Just Call My Name

2 O sonho ganha vida.


- Pode me deixar sozinho com ela, por favor? – Disse polidamente o homem que adentrava o quarto de Mio despreocupado. Ele foi como a escuridão chegando em meio à toda a pureza daquele quarto branco. Era alto, seus cabelos compridos e negros cobriam-lhe os ombros em fios perfeitamente lisos. Estava vestindo uma camiseta cor de vinho e calças pretas e, — adivinhem só – estava descalço.
- Q-quem é você? – Gaguejou Mio ao se ver sozinha com um homem extremamente belo e... sombrio.
- Você não precisa saber quem eu sou. Só o motivo pelo qual eu vim.

Nesse momento, o homem se aproximou dela e levou a mão direita ao pescoço delicado da garota. Pousou-a ali, e a passou levemente pelos ossos da cravícula de Mio. Encarou-a friamente, como se fosse um predador e ela, sua presa.

- Me dê o cristal.
- Não sei quem é você e, como bem pode ver, não possuo cristal nenhum. Estou neste hospital há muito tempo e não possuo nada além das roupas que visto, portanto peço que... – Ela se calou repentinamente. A mão do homem que estava em seu pescoço o pressionou levemente, fazendo com que ela se parasse de falar.
- Se você não me der o cristal, perderá sua vida. – Ao terminar de pronunciar essas palavras, as unhas do homem cresceram, transformando-se em garras e seus olhos, antes negros como os cabelos, estavam agora vermelhos. Ele pressionou a garra do dedo indicador contra o queixo de Mio e fez um pequeno corte ali, que logo, começou a sangrar. Ele se preparava para cortar a garganta da garota, quando os olhos dela encheram de lágrimas e, sem pensar, ela gritou:
- Tarou! Me ajude, Tarou! – Ela irrompeu em lágrimas e o homem não fez sinal de que iria hesitar.
- Suma daqui agora. – O homem e Mio olharam para a direção da qual vinha a voz, a janela, e lá, para a surpresa da garota, estava “ele”. – Suponho que o cristal que você tanto deseja seja este. – “Ele” pegou o cristal com o indicador e o polegar da mão esquerda e o levantou, colocando-o a vista. Essa imagem pareceu iluminar o quarto do hospital, pareceu dissipar a escuridão que o estranho homem trouxera.
- Apareceu numa hora bem inoportuna, “Tarou”. – Disse o homem com um tom de escárnio, ressaltando o nome “dele”. Se virou e deixou o quarto, com seus olhos voltando a enegrecer. Quando a porta se fechou, Tarou saiu do parapeito da janela e foi parar ao lado de Mio, pegando as mãos dela e segurando-as entre as suas.
- Mio, está tudo bem? Ele te fez algum mal?

A garota apenas sorriu, com os olhos cheios de lágrimas e o abraçou. Se jogou em seus braços e esqueceu todas as dores, tristezas e solidão pelas quais havia passado até ali. Ergueu a cabeça e olhou-o nos olhos, sussurando, com a voz trêmula:

- Eu pensei que você fosse apenas produto da minha imaginação, dos meus sonhos. Mas agora, quando estou prestes a morrer, grito um nome que nunca ouvi antes e você aparece para me livrar da morte.
- Eu sou real, estou aqui por você, para te proteger e te livrar de todos os males desse mundo. Você é meu bem mais precioso. Sempre que chamar meu nome, eu virei sem hesitar para você. Te tomarei em meus braços e então tudo ficará bem, porque eu... eu...
- Eu te amo. – Disse Mio, interrompendo-o.
- Eu sei. – Ele a apertou em seus braços e beijou o topo de sua cabeça. – Eu te amo também. Nunca mais lhe deixarei sozinha.

Mio irrompeu em lágrimas e se deixou cativar por aquele homem tão belo, tão... tão surreal que estava agora com ela. Ela o amava, ela precisava dele. E ele estava ali, dizendo que a amava também e que jamais a abandonaria. Enfim, tudo que eu passei por esses dois anos valeu a pena – pensou ela – já que eu pude encontrá-lo.