Just Another Summer Love

11 True is that we have seen better days


Notas iniciais
Sabe aquela fuga de criatividade da qual falei pra vocês no capítulo passado? Acho que além da China, ela resolveu dar uma volta ao mundo completa antes de voltar pra minha cabeça, então me desculpem MESMO pela demora exagerada para postar esse capítulo. Digo a vocês que não ficou como eu queria que ficasse, mas me esforcei ao máximo para melhorar alguns detalhes. Espero que não tenham me abandonado depois desse tempo todoo! Boa leitura!

Assim que eu o vejo parado na calçada me esperando, encosto o carro para ele entrar. Quase o estranhei, por estar usando uma camiseta azul clara, diferente do moletom que usava na noite passada, mas assim que ele abre a porta do passageiro, joga o moletom para o banco de trás antes de se sentar.

A primeira coisa que Connor faz é colocar o cinto de segurança, só depois se voltando para mim com um sorriso fraco no rosto. Não consigo deixar passar despercebidas suas olheiras cansadas e profundas que pintam suas pálpebras inferiores. Ele parecia um zumbi, para falar bem a verdade, com seus cabelos bagunçados e boca sem cor. Tinha as bochechas rosadas, como sempre estiveram, mas sua pele parecia pálida e sem vida, como se ele é quem se encontrava doente. Só de vê-lo assim, eu já quis chorar como uma idiota.

—Obrigado por vir. –Ele disse. Até mesmo sua voz parecia diferente depois da noite anterior. Estava mais rouca, mais pesada que o normal. E ele falava baixo, como se não tivesse forças suficientes para pronunciar as palavras em voz alta, ou mais como se não quisesse dizê-las em voz alta.

Percebi seus olhos marejarem, e no canto do olho esquerdo, uma lágrima se formar. Não o respondi, apenas mordi o lábio e me inclinei sobre o banco, o abraçando pelo pescoço antes que minhas lágrimas começassem a cair em sua frente. Senti seus braços apertarem minhas costas, e naquele momento, percebi o quanto eu realmente me importava com ele. Percebi o quanto Connor Jacobs fez a diferença em minha vida. Talvez fosse assim que deveria ser desde o começo: eu iria até o fim do mundo para tentar ajudá-lo com isso tudo. Não suportaria, por nem um instante, vê-lo sofrer mais do que já estava sofrendo pelo irmão. Disso eu tinha certeza.

Pensei por um segundo em dizer isso a ele. Dizer que me importava, ou que eu estaria ali para o que der e vier. Declinei a ideia assim que senti suas lágrimas molharem o tecido de minha camiseta. Não era disso que ele precisava agora. Sendo assim, não era isso que eu faria.

Uma de minhas lágrimas desceu sem rumo pela minha bochecha, e rapidamente escapei dos braços de Connor, usando uma das mãos para afastar a teimosa lágrima dali antes que ele pudesse ver.

—Ok... –eu digo, tentando forçar um sorriso ao direcionar meu olhar para a estrada. –Então vamos.

Giro a chave na ignição e então pego a primeira rua de volta para minha casa. Durante o trajeto, nenhuma palavra é dita por Connor, e consequentemente, por mim. E isso, de forma surpreendente, não fez com que eu me sentisse culpada.

Assim que estaciono o carro em frente a sua casa, ele me pede para entrar com ele, mas quando a porta de entrada é aberta, eu sinto meu coração ficar menor a cada passo que dou. A casa estava tão silenciosa e tão vazia, que qualquer um que entrasse ali diria que não passava de uma casa que fora abandonada recentemente. Não por estar suja, ou assustadora, mas por estar sem vida. Quando passamos pelo hall para subir as escadas, dou uma olhada na sala de estar, e uma porção de brinquedos e miniaturas de super-heróis estão espalhados pela sala, me lembrando de Liam. A que me chama atenção é a do Hulk, que parecia ter uma expressão de pena, como se sentisse falta de ser usado. Esperei, silenciosamente, que Connor não tivesse percebido meu olhar melancólico.

Subimos as escadas em silêncio, e antes de virar para o corredor, ele dá uma olhada rápida para a penúltima porta do lado esquerdo, que se encontrava semiaberta, a do quarto de Liam. Passa rapidamente pelas primeiras portas do corredor até o seu quarto, que estava todo desarrumado por conta da noite passada, e deixa a porta aberta para que eu entrasse.

