Notas iniciais
ÚLTIMO CAPÍTULO! Ai, nem sei o que dizer aqui ;-; Sorry ;-; Apenas... leiam ;-;

Às vezes, a presença de uma pessoa na sua vida é tão mágica que parece que foi um sonho. Quando Sali me deixou sem notícias, eu comecei a pensar nisso. Tudo tinha sido tão maravilhoso quando ela estava junto comigo que só poderia ter sido um sonho; um sonho cruel, porque no dia que eu acordei dele eu me senti terrivelmente mal.

Mas, é claro, eu sabia que Sali não tinha sido realmente um sonho. Afinal, eu tinha todos os seus textos e as lembranças que meus amigos e meus familiares também tinham dela. Sali tinha sido real, mas parecia um ser de outro mundo.

No começo, eu senti raiva. Ela, que eu amava tanto e que dizia me amar tanto, tinha me deixado sem nada. Sem uma única notícia (ela mudou seu número de telefone e excluiu seu Facebook); a única coisa que tinha me restado dela era um bilhete sobre descomplicar, um bilhete que quebrava todas as nossas promessas de luta, que quebrava tudo o que nós tínhamos teimado em acreditar durante um ano todo: que nós dois venceríamos juntos o último obstáculo.

Mas então, depois de longos anos, eu finalmente li o bilhete de verdade e entendi tudo o que ele queria dizer. Sali não aceitava a ideia de uma pessoa presa à outra e quis me libertar no final de tudo, quis que eu fosse livre. A vida é cheia desses momentos em que nós devemos nos descomplicar; e, com muita luta e reflexão, eu entendi que meu relacionamento com Sali também era um desses momentos.

E então eu comecei a lutar para me descomplicar. Não queria esquecê-la ou apagar tudo que tínhamos vivido, mas parei de me prender a uma esperança vã de que ela voltaria. Demorei muito para conseguir colocar todos os seus conselhos em prática — descomplicar não é fácil —, mas finalmente comecei a viver de verdade de novo.

Comecei a olhar para as pessoas, a sentir novamente. Durante anos, eu tinha permanecido em um estado de torpor em que eu era intocável; não permitia que se aproximassem de mim, não me permitia me aproximar dos outros. E então, depois que entendi que precisava me descomplicar, voltei a viver. Aos poucos, com calma, com cuidado. No entanto, eu definitivamente estava vivendo.

Foi no dia que eu recebi a notícia que Seu José tinha morrido que percebi que tinha, enfim, me descomplicado. Depois de quatro longos anos, saber que eu voltaria a um cemitério não me apavorou e não me deixou deprimido com as lembranças. Eu simplesmente fui ao cemitério, mas com a mente vazia.

E quando encontrei Sali lá no enterro, adulta e madura, a dor que senti não foi tão grande. Foi quase como um pequeno incômodo em meu peito. Sem medo de meus sentimentos, me aproximei dela e parei ao seu lado.

— Você cortou o seu cabelo — comentei e sorri. — Eu gostei.

Ela suspirou quando ouviu minha voz e se virou para mim.

— Foi uma parte do processo de me descomplicar — ela respondeu e sorriu sem mostrar os dentes. — Você também está diferente.

— Pra melhor ou pior?

Ela entortou a cabeça.

— Essa é uma pergunta que merece reflexão. Pode ser melhor em alguns aspectos, pior em outros...

Afinal, as coisas não tinham mudado tanto. Ela ainda falava coisas sem sentido, ainda refletia por coisas bobas e ainda era linda.

— É triste a morte dele, não é? — ela comentou depois de um tempo em que ficamos em silêncio.

— Pelo menos ele vai encher o cemitério de vida — refleti.

— Com certeza vai — ela concordou e, depois de hesitar por um momento, me olhou. — Você não quer tomar um café comigo? Esse cemitério me fez lembrar que você ainda me deve uma história.

— A história que você não quis que eu te contasse para que nós tivéssemos mais um motivo pra sair de novo?

— Isso — ela sorriu.

— Essa é a hora de sair de novo?

— Sim.

Eu estava a pé, então fui de carro com ela. Foi uma situação diferente, algo que nunca tínhamos vivido antes. No começo, estranhei muito toda a situação, mas depois entendi que era importante perceber o quanto nós não éramos mais os mesmos. Quatro anos haviam se passado e isso é muito tempo para questões internas e externas.

— Como está sua família? — ela perguntou no meio do caminho.

Sali já não usava mais sua trança típica; seu cabelo estava da altura de seu ombro e estava meio rebelde, como se ela não o tivesse penteado. Parecia quase como um símbolo de liberdade; antes, usar trança era para ela quase como um símbolo de que tudo tinha que estar certo e organizado o tempo todo, mas naquele momento ela estava livre para deixar seu cabelo solto e tomando seu rumo próprio. Ela tinha um brilho diferente nos olhos também — mais confiante, mais brilhante. Sali parecia quase uma outra pessoa, exceto por sua voz e seu jeito de falar que permaneceram intactos.

