Just Another Summer Love

2 Better three hours too soon than a minute too late


Notas iniciais
Boa Leitura!

Passaram-se dois dias desde que os Jacobs se mudaram para o bairro. Foram algumas vezes durante o final de semana as quais eu olhava pela janela e sempre via o mesmo caminhão de mudança laranja e um homem retirando móveis do veículo com a ajuda de um segundo cara, mas nada de Tinker Bell, e nada de Peter Pan. De noite, por simples curiosidade, eu também olhava pela janela, e sempre via a luz do quarto de cima acesa, com as cortinas sempre fechadas, possibilitando que eu apenas visse sombras desconhecidas por trás dos panos, passando de um lado para o outro no cômodo.

No domingo, eu o vi uma só vez, enquanto eu regava as plantas do jardim. Ele estava consertando a cerca branca encardida da casa, com a ajuda de um homem de óculos que parecia ser seu pai, de estatura alta, cabelos loiro escuro e olhos iguais os de Connor. Em certas horas, meus olhares curiosos saiam pelo canto de olho e eu conseguia o ver abaixado, batendo com um martelo em pregos, e outras vezes, ele também olhava para mim de relance, e nossos olhares se encontravam por poucos segundos. Eu não precisei olhar para ele mais vezes para saber que ele me observava. O simples fato daquela tensão indutiva sobre mim já me indicava que ele estava me olhando pelas costas. E isso, estranhamente, me assustava.

Acordei perto das 10 horas na segunda-feira, me deixando feliz o fato de eu me lembrar de que era uma segunda-feira de férias. Meu celular não parava de tocar e eu tinha certeza que já o tinha ignorado no mínimo duas vezes antes de tomar coragem para abrir os olhos. O visor piscava constantemente com o nome "Riley" na tela. Hesitei em deslizar o dedo na tela e colocar o celular no ouvido, mal-humorada.

—É melhor você ter uma boa coisa em mente para ter me acordado às 10 horas da manhã, Riley.- Falei, com a voz um pouco rouca demais, voltando a me deitar nos travesseiros.

—Grande consideração pela sua melhor amiga, viu?- Ela riu, do outro lado da linha. — E o assunto é importante sim senhora.

— Você sabe que eu durmo até tarde...- bufei, com preguiça até de brigar com ela- O que diabos você quer?

—William Oasley estava te procurando na festa da Brianna ontem.

De repente um calafrio desceu pela minha espinha e ainda pareceu dar uma pontada na minha nuca de leve, me dando arrepios fortes. Só imaginar aqueles seus olhos castanhos já era motivo para me encolher nos pijamas.

—Tá brincando? — Sentei na cama com os olhos arregalados. A ultima vez que falei com Oasley foi há 3 meses, que mais pareciam anos, para mim.

—Não. Ele veio todo tristonho me perguntar onde você estava.- Ela riu baixinho, achando graça.

—O que você disse?!

—Eu disse, "Sei lá, idiota."

Soltei uma risada baixa não muito espontânea para acompanhar a dela. Eu estava muito bem sem Oasley, e odiava quando qualquer pessoa, até mesmo Riley, falavam dele pra mim. Simplesmente me trazia uma... repulsa incrivelmente desagradável.

—Babaca...- murmurei.

—Demais!! -Ela riu- Enfim, eu tô precisando urgentemente de um CD novo.

—Um CD novo? – Franzi a testa com a facilidade com que Ry conseguia mudar de assunto. – E Você quer o que? Que eu te dê um de presente? — eu ri.

—Ha-Ha.- Ela riu sem humor, como fazia quando desprezava alguma piada sem graça.- Quero que você vá ao Shopping comigo hoje a noite.

Olhei no relógio, como se fosse me ajudar a lembrar de algum compromisso que eu tinha.

—Tá, que seja. –murmurei- Mas quero que...

Duas batidas fortes na porta me fizeram dar um pulo da cama, quase deixando meu celular cair no chão. Era incrível como justamente no dia em que eu quero dormir até tarde, todo mundo resolve me deixar irritada.