—Por favor, não se importe com a bagunça. –ele diz, assim que entramos no quarto. Connor se abaixa para pegar um travesseiro que estava no chão, juntamente com um cobertor azul-claro, e os coloca em cima da cama de qualquer maneira.

—Sem problemas. –eu respondo, dando espaço entre os lençóis na cama e me sentando, cruzando as mãos sobre o colo e o deixando a vontade.

Connor dá um leve sorriso, antes de pegar algumas roupas em seu armário e se dirigir para dentro do banheiro de seu quarto fechando a porta, me deixando sozinha em seu quarto um tanto desconfortável. E eu digo isso por conta da situação, é claro. Tudo ali parecia me lembrar a Liam, mesmo que ele e Connor fossem completamente diferentes em personalidade. Os quadros com páginas de poemas que estampavam sua parede pareciam ter a palavra “Liam” escritas várias e várias vezes. Seus livros, empilhados na escrivaninha, junto com as histórias em quadrinhos, só me levavam a pensar no menino de olhos verdes. Passei meus dedos pelo seu lençol branco da cama, imaginando como teria sido na noite passada, quando ele saiu às pressas do quarto para socorrer o irmãozinho. Senti um arrepio leve subir pela minha espinha, e me contive, mais uma vez, para não chorar.

Levanto-me dali para tentar me distrair, indo até sua estante de livros e correndo meus olhos por todos os títulos. Puxo de lá qualquer um deles, e o folheio de leve, passando os dedos pelas páginas antes de coloca-lo de volta na estante e puxar outro para fazer o mesmo. Quando ouço a água do chuveiro ser desligada, volto até sua cama para me sentar, e aproveito para checar as horas no celular, vendo que mais de cinco SMS’s de Riley apareciam em minha caixa de mensagens. Não sinto a mínima vontade de responde-la, então coloco o aparelho de volta no bolso.

Connor sai do banheiro alguns minutos depois, já trocado e com os cabelos molhados. Percebo, assim que ele sai da porta lateral, que tirou o tempo do banho para derramar algumas lágrimas, pois as olheiras debaixo de seus olhos verdes estavam ainda mais profundas do que quando eu o busquei no hospital. Ele vem até mim e senta ao meu lado, antes dando uma enxugada rápida e desajeitada nos cabelos com a toalha que tinha em mãos. Connor dá um suspiro alto e joga a toalha para o outro lado da cama, antes de começar a dizer o que quer que tenha para dizer.

—Bela, eu não sei se Liam irá conseguir. –diz de uma só vez. Assim que o nome de seu irmão é pronunciado, sinto um arrepio subir pela minha espinha. Eu já esperava que a situação não fosse boa, mas ouvi-la de Connor parecia mais doloroso que qualquer outra coisa que ele pudesse me dizer. – Ele... – Connor engole a seco- Ele tem câncer no intestino.

Fecho os meus olhos imediatamente e solto o ar de uma vez, só depois percebendo que eu segurava a respiração até então. Sinto um nó formar em minha garganta, e a vontade de chorar tomando conta de mim. Não consegui imaginar o pequeno Liam com um tumor dentro de si. Não consegui, por um instante sequer, acreditar que tudo aquilo era de fato real.

—Os médicos dizem que, por ele ser novo demais e o tumor ser grande o suficiente para tomá-lo, ele pode não sobreviver em algumas semanas. – Connor finaliza, com a voz um tanto embargada, mas sem derramar nenhuma lágrima ao fazê-lo. Imaginei que ele já tinha esgotado seu estoque de lágrimas pelo tanto de vezes que eu percebi estar chorando, mas isso não me impediu de deixar transparecer um olhar de pura tristeza por seus olhos verdes, que agora mais pareciam cinza.

Quase que imediatamente, sinto a mão de Connor em minha bochecha, afastando minhas próprias lágrimas do rosto com rapidez, e com isso, abro meus olhos para encará-lo. Abro meus olhos para ver meu melhor amigo com toda a tristeza no olhar ao dirigir a mim essas palavras. Abro meus olhos, literalmente, para vê-lo sofrer.

—Não quero que chore. –Sua voz ameaça falhar. Sinceramente, é difícil, para mim, explicar a expressão em seu rosto quando me viu derramar mais uma lágrima. Era como se ele se sentisse inferior, como se fosse eu quem precisasse de apoio moral, e não ele. Como se eu tivesse acabado de perder minha irmã para a Morte. –Não é culpa dele, não é minha e também não é sua... –Sua mão vem até meu queixo e o levanta levemente, para que eu pudesse deixar meu olhar no mesmo nível que o dele. –É só que...

