Just Another Summer Love

10 The Worst Night


Notas iniciais
Oii amorzinhoos! Calma, eu sei que demorei MUITO para postar esse capítulo, mas tenho certeza que nesses últimos dias minha criatividade foi dar uma passeadinha na China e só voltou agora (acontece). Já digo antes de lerem que não fiquei muito satisfeita com o resultado desse capítulo em específico, justamente por causa desse "bloqueio de criatividade," mas espero que gostem! Enfim, eu prometi um capítulo um pouco mais tenso, então não se esqueçam de segurar as rédeas e esperar por surpresinhas, ok? Boa leitura!

Minha primeira (e segunda) semana de aula foi uma porcaria. Depois do ocorrido com Connor naquela terça-feira, ele agiu como se nada houvesse acontecido. Pra ser sincera, achei um pouco idiota da parte dele, e até cheguei a ficar um tanto chateada pela sua atitude. Eu queria muito falar com ele sobre o ocorrido, e até mesmo me desculpar por Riley ter ligado àquela hora da tarde, mas parece que não aconteceria tão cedo. Depois de vê-lo assim, agindo como se nada acontecera, fiz o mesmo, apesar de não conseguir esconder alguns sinais de vergonha quando ficava perto demais do meu vizinho.

Será que ele nunca quis nada comigo? Será que ele tem alguém especial em Vancouver? Será que ele me achou um tanto ingênua por ter me aproximado demais? Nenhuma dessas perguntas foi respondida, pois ele literalmente ignorou tudo o que acontecera naquele dia, como se fosse apenas mais uma coisa para se esquecer com o passar dos dias. E isso me deixava, com certeza, um tanto chateada.

Além disso, William Oasley não apareceu na escola por duas semanas seguidas.

Depois do dia que o vi aos beijos com uma líder de torcida, ele simplesmente sumiu por um bom tempo, e o engraçado era que nenhum de seus colegas sabia o que acontecera com ele. Ao contrário de mim, que estava louca para descobrir o porquê de seu “desaparecimento” repentino, nenhum deles parecia realmente se importar com isso. Fiquei imaginando se ele teria viajado, ou saído “de férias”, como ele costumava chamar os dias que ele matava aula no barzinho da esquina do colégio.

Nessas duas primeiras semanas, Connor e eu nos esbarramos várias vezes na Gordon’s, às vezes parando para conversar, e às vezes para tomar um café. Ou melhor, um cappuccino açucarado. Algumas dessas vezes, eu ia até sua casa depois disso, e nós sentávamos na sala, apenas para conversar e, raras vezes, estudar um pouco. Liam também pareceu se interessar nos assuntos escolares quando estava por perto, e todas as vezes que eu citava alguma palavra complicada, ele vinha me perguntar o que significava, sempre querendo saber mais. Connor apenas ria da situação e o repreendia, com um sorriso brincalhão no rosto, mas eu não me importava em explicar ao menino o que eram cromossomos, raiz quadrada ou bicarbonato de sódio. Eu simplesmente gostava de ver o olhar de curiosidade estampado em seu rostinho angelical, e o de surpresa quando conseguia entender do que se tratava.

Em uma de minhas conversas com Connor, eu puxei o assunto de Vancouver, perguntando se sentia falta dos amigos de lá, e ele apenas me respondeu que sentia. Chegou a me contar de certo amigo dele, cujo nome era Tyler, e da namorada, Diana, me descrevendo algumas das coisas pelo quais passaram juntos, mas nada de “garota misteriosa”. Não que eu estivesse incomodada com aquilo ou interessada, é claro, afinal, éramos só bons amigos, mas a dúvida simplesmente não saía da minha cabeça por mais que eu quisesse. E afinal, todas as vezes que eu ameaçava tocar no assunto daquela terça-feira, ele simplesmente o desviava com rapidez, não ficando nem um pouco corado quando o fazia.

Nessa última semana, Tia Susan fora embora, no sábado. Tive de acordar cedo para levá-la ao aeroporto com Natalie, que praticamente a impediu de chamar um táxi. Antes de embarcar, ela prometeu voltar logo, pois tinha amado passar o tempo com a gente. Fiquei pensando como ela conseguia viver em uma casa sem companhia alguma, com apenas ela e o filhote de labrador, Spike, que contou que tinha comprado há apenas alguns meses. Acho que era por isso que nunca conseguiu estar em um relacionamento sério: falta de vida social, principalmente com seres humanos.

