Just Another Summer Love
5 Honest people don't hide their deeds
Notas iniciais
O menino de olhos escuros, com cabelos castanhos em topete sorriu. Sorriu como um idiota, um sorriso nada parecido com aquele que me conquistou uma vez.
—Oi. — Ele disse como se achasse graça naquilo tudo.
Senti minhas pernas virarem gelatina e fechei meus punhos de raiva.
—O que você está fazendo aqui? — Foi a vez de Riley perguntar, com a voz alta e em bom som. Dei graças a Deus mais uma vez por ela estar ali comigo.
Ele a ignorou, e apenas fixou seus olhos tentadores em mim, como um leão olha para sua presa.
—Precisamos conversar. — Disse com firmeza, com a voz carregada de certeza.
—Não, não precisamos. — Respondi quase que imediatamente, dando um passo atrás, tendo certeza de que todos estavam observando o que acontecia.
—Bela... – Ele fez uma voz manhosa, enticando o braço e me segurando pelo pulso, o fechando com força. O puxei de volta, quase que em vão, e o empurrei com a outra mão.
—Me solta, William!
—EI! — Jason colocou a mão no ombro do moreno, que insistiu em avançar sobre mim. — Você não quer fazer isso, cara.
Então William riu baixo. Ele olhou em sua volta, vendo o público que tinha atraído, e depois soltou meu pulso com raiva, ajeitando o próprio cabelo como se importasse muito naquela hora.
—Não terminamos aqui, tá legal? — Ele apontou para mim com o indicador e olhou de relance para Jason, quase que o fuzilando com o olhar.
Suas sobrancelhas subiram e ele cerrou os lábios, fechando os punhos e indo em direção á saída, trombando em todos que estavam pela frente.
Minha mão foi diretamente para o pulso, que agora estava vermelho.
—Bela? Tudo bem? — Riley chamou, com a mão em meu ombro.
Eu apenas me virei para ela e fiz que não com a cabeça, e assim ela entendeu meu recado.
Segurei minhas lágrimas o máximo que pude, caminhando devagar ao lado de Riley até o Hall pelo qual entramos. Ela me guiou escada acima, atraindo alguns olhares curiosos das poucas pessoas que se encontravam no interior da casa. Riley então me fez sentar no primeiro degrau do segundo andar, e lá de cima pude ver de pertinho o lustre gigantesco pendurado em seu teto inteiramente branco, que agora me lembrava a Hospital.
—Vou buscar uma água, tudo bem? — Ela disse, passando a mão em meus cabelos e descendo as escadas pela qual subimos. Eu agora já chorava. Chorava como uma criança, admito. Amor não estava sendo uma coisa fácil para mim há quase 3 meses. William e eu havíamos terminado naquela época de fim de Abril. Foi por razões boas e que faziam completo sentido, mas eu ainda me sentia mal por nós dois. Para falar a verdade, nunca existiu um "nós". Eu estava iludida, completamente apaixonada por ele, o que me fez cair facilmente em suas farsas bem boladas. Chorar já fazia parte do meu cotidiano. E a razão pela qual eu chorava é que me deixava com mais raiva de mim mesma: o fato de eu ainda estar levemente apaixonada por ele.
Ouvi alguns passos nas escadas, e imaginei ser Riley com a minha água, mas quando levantei o olhar, dei de cara com a última pessoa que eu queria ver no momento.
—Connor... — Funguei, limpando minhas lágrimas rapidamente e respirando fundo. — Não ouvi você subir... — menti.
Ele segurava um copo de água na mão, e um leve sorriso agradável se estampava em seu rosto.
—Sua amiga, Riley, me disse para vir checar como você estava... — Sem permissão, ele sentou ao meu lado na escada, esticando para mim o copo transparente de vidro.
Peguei o copo de suas mãos, sussurrando um “obrigada” quase inaudível, realmente não querendo vê-lo no momento.
—Quer falar sobre isso...? — Ele perguntou timidamente, apoiando os braços nos joelhos e me encarando com um pouco de pena.
Suspirei, tomando um gole da água gelada que Connor me trouxe, e o encarando, tentando não mirar em seus olhos.
—É uma longa história... — murmurei, forçando um sorriso. Eu ainda descontaria em Riley por me fazer passar por isso.
Connor riu pelo nariz, da forma que sempre o deixava com um ar mais sexy.
—Eu gosto de histórias.
Eu sorri, colocando minhas mechas de cabelo atrás da orelha e desviando o olhar para as pessoas que ainda se encontravam no Hall. Suspirei alto. Talvez meu subconsciente estivesse certo. Desabafar, e colocar tudo pra fora com um menino que estranhamente me compreendia, talvez me fizesse bem.
