Just Another Summer Love
8 Maplewood Highschool
Notas iniciais
Não me lembro do horário em que acordei na segunda-feira. Era cedo. Tão cedo que tive que ficar um bom tempo sentada no sofá da sala, esperando dar a hora de sair. Por mais que acordar mais cedo que o normal, em meu primeiro dia de aula pós-férias, me deixasse de mau-humor, o fato de que as aulas finalmente voltariam me deixou estranhamente ansiosa.
Entrei no carro quando o relógio marcava 7:30, e antes de girar a chave na ignição, abri o porta-luvas e tirei de lá a pasta de CD’s que Natalie tinha deixado ali há alguns dias. Puxei meu CD favorito de Michael Bublé, e aumentei o volume até que eu não pudesse mais ouvir o barulho lá fora. E só então fui pisar no acelerador.
Assim que estacionei em uma das vagas em frente á Mapplewood High School, me dei conta do quanto eu odiava aquele lugar. Na escadaria de entrada, um grupo de meninas usando minissaia apontava para duas irmãs gêmeas, Georgia e Annie, que seguravam livros grossos de matemática aplicada e geometria e caminhavam de cabeça baixa e mãos perto do corpo. Mais para frente, o time todo dos Riders estavam sentados nos corrimões, assoviando para todas as meninas que passavam por lá, enquanto um deles flertava com uma das garotas de minissaia. E dentre os jogadores, o único que percebi não estar ali, era Will.
Saí do carro assim que avistei Riley descendo da camionete de Peter. Fui até os dois com uma cara um pouco emburrada, e recebi a risada de Peter como resposta á isso.
—Acordou de mau-humor, Bela Adormecida?- ele passou um braço pelo ombro de Ry, puxando-a para si.
—Acordei Peter. Já estou avisando para não me irritarem. — eu respondi, mesmo que meu sorriso simples dissesse o contrário.
Ele apenas riu mais uma vez, acompanhado por Riley.
Nós três atravessamos o estacionamento, ás vezes cumprimentando alguém ou parando para esperar Peter cumprimentar os colegas de time. Quando passamos pela escadaria, Fred, um dos jogadores do Riders, se colocou em minha frente, impedindo á mim e á RIley e Peter de passar. Revirei os olhos em resposta.
—O que foi agora? –perguntei, colocando as mãos na cintura. Eu realmente não estava com paciência para flertes ou coisas do tipo.
—Ei, relaxa, chuchuzinho, – o moreno sorriu, levantando as mãos em sinal de inocência- só quero dizer que fiquei sabendo da surra que seu vizinho deu no nosso Quarterback.
Fiz cara de desinteressada, mesmo que no fundo mesmo, eu estava com um “Bem Feito” pronto para ser solto.
—É bom ficar de olho nele, Bela — Fred foi saindo da frente, com um sorriso de lado estampado no rosto.- Você não ia querer que ele se machucasse, não é?
Engoli em seco.
—Tá, que seja Fred. –Respondi, fingindo não estar preocupada, e entrando pelas portas principais do colégio.
—EI! Como assim uma surra em William Oasley?! –Ry pegou meu braço, rindo. Acho que eu tinha me esquecido de contar á ela sobre o incidente.
—Ah — balancei a cabeça com um sorriso simples. — Eu te conto mais tarde.
Passamos pelo corredor cheio de alunos, e acabamos por encontrar Jason e Ashley na entrada da sala de aula, nos esperando. Entramos todos juntos, e optamos por sentar no fundo da sala, já que tínhamos a primeira aula de Filosofia na mesma sala. No quadro, a frase da escola estava escrita em giz branco: “Respeito por si mesmo, respeito pelos outros e a coragem de tomar responsabilidades”. Revirei os olhos por nunca ter entendido o porquê dessa frase de moral.
Observei uma média boa de alunos novos adentrarem a sala, e sentarem nas primeiras carteiras, todos segurando uma lista das aulas na mão. Porém, nada de Connor ou William. Fiquei imaginando se os dois estavam tendo aula na mesma sala, e me lembrei da ameaça de Fred sobre meu vizinho. Engoli a seco mais uma vez.
—Bela. –Riley chamou em um sussurro, cutucando meu ombro. Virei-me para trás em um pulo.
—Sim?
—Você tá legal? –Ela perguntou, ainda sussurrando. Voltei a olhar para frente e percebi que o professor Phillip já estava na sala, conversando com os alunos novos. A frase do quadro já tinha sido apagada e substituída por uma letra cursiva muito bonita: Professor Phillip. Dei uma rápida olhada no relógio pendurado em cima da lousa e percebi que se passaram 10 minutos desde que eu entrei na sala.