— Eles estão bem — comentei. — O Rafa está em uma nova fase agora que chegou aos onze anos, ele está descobrindo coisas novas e tentando “largar” da infância, mas continua uma graça. Meus pais continuam juntos e ainda parecem apaixonados, apesar de tudo.

Ela sorriu.

— Eu sabia que eles iam continuar juntos. Tinha certeza disso.

— Às vezes acontece de dar certo — concordei e olhei para fora.

Lembrei de todas as nossas promessas e de como éramos apaixonados anos antes. Entre nós dois, seria possível acontecer? Se nós voltássemos a namorar, como seria?

— O que você está fazendo aqui em Irati? — perguntei.

— Eu vim para o velório de Seu José — ela respondeu. — Mas estava pensando em voltar a morar aqui. Eu sinto saudade.

Não pensei em quais poderiam ser as consequências se Sali voltasse a morar na mesma cidade que eu e notei esse detalhe como uma evolução. Eu realmente tinha seguido seu conselho e me descomplicado — mas ela teria seguido esse mesmo conselho? Estaria ela pensando em tudo como eu estava, de uma perspectiva distante? Ou ela tinha voltado para tentar mais uma vez?

Quando chegamos no estabelecimento, cada um de nós pediu um pedaço de torta e uma xícara de café. Conversamos sobre banalidades por um tempo, até que chegamos ao assunto que pairava silencioso e pesado entre nós.

— Guto... — Sali chamou minha atenção. Olhei-a. — Você seguiu meu conselho? Você se descomplicou?

Não consegui desvendar sua expressão séria.

— Sim, Sali, eu segui — murmurei e desviei meu olhar. — Eu demorei, é claro, mas então eu comecei a realmente tentar e a lutar por isso. Isso foi quando eu perdi todas as minhas esperanças em te rever — olhei-a finalmente e percebi que meus olhos tinham se enchido de lágrimas. — E, sabe, depois de muito tempo eu consegui. Eu olhei para tudo que nós vivemos e resolvi deixar pra trás e seguir apenas o seu último conselho: seguir em frente, viver.

Ela assentiu e tomou um gole de café, tentando digerir as minhas palavras. Depois de um pequeno momento de silêncio, ela sorriu. E não era um sorriso forçado, não tinha nenhum traço de mentira: era um sorriso real.

— Foi bom, não foi? O que nós vivemos.

— Foi muito bom — concordei sorrindo também. — As minhas melhores lembranças estão guardadas naquele ano.

— As minhas também — ela esticou a mão por cima da mesa e segurou na minha, apertando-a levemente. — Guto, você realmente me ensinou a arriscar, a descomplicar, a fazer o que eu quero — ela hesitou. — Eu nunca fiz Direito, como minha mãe desejava que eu fizesse; eu fiz Letras, que era o que eu queria fazer. Nesses últimos anos eu cresci tanto e foi por você, porque você me ajudou naquele ano que nós ficamos juntos. E eu queria te agradecer.

Suspirei e beijei a sua mão.

— Você também me ajudou muito. Se não fosse aquele primeiro texto, tudo poderia ter sido tão diferente. Mas, mesmo com as partes ruins, eu não queria que fosse diferente. Eu também queria te agradecer.

Ela alargou ainda mais o seu sorriso e se levantou para que nós dois nos abraçássemos. E então nós nos abraçamos — e foi delicado e sereno. Eu segurei em sua cintura e afundei meu rosto em seus ombros, assim como ela abraçou meu pescoço bem forte e também se apoiou em mim. Eu não sabia se aquele seria o nosso último ou o primeiro abraço de uma nova fase, mas eu não me importava. Meu coração estava leve e o dela também, eu podia sentir. Foi um abraço demorado, calmo e cheio de palavras não ditas, mas não teve nada de turbulento ou doloroso nele. Eu o considerei como o marco definitivo do dia em que eu entendi na pele o conceito de descomplicar.

Foi quando eu sorri para mim mesmo e senti tudo o que ainda restava de pesado dentro de mim ir embora finalmente. Mesmo que quatro anos tivessem se passado, que Sali não usasse mais suas tranças e que eu tivesse barba, estava tudo certo. Mudanças nem sempre são sacrifício; às vezes, elas são somente evolução.

Quando nos soltamos, Sali também sorria. E eu percebi que nós havíamos nos descomplicado juntos, naquele abraço, que simbolizou tudo o que tínhamos vivido e que ainda poderíamos viver.

— Então... agora você vai me contar a história do cemitério? — ela perguntou se sentando novamente.

Eu também me sentei.

E comecei a contar.