—William é meu ex-namorado. — comecei pelo óbvio. — Ele era completamente diferente quando nos conhecemos... foi na escola, no final do ano passado, quando houve o grande campeonato de Futebol Americano entre os Lakers e os Riders.- citei a ele os dois times concorrentes da escola -Jason e Peter faziam parte dos Lakers, enquanto William era o capitão dos Riders.- Ele simplesmente me notou na arquibancada e me fitou o jogo todo -Continuei-, tanto é que acho que foi por isso que perderam.- soltei uma risadinha leve, e Connor continuou em silêncio.- Eu me apaixonei por ele...pelo antigo ele. Pelo William que me levava flores todos os dias na escola, que me abraçava forte como se em algum momento eu fosse simplesmente... desaparecer.- Iniciei um longo suspiro, expulsando de mim a vontade súbita de chorar.- Então um dia, seu pai sofreu um acidente de carro por beber demais e acabou falecendo.- Connor suspirou baixinho, como se sentisse muito.- E então ele simplesmente pirou. Começou a beber, a ficar depressivo e a voltar para casa ás 5 da manhã, todas as noites.- Connor me lançou um olhar desapontado, como se essa não fosse a história que ele queria ouvir no momento.- A mãe dele me pediu para conversar com Will... e então eu comecei a tentar falar com ele, mas era como se.... — levantei as mãos em dúvida.- Era como se o antigo Will não existisse mais. -Dei uma pausa para observar a reação de Connor, mas era completamente indecifrável suas expressões faciais. Era uma mistura de pena com angústia que acabava por deixar seu rosto com um olhar depressivo. — Ele costumava a... me machucar, fisicamente, algumas vezes... Mais ainda depois que eu me neguei a ir pra cama com ele... Bom, sabe como é... — pensei brevemente pelo que passei com William nos dias em que ele bebia, e nos hematomas que apareciam em meus braços no dia seguinte. – Enfim... -suspirei, cansada. — Uma noite, fui até a casa dele, entregar um trabalho que ele tinha deixado na escola... E acabei por encontrar ele com outra garota.
Connor suspirou alto, dando um tempo na conversa.
—Que porcaria...
Ri, sarcástica.
—Pois é... — suspirei- E foi por isso que terminamos... há um bom tempo...- Minha voz começava a falhar pela angústia acumulada em minha garganta, que lutava para sair, simplesmente por me lembrar dos dias em que eu costumava o amar.
Connor então escorregou um pouco mais para perto de mim, e eu abaixei o olhar para que ele não visse minhas lágrimas teimosas escorrerem.
—Ei... -Ele sussurrou baixo, quando senti seu braço comprido me abraçar nas costas e alcançar meu ombro. — Não precisa chorar tá legal?
Connor encostou sua cabeça na minha, e me acolheu como se eu fosse uma velha amiga de infância. Como se nos conhecêssemos há anos.
Quando eu levantei o olhar para encará-lo, foi quase que instantaneamente que um sorriso apareceu em seu rosto. Seu indicador subiu ao meu rosto e afastou uma lágrima que escorria pela minha bochecha esquerda, gesto que quase implorei para que se repetisse.
—Não chora. — Ele insistiu.
Forcei um sorriso falso e limpei, eu mesma, as últimas lágrimas que caíram por fim, respirando fundo várias vezes e tentando esquecer o fato de que Connor estava me abraçando.
—Isso é só uma situação idiota que fica voltando á minha cabeça todas as vezes que eu o vejo. — Respondi, me explicando. — É passado.
Connor deu uma risadinha baixa e sua mão quente em meu ombro sumiu, voltando a se esconder em seus bolsos da calça jeans. Ele então se levantou, esticando sua outra mão para mim, com seu sorriso de lado estampado no rosto.
—É assim que se fala. — Me puxou pelo pulso e me levou escada abaixo, me passando uma tranquilidade que eu nem mesmo sabia que um dia voltaria a sentir.
><
Assim que eu piso no último degrau da escada, quase que instantaneamente recebo uma mensagem de Natalie:
“Quando for embora, peça pra Riley te levar. Vou demorar um pouco. Qualquer coisa me ligue. Beijo. — Nat”.
Suspiro silenciosamente.
—O que foi? — Connor me pergunta, vendo que eu tenho meu celular em mãos. Eu o guardo no bolso imediatamente.
—Nada. — dou um sorriso cansado- Só acho que já vou para casa.
—Ah... — ele suspira, também parecendo cansado. — Eu posso te levar se quiser.
Eu fico sem jeito.
—Ah não, não precisa, posso pedir para Riley me levar. — Digo, rapidamente.
—Ah vamos, — Connor sorri de lado. — Não é como se eu fosse te sequestrar ou alguma coisa assim.
Eu dou de ombros com a brincadeira dele e sorrio.
—Sempre tem essa possibilidade.
Connor mostra seus dentes alinhados em um perfeito sorriso.
—Se eu quisesse te sequestrar, teria feito isso ha um bom tempo. — Ele coloca as mãos no bolso da jeans- Quer dizer, acho que seria um pouco fácil demais sequestrar minha própria vizinha, não?
Eu ignoro sua pergunta retorica com uma risada.
—Anda, vamos nos despedir da Riley. — Eu pego em seu braço e o puxo para dentro da festa. Nós nos despedimos dela rapidamente, e ela quase não percebe, por estar agarrada no pescoço de Peter como se fosse um bicho preguiça, e eu acabo por encontrar Jason a caminho da saída, aproveitando para me despedir dele também.
