Notas iniciais
OI! Não furei dessa vez e estou beeeeeeem feliz ♥♥♥ Então, ainda não respondi alguns comentários porque tô um pouquinho sem tempo, mas qualquer hora eu respondo todos vocês, amores ♥ Juro de dedinho ♥ Preparados para o último capítulo da trama, marinheiros?

Acordar ao lado de Sali tinha sido a melhor experiência de toda a minha vida. Não era a primeira vez que aquilo acontecia, mas tinha sido definitivamente a melhor. Abrir os olhos e me deparar com sua expressão serena e delicada era uma dádiva imensa.

Suspirei e acariciei seu rosto com a ponta dos dedos, tomando cuidado para não acordá-la. Ela estava mais linda que o normal com o cabelo solto caindo em ondas sobre seu rosto. Parecia isenta de preocupações e medos.

Não parecia ser o nosso último dia juntos.

Último dia. O peso daquelas palavras fizeram uma onda de preocupação agitar o começo agradável daquele dia.

Acordar juntos, tomar café juntos. Por que os casais não aproveitavam por mais tempo aquela dádiva?

Fechei os olhos e beijei a sua testa, sentindo na minha boca a textura macia e a temperatura morna de sua pele clara. Pele clara; tão clara que refletia a luz do sol e iluminava minha simples vida. Tão clara que seu brilho me fazia ferver e queimar.

Ela respirou fundo e piscou demoradamente, sorrindo sem mostrar os dentes ao se deparar comigo. Com delicadeza, acariciou o meu rosto como se quisesse ter certeza de que realmente era real. De que tudo era real.

— Bom dia — disse com a voz rouca e preguiçosa.

— Bom dia — sorri e beijei a sua testa mais uma vez.

— Hummm — ela suspirou e enterrou a cabeça no meu ombro. — Que horas são, Guto?

— Nove e meia.

— Ai, droga — ela exclamou, sentando-se rapidamente. Parecia meio tonta pelo movimento bruto e inesperado. — Eu preciso ir.

— Já?! — lamentei.

Ela se virou e me olhou suavemente. Um sorriso genuíno se espalhou em sua face.

— Não é um adeus — sussurrou, se inclinando sobre mim novamente. — Pode ter certeza, Guto, eu não vou deixar você escapar.

— É uma boa coisa que eu concorde com essa situação — então enlacei em sua cintura e juntei as nossas bocas, sem me importar com hálito matinal. — Nunca pensei que fosse fazer isso depois de acordar.

— É o amor que faz essas coisas com a gente — ela riu e juntou os nossos lábios novamente. — Você me leva em casa, Guto?

— É claro.

Ela assentiu e pegou as suas roupas, seguindo para o banheiro. Quando fiquei sozinho em meu quarto me pus a pensar sobre a ironia da situação; já parecíamos amantes de filmes quando esses acordam atrasados para o trabalho e se arrumam rapidamente. Diversos filmes começavam daquela maneira, inclusive o clássico Psicose. De alguma forma, parecia que tínhamos caído nos clichês de todas as formas possíveis.

E quem diria que o clichê poderia ser uma ótima maneira de se viver?

Levantei-me, sem mais procrastinação, e coloquei a mesma roupa do dia anterior. Logo Sali apareceu vestida com o short que ela tinha usado no dia anterior e a minha camiseta. Seu cabelo estava preso em um coque no alto da cabeça.

— Acho que acabei nem falando isso ontem — comecei, puxando-a pela cintura. — Mas você ficou linda com a minha camiseta.

Ela sorriu.

— Eu também gostei de me olhar no espelho usando a sua camiseta… que tem o seu cheiro. Que tem um pouquinho de você — ela fez carinho no meu rosto com seus polegares. — Pronto?

Não. Eu nunca estaria pronto para aquela despedida.

Mas ela não poderia ser evitada.

— Eu só preciso escovar os dentes — sorri fraquinho e corri para o banheiro.

Escovei os dentes e me apoiei na pia, deixando que as lágrimas escorressem. Para que Sali não sofresse tanto, teria que parecer forte. E para parecer forte, eu teria que chorar antes de tudo virar de ponta cabeça. Tentei não soluçar; deixei que lágrimas cálidas escorressem por meu rosto, assim esperando esvair o sofrimento.

