Just Another Summer Love

12 I don't wanna miss a thing


Notas iniciais
Um mini-cap pra vocês, só pra não deixá-los na espera mais uma vez (me sentiria péssima se não o postasse, mesmo que pequenininho). Apesar do tamanho, espero que gostem!

Connor não foi à aula por dois dias seguidos.

Na segunda-feira, quando cheguei ao colégio, todos me olhavam com pena, como se eu segurasse um cachorro abandonado no colo enquanto passava pelos corredores. De alguma maneira, deveriam estar sabendo do ocorrido com Liam, e se perguntando onde estaria Connor. Contei à Riley sobre o caso, e a cada detalhe, ela soltava um gemido escondido, tentando segurar o choro no fundo da garganta.

William não me encheu mais o saco desde o dia em que falei com ele. Depois do final de semana, ele era uma das pessoas que me olhava com pena, mas com certa raiva estampada no olhar. Até mesmo o professor de álgebra, que tinha simpatizado com Connor na semana passada perguntara a turma onde ele estaria. Nenhum de nós disse uma palavra, e o Sr. Thomas não tocou mais no assunto até que a aula terminasse.

Depois da terça-feira, comecei a me preocupar com meu vizinho.

Na segunda, Liam havia passado por uma cirurgia, e Stacey contara a Natalie que os médicos tiveram de retirar uma parte do intestino dele por causa do tumor, e a situação estava mais que complicada. Por causa da baixa imunidade de Liam, ele não estava conseguindo se recuperar tão bem assim da cirurgia em si, e teve de ser sedado na tentativa de apressar o processo. Na quarta feira, ele apareceu no colégio parecendo um morto-vivo. Não quis falar comigo, e não quis falar com mais ninguém além de Jason, o qual parecia saber mais que qualquer um de nós.

Pelo resto da semana, Connor não dirigiu uma palavra sequer a mim, e então, parou até de falar com Jason. Não prestava mais atenção nas aulas, e nem comia nada no intervalo. Às vezes, ele ia embora mais cedo, inventando que estava com dor em algum lugar de seu corpo, coisa que até os professores sabiam que não era verdade, mas acabavam por liberá-lo de qualquer maneira. Na quinta-feira, apareceu com olheiras debaixo dos olhos e fios de cabelos exageradamente bagunçados, e parecia não querer falar com ninguém.

Foi na sexta-feira que ele faltou mais uma vez, pois fora nesse dia que o diagnóstico de Liam saiu. Os pontos negativos, segundo Natalie, eram os mais complicados. O tumor do intestino tinha parcialmente sumido, mas uma boa parte dele ainda estava ali, escondido em um lugar que era muito complicado para ser retirado sem afetar a vida normal de Liam. Se os médicos retirassem o intestino por completo, Liam não iria mais poder comer quase nada, e andaria de cadeira de rodas para não forcar muito seu abdômen. Se não o retirassem, ele passaria por uma série de quimioterapias, mas sem nenhuma segurança de que esse método daria certo. Gregg e Stacey optaram pelas quimios. É claro que todos sofreriam junto com Liam por conta desta “fase” pela qual ele passaria. Connor foi o único que pareceu sofrer como Liam sofreria.

Não o vi e nem conversei com ele no sábado. Eu o passei em casa, com Riley, e Natalie também tinha dito que não tinha noticias e estava preocupada. No meu quarto, em certo momento da tarde, Ry, eu, e Nat nos inclinamos sobre a janela do meu quarto para espiar a cassa dos Jacobs. A janela do segundo andar, que costumava estar aberta, se encontrava fechada, com as cortinas cerradas. Na verdade, a única luz que vinha do interior da casa era a da cozinha, que indicava a presença de alguém por lá.

Foi naquela noite que recebi a mensagem de William. Natalie e eu tínhamos acabado de terminar o jantar, perto das 8. Assim que me sentei no sofá da sala, meu celular vibrou em minhas mãos, e o nome de William piscou duas vezes na tela. Engoli a seco antes de visualizá-la.

Fiquei sabendo do irmão de Connor, sinto muito por isso. Amo você. –Will

Passei os dedos pelas letras do teclado, mas não tive vontade ou coragem alguma de respondê-lo. Fiquei, na verdade, com certa raiva dele. Como ele pôde me mandar uma mensagem dessas depois de tudo pelo que passamos?! Ou melhor, depois de tudo pelo que Connor passou com ele?! Bloqueei o celular, e com um impulso um tanto estranho, me levantei do sofá e caminhei até a porta, ignorando os chamados de Natalie perguntando aonde eu iria.

