Just Nothing
2 Mais um dia confuso
Abri os olhos lentamente tentando reconhecer o local. Era minha sala, eu havia adormecido no sofá. Olhei para o relógio, já eram quatro da manhã, provavelmente meu pai não teria me acordado, pois deveria estar com dó de mim.
Me levantei e fui até meu quarto, peguei outra peça de uniforme e fui para o banho. Eu estava cansada de sofrer assim, eu não iria mais aguentar, era só torturante.
Abri o chuveiro e entrei em baixo dele, deixando as gotas que ainda estavam frias encharcarem meus cabelos, acho que iria ter que ir de cabelo molhado para a escola hoje.
Seok ainda não havia saído de minha mente, e agora veio Sandara, estava até que ficando um pouco curiosa sobre aquela garota, como ela havia conseguido entrar na Yojeong Academy no final do ano? Que eu saiba eles não transferem nem pegam novos estudantes nessa época.
Estava torcendo para Tahara aparecer na escola amanhã, ela estaria com raiva de mim também? Era melhor nem pensar nisso, só me traria azar.
Fechei o chuveiro, me sequei e coloquei o uniforme, eu não iria dormir mais. Ainda faltavam duas horas para a escola. Andei até a cozinha e bebi um copo de yogurt.
Ouvi pequenos passos andando de um lado para o outro. Mei havia acordado com meu barulho.
– Irmã? – Ela disse vindo em direção à cozinha – É você?
– Ainda acordada? – Perguntei.
– Eu não consegui dormir hoje, sinto falta do senhor "G-Panda". – Ela puxou a cadeira e se sentou em minha frente.
O senhor G-panda era seu panda de pelúcia, a pequena Mei chorava todos os dias desde que o perdeu.
– Entendo. – Eu disse – Quer que eu te empreste o meu Dak?
– Sim! – Ela sorriu.
– Vá ao meu quarto e pegue-o em cima da cama.
– Obrigada irmã! – Ela desceu da cadeira e correu até meu quarto.
Meu ursinho Dak, era um presente que o Seok havia me dado no meu aniversario antes de brigarmos, era ótimo eu estar me livrando dele agora.
Ouvi Mei sair correndo do meu quarto em direção ao dela. Eu faria tudo por aquela baixinha, Mei foi o melhor presente que a mãe deu a mim e meu pai antes de falecer. A pequena nunca chegou a conhecer a própria mãe, ou ter chance de conversar com ela.
Olhei fixamente para o nada. Seok havia dito que seria difícil me desculpar daquele jeito, e o Kevin ainda me ajudou muito dizendo que ele demoraria talvez mais de um ano para me desculpar. Mas, o que eu fiz de tão errado? Acho que aquilo não foi tão errado assim. Eu tinha meus motivos, por mais idiotas que fossem, eu realmente tinha certeza absoluta que amava o Seok e eu nunca desistiria dele.
Me levantei e corri até meu quarto, abri a gaveta e procurei a carta que havia escrito para ele um dia após a briga, e nunca tive coragem de entregar. Aquela carta explicava tudo. Sobre nós dois, sobre o porque daquela idiotice, sobre toda a verdade.
Enfiei a carta dentro da mochila, talvez eu entregasse aquilo hoje, talvez, se eu tivesse coragem de olhar novamente naqueles olhos, se eu tivesse capacidade de fazê-lo sorrir como antes, eu poderia tudo por ele. Tudo.
Comecei a arrumar a cama e as coisas em cima da cabeceira. Olhei para a moldura cheia de fotos na parede, alguma coisa me atraiu para ela, me aproximei.
Havia fotos minhas com o Seok, algumas da Mei e da Tahara, eu já tinha até me esquecido daquele quadro pregado a cima de minha cama com todas aquelas fotos.
De repente meu celular tocou. Peguei-o e olhei o identificador de chamadas. Taekyung.
– Alô? – Atendi.
– Aria?
– Tae?
– Você esta em casa?
– Sim.
– O que faz acordada há essa hora?
– Porque esta perguntando isso?
– Você pode sair comigo?
– Agora?
– Sim.
– Porque?
– Temos que conversar...
– Sobre?
– Tahara.
Quando ele pronunciou "Tahara" eu sabia que era importante. Peguei minha mochila ainda com o celular no ouvido.
– O que a Tahara fez?! – Perguntei desesperada.
– Não foi o que ela fez, mas o que eu fiz.
– Hm, onde você esta?
– Em frente à portaria do seu prédio, te espero aqui em frente.