Connor não consegue finalizar. Balança a cabeça negativamente e franze os lábios com cautela, não sabendo o que dizer depois disso tudo. E eu também não o forçaria a continuar. Assim como ele, as palavras fogem de minha boca. Não sei o que dizer a ele depois disso tudo, mesmo porque não sabia o que ele queria ouvir no momento e o que não queria. Então opto por ficar calada. Lembro-me, subitamente, do dia em que ele quase me beijou. Lembro-me da aproximação de seu rosto do meu, de seu toque, do cheiro de seu perfume. Lembro-me de seu olhar. Um olhar quase que despreocupado, completamente diferente dos olhos que eu encarava agora. Ele percebe meu desconforto um tanto óbvio, e então pega minha mão que repousa em meu colo, entrelaçando nossos dedos e os apertando levemente. Connor dá um suspiro longo e pesado.

—Quando eu tinha nove anos, minha avó faleceu numa noite de inverno. –Ele disse. Parecia perdido em pensamentos, quase como se ele não estivesse mais ali. Não entendi o motivo de ele estar me contando algo assim, mas o deixei falar sem interrupções, pelo simples fato de ser algo que ele quisesse, afinal, compartilhar comigo. –Ela morreu dormindo, com uma parada cardíaca. Obviamente, ninguém esperava por aquilo, muito menos eu, que vivia na casa dos meus avós e sempre percebi minha avó tão saudável quanto eu quando eu pedia para jogarmos Monopoly. –Ele sorriu por um breve segundo, como se tivesse se lembrado de algo nostálgico daquele ano. –Minha mãe me fez ir visitar meu avô todos os finais de semana — ele disse, endireitando as costas e respirando fundo ao continuar. – Ela dizia que faria bem a ele, então eu o fiz. Acabei por ficar mais próximo dele do que imaginaria, e então eu passei a considera-lo meu ídolo, meu herói. Ele me ensinou poesia e literatura, e lia Shakespeare para mim todos os dias, até que todos os 27 livros de sua estante tivessem sido abertos pelo menos uma vez. Me fez escrever redações, coisa que eu não gostava de fazer, dizendo que dessa maneira, iria me dar melhor na faculdade e na escola...

Connor levou seus olhos aos meus por breves segundos, como se quisesse ler meus pensamentos, ou descobrir o que eu estava pensando daquilo tudo no momento. Sua pupila correu de um lado para o ouro, de orelha a orelha pelo meu rosto. Depois, voltou os olhos ao chão de madeira do quarto, dando mais um de seus longos suspiros.

—Quando completei 14 anos, ele morreu de leucemia, poucos dias depois de descobrir que o estado da doença já estava avançado demais para as quimioterapias. –Inconscientemente, minha mão apertou a dele um pouco forte demais, o fazendo olhar para mim com uma expressão de pena. –Foi a partir daí que eu comecei a ter crises de violência. Afastei todos de mim, inclusive meus pais, deixando que apenas Tyler se aproximasse o suficiente para me acolher. –Ele disse, quando seu olhar voltou a baixar para o chão. –Isso explica como confrontei William, e como eu tive coragem de fazê-lo...

—Connor...

—O que quero dizer, Bela, é que eu já passei por isso antes. –Ele me interrompeu, enfim me olhando nos olhos com certeza e firmeza. –Já passei por muita coisa, já perdi minha avó, meu avô, e agora não quero perder Liam também, entende?

Agora ele estava chorando. Não do jeito que eu o vi fazer na noite passada, com todo o desespero e toda a angústia estampada nas lágrimas, mas com calma e silêncio. Ele apenas deixava todas as mágoas escorrerem pelo seu rosto, até chegarem ao queixo e caírem em seu colo, como lembranças que ele queria esquecer. Observei seus olhos correrem de um lado para o outro mais uma vez, esperando que eu dissesse alguma coisa. O problema era que eu não sou muito boa com palavras, e nunca fui. Tudo o que consegui fazer, foi, de súbito, abraça-lo com força e passar as mãos pelas suas costas, franzindo minha testa em confusão. Por que é que Connor é quem tinha que passar por tudo isso? O que ele fez para merecer tal coisa? Nada, para mim, fez muito sentido.