><

Era dia 24 de Agosto quando eu recebi sua ligação. Já passava das 11:30, e eu me encontrava dormindo. Quando ouvi o barulho alto do celular, e li o nome “Connor” na tela, não hesitei nem um pouco em atendê-lo, um pouco assustada com o barulho alto.

—Alô?- atendi com os olhos inchados pelo sono, mantendo minha voz baixa para não incomodar Natalie.

—Bela — Ele chamou. Sua voz estava embargada, cheia de desespero, quase engasgando a si próprio com soluços. — Por favor, desce aqui.

Meu coração começou a querer sair pela boca, só de pensar no que poderia ter acontecido com ele. Desci as escadas correndo, deixando meu celular em cima da cama, sem nem mesmo ter desligado. Meu pijama de manga longa amarelo e meu chinelo de dedo não me impediram de abrir a porta para a rua. E lá estava ele, parado na minha varanda, usando um moletom que parecia ser um tamanho maior do que ele costumava usar. Seus olhos estavam fundos, com olheiras enormes, e ele estava chorando. Eu nunca o tinha visto chorar, nessas ultimas semanas que passamos juntos. Nem mesmo uma lágrima. Era estranho, num momento como esses, o ver chorando de tal modo que ele não conseguia segurar os próprios soluços. Só de vê-lo assim, meu coração já batia mais forte.

—O que aconteceu?!- dei um passo em sua direção, e ele simplesmente começou a derramar lágrimas de novo. Suas mãos foram ao seu cabelo, todo desarrumado, puxando os próprios fios com os dedos, enquanto ele dava voltas em minha varanda, impaciente.

—Minha mãe mandou que eu ficasse aqui ate ela voltar e, — ele tentou se explicar, atropelando as palavras cada vez que ele soluçava. — Ah, meu Deus, que diabos eu vou fazer?!

—Connor, calma — Fui ao seu encontro, o segurando pelos ombros. — Uma palavra por vez.

Meu desespero interior parecia estar tão ativo quanto o dele, e minha cabeça parecia pesar meu próprio corpo. O loiro então se soltou de meus braços e entrou em minha casa com os punhos cerrados e passos firmes. Por um momento, eu quase cogitei a ideia de me beliscar para ter certeza de que não era um pesadelo.

—É o Liam. –Ele disse, adentrando meu Hall, não se importando em falar alto o suficiente para que Nat acordasse. –Ele estava sufocando enquanto dormia e eu... –ele deu mais alguns soluços e as lágrimas que escorriam pelo seu rosto começaram a descer com mais velocidade. –Eu ouvi gritos, e quando fui até o quarto dele... –Connor deu um suspiro longo e doloroso. – Bela, ele estava vomitando sangue.

Sangue. A palavra flutuava em minha cabeça, impedindo-me de perceber o que estava acontecendo, de fato. Impedia-me, sequer, de raciocinar toda a situação ou de ao menos processar todas as palavras que ele dissera. O que quer que tenha acontecido com o garoto, não podia ser nada bom. Naquele instante, tudo o que eu queria era que aquela noite não passasse de um pesadelo, e que na verdade, o irmão mais novo de Connor estivesse saudável e alegre, em algum lugar de sua casa brincando de super-homem. Em estado de completo choque, tudo o que conseguir fazer foi encarar Connor com olhos arregalados e boca semiaberta. Além de não conseguir pronunciar nem um “A”, eu não sabia o que dizer a ele depois de saber do que tudo aquilo se tratava. Não sabia nem o que dizer a mim mesma.

—Bela? ‘Tá tudo... –Natalie desceu as escadas de pijama comprido, coçando os olhos inchados.

Assim que viu Connor aos prantos, parado em nosso Hall de entrada, com os cabelos bagunçados e punhos cerrados, abriu os olhos em espanto e veio correndo em nossa direção, atravessando a cozinha como um jato.

—Connor, querido! O que aconteceu?! –Ela segurou o loiro em sua frente pelos ombros, o olhando de cima a baixo procurando algum ferimento, e quando não encontrou, o puxou para um abraço não tão apertado. Vi Connor apertar seus olhos enquanto, por instinto, levantava os braços para acolher Natalie.