Fechei a porta com um baque, e atravessei a rua com certa calma, ainda não conseguindo raciocinar o que eu fazia. Subi as escadas da varanda dos Jacobs’, e bati duas vezes na porta da casa. Alguns minutos depois, fui atendida, e imediatamente me senti pra baixo, e quis pedir desculpas e dizer que voltaria outra hora. A Sra.Jacobs parecia estar exausta. Tinha o coque, que a deixava parecida com a Tinker Bell, no topo da cabeça, só que dessa vez alguns fios escapavam e caíam sobre seu rosto. Ela tinha os olhos fundos como os de Connor na quinta-feira. Demorou alguns segundos para me reconhecer, e com isso, percebi que ela estava cochilando.

—Olá, querida. –Ela disse, com a voz cansada e cheia de dor.

Engoli a seco. Stacey sabia o porquê de eu estar ali. Não conseguiria negar em seus olhos verdes a preocupação que tinha sobre o filho.

—Ele... Está acordado? –Eu pergunto, puxando com as mãos as mangas compridas da minha blusa para baixo, depois cruzando os braços sobre o peito e me apoiando em uma das pernas, tentando não a encarar nos olhos.

A Sra.Jacobs sorriu triste, depois dando um passo a frente para encarar o céu estrelado com os olhos lacrimejando levemente.

—Ele quer ficar sozinho, querida. –Ela diz, como se Connor tivesse previsto minha vinda e avisado sua mãe para dizer essas exatas palavras quando eu chegasse.

Suspirei com um sorriso triste. Não sabia nem o que eu fazia ali àquela hora da noite num sábado, mas me senti como se não visse Connor há anos, e com isso, me senti um pouco aflita com sua situação. Ele não poderia ficar preso naquele quarto para sempre, não é?

—Por favor, diga a ele que eu estive aqui. –Franzo meus lábios quando digo a última palavra, quase falhando na pronúncia das sílabas.

Stacey deixou com que seu queixo se franzisse, e os lábios tremessem. Deixou com que as lágrimas que tanto escondia rolassem pelas bochechas até acharem seu caminho até o chão. Soltou um barulho com a boca que não consigo descrever, e então me abraçou com força, despejando sobre mim todo o cansaço que parecia ter em seu corpo.

—Ele te ama tanto. –Ela disse, em um sussurro. Apertei meus olhos com mais força ainda. Connor era meu melhor amigo. É claro que ele me amaria, assim como eu o amo. Dizendo no sentido literal, não imagino este ser um amor passional. Pelo menos não pela parte dele. Senti-me aquecida com as palavras de Stacey. Não estava com cabeça para distinguir o tipo de amor que Connor tinha por mim, mas me senti confortada do mesmo jeito. Pensei, sem querer, nele. Nos fios de cabelo cor-de-mel, que me faziam querer senti-los por entre meus dedos de uma forma quase que prazerosa. Pensei em seus olhos, verdes como as folhas de uma primavera florida, ou seu rosto, que sempre se encontrava levemente rosado, não importa a situação. Pensei, então, em suas poesias. Em suas metáforas, suas palavras tão intrigantes, que só me hipnotizavam a cada letra, a cada sílaba, sem fazer com que eu me entediasse. Pensei, por fim, o quanto eu pensava nele. O quanto ele, como um garoto qualquer, não saía de minha cabeça.

Nem por um instante.

—Eu também o amo — eu disse, por fim, com toda a certeza que consegui tirar do coração- muito.

><

No domingo, eu não o vi, mais uma vez. Quando o relógio marcava 10 da manhã, acordei com o barulho do carro preto dele saindo da garagem, indicando que ia a algum lugar, que imaginei ser o hospital. Conversei com Ashley naquela tarde, e ela me disse que Jason era um dos únicos que estava mantendo contato direto com Connor nos últimos dias, e que ele estava servindo como um tipo de professor particular para meu vizinho.

E mais uma vez, me peguei sentindo sua falta.

