Just Friends
10 Pov Anna
– Então, percebo que minha irmãzinha tem o dom de fazer as pessoas se apaixonarem, mas como os mortais dizem mesmo? “Em casa de ferreiro o espeto é de pau”
– Então, não quero piadinhas, você prometeu algo a mim, você disse que eu poderia fazer um pedido relacionado a sentimentos. Eu escolho não sentir mais nada em relação ao Matheus e a Larissa, eu não quero sentir amor, ódio, raiva, dor, nada, quero que eles sejam como estranhos para mim, como se meus sentimentos estivessem desligados para eles.
– Eu realizo esse desejo se você jurar pelo Rio Estige que você continuará comigo como cupido.
– Eu não posso... Eu tenho uma vida, eu tenho amigos, tenho pessoas que gostam de mim de verdade...
– Amigos que enquanto você “está perdida em uma floresta”, se salvam, fazem festinhas, namoram, me desculpe, mas seus “amigos” não estão nem aí pra você.
Eu estava quase chorando, mas eu fui forte, eu tinha que ser, não poderia mostrar fraqueza, se não ele nunca me respeitaria.
– Irmão, você me prometeu algo. Cumpra com sua palavra e eu estarei sempre à disposição para ajudar, mas não posso viver aqui, eu quero ser uma semideusa normal — como se isso fosse possível — quero sair em missões, ajudar a salvar o mundo, quero fazer um pouquinho de história, e não somente juntar casais, claro que juntar casais é importante, o que seria de um mundo sem amor? Nada, mas eu quero algo mais para mim, espero que você me compreenda e me ajude. Acabando com meu sofrimento, me deixando livre, eu voltarei sempre que puder. Os mortais também dizem “Dê a liberdade, e se voltar é por que é seu”, ou seja, deixe que eu vá, e se realmente for meu “destino”, minha vocação ser cupido, eu volto.
– Você tem razão, até porque, do que vale fazer pessoas feliz se você está infeliz? Tome isto antes de dormir – ele abriu a mão e um frasco transparente com um líquido rosa se formou na palma de sua mão, ele abriu a minha mão, colocou ele em minha mão — e quando acordar, não terá mais dor, não terá mais amor, não terá mais sofrimento, nem amizade, a escolha é sua, você pode escolher viver com essa dor, perdoar e seguir em frente, ou simplesmente tomar isto e se “livrar” dos seus problemas – ele fechou meus dedos envolta do frasco, e beijou a minha mão, delicadamente, eu pude sentir sinceridade nele, e uma serenidade que eu não sentia a anos — use com responsabilidade, seja feliz e volte para me visitar. Você tem potencial maninha.
E de repente tudo ficou escuro ele desapareceu em névoa e suas assistentes estavam me levando de volta a “meus aposentos”. Quando deito na cama macia, percebo que ainda estou apertando o frasco, tão forte que é como se minha vida dependesse dele. Abro a mão para olhá-lo melhor e percebo uma pequena e fina corrente presa a ele, decido então que preciso de um banho. Coloco-o no pescoço e tomo o banho mais relaxante da minha vida, sabendo que em poucas horas não haverá mais angustia, mais sofrimento...
Termino meu banho, coloco uma camisola que havia aparecido em cima da cama, e fico surpresa, pois ela cabe perfeitamente em mim.
Sento na cama para ver toda a minha dor ir embora quando...
Filha, não faça isso, um amor como o seu por esse garoto não se perde assim... – Surgiu uma voz em minha cabeça, acho que é a minha mãe, pelo menos é assim que o Math, Math não, Matheus, definia como o pai dele falava com ele.
– Mãe?
Sim filha, sou eu. Estou aqui para impedir que você faça uma besteira.
– Mas mãe, ele me magoou, eu confiava neles, eu não posso lutar por um amor que nem se quer liga se eu estou viva ou não.
Minha querida, se você realmente o ama você tem que lutar para consegui-lo, enfrentar o sofrimento, enfrentar a falsidade e seguir em frente.
– Prometo que não tomarei nenhuma decisão precipitada.
Assim me sinto melhor.
Acabo pegando no sono sem perceber e quando acordo, estou num chalé, é isso mesmo? Um chalé? Como eu vim parar aqui? Acordo e me sento, o chalé é todo cor de rosa, argh, não gosto de rosa nesse tom, com cristais pendendo das janelas. Há vários canteiros de rosas, sem espinhos, das mais variadas cores por perto, e estas se aninham nas paredes. Um perfume suave e adocicado está por toda a parte. Sento-me na cama, uma cama simples, mas bem arrumadinha, com lençóis de seda branca e rosa, uma colcha branca com listras rosa e detalhes em formato de coração de cor vermelha, e percebo que tem vários adolescentes bonitos nesse chalé, eles estão me encarando, até onde eu sei, é falta de educação encarar as pessoas desse jeito. Quando percebo que posso estar no chalé de minha mãe, no Acampamento Meio-Sangue.