—Estou... Estou sim. –Respondi para Riley, depois apoiando o queixo em uma das mãos e esperando que a aula acabasse logo.
><
Assim que o sinal bateu, esperei Ry no corredor, para irmos juntas á sala de História. Ela me perguntou o que eu tinha, por estar tão distraída justo no primeiro dia de aula-pós-férias, e eu não soube responder. Talvez fosse apenas o mau-humor por acordar cedo.
Não vi Connor em nenhuma das aulas seguintes, talvez por que ele tinha um horário diferente do meu, ou estava em outra sala. Porém, na última aula de Biologia, eu vi William. Eu havia me sentado na primeira mesa, junto com Ashley, e ele se sentara na última. Não contive alguns olhares que eu dei para trás, os quais me ajudaram a perceber que ele me encarava com certa raiva. Ash ficou me repreendendo a aula toda, me dizendo para não ficar o encarando, e eu obedeci ao máximo que pude, tentando focar na explicação do professor Ryans sobre células e coisas que eu já sabia.
Quando o sinal bateu, e o relógio marcou 12:45, fiquei mais um pouco depois que Ashley saiu com pressa, me avisando que precisava falar com Jason. Aproveitei para falar com o professor sobre a aula, a qual eu não prestei muita atenção. Na verdade fora mais uma enrolação que um questionário. Quando não tinha mais ninguém na sala, me direcionei para fora, sendo barrada por William no momento que pisei no corredor. Dei um suspiro alto. Era justamente ele que eu estava tentando evitar.
—Aonde pensa que vai?- ele perguntou, rindo, mas no momento eu é quem quis rir. No nariz dele, bem no meio, uma fita branca estava colada sobre um corte, que imaginei ser obra de Connor. Ele parecia uma daquelas meninas que fez plástica no nariz e tinha que usar aquilo para mantê-lo no lugar. Segurei a risada e tentei o encarar com naturalidade.
—Não vai começar isso de novo, vai? –Cruzei meus braços sobre o peito, antes colocando a mochila nas costas e abrindo espaço pelos braços dele, andando calmamente pelo corredor. Por dentro eu estava mesmo com certo receio de chegar mais perto dele.
—Eu só vim te avisar sobre uma coisa. –Ele continuou, caminhando ao meu lado e olhando para trás, como se quisesse ter certeza que ninguém nos ouvia. Ele sabia, assim como eu, que não podia tentar nada comigo dentro da escola, ou seria punido. –Eu acho bom você ter cuidado com esse seu novo namoradinho, ouviu?
Engoli a seco pela terceira vez no dia e tentei o ignorar.
—Connor Jacobs... Até o nome dele me deixa com raiva. –Will continuou, sorrindo de lado e enfiando as mãos nos bolsos da jeans. Um leve arrepio percorreu meu braço quando percebi que ele sabia o nome (e sobrenome) do meu vizinho. –Tive aula de Álgebra com ele hoje... Ele é um baita Nerd, sabia? As gêmeas gamaram nele, e quase pediram pra ele resolver um exercício para elas...
Respirei fundo enquanto guardava minhas coisas no armário, e tentei não o encarar nos olhos.
—Por que não vai caçar outra, hein, William?- eu disse. Meu ex-namorado apenas se encostou ao armário ao lado e esperou que eu trancasse o meu, indicando que não sairia da minha cola por um tempinho.
—Eu não usaria a palavra “caçar”. –ele riu.
Revirei os olhos e voltei a andar pelo corredor em direção á saída, dessa vez com passos mais rápidos. Will me acompanhou até os degraus da escada, depois segurando meu braço e me fazendo ficar de frente para ele.
—Não pense que terminamos aqui, tá legal? Ainda temos que conversar sobre nós dois. –Disse, com firmeza, depois soltando meu braço e sorrindo de lado, fingindo normalidade perto dos alunos que nos circundavam.
—Tchau, William. –eu disse, voltando a descer os degraus. Parei no penúltimo e me virei para trás, lembrando-me de uma coisa. –Ah, e mais uma coisa, -apontei para meu próprio nariz- cuidado para não sair do lugar.
Fiquei dois segundos ali, apenas para ver sua cara de raiva, ver seus punhos se fecharem e ele se segurar para não vir atrás de mim. As pessoas que nos ouviam ali deram uma risada escondida do meu comentário, e só então me virei para ir em direção ao estacionamento.
