Juntos Enquanto Pudermos
22 O Sítio
Notas iniciais
Cheguei ao portão. O frio ainda era muito intenso, mais eu sobreviveria, eu já passei por isso antes. Dei uma ultima olhada no pavilhão e na horta. Eu sentiria falta de todos eles, principalmente de Daryl. Abri o portão e saí.
Cheque mate.
Era o fim do jogo para mim.
Não havia muitos zumbies andando pelo campo naquele memento, então corri o mais rápido que minhas pernas aguentaram. Há um metro da entrada da floresta, fui barrada por um andante; saquei minha faca e o matei.
Eu finalmente chegara à floresta e o melhor sem ser percebida pelos moradores da prisão. Eu estava a pé então, minha viajem para qualquer lugar seria longa e cansativa. Após uma hora de caminhada pela mata eu finalmente decidi parar para descansar.
Subi em uma árvore que julguei ser alta e lá eu esperei. Esperei minha raiva passar se não eu não iria aguentar continuar a caminhar.
“Sua mentirosa! Falsa. Não conhece? Então o que é isso aqui na minha mão?” suas palavras amargas não saíam de meus pensamentos e de minha mente. “Chega! É o suficiente, não quero ouvir mais nenhuma mentira de sua boca.”
O que estava acontecendo comigo será que nasci fadada para ter um destino cruel e sofrido. Já não bastava eu ter perdido minha família, amigos e agora Daryl... O que será que eu havia feito de errado nesta vida para ser tão severamente punida?
Então senti lagrimas quentes escorrerem por minha face gélida. Puxei a gola da blusa para mais próximo do pescoço e coloquei a toca. Olhei para o céu que ainda continuava nublado, eu torcia para não chover.
Precisava achar um abrigo o mais rápido possível, apesar de ter sobrevivido em meio a mata eu sempre odiei dormir a céu aberto ainda mais em dia de frio e chuva. Desci da arvore em silencio e comecei a caminhar para aquecer os músculos novamente.
Após mais duas horas de caminhada, me peguei pensando na primeira vez em que Daryl e eu ficamos sozinhos e o que acabamos fazendo depois.
“Foi apenas por uma noite” dissera ele e depois “Eu quero muito ficar com você”. Carol tinha razão, eu não aguentaria a bipolaridade de Daryl. Certamente era um dom que eu não possuía e que talvez nunca aprendesse.
Eu já decidira onde passaria a noite. No sitio.
Peguei uma bússola em minha mochila e localizei o norte. Eu estaria lá em quarenta minutos. Bebi um gole de agua da garrafa que eu carregava rente ao corpo e voltei a caminhar.
Decidi sair da floresta e seguir pela estrada. Parei varias vezes pelo caminho, pois a cada carro que eu encontrava eu revistava e levava tudo que fosse valoroso para mim. Munição, facas e gasolina.
A estrada entendia-se por cinco quilômetros em frente e depois dobrava para a direita para seguir mais dois.
A paisagem mudou de cenário. As pistas de asfalto tornaram-se estradas de barro e mato e as construções tornaram-se casas humildes de madeira. Então cheguei a meu objetivo.
O sitio se destacou a minha frente. As grades pelas quais eu e Daryl passamos da ultima vez estavam do outro lado, pois eu dera a volta pelo outro lado.
Entrei no sitio no momento em que a chuva desabou ao sopé. Eu cheguei a me molhar um pouco mais nada com que me preocupar. Cheguei a soleira e tranquei a porta colocando uma cadeira encostada sob a maçaneta e um copo de vidro que encontrei na cozinha e coloquei sobre a cabeceira da cadeira. E alguém entrasse eu saberia.
Subi pela escada e me encaminhei direto para o banheiro. Tomei um banho frio e me encaminhei para o quarto. Na porta eu fitei a cama onde eu e Daryl havíamos feito amor pela primeira vez.
Fechei os olhos e me lembrei de nosso momento único. Deitei-me na cama e me cobri com os cobertores que usamos da outra vez. Tudo estava do mesmo jeito. E dormi.
E assim permaneci na casa por cinco dias, me alimentando com as verduras da horta e matando um zumbi ou outro quando passavam pelas grades. Porem não tinha intenção de ficar ali por muito tempo, em breve eu partiria novamente.
Então chegou a noite do sexto dia e eu me encaminhei para o quarto como fiz todos os dias e me deitei na cama puxando um travesseiro num abraço.
Confesso que depois de dormir com Daryl, dormir sozinha foi muito ruim. Quando o dia começou a apresentar os seus primeiros sinais, abracei-me ao travesseiro tentando compensar o espaço vazio ao meu lado. Seu calor, seu peito, seu perfume másculo. Todos os ingredientes de sua personalidade convergiam para minha excitação e minha loucura. Eu tinha certeza que enlouqueceria sem sua presença. Mais antes enlouquecer do que morrer em desgraça estando ao seu lado apenas por pertencemos ao mesmo grupo. Enquanto o via ceder às caricias de Carol.
