Just Another Summer Love
4 Good things, when short, are twice as good
Notas iniciais
Connor demorou exatamente 2 minutos para atender a porta. Foi rápido, considerando o tempo em que fiquei parada na varanda dos Jacobs pensando em bater ou não. A porta se abriu para um Connor relaxado. Usava a mesma camisa de hoje cedo, e as mesmas jeans, mas tinha o cabelo bagunçado e a cara amassada. Olhei rapidamente em meu relógio de pulso que eu não me lembrava de ter colocado. Será que eu vim muito cedo?
—Ah, Oi, vizinha. — Ele disse, se se encostando ao batente da porta e sorrindo tranquilamente, de um jeito desajeitado. Perguntei-me se ele estaria cochilando no momento em que bati.
—Oi de novo. — Respondi com outro sorriso.
—Quer entrar? — Ele ofereceu espaço na porta, vendo que demorei a me explicar.
—Não! — Falei, um pouco alto demais.- Quer dizer... Eu vim só te chamar pra uma festa...
—Festa? Isso é sério? — Ele soltou uma risada pelo nariz que soou sexy.
—Minha amiga Riley vai dar uma festa hoje e pediu para que eu chamasse você... — Passei a mão no cabelo, um pouco nervosa demais por estar tecnicamente chamando um menino pra sair, e isso parecer um tanto estranho. — Sabe como é... é o povo da escola e tudo mais... Talvez fosse bom pra você se enturmar.
—Ah sim... — Ele suspirou, franzindo a testa. -Verei se consigo ir... — Passou a mão no topete loiro, que parecia ainda mais dourado á luz do sol.
Por um milésimo de segundo, eu encontrei seu olhar. Foi como se tudo dentro de mim acordasse do nada. Foi como se uma faísca de fogos de artifício tivesse dado início á um incêndio naquela situação, e me dissesse: “Alôô, Isabela, diga alguma coisa!”
—Tudo bem — respondi com um sorriso- Se resolver ir, eu te passo o endereço por mensagem.
Connor sorriu de lado.
—Tá legal então. — respondeu.
Olhei por um segundo para meus próprios pés, em seguida voltando meu olhar para o loiro á minha frente.
—Então... acho que te vejo mais tarde...- Falei meio enrolado. Demoraria um pouco para eu me acostumar a falar normalmente com Connor, ainda mais por cima de todo esse mal-entendido que andou rolando entre a gente.
—Te vejo mais tarde. — Ele repetiu, enquanto eu me virava para atravessar a rua de volta para casa. Antes de pisar no meio fio, eu olhei para trás. Talvez porque eu estivesse esperando ele me chamar de volta, ou por simples desencargo de consciência, para me certificar que ele ainda estava ali na batente, observando. Mas a porta já se encontrava fechada, e um vento gelado subitamente bateu em meus ouvidos, como se tivesse me acordado de um transe qualquer, que eu sabia que viria a ser um problema mais tarde.
><
Com a minha mania de pontualidade, quando o relógio marcava 7:45, eu já me encontrava pronta.
Eu encarava meu próprio reflexo no espelho do quarto. Uma saia azul combinava com minha blusa branca de mangas de renda e minha sapatilha marrom clara. Nada que eu não tenha me acostumado a usar em festas de amigos. Assim que terminei de escovar meus cabelos, peguei meu celular do carregador, checando 4 vezes a caixa de mensagens perto da letra "C". Eu não estava nervosa. Nem um pouco. A Festa seria legal, com ou sem Connor, certo? Meu inconsciente dizia que não. Ele me cutucava por dentro, quase que me beliscando, fazendo com que eu criasse uma caixa de diálogos, digitando rapidamente o endereço da casa de Ry e enviando assim que o ponto final foi inserido, enfiando o celular no bolso dianteiro da saia. Forcei-me a respirar fundo e repetir a mim mesma que isso não era nada estranho e completamente inofensivo.
O relógio já marcava 8 em ponto quando entrei no carro, que ainda cheirava a novo. Natalie me levou à casa da Riley em silêncio, apenas ouvindo a música do rádio baixinha, como sempre fazíamos em finais de semana que íamos ao shopping ou á sorveteria.
—Me ligue quando for pra buscar, vou estar na casa de um amigo. — Ela disse, assim que eu saí do carro para a imensa mansão da minha melhor amiga.
As duas colunas de mármore que escoltavam a porta de madeira estavam enfeitadas com balões cor-de-rosa e lilás, cores preferidas de Riley. As luzes de jardim estavam acesas, e as portas do Hall abertas, com um som alto saindo por todos os cantos da casa e se dissipando pelo ar como uma lembrança distante.