Não foi possível. Não pude saber se aguentaria.

Forcei um sorriso quando saí do banheiro e a levei pela mão até a cozinha. Meus pais se despediram dela com abraços fortes e Rafa chorou copiosamente ao saber de sua partida. Ela prometeu que voltaria com muitas histórias legais para contar e que ainda brincaria muito com Rafa. Não é um adeus, ela repetiu várias vezes. Mas eu desconfiei que ela mesma estivesse tentando se convencer daquilo.

Poderíamos ir de bicicleta, mas eu queria estender aquele momento pela maior quantidade de tempo possível. Andamos devagar e não conversamos muito; estávamos com medo de não conseguir suportar. Sali segurava forte em minha mão enquanto andávamos.

Paramos em frente a sua casa e seguramos nas mãos um do outro, olhando-nos no fundo dos olhos. Tudo o que não conseguíamos dizer foi traduzido em um olhar. Seus olhos me diziam que ela me amava e que sentia muito por tudo. Esperei que os meus traduzissem perfeitamente os meus sentimentos, que eram os mesmos.

No entanto, logo sua mãe e seu pai apareceram de mãos dadas, interrompendo o momento íntimo.

— Desculpa interromper, pombinhos — o pai de Sali brincou. — Mas já está na hora de irmos.

Sali assentiu e se virou para mim, me abraçando bem forte. Foi um abraço sufocante, mas do tipo que vicia. Do tipo que poderia durar para sempre sem cansar. Apertei sua cintura e enterrei meu rosto na curva de seu pescoço, não conseguindo controlar as lágrimas. Deixei que elas escorressem e encontrassem sua pele clara, confundindo-se a ela.

— Eu te amo — ela disse no meu ouvido.

— Eu te amo tanto, Sabrina.

Ela assentiu e pegou meu rosto entre suas mãos, olhando-me com os olhos lacrimosos e inchados. Parecia estar em um conflito interno sobre o que fazer em seguida; mas ele foi resolvido quando ela puxou meu rosto contra o seu em um movimento rápido e esmagou meus lábios com desespero. Não se importou com os pais que assistiam tudo; era a nossa despedida e tínhamos o nosso direito.

— Eu não sei mais o que dizer — ela sussurrou com o rosto ainda colado ao meu.

— Então não diga nada — sussurrei, beijando-a intensamente mais uma vez. Senti seus dedos acariciando meus cabelos. — Não diga adeus — sussurrei quando ela separou nossos lábios e ameaçou separar nossos corpos.

— Eu já disse, Gustavo, não é um adeus — sussurrou, finalmente separando totalmente nossos corpos. — Eu te prometo que não é um adeus.

Ela então se virou e começou a andar em direção ao carro onde seus pais a esperavam, no entanto mudou de ideia no meio do caminho e voltou correndo para mim. Pensei que ela fosse me abraçar ou me beijar novamente, mas ela somente segurou em minha mão de maneira rápida e voltou para o carro sem mais explicações. Parecia lutar contra alguma coisa ao andar com os passos firmes e as mãos cerradas em punhos.

Em minha mão, ela deixou um bilhete. Com as mãos trêmulas, abri-o: “Descomplique-se de mim, Guto. Quando eu escrevi aquele texto, não sabia o real significado de se descomplicar, mas você me ensinou ele: descomplicar é viver. É enfrentar o desconhecido. É viver um romance de forma intensa sem esperar pelo seu fim, mas, se o fim chegar, é não sentir medo disso porque sabe que você fez valer à pena. Eu não sei se vou voltar, Guto; então te peço que não lute por mim, lute por você. Eu sempre vou te amar e sei que você sempre vai me amar, mas se descomplique de mim, por favor. Faça aquilo que você me ensinou a fazer: viva.”

Mas quando eu levantei a cabeça para dizer que eu nunca me descomplicaria dela, o carro em que ela estava tinha acabado de virar na esquina.

Sali já tinha partido.

E eu não poderia fazer nada além de chorar.

Notas finais
Ficou curtinho, mas bem triste ;-; Me digam o que acharam ♥ E semana que vem... é a nossa despedida ;-; Vou sentir taaaaanta falta de vocês. Como assim ;-; Até semana que vem ♥