Notas finais
FIM ;-; Como assim acabou?! Não acredito que chegou ao fim ainda ;-; Preciso contar pra vocês que de todas as histórias que eu já escrevi na vida, essa é a minha preferida. Não só por causa do Guto e da Sali, do Lipe e da Bia, do Seu José, do Rafa ou dos pais do Guto. Não apenas por eles, pelas minhas criações que me deixaram mais orgulhosa, mas também por vocês. Principalmente por vocês! De uma ideia simples isso se tornou uma grande história graças a VOCÊS! Que vinham aqui todo capítulo comentar e davam mais vida aos personagens. Quando vocês comentavam deles eu sentia como se eles fossem reais, palpáveis. Como se eu pudesse encontrar o Guto e a Sali andando por aí de mãos dadas, sabe? E esse é um sentimento incrível de realização. Então, muito obrigada a TODOS os que leram essa história! Até mesmo aos fantasminhas que não se manifestaram. Todos vocês me fizeram chegar até aqui e eu não poderia ser mais grata. Essa história é de vocês também, meus amores ♥ Agora, quero agradecer a cada pessoa que recomendou essa história e roubou sorrisos gigantes meus ♥ Lybruma! Você foi a primeira a recomendar JPA! E ainda de quebra escreveu uma recomendação linda, mesmo falando do lado ruim de recomendações. Menina, a tua recomendação não teve lado ruim não e você me deixou uma autora MUITO feliz, ok? Você escreveu tudo de um jeito lindo, lindo ♥ Muito obrigaaaaaaada ♥ Nalu! Ah, Nalu ;-; Você consegue me matar a cada capítulo ;-; Escreve comentários lindos e ainda recomenda lindamente. E, pra completar, quando eu entro no teu perfil descubro que JPA foi a primeira história que você recomendou. E infarto, é claro, né, produção! Que honraaaaaaa ♥ Muito obrigada pelas palavras lindas que você dedicou à minha história. Mesmo! ♥ MaryWalker! A sua recomendação é ♥♥♥ Além de se identificar com os meus personagens, disse que poderia se apaixonar por mim na vida real se seguisse a lógica de que se apaixonou pelo Guto e pela Sali. Eu achei isso inesperado, engraçado e muito legal! Obrigaaaaaada ♥ E, é claro, teve a Ys Wanderer! Além de ser uma super amiga que me ajudou com cada passo dessa história, é uma leitora assídua e escreveu uma recomendação linda. Muitíssimo obrigada, Ys, você sabe o quanto é importante para mim ♥ Nem sei em que pé as minhas histórias estariam agora se você não tivesse surgido na minha vida e me feito terminar tudo o que eu tinha começado. Obrigada, mesmo ♥ Eu tenho que agradecer também, é claro, a todas as pessoas que comentaram essa história e me impulsionaram a continuar escrevendo. Coloquei os nomes por ordem de comentários e não repeti nenhum (se eu tiver esquecido de algum também, please, me deem um puxão de orelha xD): Kathleen, Nalu, Ys Wanderer, Lybruma, Alyssa Sullivan, magah, Cereja, joaovictrr, Tamires Souv, Fairy, Maniper, JulyBOP, Lhea, Perseus, BELA WINCHESTER, Narciso, Sensação, Brabi, MaryWalker, Zero Roll, larissa patricia, MRS Carriyh, oram, Gaby Brooks, Anna C, Senhorita Bela, Mim Spanic e Queen of Sloth. Quero agradecer a todos os que favoritam: Senhorita Bela, Just Grey, Gaby Brooks, Ys Wanderer, BrennerPrates, Noangels, Lybruma, Sensação, Nalu. Aos que acompanharam (só vou escrever os nomes que aparecem): Maniper, Jucy Lynch, Mim Spanic, Nalu, Senhorita Bela, Gabi Angel, Lhea, Tamires Souv, gislaine, Andrômeda, Eli DivaEscritora, Nutella, Manu, Julia, Lybruma, Teddie, Manu, JulyBOP, Ys Wanderer, beatriz. Mais uma vez, preciso agradecer. Eu amo muito todos vocês, é sério ♥ Escrever é muito importante para mim e vocês fazem isso se tornar uma experiência incrível. Nem um milhão de “obrigadas” traduziriam o meu sentimento de gratidão, meus amores ♥ E agora… eu quero saber o que vocês acharam do último capítulo se tiverem sobrevivido a essas notas finais gigantes HIUDHDISUAD Me digam, please ♥ P.S.: Se você comentar ou recomendar depois que eu postar o último capítulo, sinta-se tão amado e agradecido quanto todos os outros que eu citei aqui. Eu já amo você antes de te conhecer ♥ E é aqui que eu me despeço. Tchauzinho, meus amores! See you in another life, brother ♥ Então, eu tenho algumas coisinhas a acrescentar depois de meses que postei isso :v Primeiramente, quero agradecer a mais uma recomendação que recebi depois que marquei a história como finalizada. Mim Spanic, muitíssimo obrigada por me fazer uma autora ainda mais feliz do que já sou! Você já deve saber que eu te amo, né? ♥♥ E, bom, não sei se vocês lembram, mas eu tinha prometido que ia escrever uma one sobre como foi quando o Lipe e a Bia ficaram juntos. Mas eu terminei de escrever a história e nada de ter escrito a one. O caso é que eu a escrevi poucos dias atrás tentando sentir a história novamente (e, devo dizer, eu consegui matar a saudade sim ♥). Está aí o link: https://fanfiction.com.br/historia/668349/O_cavalheiro_e_a_donzela/ E, como sempre, espero que vocês gostem, meus amores! Beijinhos ♥ Editado em: 08/01/2016
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!