara.
Ótimo, outra pessoa em minha vida cujo sobrenome Park...
– E o que esta procurando Sandara?
– É que... Sabe... — Ela dizia nervosa — Você é do gremio estudantil e acho que poderia me ajudar no primeiro dia...
– Claro! — Sorri, era sempre assim no primeiro dia aqui, ficavam sempre nervosos.
Ela retribuiu o sorriso.
– Venha, vai sentar ao meu lado hoje! — Levei-a até onde Tahara geralmente se sentava, ao meu lado, mas ela havia faltado, acho que não teria problema algum. Acho.
Me sentei e coloquei os livros em cima da mesa enquanto observava os alunos entrarem pela porta da sala. Desviei o olhar para Sandara, que estava nervosa brincando com os lápis, girando-os de um lado para o outro.
– Então — Tentei puxar assunto — É seu primeiro dia em uma escola assim?
– Sim, eu nunca imaginei que um dia eu estaria em um lugar como esse sabe... É como um sonho... — Ela sorriu.
– Ah! — Retribuí o sorriso — Você com certeza merece estar aqui! Parabéns!
– Obrigada.
Olhei para frente fitando o professor que preparava o material. Matematica. Abri meu caderno e comecei escrevendo a data.
Senti que alguem me observava, seria só impressão? Olhei para o lado esquerdo da sala seguindo minha intuição. Meus olhos foram parar nele, logo nele!
Ele estava me olhando, dessa vez seus olhos estavam diferentes, não eram mais os olhos brilhantes e apaixonados, agora eram tristes e rancorosos. Continuamos nos encarando, até o professor começar a aula.
Comecei a fazer os exercicios rapidamente. Eu só queria que isso acabasse, que tudo acabasse, eu queria morrer!
Os minutos foram se passando e me torturando lentamente, enquanto trocavamos olhares. Finalmente o sinal da saída tocou.
Me levantei rapidamente colocando os cadernos e livros dentro da bolsa.
– Até que meu primeiro dia foi tranquilo — Sandara disse aliviada.
– Sim, amanhã vai ser melhor — Eu sorri para ela.
– É, já são nove da noite, as horas passam rapido.
– Você vai se acostumar, é tudo rápido aqui.
Era tudo rápido aqui. Até eu perder minha dignidade. Comecei a andar ao lado dela para a porta, atravessando o corredor e correndo em direção aos armários.
Tirei as coisas inúteis de dentro da mochila e coloquei os sapatos.
O armário de Sandara ela ao lado do meu. Pelo jeito ainda iriamos nos ver muito.
– Você pega qual metrô? — Ela perguntou curiosamente.
– Aquele que passa perto do centro sabe... — Eu disse rindo, não sabia explicar direito.
– Eu pego esse! — Ela sorriu.
– Então vamos correr porque já estamos atrasadas!
– Okay!
Fechei o armário e saímos da escola correndo, em direção a estação principal de Seoul.
Descemos as escadas, cheias de gente, eu e ela uma ao lado da outra, ela ainda me lembrava quando eu e Tahara apostavamos corrida nos campos da escola.
Algo me dizia naquele momento que Sandara de algum jeito estava se divertindo.
Entramos rapidamente em um vagão e nos sentamos ao lado de alguns garotos "sinistros" com um estilo meio "j-rock".
– Uau! Você corre rápido! — Ela disse suspirando, tentando recuperar o folego.
– Quando você pega esse metrô, você tem que aprender a voar! — Eu disse rindo.
– Olha, a vida sem oxigênio é de tirar o folego! — Ela disse suspirando mais forte.
– Amanhã é melhor corrermos menos...
Ela finalmente se recuperou, acho que não estava acostumada a correr tanto.
– O que achou do primeiro dia? — Perguntei tentando puxar algum assunto.
– Foi ótimo! -- Ela disse sorrindo — As ultimas aulas foram as melhores!
– Porque? — Perguntei sorrindo.
– Eu te conheci!
Fiquei sem palavras.
– Me desculpe — Ela disse percebendo minha reação — Mas você foi a melhor coisa que aconteceu hoje, você faz contas rápido e fica encarando um garoto...
– Park...
– O que?
– Park Hyung Seok, o nome do garoto que eu tanto encarava, você notou isso? — Eu a fitei, sua expressão ficou seria.
– Sim, é que, vocês se olhavam tão tristemente e...
– Não precisa se preocupar com isso, esta tudo bem, todo mundo da sala já notou.
Olhei a estação. Era quase a minha.
– Eu tenho que ir — Me levantei lentamente.
– Sim, então... Até amanhã Aria!
– Até!
Esperei o metrô parar e saí da estação.
Andei exausta até o apartamento. Cada passo, era uma tortura maior que o tempo. Subi até o andar vinte e dois.
Abri a porta do apartamento e olhei em volta. Papai ainda não havia chegado com Mei.
Andei pela casa e me joguei no sofá. Fechei meus olhos lentamente... Tudo foi ficando escuro.
Adormeci.
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