– Olá, eu me chamo Anna, mas vocês podem me chamar de Annie ou Annis. –disse, tentando não assustá-los.
– Oi, está tudo bem com você? – disse um garoto loiro de olhos azuis acinzentados.
– Ah, sim, eu estou com um pouco de dor de cabeça, mas eu gostaria mesmo de saber como eu vim parar aqui, algum de vocês tem uma dica de como isso pode ter acontecido?
– Olha, eu não sei, nunca tivemos nada parecido aqui no acampamento, podemos levar você até a casa grande para falar com Quíron, talvez você seja a semideusa que foi perdida pela garota do chalé seis enquanto ela trazia cinco semideuses pra cá –disse o mesmo garoto — ah, desculpe, eu me chamo Mark.
– PERDIDA? ELA DISSE QUE ME PERDEU? Eles me traíram, nem se quer me procuraram, me deixaram lá e vieram se salvar, belos amigos os meus – decidi ir com ele, qualquer coisa seria melhor do que ficar num chalé com cheiro adocicado quando se quer ter raiva — ah me desculpe Mark, eu passei por momentos difíceis, eu não queria assustá-los.
– Tudo bem, você que deve estar bastante assustada, simplesmente acorda num chalé todo rosa, com um cheiro extremamente doce, com vários campistas te encarando, eu que peço desculpas por nossos irmãos.
Ele me acompanhou até a Casa Grande, que era uma casa gigante no centro de tudo. (Que original) tinha um cavalo na sacada, um cavalo, um cavalo não, é metade um cavalo, metade um homem, acho que eu estudei sobre isso alguns anos atrás, ele é, ele é um centauro.
– Quíron, ela apareceu hoje de manhã na cama vaga, ela simplesmente acordou lá.
– Olá senhor, é basicamente isso que ele disse, mas ainda tem alguns detalhes.
– Mark, muito obrigado por trazê-la até aqui, eu cuido dela a partir de agora. Então, me chame de você, e guarde o “Sr.” Para aquele velho carrancudo bebendo coca diet –ele quase sussurrou — olhe queridinha, você deve estar louca para ver seus amigos, eu entenderia perfeitamente se você quisesse se encontrar com eles antes de qualquer explicação ou interrogatório que você tiver que passar.
– Na verdade, eu gostaria que ninguém ficasse sabendo, ainda, que eu estou aqui. Eu posso explicar tudo para você, mas antes eu gostaria de algo para vestir além de uma camisola, e gostaria também de escova e pasta de dentes, essas coisas...
– Entendo perfeitamente, eu mesmo te ajudarei com essas coisas, depois deixarei Mark encarregado de te mostrar o acampamento.
Ele me deu uma camiseta laranja, que seria tipo um uniforme, shorts e calças jeans, e disse que depois se eu precisasse de algo de fora do acampamento, Argos me levaria com Mark para comprar. Ele me deu também, produtos de higiene como, escova de dentes, essas coisas. Disse que eu teria 3 horas para me arrumar, comer e descansar antes de ser apresentada oficialmente à casa grande.
Quíron me levou até o chalé 10, onde eu pude me arrumar em paz, finalmente um chuveiro, sabonete, ah que saudades, eu não tinha percebido, mas estava faminta, pedi a Mark que me levasse ao refeitório discretamente, e assim o fez. Tudo o que eu quisesse brotava na mesa, era só eu pedir. Ah isso era ótimo.
Estava saindo do refeitório, já mais ou menos satisfeita, quando avisto Larissa. Tento me esconder, mas mesmo assim ela me vê.
Ela vem correndo até mim, na verdade, ela brota da sombra ao meu lado.
– Desde de quando você está aqui? Como você chegou? O que aconteceu? Você está bem? — ela fazia todas essas perguntas ao mesmo tempo enquanto me abraçava.
Eu não retribuía seu abraço, e a minha vontade era bater nela até que ela me explicasse o porquê de terem feito isso comigo. Resolvi ser fria.
– Estou ótima. Não que isso te interesse, afinal, vocês vieram embora para se salvar e me deixaram lá, sozinha, sem armas, sem proteção... Você acha mesmo que eu vou cair nessa “Nossa amiga, você não tem ideia de como eu estava preocupada, como você sobreviveu esse tempo todo?” Ahh me poupe Larissa, você só se importa com você mesma.
Disse isso friamente e sai. Lari veio atas de mim, olhei para ela.
– Anna, não foi culpa minha, ele que me beijou...
– Mas você nem se deu ao trabalho de recusar – a olhei brava.
– Mas Anna, por favor... Nós somos amigas á três anos, não estrague isso por um menino, por favor.
– Por um menino? Você sabia que esse menino era o amor da minha vida. Sua falsa – dei um tapa na cara dela, uma aura rosa me envolveu.
Lari colocou a mão no tapa, e lagrimas rolaram de seus olhos.
