Juramento

3 Alguém especial


Notas iniciais
Esse capítulo é pelo ponto de vista da hinata, e como no anterior são os sentimentos dela perante a sua vida.
Leiam com carinho.

Outra mudança. Isso significa uma nova cidade, uma nova casa, novos vizinhos, outra escola, tudo muda, mas uma coisa vai continuar a mesma, eu.

Eu não vou mudar, vou continuar assim, envergonhando a minha família, desapontando a todos, eu realmente sou uma inútil.

Meu pai tem ração não era para eu ter nascido, se não fosse por mim mamãe estaria viva e quem sabe as coisas melhorassem e eu tenho certeza que o papai estaria feliz, muito feliz.

Sabe nunca vi o sorriso do papai, quer dizer eu já vi, mas nunca foi para mim. É errado eu sentir ciúme da Hanabi por isso, mas não posso evitar em meu coração tudo está tão escuro que é quase impossível distinguir o certo do errado.

Eu estou enlouquecendo. Às vezes acho que minha mãe fala comigo, uma voz doce saída do meu subconsciente, mas que diz coisas horríveis, coisas que eu não teria coragem de fazer ou pensar, coisas monstruosas, coisas inumanas.

Talvez não seja a mamãe, talvez possa ser apenas eu, quero dizer uma parte ruim de mim, um monstro, o meu mostro próprio e interior.

Um monstro que nasceu da solidão, da tristeza e do desespero, a minha vida resumida em três palavras, porem antes de morrer mamãe me disse que não importava o que me dissessem, ou o que fizessem, eu nunca devia parar de acreditar em mim, que eu não deveria mudar que deveria ser eu mesma não importando as consequências, que eu era especial e única.

E eu ouvi, não mudei em nada, sou eu, e isso me custou muita coisa, a minha recusa em mudar, a minha persistência em ouvir as últimas palavras de minha mãe, deixa todos de minha família muito, muito irritados.

Papai já me disse que ouvir os mortos é coisa de imprestáveis, de inúteis, disse que minha mãe estava errada que eu não era única ou especial, ele disse que eu só era mais um ser existindo sem propósito, que eu era desnecessária.

Até hoje eu me lembro desse dia, eu tinha sete anos na época, era meu aniversário, e não importa o quanto eu tente, eu acabo sempre chorando ao lembrar isso, por que por mais que eu diga para mim mesma que é mentira, no fundo sei que é verdade, e por mais que doa, por mais que eu chore isso não vai mudar, eu não tenho esperança que isso aconteça.

É triste e deprimente, mas eu sei que em algum lugar alguém sofre mais que eu, e isso me da conforto, me da um motivo para continuar o dia, apesar de ser extremamente errado.

Eu não tenho esperança em me salvar, mas eu acredito que alguém possa, essa é minha esperança, é achar alguém que diga que sou importante que sou especial, alguém que precisasse de mim, eu só quero alguém para mim.

Eu imploro, eu suplico, por favor.

Eu não quero mais ficar sozinha.

Notas finais
Obragada por lerem.
Comentários tavez.
Beijos