—Tudo vai ficar bem... –acabei por dizer, simplesmente para confortá-lo. Talvez fosse disso que ele precisava: uma esperança. Esperança de que Liam sairia dessa situação, ileso, ou de que de alguma forma, tudo acabaria em paraíso. Não acreditei, por nenhum segundo, na sinceridade em minhas palavras, e nem esperei com que ele acreditasse. Eu apenas dissera algo que ele precisasse ouvir, pois certeza alguma eu tinha do fim que toda essa situação teria.

Tudo o que eu esperava, realmente, era que nada disso fosse de fato realidade.

Tudo o que eu espero, é que no final, tudo fique bem.

><

Connor’s P.O.V

Fui dormir tarde naquela noite.

Assim que Isabela foi embora, perto do meio dia, fiquei sozinho em casa. Meus pais passaram o dia todo no hospital, e minha mãe veio me ver apenas na hora do almoço e no meio da tarde, quase às 6 horas. Ás vezes, eu passava em frente ao seu quarto e a via chorando, agarrada aos lençóis murmurando palavras que remetiam a Liam.

O estado de meu irmão havia piorado.

Quando minha mãe veio para casa, ao meio dia e meio, disse que Liam estava com problemas respiratórios. Por conta da tomografia que fez essa manhã, e todos os inúmeros exames que teve de fazer, ele acabou sobrecarregando os brônquios. Os médicos tiveram que sedá-lo para que não sentisse dor, e esta noite, ele passaria por uma cirurgia para tentar levar uma sonda ao intestino e investigar melhor a situação.

O doutor chegou a dizer que precisaria abrir o abdômen de meu irmão para a retirada do tumor, e só depois começaria com as quimioterapias, que, segundo ele, seria a parte mais difícil. Por conta de Liam ser apenas uma criança, ele optou por começar com as quimios mais fracas, até que o corpo dele e sua imunidade estivessem preparados o suficiente para “a segunda fase”. Isso se a cirurgia ocorresse bem esta noite, é claro.

Deitei-me depois da meia-noite, finalmente me sentindo sonolento. Não tive vontade alguma de arrumar a cama nessa tarde, então apenas me deitei nos lençóis da noite passada, sentindo uma dor de cabeça ridiculamente forte por conta, provavelmente, do choro.

Aliás, não senti mais vontade de chorar depois que Isabela saiu. Não vi o porquê de continuar assim, sendo que não ajudaria na situação de Liam de maneira alguma. Eu só conseguia pensar comigo mesmo pelo que ele estava passando. Estava pronto, realmente, para fazer o que pudesse, e até mesmo doar qualquer coisa do meu corpo para ele se necessário, por qualquer motivo que aparecesse. Iria ao fim do mundo para vê-lo saudável mais uma vez.

Recebi uma mensagem de texto depois de alguns minutos deitado. Pensei ser de Tyler, querendo saber como eu estava pelo fato de hoje mais cedo eu ter falado com ele no telefone sobre tudo o que acontecera. Me senti mil vezes melhor depois de ter encerrado a ligação, e então fui me tocar do quanto eu sentia falta do meu melhor amigo nesses últimos dias.

Por um breve segundo, não senti a mínima vontade de checar o SMS, então optei por ignorar. Isso também não ajudou muito, pois passados dois minutos, não me contive em pegar o aparelho da cômoda. Para minha surpresa, a mensagem era de Bela, e não de Tyler.

Só quero te dizer que estou aqui para o que precisar, tudo bem? Natalie disse que se quiser, pode ir aí cozinhar quando sua mãe estiver com Liam. Me avise, qualquer coisa. –Bela.

Suspirei. Por mais gentil que fora a mensagem, me senti muito mais inferior que já me sentia. Como se eu fosse um tipo de pessoa necessitada, dependente dos outros. Resolvi não respondê-la.

Puxei o fone de ouvido da gaveta do criado mudo e selecionei uma das listas de reprodução do Spotify, aumentando o volume para o máximo e fechando meus olhos com força, na esperança de cair no sono. Acabei, sem querer, sonhando com Isabela Heylmann.

And when all hope is gone, I'm here

(E quando todas as suas esperanças tiverem ido embora, estarei aqui)

No matter how far you are, I'm near

(Não importa o quanto você esteja longe, estarei próximo)

It makes no difference who you are

(Não importa quem você é)

I am your angel

(Eu sou seu anjo)

Notas finais
Então, desculpem-me mais uma vez pela demora para postar o capítulo, mas prometo de dedinho postar o próximo logo, logo! Espero mesmo que não tenham desaparecido, então só pra confirmar mesmo, deixem suas reviews, ok? Beijo enorme, amorecoss!