– Quer saber? Cansei, eu o beijei mesmo, e foi o melhor beijo de minha vida, e nós também transamos, e foi perfeito, estou cansada de você me falando que eu só ligo para mim mesma quando na verdade a fútil é você – ela disse sorrindo, será que era verdade isso tudo? Não quis nem saber, voei na cara dela e a estapeei.
– Sua... Vadia... Desgraçada... – cada palavra um tapa, mas Mark me tirou de cima dela, ela estava roxa no rosto, e sangrando.
– Bom trabalho sua puta ruiva – Lari se envolveu em uma aura preta, dois esqueletos surgiram e vieram pra cima de mim e Mark. Já tínhamos uma plateia de semideuses.
Lari estava com os olhos completamente brancos, e sua pele ficava mais pálida, e a aura intensificava.
Os esqueletos vieram pra cima de mim, tive uma ideia.
– Voltem para onde não deviam ter saído, monte de ossos – usei meu charme, eles simplesmente se desfizeram, Lari me olhou com raiva.
–A... Anna? – Matt estava na entrada do refeitório e me olhava assustado, ele correu ate mim e me abraçou, eu fiquei sem reação, mas tomei coragem e o empurrei.
– Seu canalha – olhei o nos olhos. – não sei como pude gostar de você.
– Mas... Anna, espe... – ele olhou pra trás e viu Lari sangrando, soltou um suspiro, e a pegou pelo ombro levando-a acho que para a enfermaria.
– Bom gente, o show acabou – bati palma duas vezes e os semideuses saíram um para cada lado.
– UAU – disse Mark sorrindo.
– O que foi? – sorri de volta.
– Ninguém nunca controlou um esqueleto, sem serem filhos de Hades – ele disse sorrindo.
– Valeu eu acho – sorri de volta e fui para o chalé 10. Chalé de Afrodite.
Olhei em cima da minha cômoda, lá estava a poção de Eros. Envolvi-a em minha mão e a bebi sem pensar. Na hora uma queimação na minha garganta desceu, minhas pernas bambearam, minha pele queimava, um aperto no coração e uma dor de cabeça me atingiram. Desmaiei em minha cama.
Você não devia ter tomado Anna – disse uma moça muito linda, ela se parecia comigo, era minha mãe, Afrodite.
– Mãe – disse com uma lagrima nos olhos e a abracei.
Minha pequena, eu disse para você não usar a poção. Agora seu amor, por todos se desfez. Você esta como seu irmão Eros, ele não ama a ninguém a não ser a si próprio – ela disse acariciando meus cabelos.
– Não mamãe, Eros me deu uma poção apenas para se desfazer dos sentimentos por Larissa e Matheus, não a todos – forcei um sorriso, esperando que estivesse certa, mas infelizmente Afrodite reprovou com a cabeça.
Seu irmão te enganou, minha filha. Ele disse isso, para que você se sinta sozinha ao tomar a poção, e se junte a ele. Lute contra os efeitos dessa poção, seja forte. Mostre que você, uma filha de Afrodite, não é inútil como muitos dizem – ela disse sorrindo pra mim. Isso me deu coragem o suficiente, para ir ate o palácio de Eros e estapear aquele viadinho.
– Obrigada mamãe – beijei o rosto dela e acordei.
Levantei, olhei para a bolsa que Eros havia me dado. Peguei uma caixinha que havia na bolsa, ele havia me dito que toda vez que eu quisesse visita-lo, bastava abrir aquela caixa e entrar nela, mas ela era muito pequena, apenas um hamster cabe ali dentro.
– Eros, Eros, mais uma charada – abri a caixa, coloquei-a no chão.
Pensei, pensei mais um pouco, mais um pouquinho, só mais um pouquinho. Lembrei. Usei a nevoa para alterar o tamanho da caixa, e sucesso.
Lá estava eu, no centro do palácio de Eros, o viado do meu irmão.
– Olha quem voltou — disse ele voando até mim sorrindo.
– Pode desfazendo esse sorriso – disse brava, cruzando os braços.
– Ora, ora, porque a braveza irmã? – ele disse com um sorriso maldoso.
– Seu falso. Desça aqui e me enfrente como um homem – usei um pouco de meu charme, mas acho que não funcionou, além do mais ele era um deus também.
– Não estou afim maninha – ele voava ao meu redor.
– Tenho uma proposta – ele parou e me fitou.
– Diga qual.
– Eu serei uma cúpida sua, se você devolver meus sentimentos. Trabalharei pra você a hora que precisar.
– Hum – ele colocou a mão no queixo e sorriu pensativo – jure pelo rio Estige.
– Primeiro você – sorri.
– Eu juro pelo rio Estige, que se você for minha cúpida nas horas que eu precisar, devolverei seus sentimentos – disse ele dando piruetas no ar.
– Eu juro pelo rio Estige, que serei sua cúpida nas horas que precisar, após você devolver meus sentimentos – disse pausadamente.
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