Just A Dream

13 Capítulo 12


Notas iniciais
#chaaaaatiada com vocês. Só um comentário? Comassim?
Poxinha, fiquei muuuito triste, sério mesmo.
Bom, espero que gostem desse capítulo ok?

As semanas foram se passado rapidamente. Harry usou a desculpa da reportagem especial para se aproximar de Gina, sua nova amiga ruiva. Como havia crescido longe do mundo da família, ele pediu para acompanhar a coleta de materiais com o pretexto de aprender mais sobre sua família.

Gina concordou de bom grado e em poucas semanas, já eram bons amigos, conversando por longas horas, ao vivo e no celular, que ele fez questão de dar a garota para que pudesse localizá-lo a qualquer hora.

_ Sabe cara, não é porque a Gina é minha irmã que eu goste de vê-la oito horas a mais do que já sou obrigado em casa. – disse Rony um dia, enquanto os dois rapazes estavam na sala de TV comendo Doritos e vendo um especial sobre Quadribol em VHS.

_ Qual é Rony, você sabe que é importante para mim essa pesquisa... Ela quer que o caderno especial saia no meu aniversário de 23 anos. Vulgo, em 10 dias. Depois disso, você não terá que vê-la tanto. – disse Harry sem encarar o amigo, que apenas riu.

_ Qual é Harry, eu já percebi que você está afim da minha irmã. – afirmou o ruivo e Harry o encarou com a boca escancarada – Não digo que aprovo, porque isso é mentira. Por mim Gina ficaria sozinha até os 60, mas eu sei que ela não é assim. E se for pra ficar com alguém, que seja com alguém que eu confio.

_ Isso quer dizer que, se eu quiser chamar sua irmã pra sair... – perguntou Harry.

_ Você tem minha permissão... Mas eu vou pedir para o Kingsley te mandar outro segurança. Não sei se vou conseguir lidar com isso. – reclamou o rapaz, fazendo o amigo gargalhar.

_ De acordo. – disse Harry – Acho que você podia usar essa “folga” e chamar a minha irmã para sair... – provocou e Rony ficou com as orelhas escarlates.

_ Isso não tem o menor sentido. – retrucou o ruivo e Harry riu alto.

_ Se você diz cara, eu acredito. – concordou o moreno se levantando – Bom, sua irmã está vindo aqui... Nós temos que revisar uns diários antigos. Se você quiser, pode ficar por aqui. Qualquer coisa, te chamo.

_ Ok. – concordou Rony, enchendo a mão de Doritos.

Logo que Harry saiu da sala, Gina veio aparecendo pelo corredor com Dobby. A ruiva usava um jeans justo, uma camiseta branca e uma jaqueta de couro preta. A bolsa transversal marrom estava abarrotada e ela parecia baixinha com as sapatilhas.

_ Está pronto para começarmos? – perguntou Gina e o rapaz concordou, após trocarem um beijo no rosto.

_ Dobby, por favor, providencie um lanche para nós dois? – pediu e o mordomo concordou, fazendo uma curta reverência e se retirando para a cozinha. Gina já estava quase no escritório quando Harry a alcançou rindo – Já está se achando de casa, ruiva?

_ Intimidade é uma merda Potter. – retrucou ela, tirando as sapatilhas e deitando no sofá de couro preto – O próximo passo é você massagear meus pés.

_ Luna que não te ouça. – brincou o moreno, sentando no braço do sofá e sorrindo para a ruiva, que abria um dos diários. Após alguns minutos de silêncio, ela ergueu os olhos, constrangida.

_ Tem alguma coisa no meu rosto? – perguntou ela e ele negou, arqueando a sobrancelha – É que você está me encarando tão fixamente...

_ Oh, perdão. – pediu ele corando e ela riu, sentando-se e o puxando pela mão para sentar ao lado dela.