—O que foi isso? — Ela riu, provavelmente ouvindo meu suspiro de susto.

—Só um segundo, acho que minha irmã chegou. — Olhei no relógio mais uma vez — já te ligo. — Desliguei o celular o mais rápido possível, descendo as escadas de pijama de bolinhas azuis, passando pela cozinha e abrindo a porta do Hall, esperando que Natalie aparecesse com o meu almoço em uma sacolinha plástica.

Ao invés disso, para o meu incrível azar, dei de cara com o loiro do outro lado da rua. Ele estava incrivelmente bonito por ser apenas 10 horas da manhã, usando camiseta vermelha e jeans, com seus cabelos bagunçados em seu topete natural e suas mãos ocupadas com um bolo de chocolate que parecia delicioso. Nossos olhares se encontraram por um instante e eu não fiz nada além de abrir a boca para dizer alguma coisa, o que foi completamente em vão porque absolutamente NADA saia de minha garganta. Nem mesmo um murmúrio. Os olhos de Connor tentavam inutilmente focar em meu rosto, e pude perceber que suas bochechas estavam praticamente queimando, de tão rosadas que se encontravam, e aposto que as minhas também não estavam muito diferentes.

—Eu... Trouxe isso da minha mãe. — Ele murmurou, olhando de relance para o bolo e depois voltando a me encarar.

Eu estava paralisada. Meu pijama era curto demais, meu cabelo estava completamente amassado, minha cara estava provavelmente um pão e eu estava falando com o meu vizinho que ficava vermelho impressionantemente fácil. E a única coisa que me veio na cabeça, naquele instante, não foi respondê-lo, ou ao menos sorrir para ele. Eu fiz o que provavelmente não era o mais aconselhável de se fazer ao se tratar de vizinhos novos: Eu bati a porta na cara dele.

Por uns 3 minutos, eu fiquei ali, parada, encarando minha porta, me culpando mentalmente por ser uma pessoa terrível e ao mesmo tempo tentando tomar coragem para reabri-la. Eu nunca fiz isso com pessoas que eu acabara de conhecer. Porém, com Connor tudo parecia ser diferente. Liguei esse fato ao meu caso com William Oasley, e então tudo pareceu se encaixar...

Abri a porta assim que a culpa tomou conta do meu subconsciente. Para a minha surpresa, ele não estava mais ali. A bandeja fechada de bolo estava repousando no chão, com um bilhete em cima que dizia "Dos Jacobs, para Heylmann 's." Estranhei de primeiro instante, pois eu mal havia falado com Connor ou com alguém de sua família desde que eles chegaram, e para mim, não havia o porquê de um bolo de... oras, por qualquer motivo. Peguei o bolo, olhando para os lados e para a janela da sala da casa dele, esperando o encontrar escondido para pedir desculpas e dizer que não sabia o que estava acontecendo comigo. Eu queria ser simpática, ser uma boa vizinha. Como meu pai costumava dizer, "Seja legal com os outros, porque quando precisar, eles podem ser os únicos disponíveis para ajuda". Voltei para dentro, deixando o bolo na geladeira e subindo correndo as escadas para alcançar o telefone e contar tudo para Riley.

>

A buzina do carro foi pontual, e ás 7 horas, eu desci as escadas com passos largos. E em quanto ao bolo, Natalie havia me dito que foi provavelmente por causa da conversa que ela teve ontem com a Sra.Jacobs no mercado, e por isso ela resolveu agradecer por ser “tão simpática e produtiva”. Obviamente, não tive coragem suficiente para contá-la sobre o incidente com Connor. Inventei a péssima desculpa de que o bolo simplesmente apareceu na porta ás 10 horas da manhã, misteriosamente. Ela, logicamente, ponderou em acreditar ou não, mas acabou por esquecer o caso e só desfrutar da gostosura que o bolo estava. Despedi-me dela, em seguida saindo pela porta e entrando no carro preto de Riley.