Entrei pelas portas de madeira, adentrando o Hall, que eu já visitara inúmeras vezes. Um piano de calda branco se encontrava perto da escadaria de mármore em espiral, que dava para o segundo andar da casa. Um lustre de cristais finos estava pendurado no meio do lugar, refletindo luz amarela pelo salão pequeno. Duas mesas de doces e bebidas se encontravam ao lado do piano, e algumas pessoas se serviam. A porta que dava para o jardim dos fundos também estava aberta, e era dali que o som vinha. Passei por elas, dando de cara com uma galera da minha escola que eu não fazia ideia de quem eram. Ou ao menos não me lembrava de quem eram. O lugar estava realmente cheio, e ocupava toda a área em volta da piscina gigante, até a churrasqueira e os bancos de madeira do jardim da mãe de Ry.
—Bela! — Ouvi meu nome ser chamado do outro lado da piscina. Vinha de Ashley, uma das meninas mais simpáticas que conheci na vida. Ela era da minha altura, de uma aparência delicada e angelical. Seu cabelo loiro claro era cortado em um corte chanel repicado que combinava com as bochechas rosadas dela. Dei a volta na piscina para cumprimenta-la.
—Oi Ash! — Eu disse a abraçando, com saudades.
—Como estão as férias? — Ela perguntou. O som da música eletrônica se encontrava alto o suficiente para que eu ainda conseguisse ouvir o que ela dizia, talvez tendo que respondê-la com a voz um pouco mais elevada.
—Uma porcaria. — Respondi- Sabe como eu odeio essa época do ano.
Ela sorriu em seu batom rosa-claro, deixando a mostra suas covinhas não tão profundas.
—Saudades da escola?
—Nem um pouco. — Ela sorriu com o meu comentário- Quero mesmo ficar em casa e dormir pelo resto da minha vida.
—Nem me fale... — Ela revirou os olhos, pegando meu pulso e me puxando até a murada de cimento que separava um jardim de flores da área da piscina, e sentando-se ao meu lado. — Minha irmã me convenceu a fazer o teste para líder de torcida na UoT.
—Jura?
—Aham.- Ela balançou a cabeça.- Chega a ser empolgante, se não existissem esses treinos patéticos nas férias... Quer dizer, férias são para descansar, certo?
—Vai desistir antes mesmo dos testes? — Eu ri.
Ela mostrou a língua em um gesto infantil.
—Sabe que eu não desisto das coisas assim tão facilmente.
—Desistir? Ashley desiste fácil até demais... — Uma terceira voz entrou na conversa. Jason se sentou ao meu lado na mureta, passando o braço pelo meu ombro e depositando um beijo em minha bochecha. — Oi pra vocês, meninas. — Ele disse, sorrindo abertamente, com seus dentes brancos completamente alinhados em um brilho sedutor.
Ashley pigarreou.
— Ninguém pediu sua opinião na minha facilidade com as coisas, Jason. — Ela sorriu, nervosa e ironicamente.
Desde a terceira série, Ashley era apaixonada por Jason. Éramos um quarteto de amigos, contando Riley, eu, Ashley e Jason. Peter ainda não tinha entrado na escola, o que fazia de Jay o único menino do grupo. Eu sempre o achei lindo. Alto, de olhos claros, cabelos loiros em topete, feições fortes e um corpo excepcional. Foram sua simpatia e seu jeito bobo de amigo que me conquistaram a amizade. Jason agora fazia parte do time de futebol americano, juntamente com Peter. Ele não tinha namorada, e nunca teve. Os boatos que rolavam pela escola eram de que a menina mais sortuda que Jason já teve um caso era Fleur Budapest, a líder do grupo das líderes de torcida do Ensino Médio. Dizem que esse seu “caso” com Jason foi o que bateu o recorde dele, com 3 semanas e dois dias de "rolo".
Ashley quase ficou com ele uma vez. Foi na festa do time de Futebol, na casa de Peter, quando os Lakers venceram os Riders na final do campeonato escolar. Lembro-me que os dois foram para cima da casa na árvore e se sentaram ali, com os pés balançando entre as cercas de madeira. Eles ficaram mais de meia hora lá em cima, mas Ashley jurou que não aconteceu nada demais.
Eu ainda apostava no casal surfista bonitão e bonequinha loira até o final do ano.
—Relaxa Ashley — Jason respondeu rindo, se levantando para ir se sentar ao lado dela. — Aposto que você passa nesse teste fácil, fácil.
Ela revirou os olhos.
—Vai se jogar na piscina, vai Jason. Você está atrapalhando nosso papo de menina.
