Juntos Enquanto Pudermos
2 Primeira impressão
Notas iniciais
–Ei, você ai! Abaixe a arma. – disse ele calmo se aproximando do portão com a sua arma em o punho.
Eu não me movi, continuei onde estava.
–Eu disse para abaixar a arma. — ele repetiu e sua tornou-se autoritária. Ele se aproximou um pouco mais até ficar colado com a grade e então pude ver seus olhos azuis e seu queixo pontudo sob a barba rala. — olha, eu vou abaixar a minha e você a sua, O.K?
Eu recuei um passo e falei alto suficiente para que ele me ouvisse:
–Eu não abaixarei minha arma. Vocês estão seguros aí e eu estou desprotegida no meio deles.
Ele parou o movimento de abaixar a arma como se pensasse, olhou para os outros e disse sem me encarar:
–Abra o portão.
Eu sorri feliz, realmente não esperava por aquilo, porem minha felicidade morreu naquele momento quando o homem que estava próximo ao carro se aproximou do primeiro e disse de maneira depreciativa para que eu ouvisse.
–Rick. -disse ele se aproximando de meu suposto salvador. Eu reparei que ele segurava algo parecido com um pedaço de madeira, então estreitei os olhos e percebi que era uma besta: uma arma exótica para estar nas mãos de um homem que não estava usando uma armadura. – Não devemos deixa-la entrar, ainda está armada.
–Mais eu não sou uma ameaça! – eu disse em minha defesa.
Ele apontou a besta para mim.
–Fica fria aí! Eu não tô falando com você magrela.
Eu arregalei os olhos, indignada, mais não precisei responder, pois o tal Rick interveio. Os dois começaram a discutir entre si e eu fiquei, assim como o restante, parada e esperando, até que chegou a meus ouvidos um dos sons mais aterrorizantes que já ouvi. Virei-me e vi, pelo menos, meia dúzia deles avançando em minha direção. Levantei minha arma e sem pensar duas vezes atirei nos que estavam mais próximos. Então, foi aí que percebi meu erro. Os que estavam mais atrás, ainda saindo da mata começaram a correr em minha direção ao ouvirem o barulho dos disparos. Atirei novamente, porem a cada um que eu derrubava mais três apareciam no lugar. Atirei uma ultima vez antes de trocar o cartucho.
Ouvi disparos em minha direção, mais nenhum dos projéteis me atingiu. Olhei para trás por uma fração de segundo e vi que as pessoas lá dentro estavam mirando contra as coisas e não em mim. Rick gritou novamente:
–Abram o portão!
Então de relance, vi um rapaz oriental correr para o portão e abri-lo com violência. Eu comecei a recuar em direção ao portão aberto mais sem parar de atirar. Muitas vozes gritavam ao mesmo tempo:
–Vamos, entre logo!
Então ouvi alguém gritar mais alto que o restante:
–Mais que merda!!!
Senti meu braço ser agarrado fortemente e me assustei. Quando me virei, vi que era o mesmo homem que até então se opunha a minha entrada ao abrigo.
Ele me arrastou para dentro dos portões sem cerimonia, eu não ofereci resistência apenas deixei ele me levar. No momento e que entramos ele gritou:
–Fecha logo a droga desse portão! -O rapaz oriental atendeu ao seu nada sutil pedido.
Fui jogada no chão e minha arma foi arrancada de minha mão com violência. Eu ainda me recuperava do choque quando percebi que o sujeito agressivo que me atirou no chão de qualquer jeito agora ajudava o oriental Gleen, a fechar os portões com as correntes. Então os tiros sessaram. Muitos andantes esmurravam as grades de ferro. Mais já não eram mais uma ameaça.
Comecei a massagear meu braço e percebi que agora todos olhavam para mim. Não sabia o que dizer então um simples “obrigado” saiu quase como um sussurro de minha boca suja de barro do chão ao qual eu ainda estava sentada.
Alguns deles acenaram e duas mulheres me sorriram simpaticamente. Rick guardou a arma em seu coldre e me estendeu a mão. Ao pega-la, senti-a quente e simplesmente... Viva.
–Você está ferida? Foi mordida?
–Não, não. Eu tô bem, só com um pouco de fome e cansaço nas pernas.
Rick ainda me olhou longamente, como seu eu fosse me transformar a qualquer instante. –Carl, traga um pouco daqueles feijões enlatados. –disse ele.