—Como vai o vizinho gatinho? — Ela perguntou zombando, antes mesmo de eu dizer alguma coisa.

—Você nunca o viu pra saber se ele é bonito ou não, tonta.

—Pelo que você me disse, ele parece ser lindo.

—Eu nunca te disse isso! – Rebati. – E aliás, ele tem cara de ser um metido.

Ela esticou a mão, que percebi depois que ela tinha feito e pintado suas unhas de azul escuro, e ligou o rádio em uma música baixinha, que depois percebi ser Linkin Park.

—Os metidos são os melhores, fofa- ela sorriu de lado, maliciosamente.

Revirei meus olhos.

—Falou a menina que tem namorado...

—Prometo que sou fiel! — Ela riu, fazendo um X com o dedo sobre o lado esquerdo do peito.- Ah! Falando nisso, esqueci de te avisar que Peter vai nos encontrar lá em 15 minutos.- Ela me encarou com o olhar divertido dela.

—Ah Riley! — Resmunguei, enquanto ela ria da minha cara- Porque eu tenho que ficar de vela? — Revirei os olhos.- E se você tivesse me avisado antes, eu nem viria.

—Foi exatamente por isso que eu não avisei antes, fofa. — Ela riu. — E seu problema com velas vai acabar logo, logo com esse seu vizinho ai...

—Meu Deus Ry, vira a boca pra lá e dirige. — eu a acompanhei nas risadas.

Nossa primeira parada foi a loja de CD's favorita da Ry, a Dance On. Era, sem dúvida, a maior loja de CD’s que eu já fui em toda a minha vida. Era mais ou menos do tamanho de uma livraria moderna, com as mesmas estantes e prateleiras, mas ao invés de livros, estavam amontoados e arrumados milhares de capas de CD e DVD's, e até discos de vinil. Era um paraíso para qualquer um.

Esperei que ela escolhesse entre dois CD’s que ela estava em dúvida se compraria, e acabou por se decidir que ela levaria os dois. Ela rapidamente pagou no caixa, cortando a fila algumas vezes, e saímos daquele amontoado de pessoas em menos de 10 minutos.

Decidimos que iriamos comer alguma coisa na praça de alimentação, mas no momento em que pisamos no corredor, ela deu um gritinho e foi ao encontro de Peter, que a esperava do lado de fora da loja. Revirei os olhos enquanto observava minha melhor amiga pular nos braços do moreno de olhos azuis e o beijar apaixonadamente. Pelo que Riley tinha me contado, eles não tinham se visto ainda nessas férias, pois Peter foi passar uns dias na casa de praia de seus pais, em Los Angeles, e tinha voltado recentemente.

Eu sempre achei que os dois eram muito fofos juntos. Ry o conheceu na quarta série quando ele se mudou para Toronto com sua família, e no intervalo, nós duas sempre fofocávamos sobre o quanto ele era ridículo e metido, coisa que inventávamos sempre (mania de criança). Um dia, na aula de educação física, ele veio falar com ela em uma conversa particular que até hoje eu não sei sobre o que era, e os dois acabaram se tornando amigos. No ano retrasado, eles assumiram o namoro. Eu já sabia que eles saiam juntos porque Riley me contava algumas “aventuras” que ela acabava presenciando com ele. E os dois eram perfeitos juntos, sinceramente. Peter, o líder de um dos times de futebol da escola e um nerd nas matérias de Química e Biologia, e Riley, a garota popular e simpática da escola, líder do comitê de festas e uma das meninas mais aclamadas pelos gatinhos da escola, mas que nunca dava bola pra eles, e sempre se dedicava aos estudos.

Quando a escola ficou sabendo do namoro, eles simplesmente viraram o casal mais adorado do ensino médio. Por sempre ficar “de vela”, eu sempre observei os melos e as juras de amor que os dois tinham um com o outro quando estavam juntos. Algumas vezes, Ry me deixava ler as mensagens e conversas entre os dois, e a cada palavra que eu lia, um "Awnnnnn" saia de meus lábios e ela ria de vergonha. Eles se amavam. Eram um casal mais que perfeito e meloso, e eu sempre os admirei como dois amigos que se evoluíram a isso.