Ele deu um beijo na bochecha rosada dela e riu.
—Só por ter me irritado, vou buscar sua bebida favorita. — Ele se levantou e foi até o hall de entrada, sumindo entre os alunos dali.
—Droga de vida. — Ashley se voltou para mim, apoiando o queixo nas mãos.
Dei uma risada fraca, que mais pareceu uma arfada.
—Confesso que ele tá bem bonitinho hoje. — Falei, recebendo um tapa de leve dela no braço.
—Só você e a Ry sabem disso, então SHHHH.- Ela colocou um dedo em frente a boca.
—Eu já te disse pra falar com ele, Ash.- eu sorri, honestamente.
Ela bufou.
—É complicado...
Por alguns segundos, ela ficou em silêncio, e eu aproveitei para dar uma olhada em volta e talvez encontrar alguém conhecido.
O que de fato aconteceu foi que meus olhos pairaram nas portas que davam para o Hall. Pairaram, mais especificamente, num menino loiro de olhos claros, que vestia uma camisa preta arregaçada até os cotovelos e uma calça jeans azul bic, impossível de não se reparar de longe. Aquele topete e aquele olhar curioso só podiam ser de uma pessoa.
—Ashley, eu já volto. — Eu disse, me levantando rapidamente e abrindo caminho entre as pessoas até chegar às portas do salão.
E lá estava ele, checando o celular com a mão esquerda e com a direita no bolso da jeans. Como sempre, ele parecia um modelo de revista, mesmo sem querer.
—Olha só quem resolveu aparecer. — Eu disse. Connor então levantou o olhar e abriu um sorriso largo.
—Achei que tinha errado o endereço. E não sou tão antissocial assim. — Ele disse, se aproximando de mim depois que colocou o celular de volta no bolso. — Gostei da roupa. -Apontou para minha saia e ergueu uma sobrancelha.
Olhei para sua calça azul escura, quase que do mesmo tom de minha saia, e dei uma risadinha com sua ironia.
—Acho que combinamos.
Ele baixou o olhar rindo, em seguida dando um giro lento de 360 graus como se estivesse exibindo seu estilo.
—Muito antiquado?
Torci o nariz em um meio-sorriso.
—Um pouco.
Ele umedeceu os lábios rapidamente.
Então nossos olhos se encontraram mais uma vez, como se houvesse um imã entre os dois que não me deixava desviar o olhar. Ele piscou algumas vezes, talvez se sentindo desconfortável, e por um segundo eu consegui desviar meus olhos para baixo, ainda brigando com aquela obrigação oculta de ter que levantar a cabeça.
—Então... -Suspirei. — Quer conhecer o pessoal?
Connor levantou uma de suas sobrancelhas e sorriu de lado, um pouco tímido.
—Seria legal.
E então eu o guiei pela mão por entre pessoas desconhecidas, que dançavam com copos coloridos em suas mãos, trombando em tudo o que tinham direito. Quando encontrei Ashley, ainda sentada na mureta da piscina (acompanhada por Jason), Riley e Peter também estavam ali, de mãos dadas, olhando um para o outro com sorrisos fofos no rosto.
-Ah!- Riley suspirou quando me viu. — Oi Bela, não vi você chegar.
Desviei o olhar para Connor rapidamente, e depois para Riley.
—Ahn... Gente, esse é o Connor, meu novo vizinho.- Ele levantou o braço e fez um "olá" que pareceu um pouco brega.- Connor esses são Peter, Jason, Riley e Ashley.
Ele fez questão de cumprimentar cada um devidamente, dando um beijo gentil na bochecha de Ash e Ry.
—Você não é daqui, né? — Jason perguntou, assim que eles trocaram um aperto de mãos.
—Na verdade me mudei de Vancouver há bem pouco tempo. — Connor respondeu, com as mãos agora no bolso da jeans.
—Ah sim... — Jay suspirou. — Vai entrar na escola no fim do mês?
—Se tudo der certo, sim. — Aquele sorriso de lado ousou aparecer mais uma vez. Como se fosse de propósito, ele deu uma rápida desviada de olhar para mim e depois voltou a falar com Jason sobre Futebol e outras coisas pelas quais eu não me interessava muito.
Foi nesse exato momento no qual eu senti uma mão em meu ombro, e aquela voz grossa, que eu conhecia muito bem, e que jurei nunca mais querer ouvir na minha vida, chamou do meu ouvido com um sussurro tentador:
—Oi, Bela.
E quando eu me virei, dei sorte que Riley estava atrás para me segurar caso caísse, pois eu juro que estava prestes a desmaiar quando vi seu rosto pela primeira vez em meses.
—William?
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