– Okay.
Fui até o quarto de Mei, ela estava acordada, abraçando o ursinho me fitando através da porta.
– Vai sair? – Ela perguntou – Já?
– Tenho coisas para resolver, avise ao pai que saí mais cedo e trate de dormir.
Fechei a porta de seu quarto e saí de casa, indo o mais rápido possível para a portaria, o que ele havia feito dessa vez? Foi por isso que Tahara não havia dado as caras na escola ontem? Eu iria descobrir.
Avistei o Taekyung do estacionamento e corri até lá fora, o céu ainda estava escuro, começando a clarear, tão belo.
Me aproximei dele.
– Tae! O que você fez para Tahara?!
– Isso.
Ele me puxou para perto dele me beijando, tentei me soltar de seus braços, mal sucedida.
– O que?! – Eu disse conseguindo escapar de seu beijo. – Olha se você disse a ela qualquer coisa que...
Ele me interrompeu me beijando novamente. Eu o empurrei para longe.
– Ainda não entendi! – Gritei.
– Se acalme mocinha! – Ele disse rindo.
– Me explique!
– A Tahara me traiu!
Pronto. Tudo explicado, a Tahara havia o traído, ele ficou com raiva e me beijou para deixar a Tahara com raiva, mas ela nunca iria saber desse beijo, iria? Eu não ia deixa-lo contar!
– Olha – Eu disse recuperando o fôlego – Você não vai contar a ela que a gente...
– Não foi por isso que eu te beijei.
– Então... – Fiquei confusa – Por quê?
– Porque me deu vontade.
Eu comecei a rir, era impossível, ele devia estar tramando algo.
– Me explique melhor – Eu disse sorrindo, não conseguia conter aquele sorriso, droga!
– Eu só não sei explicar isso Aria!
Ótimo, o namorado da minha melhor amiga, quase irmã havia me beijado, eu havia brigado com meu ex-namorado que ainda amava muito, as provas finais estavão chegando, uma garota nova sinistra apareceu na escola, e eu estava em depressão!
– Tae... – Eu o fitei me olhando confuso – Eu não sei porque você fez isso, mas você nunca mais, nunca mesmo, vai fazer isso de novo, okay?
– Okay... Eu acho...
– E vamos conversar com a Tahara hoje e ver no que vai dar.
– Okay...
Peguei sua mão e o puxei apressadamente andando para o outro lado da rua. Ainda nos restava tempo até o horário do metrô, mas eu estava confusa demais.
Nos sentamos nos bancos da estação e ficamos em um silencio cortante esperando o metrô, aquilo me lembrava do pior dia da minha vida, depois de brigar feio com o Seok, ele ainda pediu pra me levar para a casa pois estava tarde e eu aceitei, ficamos sentados como eu e Taekyung aquele exato momento, olhando para a frente, sem dizer uma palavra.
E eu ainda com fome, avistei o metrô vindo de longe e já fui me levantando, queria logo que isso tudo acabasse, queria morrer.
Taekyung se levantou atrás de mim e entramos no metrô, nos sentamos como na estação e assim fomos até a escola, em silêncio. Acho que nenhum dos dois estava acreditando no que havia acontecido.
E assim em silêncio, andando tensamente até a escola, eu me despedi dele, olhei em volta procurando Tahara e não a encontrei.
Talvez amanhã nevasse, eu adorava a neve, talvez se ela caisse iria levar toda minha dor embora, como no velorio de minha mãe.
Andei tranquilamente até a sala de aula, me deparei com Seok ao passar pela porta. Nós paramos e ficamos nos encarando por mais ou menos dez minutos, até ele desviar o olhar e ir para seu lugar.
Sandara chegou, eu a convidei mais uma vez para se sentar ao meu lado.
E aula após aula, eu via minha vida indo embora. Ficava revezando entre os olhares do Seok e as falas de Sandara, ela tinha muitas perguntas sobre a estrutura de um atomo, ela até que me divertia.
Enquanto o professor de Inglês guardava suas coisas Kevin foi até mim e me entregou um pequeno papel dobrado. Eu o abri calmamente, era inacreditavel, era do Seok!
"Ari-chan, quero falar com você depois da aula, poderia me esperar quando o sinal tocar?"
Olhei em direção a ele, que não por surpresa tambem estava me olhando, eu acenei um "sim" com a cabeça e ele assentiu. Virei os olhos para Sandara que ainda estava olhando para o Kevin. Agora sim, estava tudo confuso.
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