_ Você está estranho Sr. Potter... Conte a tia Gina o que se passa. – pediu ela e ele riu, passando a mão nervosamente pelos cabelos. Por fim, encarou os olhos azuis e disse de uma vez:

_ Quersaircomigo?

_ Como? – perguntou Gina rindo.

_ Você, quer, sair,comigo? – perguntou ele pausadamente e ela arregalou os olhos, fazendo se sentir desconfortável – Se você não quiser, não tem problema... É só que...

_ Quero. – disse ela, e ambos sorriram, apesar de corados – Quando?

_ Bom, nós temos muito que fazer ainda, então... Que tal no dia do meu aniversário? – propôs e ela morder o lábio inferior – Você já tem algo nesse dia?

_ Não. É que achei que você teria. – explicou ela e Harry negou – Bom, então eu não vejo problemas... Você sabe que faltam dez dias, certo?

_ Sim. – concordou ele – Mas isso me dá tempo de planejar algo bem legal. Faz um bom tempo que não levo ninguém num encontro. – explicou e ela riu.

_ Tenho certeza que vai ser ótimo. – garantiu ela, pegando a mão dele. Os dois se encararam sorrindo por um tempo, até que ela cortou o silêncio – Vamos começar a ler?

_ Claro... De quem é o primeiro diário? – perguntou ele e a ruiva mordeu o lábio.

_ Da sua avó, Elise. – disse Gina, pegando o caderno de capa preta. Harry a observou intrigado e ela fez sinal, perguntando se podia começar. Ele concordou.

Eram doze diários. Elise os havia escrito desde seus 15 anos, até quando morreu, em intervalos irregulares. As vezes passavam-se meses sem uma única passagem. As vezes, poucas horas.

Gina foi coletando as informações mais importantes em seu laptop, enquanto Harry se deliciava com os relatos sobre seu pai. James eram tão travesso quanto Sirius e Remo lhe contaram.

Elise também falava muito sobre Lilian e a amizade que desenvolveram ao longo dos anos. Eram provavelmente as únicas sogra e nora com uma relação tão próxima e carinhosa. Se bem que Harry pretendia se dar muito bem com sua “sogra”.

_ Harry... – chamou Gina o chacoalhando e o rapaz percebeu que estava divagando. Olhou a ruiva e viu que ela estava assustada, segurando um dos diários abertos – Tem algo aqui sobre o Remo...

O moreno apanhou o diário com a mão tremula, se perguntando o que seria tão ruim. Sabia que a história de Sirius era bem complicada, assim como a de Remo. Mas ela sabia da história de Sirius e não agia de tal maneira. A ruiva lhe estendeu um recorte de jornal velho.

Começou a correr os olhos pelas linhas, temeroso, e a cada palavra, sentia um calafrio maior. Olhou Gina e ela tinha as mãos juntas em frente ao rosto. Apanhou o celular e discou um número já conhecido, sendo atendido carinhosamente.

_ Olá Harry. – cumprimentou Lupin e o moreno sentiu a garganta fechar.

_ Lupin, preciso falar com você. Agora.

Meia hora depois, Remo Lupin estacionava seu carro na garagem da mansão. Harry estava na sala, com Gina, Rony e Hermione ao seu lado. O ruivo havia ido buscar a amiga na empresa, como todos os dias, e ao chegarem em casa, se depararam com Harry transtornado. Após explicado o ocorrido, os dois ficaram em estado semelhante ao amigo.

Quando o homem de meia-idade entrou na casa, ficou surpreso ao ver como os quatro jovens o olhavam. Sentou-se no sofá que Harry indicou e recebeu das mãos de Rony o recorte que estava no diário.

Ele leu a página em silêncio, seus olhos se enchendo de lágrimas a cada linha. Ele amassou o papel, o colocando na mesinha de centro e encarou o chão, chorando em silêncio. O quarteto esperou pacientemente que ele se recompusesse, antes de Harry perguntar.