Não a falta física, ou visual, mas a falta emocional dele. Senti falta dos nossos “encontros” na Gordon’s, de nossas conversas sem sentido, que iam da Grécia antiga ao futuro da nossa geração. Senti falta das metáforas, dos poemas e de todos os assuntos os quais passávamos horas debatendo, nunca levando tais áreas ao tédio. Pensei novamente em ir até sua casa, tentar falar com ele pelo menos uma vez naquele fim de semana. Pensei em ligar, em mandar cartas ou até sinal de fumaça, só para saber que ele estava bem. E é claro, eu, com certa preocupação, torcia para que tudo, no fim, estivesse bem.

Passei a tarde toda no quarto, escrevendo a redação de Filosofia que teríamos que entregar amanhã. Ou pelo menos tentando escrevê-la. Em certos momentos, me pegava olhando para fora, mais precisamente para a garagem da casa dos Jacobs, esperando que Connor voltasse de onde quer que esteja. Peguei-me também desbloqueando o celular a cada cinco minutos, esperando que uma de suas mensagens aparecesse com um “beep” em minhas notificações. Mas isso, é claro, não aconteceu. Cheguei até a pedir à Natalie para mandar um SMS a Sra.Jacobs, perguntando sobre Liam, dizendo-a para mandar novidades. Ela chegou a digitar e até mesmo clicar no botão de enviar, mas a mensagem não fora respondida. Pelo menos, não esperei que fosse respondida naquela noite.

Depois do jantar, subi direto para meu quarto, não me sentindo muito bem e com uma dor de cabeça terrível. Tomei um banho rápido e gelado, coisa que fazia apenas nos casos de extremo cansaço, e coloquei meu pijama comprido sem pensar duas vezes, já me sentindo um tanto mais confortável. Quando saí do banheiro, a primeira coisa que avistei foi o livro O Morro dos Ventos Uivantes, que se encontrava, despercebidamente, sobre minha escrivaninha. Pretendia ter terminando-o há quase duas semanas, mas com todo o ocorrido com Liam, acabei estacionando minha leitura no último capítulo. Peguei-o na mão e folheei as últimas páginas, ainda assim não sentindo vontade de saber, enfim, o resultado do romance de Catherine e Heathcliff.

Quase dei um pulo para trás quando ouvi as três batidas fortes vindos do andar debaixo. Antes de descer as escadas, dei uma olhada pela janela, vendo que agora o carro preto cintilante de Connor estava na garagem. Deixei o livro onde tinha o encontrado e não hesitei em descer as escadas correndo. Não encontrei Natalie na sala, onde a TV estava ligada, o que me levou a deduzir que ela estava no banho. Abri a porta do Hall já sabendo quem encontraria e por isso não me preocupei em ajeitar os cabelos ou o pijama largo que tinha no corpo. Connor estava parado na varanda de minha casa, e o mais surpreendente, tinha um envelope cor-de-rosa na mão.

Ele estava péssimo. Parecia ter acabado de levantar da cama, por conta dos cabelos bagunçados e olhos um tanto inchados. Mas não parei, pela primeira vez, para avaliar sua aparência. Antes mesmo de ele se explicar, ou ao menos de me cumprimentar, pulei em seu pescoço, praticamente o derrubando para trás. E então, confirmei, mentalmente, que sentia sua falta mais que imaginava. Seus braços compridos me apertaram no meio das costas, e senti seu queixo se encaixar na curva do meu pescoço, me deixando levemente arrepiada.

Passamos exatos 16 segundo assim, em silêncio, apenas sentindo o toque leve de seus dedos em minhas costas e sua respiração tocar meu pescoço. Em outro momento, acharia a situação estranha, mas no caso, não me importei em apertá-lo como se ele fosse desaparecer. Quando, enfim, nos separamos, ele sorriu de lado, e Deus, como eu senti falta daquele sorriso. Estava começando a achar que eu agia estranho, ainda porque eu não via Connor há apenas alguns dias, mas nada negaria a falta que eu sentia daquele menino. Nem mesmo minha própria consciência.

—Posso entrar? –Ele disse, por fim. Eu, na minha confusão toda, apenas assenti, e abri espaço na porta para que ele entrasse, depois a fechando para a total escuridão da noite, que nem fez questão de pintar seu céu com as estrelas cintilantes.

Estrelas as quais não fariam diferença para mim, pois uma constelação inteira já se encontrava bem ali, na minha frente, sentada em meu sofá.

Notas finais
:3 Reviews, pode ser?