Fui até meu carro, que estava estacionado ao lado do de Jason, e parei ali por alguns minutos quando avistei Connor. Os dois estavam conversando, encostados no capô do carro prata de Jay, sorrindo descontraídos.
—Ah, oi Bela. –Jason cumprimentou quando me viu. Abri meu próprio carro, joguei minha mochila lá dentro, e depois voltei a encarar os dois, franzindo a testa por conta do sol forte.
—Oi, meninos. –Cumprimentei de volta, colocando as mãos no bolso de trás da minha calça jeans e pousando meus olhos em Connor. — Como foi o primeiro dia de aula?
Ele sorriu para mim.
—Apesar de eu ter me confundido um pouco com relação ás salas de aula, acho que foi tudo bem.
Eu sorri de volta, sem saber o que responder.
—Você se acostuma. –eu disse. Voltei a olhar para Jason. –Ashley falou com você?
Ele afirmou com a cabeça.
—Ela disse que ia querer carona. Estou esperando ela voltar do banheiro.
—Ah, tá. –respondi.
Jason riu para mim, como se lembrasse de alguma coisa que queria me dizer.
—Ah, Bela, eu estava tentando convencer Connor á entrar para o time de Futebol, o que acha?
—Eu já te disse que eu não sou muito de esportes, cara. –Connor riu, levantando as sobrancelhas. – E também, eu não vou entrar no time faltando cinco meses para o fim do ano.
—Não é de esportes? Cara olha só pra você! –Jason disse se desencostando do carro e dando um soco de brincadeira no ombro do meu vizinho.
Sorri comigo mesma. Connor não era de se largar nesse caso, não. O corpo dele era praticamente tão forte quanto o de Jason. Os dois, na verdade, eram muito parecidos em questão de estética. Altos, relativamente fortes e de aparência saudável. Além de serem bem atraentes.
—Tá legal, tá legal, chega de papo de futebol. –eu disse, antes que meu rosto começasse a queimar. –Eu já vou indo, Connor, vai querer uma carona pra casa?
—Não precisa. Meu carro está logo ali, e preciso passar pegar meu irmão daqui a pouco. –Ele apontou rapidamente para seu carro, o qual percebi estar estacionado um pouco mais á frente do meu.
—Tudo bem. –Eu disse, meio sem graça. –A gente se vê.
—Até mais. –Ele disse.
Virei-me para Jason logo depois de puxar a chave do carro do bolso e aproveitei para cumprimenta-lo. Depois, dei a volta no carro e sentei-me no banco do motorista, girando a chave na ignição rapidamente. Dei uma última olhada para fora, vendo que Connor olhava de canto de olho para mim, e quando percebeu meu olhar, abaixou a cabeça em um movimento não tão sutil. Sorri comigo mesma antes de dar ré e sair do estacionamento já de bom-humor.
><
Natalie estava cozinhando frango. Tive certeza no momento em que abri a porta de casa. O cheiro estava tão bom, que eu me lembrei das inúmeras vezes que ela fizera o frango de panela, e dos dias que ela passou aprendendo a receita com a mamãe. Eu apostava que ela seria cozinheira, por aprender a cozinhar tão nova, mas ela se contentava com a área empresarial.
—O cheiro está bom. –Falei, passando direto pela cozinha e recebendo um sorriso de Nat em resposta. Subi as escadas o mais rápido que pude e larguei minha mochila na cama, depois voltando para a cozinha e sentando-me à mesa.
—Como foi o primeiro dia de aula? –Ela perguntou, colocando um prato limpo em minha frente.
—Já estou de saco cheio, e ainda faltam cinco meses pra acabar essa rotina chata. –Eu disse, rindo.
Natalie sorriu e se sentou comigo, servindo-se do frango. Conversamos um pouco sobre a escola, depois mudando de assunto e falando do trabalho dela, até terminarmos a refeição. No momento em que Nat levou os pratos para a pia, ouvi duas batidas fortes na porta e corri para abrir.
—Ah é! –Natalie exclamou da cozinha, quando cheguei ao Hall e pus a mão na maçaneta. –Eu me esqueci de te avisar que...
—Tia Susan!!! –Exclamei, pulando nos braços da mulher á minha porta como uma criança com saudades da mãe.
—Oi, querida!- ela disse, com uma voz doce.
A puxei para dentro e a ajudei a carregar suas malas até a sala. Nós no sentamos no sofá, e naquele momento eu soube que não sairia de lá por algumas horas. Eu e aquela mulher tínhamos muito o que conversar.
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