_ Isso é verdade Remo? Você é realmente um... Um pedófilo? – perguntou o rapaz, sentindo o coração se apertar com a ideia. Remo encarou o chão mais um tempo, antes de começar a narrar sua história.

_ Quando eu tinha cinco anos, meu pai fez um negócio arriscado com um comerciante, Fenrir Greyback. Meu pai era dono de um banco numa cidade do interior, onde eu nasci. Não me lembro o nome, pois quando saímos de lá, nunca mais voltamos e ele não falava sobre o lugar. – começou ele – Greyback era um agiota, um homem rico e poderoso. Eles fizeram um negócio e meu pai o enganou. Fomos embora logo após isso.

“Três anos mais tarde, ele nos encontrou em Londres. Mas ele não fez nada contra meu pai ou minha mãe. Ele apenas disse que gostaria de me levar tomar um sorvete. Meu pai não quis deixar, mas concordou desde que pudesse ir junto. Greyback concordou e nas semanas seguintes, vinha todos os finais de semana. Com o tempo, apesar de confuso, meu pai começou a deixar que ele me levasse sozinho. Até que aconteceu...”

A voz do homem morreu. Gina e Hermione já tinham os olhos cheios de lágrima, enquanto Rony parecia estar com dor de barriga. Harry sequer respirava, esperando que o homem prosseguisse.

_ Eu tinha oito anos, era uma criança. Ele dizia que era um segredo nosso, assim como ele me dava mais sorvete do que meus pais permitiam. Eu acreditava, por mais doloroso e estranho que fosse. Algumas vezes, ele levava outras crianças para nos acompanhar, algumas menores do que eu...

“Mas eventualmente meu pai descobriu. Não me recordo ao certo como, mas descobriu. Ele denunciou Greyback a polícia e ele foi preso e indiciado com pedofilia infantil. Depois disso, outras crianças apareceram dando queixa. Ele foi solto menos de um ano depois, por falta de provas conclusivas, além da palavra de crianças de quatro a dez anos, quase todas tendo um dos pais em situação complicada com Greyback.”

_ Mas não podiam ter feito isso. – protestaram Rony e Hermione ao mesmo tempo. Remo concordou e ergueu a mão, pedindo que o deixassem continuar.

_ Eu já tinha dez anos nessa época. Depois disso, Greyback sumiu e nunca mais deu as caras. Meu pai era orgulhoso e após meia dúzia de conversas, achou que eu já estava bem, sem necessidade de procurarmos ajuda. Isso até eu chegar aos dezessete anos...

Ele começou a soluçar e Harry quase quis que ele parasse, mas a curiosidade era maior e ele apenas se inclinou para frente, batendo os pés.

_ Eu estava no parque quando ela chegou perto de mim. Ela era loirinha, devia ter uns cinco anos de idade. Eu a olhei e me lembrei de, de uma das meninas que às vezes eu via. A princípio não foi nada, mas então eu comecei a ir todos os dias ao parque para vê-la. Me tornei amigo da mãe dela e um dia a noite, a mulher pediu que eu ficasse de babá. Ela era mãe solteira e ia sair com alguns amigos. Eu estava sozinho com a menina e...

_ Remo, não precisa terminar. – sussurrou Harry e o homem negou com a cabeça.

_ Eu preciso, você precisa saber. – pediu o homem – Eu me senti um lixo depois do que aconteceu. Ela era tão inocente e doce. Ela achou que era uma brincadeira e assim disse para mãe. Isso durou alguns meses, até que um dia, ela começou a falar comigo sobre as brincadeiras na frente da mãe dela. Eu tinha acabado de completar 18 anos quando aconteceu e ela me denunciou para a polícia.

“Meu pai era influente então conseguiu amenizar a situação. O fato de eu nunca ter feito nada além de tocá-la, também.” disse o homem, fazendo todos repirarem mais aliviados “Mas ainda sim, minha sentença saiu e eu tive que conversar com um especialista. Durante a minha conversa com o psicólogo, eu disse sobre o ocorrido com Greyback. Meu psicólogo tinha ligação com Dumbledore. Com a ajuda dele e da Ordem, começou uma operação de caça ao Greyback”.