Depois de comermos um hambúrguer, o qual tinha mais alface do que carne, Riley concordou em me levar para casa um pouco mais cedo. Peter, durante a refeição, nos contou sobre seus dias de diversão na praia, bem como os dias na ensolarada Los Angeles, cidade que eu sempre sonhei em visitar. Ele se empolgou ao falar das amigas novas que tinha feito, e Ry fez uma careta não tão amigável pra ele, que fechou a cara imediatamente, me fazendo soltar uma risada. Peter se despediu de nós no estacionamento, murmurando – não muito baixo – para Riley passar no apartamento dele assim que me deixasse em casa.

E assim que o carro dela parou em frente á minha garagem, não sei se por sorte ou por azar, eu o vi. Ele estava abaixado, consertando novamente a cerca torta dos jardins da casa. Já passava das 9 da noite, e por isso não consegui enxergar seu rosto claramente, mas eu sabia que ele me encarava. Quando Riley sussurrou um "boa sorte!" e fez uma careta, deu meia volta e seguiu o caminho de volta para o centro. Tomei coragem suficiente para atravessar a rua e pedir devidas desculpas à Connor, mesmo sabendo que era um pouco constrangedor.

Ele me viu me aproximar e pareceu assustado quando cheguei perto o suficiente, se levantando rapidamente do chão e me olhando de cima a baixo, limpando as mãos nas próprias calças.

—Ah, oi... -Ele disse, forçando um sorriso muito diferente daquele que ele me dera no dia em que nos conhecemos. Por isso, decidi que era um baita de um sorriso falso.

—Oi... Ahn... — limpei a garganta com um pigarreio e voltei ao meu pedido de desculpas- Eu quero me desculpar por hoje cedo, sei que foi bem idiota da minha parte.

Connor praticamente me ignorou, colocando as mãos no bolso das jeans e não me olhando nos olhos, então decidi continuar.

— Eu sei que foi bem rude e tudo mais...

—Tudo bem se você não vai com a minha cara. — Ele me interrompeu, sutilmente se afastando um pouco, irritado. — Sério, eu realmente não dou a mínima.

Pisquei algumas vezes, sorrindo, achando que era apenas uma piada.

— Como é que é?

— Ah, por favor — Ele sorriu- Além de bater a porta na minha cara, todas as vezes que te vejo na janela, você parece rir da minha cara. — Suas sobrancelhas se franziram um pouco- Não precisa se desculpar por “zombar” de mim. -Ele fez aspas no ar.

— Eu não fico te olhando pela janela! — foi a primeira coisa que me veio na cabeça para dizer. Depois fiquei pensando se ele também me observava para saber que eu o observava.

Connor deu uma risada irônica.

— Não precisa mentir para mim. — Ele falou. Acho que era pra ser um insulto, mas acabou soando um pouco sedutor.

— Eu não estou men…- parei de falar quando ele levantou uma de suas sobrancelhas, quase que me desafiando silenciosamente, e particularmente, eu odeio que façam isso comigo, assim como odeio que me interrompam. Connor acabou de fazer os dois. — Quer saber, eu nem devia ter perdido meu tempo com isso.

— Talvez não devesse mesmo. — Connor disse quase que imediatamente, como se quisesse mostrar para mim que ele estava certo, e eu estava errada. Levantei minha cabeça e dei uma rápida observada no céu estrelado, revirando os olhos dramaticamente.

—Bom... -forcei um sorriso nada amigável e nada verdadeiro, — tenha uma boa noite, vizinho.

Cruzei os braços e atravessei a rua irritada, com passos mais duros que o normal. “Que menino mais idiota!” pensei comigo mesma. Assim que entrei em casa, fiz questão de bater a porta o mais forte possível, dessa vez não olhando para trás.

Notas finais
Hehhehe Connor ficou um pouco estressadinho com a atitude de Bela, não? Me digam o que acharam! Beijos!