E eu juro, que se eu pudesse definir minha sorte em uma única palavra, eu diria: “vagabunda”.
Quando Connor e eu passamos pela porta principal, ele me conduz com o olhar para o seu carro, estacionado rente ao meio-fio. E lá estava o desgraçado. A figura alta se encontrava encostada na parede, com uma das mãos segurando um cigarro, e a outra no bolso das jeans. Uma de suas pernas estava dobrada em um 4, apoiada na parede como se quisesse passar uma imagem de superioridade. Assim que pude ver quem era, eu quis dar meia volta e me esconder em algum lugar dentro da casa de Riley, até ele sumir dali.
William tragou o cigarro duas vezes antes de me encarar nos olhos.
—Podemos conversar agora?- ele se desencostou da parede, com aquele seu meio sorriso idiota no rosto.
Só então percebi que eu estava paralisada na calçada, sem mexer um músculo, enquanto Connor andava calmamente até o carro, com as duas mãos no bolso. Quando percebeu que eu havia parado, ele olhou para trás e seguiu meu olhar de espanto até Will, que pelo jeito não o tinha visto ainda, depois voltando a me olhar e ficar parado, sem saber o que fazer como eu.
Não sei explicar o que eu sentia naquele instante. Eu não iria mais chorar. Não iria fugir. E com certeza eu não iria voltar com ele. Então, decidida, dei um passo largo em sua direção, até que ficasse perto o suficiente para não precisar gritar com ele e acabar fazendo uma cena.
—Você realmente acha que eu quero falar com você, William?- eu digo, e sinto meus pulsos se fecharem automaticamente em raiva. Eu não estava acreditando que estava mesmo fazendo aquilo. Não depois de tudo que passei com ele. Não depois do medo que passei há 3 meses atrás.
Ele faz cara de confuso, ainda rindo como um idiota, também indignado com essa minha atitude incomum.
—E você realmente acha que pode falar assim comigo?- sua voz cheirava a cigarro, e o passo que ele deu em minha direção me faz querer dar um para trás, mas eu consigo me forçar a ficar parada.
—Ei, deixa ela em paz! –Connor entrou na conversa, falando com William em bom e alto som enquanto dava um passo na direção dele, e isso me deixou um pouco irritada. Will nem se deu ao luxo de olhar para ele, então continuou me encarando com cara de poucos amigos.
—Connor, cale a boca. – eu digo, apontando com o indicador para ele, que fez cara de desentendido, depois voltando minha atenção para William – E você, pare de me seguir por aí. O que nós tínhamos já acabou faz tempo e você não tem o direito de ficar correndo atrás de mim como um cachorrinho sem dono.
Não sei como eu não previ isso, mas tudo foi muito rápido e em questão de segundos, suas mãos se fecharam ao redor de meus pulsos, e bati minhas costas contra o muro gelado. Só tive tempo de virar o rosto antes de ele encostar seu nariz em meu pescoço e soltar uma risada abafada. Meu corpo se arrepiou por inteiro, e eu tive vontade de chorar como uma idiota.
—Escuta aqui, sua...
—EI! – sinto uma das mãos de William me soltarem e abro os olhos para ver meu ex-namorado ser puxado pelo ombro com certa violência. – Quer parar com isso?
Will empurrou Connor para trás com o mesmo ombro, e franziu a testa.
—E quem diabos é você? O guarda-costas dela?- ele disse, tão agressivamente, que tive a impressão de que ele o daria um soco ali mesmo, e eu estaria ferrada como sempre estive.
Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário disso.
Connor o puxou com força pelo mesmo ombro que o empurrou para si, e sua mão inesperadamente foi de encontro com o rosto de William, tão forte que o fez cambalear para trás e ser forçado a me soltar. Meu ex soltou um gemido alto de dor, e colocou as mãos no nariz, que sangrava. Ele levantou seu olhar para Connor, depois de perceber o que se passava, e usou uma das mãos para se apoiar no joelho e se levantar.
—Ora seu...
Antes que Will pudesse ficar de pé, Connor deu um passo para frente e o chutou na barriga, na região do estômago, com seu joelho direito, depois dando mais um soco em seu rosto, dessa vez não tão forte quanto o primeiro, talvez de propósito. Demos a sorte de os gritos de dor de William serem abafados pelo som alto de música vindo de dentro da casa da Riley, e não me preocupei em olhar em volta para ver quem mais assistia àquela cena. Ao contrário do que eu achei que sentiria em relação á tudo isso, não consegui, por nem um momento, sentir pena de William. Eu apenas senti que tudo aquilo era um tipo de vingança por tudo o que ele já me fez passar. Eu me senti completamente satisfeita.
—Connor! Como você...
—Anda, — ele me interrompeu, puxando minhas mãos, que cobriam minha boca pelo susto repentino, e me levando para perto de seu carro com uma cara não tão amigável. –Vamos embora antes que ele se levante daí.
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