_E vocês conseguiram pegá-lo? – perguntou Gina e o homem negou.

_ Infelizmente não Gina. – recordou o mais velho, secando os olhos – Nós tínhamos relatos, mas precisávamos de mais. Alvo pediu que eu me infiltrasse no grupo de seguidores de Greyback, mas pra isso, eu precisaria estudar em Hogwarts e ter uma ótima formação. E foi o que eu fiz. Porém, lá eu conheci...

_ Meu pai e Sirius. – completou Harry e Lupin concordou.

_ A princípio era apenas um companheirismo entre nós três e Peter. Mas então eles começaram a desconfiar de minhas saídas periódicas, que eu não revelava ser o serviço comunitário e terapia. Mas eles eventualmente descobriram, depois de me seguirem uma tarde. – contou Remo com os olhos voltando a ficar molhados – Eu achei que eles iam se afastar, mas eles permaneceram ao meu lado. E foi ai que eu descobri que seriamos amigos.

“Seu pai já tinha contato com a Ordem da Fênix e depois disso, passou a ser cada vez mais ligado a eles. Como você já sabe, nós nos formamos antes do tempo, porque fizemos tempo extra. Logo sua mãe engravidou e eu comecei a tentar entrar no esquema de Greyback. E foi então que seus pais morreram e eu conheci Tonks, ainda uma adolescente. Depois disso, eu desisti de me vingar de Greyback. Eu tinha algo a fazer aqui e depois, tinha Dora e eu não a queria em perigo”.

_ Os pais de Sirius sabiam? – perguntou Harry, lembrando-se do que o padrinho havia contado a ele.

_ Todos sabiam. Pouco depois que meus amigos descobriram, a informação vazou para a escola. Hoje, desconfio que foi Peter quem o fez. – explicou Lupin – Desculpa por não ter te contado Harry. É algo muito difícil para se falar. Mas esconder é pior. Tonks sempre me diz que precisamos contar as crianças, mas eu tenho vergonha.

_ Você alguma vez teve alguma recaída? – perguntou Rony, recebendo um beliscão de Hermione. Lupin apenas negou.

_ Quando Harry nasceu, eu me mantinha distante. – contou o homem, com vergonha – Tinha medo do que poderia acontecer. O mesmo pra Dimitri, Alexa e Edward. Foi só quando Sam nasceu que me considerei “curado” dessa doença infernal. Quando eu segurei minha filha eu soube, sem dúvidas, que nunca poderia fazer mal aquele anjo e nem a ninguém que se parecesse com aquilo. Ainda faço acompanhamento terapêutico, mas nada aconteceu, nunca mais.

_ Então você deve é ter orgulho Remo. – disse Hermione – O que te aconteceu foi uma fatalidade, o que você fez foi errado, mas você venceu isso, você lutou e cresceu, se tornou um homem honrado, um pai incrível, um bom marido, um bom amigo.

_ E você deve sim contar as crianças. Se elas descobrirem por algum outro lugar, podem fazer mal julgamento, como nós fizemos. – disse Rony e o homem concordou em silêncio. Ficaram assim por um tempo, mas logo ele ergueu os olhos.

_ Onde vocês encontraram isso? – perguntou ele e Gina e Harry mostraram o diário de Elise, o que o fez arregalar os olhos – Mas eu nunca conheci Elise. Ela morreu antes de James ir para Hogwarts.

_ Então porque isso estava no diário da minha avó? – sussurrou Harry, encarando os amigos, chocado. Rony olhou para Remo, que concordou. O ruivo apanhou o celular e discou rapidamente.

_ Kingsley? Eu acho que estamos sendo cercados.

Notas finais
Bom, outro capítulo só com 5 reviews, não importa o quanto demorem.
Beijos e até mais