–Não é necessário. –eu disse puxando minha bolsa das costas e lhe empurrando para que ele a pegasse. –Tem suprimentos aí, acho que dá para umas duas semanas.
Ele pegou a bolsa sem dizer nada e abriu-a, acho que ficou satisfeito com o que viu. Afinal eu tinha saqueado uma fábrica de alimentos onde ainda tinha mantimentos que tinham vencidos há pouco tempo, talvez um mês. O garoto chamado Carl pegou a mochila e levou-a para dentro, reparei que ele também tinha uma arma e lembrei-me que eu estava sem a minha. Com um olhar gélido estendi a mão para o grandalhão que me trouxe para dentro.
–Devolva minha arma. –eu pedi segurando meu nervosismo para com ele e exclusivamente com ele. –por favor.
Ele puxou minha arma do cinto e analisou-a. sorriu debochado para mim.
–Não. –foi apenas o que disse.
–Não? -Eu perguntei confusa.
–É, magricela. Você não pensou que agente ia deixar uma desconhecida passeando por ai com uma arma na mão, né?
Eu olhei para meu salvador em busca de algum sinal de discordância, mais me decepcionei.
–Daryl tem razão, não se ofenda, mais não conhecemos você e são tempos perigosos. Quem sabe quando você se mostrar mais confiável...
–Nós lhe devolvemos seu brinquedinho. -resmungou Daryl.
Eu não aguentei ver aquela provocação, eu sabia que estava pisando em cacos de vidro e qualquer coisa eu dissesse não seria bem vinda, mais eu não aguentaria ficar calada.
–Brinquedinho... Não sou eu que anda com um pedaço de madeira que devia esta no museu!
As mulheres, Carl e Gleen deram risada. Rick ficou rígido e Daryl, bem, ele não gostou muito do que eu disse.
Caminhando em minha direção apontou a besta em minha testa e disse praticamente gritando:
–Retira o que disse! Agora!
–Devolva minha arma então. – disse erguendo uma sobrancelha, ele me encarou nos olhos e era como seus os azuis estivesse vendo minha alma, e naquele momento me senti despida.
Ele sorriu pelo canto da boca e se retirou calado para dentro de uma porta. Ao se aproximar da entrada colocou a arma em suas costas. Confesso que aquele sorriso macabro me deu tanto medo que quase não prestei atenção no que Rick me dizia.
–Hanh? – eu disse bobamente.
–Ele gostou de você. – disse ele cheio de mistério se afastando. Olhando para trás ele acrescentou. –Magge lhe mostrará onde fica o banheiro, caso queria tomar um banho, só tem agua fria. — e entrou pela mesma porta que Daryl.
Uma moça com cabelos curtos até ombros com grandes globos azuis se aproximou de mim e sorriu. Simpatizei-me com ela de imediato.
–Venha. –disse ela me levando para conhecer o lugar. Mostrou-me os dormitórios, o local onde guardavam os suprimentos, o banheiro e me falou sobre as regras que eles haviam criado para mantere-los seguros nas imediações. Então entendi o motivo de Daryl ter desconfiado tanto assim de mim. Mais isso não redimiu pela forma com que me tratou.
Acho que Maggie percebeu, pois ela parou de andar e olhou para mim. Eu apenas a encarei.
–Você se acostuma com o tempo.
Eu não entendi aonde ela queria chegar então questionei.
–O Daryl. –ela disse simplesmente, como se fosse a coisa mais obvia do mundo e eu uma tola por não ter entendido. Olhei para ela espantada. -É a maneira de ele mostrar que é durão, mais na verdade tem o coração mole.
–Eu duvido- disse baixinho, mais Maggie ouviu e ficou seria.
–Não diga isso. Por muitas vezes ele salvou nossas vidas, a Carol que o diga.
Então conversamos sobre varias coisas, ela falou mais sobre ele sobre os outros também. Então começou a anoitecer e eu não aguentava mais ficar sem tomar banho.
–O Rick disse a pouco que tinha chuveiros, pode-me mostra onde fica?
–Claro. -ela me conduziu para uma das partes mais profundas e internas da prisão. Ela me deu uma toalha e uma camiseta comprida. – quando tomar o banho me dê suas roupas que amanhã cedo eu as lavo.
Eu concordei meio sem saber o que dizer, estava entorpecida e cansada. Então me encaminhei para o banheiro e antes que atingisse o fim do corredor, ouvi o som inconfundível de água caindo e soube que havia alguém usando o chuveiro e para meu azar eu tinha quase certeza de quem era.
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