—Meus pais acabaram de levar Liam para o hospital. –Ele disse, assim, tão simplesmente, como se não quisesse ou não se sentisse à vontade de mencionar detalhes a minha irmã como fez comigo. As lágrimas escorriam como um rio pelas suas bochechas, traçando um caminho até seu queixo e depois caindo até o chão, perdidamente. Os soluços começavam a cessar quando estava no conforto dos braços de Natalie. Connor parecia, aos meus olhos, estar se acalmando aos poucos, mas com aquele olhar desesperado no fundo de sua íris verde-escura. Seus lábios tremiam quase que despercebidamente, enquanto seu queixo se apoiava num dos ombros de minha irmã como se fosse o encaixe perfeito para sua clavícula.

Natalie abriu a boca para perguntar à Connor o que de fato tinha acontecido, mas assim que viu o olhar em meu rosto, rapidamente voltou a fechar sua boca, depois se afastando do corpo de meu vizinho com sutileza, ainda o segurando pelos ombros.

—Vou buscar um copo de água, tudo bem? –Ela disse, e ele apenas assentiu com cautela, engolindo o choro e fungando com certa tristeza.

Ainda em choque e com uma tremenda vontade de chorar, procurei sua mão direita, que balançava ao lado do corpo, e entrelacei nossos dedos. Sem realmente pensar no que estava fazendo, o puxei para minha sala, fazendo com que ele se sentasse no sofá e tentasse se acalmar um pouco. Connor colocou a cabeça por entre os joelhos, se soltando de minha mão e colocando os dois braços apoiados nas pernas, correndo seus dedos pela nuca e puxando alguns fios de cabelo enquanto suspirava, deixando as últimas lágrimas escorrerem por seu rosto, escondidas.

Ficamos ali, eu e ele, sentados na sala lado a lado por vários minutos, que sinceramente pareceram horas de sofrimento. Connor já tinha parado de chorar, mas estava encostado em meu sofá com o olhar muito distante dali, com o queixo erguido para o teto e os olhos fechados em exaustão. Mesmo ali, no completo silêncio do cômodo, eu não consegui processar corretamente todas as informações daquela noite, que vieram para mim assim tão de repente. Sua mão, em certo momento, deslizou para perto da minha, e ele voltou a entrelaçar nossos dedos depois de dar um longo suspiro. Segurei-me ao máximo para não chorar como uma condenada, ainda por cima na frente dele, ás vezes engolindo soluços e nós de garganta que ameaçavam subir até minha boca.

O telefone de casa tocou depois de quase vinte minutos, e Connor abriu os olhos em espanto, pondo-se de pé em poucos segundos. Natalie veio da cozinha com o aparelho em mãos e com os olhos com um pouco de olheiras, apontando que ela tinha chorado nesse meio tempo. Assim que percebeu do que se tratava a ligação, esticou a mão para nós em sinal de espera e voltou para a cozinha, falando baixo para que nenhum de nós ouvisse a conversa. Aproveitei o momento para me levantar e me colocar ao lado de Connor, tocando em seu braço com gentileza.

—Ele vai ficar bem. –Eu disse, com certeza. Os olhos dele, que certa vez foram muitos curiosos, agora pareciam melancólicos como nunca foram. Recaíram sobre mim com certa compaixão, e um leve sorriso se formou em seus lábios trêmulos.

—Obrigado. –Ele disse. Apesar de não ter entendido muito bem o porquê do agradecimento, eu forcei um sorriso fraco como resposta.

Natalie então veio até nós mais uma vez, com o telefone em mãos e uma lágrima presa no canto exterior de seu olho esquerdo. No mesmo instante, meu maxilar ficou mais tenso e o nó na garganta voltou a se formar. A pior das notícias começou a se formular em minha cabeça, como uma manchete de jornal. Ela esticou o aparelho para Connor, que praticamente o arrancou das mãos de Natalie e pronunciou um “alô” alto e trêmulo. Ele seguiu para a cozinha com passos largos, assim como Nat tinha feito, para falar com quem quer que tenha ligado, particularmente.

—Os médicos detectaram um nódulo no intestino. –Minha irmã explicou em um murmúrio, assim que Connor deixou a sala. – Eles... –ela puxou o ar com força, e sua boca se curvou em um “U” contrário, em sinal de choro. – Eles acham que é um tumor.

Fechei meus olhos imediatamente. Isso não podia ser real, podia? Um menino de 8 anos com câncer no intestino não me parecia muito verdadeiro, e nem muito esperançoso. Só de imaginar o garoto que eu costumava apelidar de “mini-Connor” com um tumor em seu corpo pequenininho, um arrepio subia pela minha espinha. Ali, na frente de Natalie e com os olhos fechados, eu só conseguia pensar em tragédia, e em como Connor estaria se sentindo. Dessa vez, não contive em deixar lágrimas teimosas escaparem e rolarem pelo meu rosto. Senti os braços de Natalie me envolver em um abraço forte, e suas lágrimas encharcarem meu pijama.

Ficamos abraçadas por poucos minutos, quando ouvimos os passos de Connor na cozinha e nos separamos imediatamente, limpando as lágrimas com as costas da mão. Ele se aproximou com o rosto molhado novamente, e uma expressão de angústia nos olhos. Entregou o telefone para Natalie e levou uma das mãos ao rosto, afastando algumas das lágrimas que restaram no canto dos olhos.

—Minha mãe pediu para que eu ficasse aqui essa noite. –Ele conseguiu dizer sem soluçar.

Sem mais nada a dizer, assenti a cabeça e atravessei a cozinha, sendo seguida por ele ao subir as escadas em silêncio. Natalie veio atrás de nós, e quando acendi a luz do quarto, ele abriu a boca ao ver minha cama bagunçada.

—Bela... –ele iniciou, com voz de protesto.

—Não... –eu o interrompi. –Só aceite.

Ele assentiu em silêncio.

—Está ótimo, obrigado. –respondeu.

Antes de deixar o quarto, fui até minha cama e peguei meu celular que eu havia deixado ali mais cedo, depois me virando para Connor, que tomou a liberdade de se sentar em meu colchão e suspirar, cansado. Mesmo sabendo que Natalie nos observava, e que Connor parecia querer deitar em minha cama e nunca mais acordar, me posicionei em frente a ele, colocando as duas mãos em seus ombros e me inclinando para depositar um beijo longo em sua testa.

—Tente descansar. –sussurrei, ao me afastar, não tendo a coragem de dar uma rápida olhada em seu rosto antes de ir em direção à porta. Antes de sair para o corredor, Natalie apagou a luz, suspirando com força ao puxar a maçaneta da porta de madeira escura.

—Se precisar, é só me chamar, querido.

E com isso, ela encostou a porta do quarto e nós duas adentramos o quarto ao lado, de Natalie, deitando lado a lado em sua cama de casal, que antes pertenceram aos meus pais. Sussurrei um “boa noite” não muito convincente para Nat antes de me virar de costas, ainda com aquele nó preso em minha garganta.

Adormeci depois de horas, ouvindo, do outro lado da parede, o choro desesperado de Connor Jacobs.

><

Acordei, mais uma vez, com o celular tocando. Percebi a luz vinda da janela do quarto, e a ausência de Natalie na cama, e com isso deduzi que já era manhã há um bom tempo. Peguei o aparelho, que marcava 10 da manhã, e li o nome de Connor piscando sem parar. Novamente, atendi de imediato.

—Oi?! –falei já me levantando da cama e descendo as escadas para ver se encontrava Natalie. Era domingo, e com isso deduzi que ela estaria na cozinha fazendo café, então fui direto para lá.

—Bela. –Connor disse. Sua voz parecia extremamente cansada, e com isso soou mais rouca que o normal. –Desculpe se te acordei, mas foi a primeira pessoa que pensei em ligar.

Suspirei comigo mesma, aliviada ao saber que Natalie estava em casa, sentada na mesa da cozinha comendo seu iogurte com um olhar distante.

—‘Tá tudo bem?! –perguntei, sinalizando para minha irmã que era Connor que estava na linha. Ela assentiu e se levantou, vindo até mim para tentar ouvir o que dizíamos.

Ouvi um suspiro pesado do outro lado.

—Eu preferia conversar com você pessoalmente, pode ser? –ele disse. E só com isso, já percebi que a coisa não era boa de jeito algum.

—Onde você está? –perguntei, fazendo mais um sinal para Nat, antes de voltar a subir as escadas para trocar de roupa.

—No hospital. Sua irmã me trouxe aqui há algumas horas. –Respondeu. –Acho que vou pra casa tomar um banho... Você pode vir me pegar?

—Claro, passo aí em 15 minutos.

—Obrigado. –ele disse, e com isso, eu encerrei a ligação, me vestindo em menos de minutos e descendo as escadas novamente para ir ao encontro do meu melhor amigo.

Notas finais
Deixei vocês surpresos? Bravos? Nervosos? Por favor, não me abandonem por isso! Me deixem saber o que acharam, de qualquer maneira, ok? P.S: pode ser que eu demore um pouco pra postar o próximo capítulo, mas prometo não demorar muito! Beijinhoos!