–Eu queria que estivesse aqui, Daryl. Comigo esta noite. –eu disse para mim mesma abraçando o travesseiro mais ainda.
–E eu estou, Marry. — eu ouvi. Devia ser apenas um sonho, sua voz em minha cabeça. Era como se ele estivesse ali perto de mim.
–Devo estar maluca. –eu disse jogando o travesso no chão.
–Marry, você não está. Eu estou aqui e vim te buscar. –ouvi a voz de Daryl novamente.
Sentei-me na cama devagar e olhei para a porta do quarto. Um vulto bem agasalhado e coberto pelo ponche entrou no quarto ainda segurando uma besta.
Meus olhos deviam estar enfeitiçados, pois quando o homem se aproximou ate o alcance da vela acesa seu rosto se destacou das sombras e passou a brilhar amarelado pela luz. Eu estava vendo Daryl Dixon na minha frente.
Levantei-me de um salto e joguei a coberta para o lado. Saquei minha automática que estava sobre o criado e mirei nele.
–O que faz aqui e como conseguiu entrar? –eu perguntei ríspida e seria. Meu susto era maior que minha alegria.
Ele elevou as mãos e pousou a besta sobre a cômoda lentamente.
–Calma, Marry. Sou eu, o Daryl. –ele disse.
–Não! Você não é o Daryl. Ele ficou na prisão com a Carol. Você é só uma ilusão causada pelo meu cérebro. Vá embora e me deixe sozinha!
Ele deu mais um passo e apontou para o próprio peito.
–O que está havendo, Marry? Eu já disse que sou eu.
Eu recuei ante sua aproximação. Mais não abaixei a arma. Daryl, ou apenas um fruto de minha imaginação, se aproximou de mim e não havia mais lugar para que eu pudesse recuar. Eu apesar de estar armada, sentia-me indefesa. Ele tomou a arma de minha mão com delicadeza e cuidado e eu apenas deixei.
Jogando minha arma na cama ele se voltou para mim, e suas mãos seguraram meu rosto deixando-o imóvel. Eu não pude me mexer então apenas encarei seus olhos azuis em silencio. Ele por outro lado os mantinha inquietos, percorriam todo o meu rosto enquanto me analisava.
–Você está bem? –me perguntou.
Eu não respondi. Ainda ponderava se de fato era ele mesmo ou minha imaginação pregando-me peças.
Sem esperar por uma resposta ele soltou minha cabeça e desceu suas mãos até minhas costas e me puxou contra seu peito em um forte abraço. Meu rosto foi coberto por seu peito e senti-me sufocar tamanha sua força.
–Graças a Deus te achei. –disse ele com a voz abafada.
Meus braços que estavam pendidos se elevaram e empurraram o peito de Daryl para longe. Sim, era ele. Não era imaginação.
–O que faz aqui? Cansou-se daquela seca e louca da Carol? Os outros te obrigaram a me buscar ou então veio ver se os andantes tinham dado cabo de mim?
Daryl suspirou e seu rosto estava sobrecarregado de preocupação.
–Eu sinto muito. A Michonne me contou a historia e eu... bem....
–Ah você se arrependeu não é? Pena que é tarde demais! Eu estou farta do jeito como você me trata! Estou farta de ter que dividir sua atenção com a Carol! Farta de ter de aturar seus insultos depois que nos... Depois que a gente... –eu tentava encontrar palavras que fossem duras o bastante mais em minha raiva não me ocorreu nada melhor para dizer.
–Marry você está certa em tudo que disse mais eu quero me redimir e...
–Me esqueça! Vá embora para aquela materialista que se diz expecte em Daryl- Bipolar-Dixon! Estou farta de sua mudança de humor e de suas acusações.
Daryl me encarou serio agora e não me respondeu. Seus olhos varreram o quarto até que pousaram em minha mochila encostada no chão. Ele a pegou e começou a jogar minhas coisas dentro dela, inclusive minha automática.
–O que pensa que está fazendo?! –eu perguntei ainda brava mais sem entender.
Ele fechou o zíper e depositou minha mochila na cama.
–Você vem comigo. –disse ele. Indiferente a minha cara de espanto prosseguiu. –Arrume suas coisas, vê se não tá faltando nada e vamos logo.
Eu peguei minha mochila da cama e abracei.
–Eu não vou sair daqui com você! Só se for morta!
–Marry, eu não estou brincando. Você vem comigo, agora!
–E por que eu faria isso? –lhe perguntei irônica já tendo uma resposta para o que ele respondesse.
Ele respirou fundo e apanhou sua besta na cômoda e tomou a mochila de minha mão pondo-a nas costas.
–Você não pode ficar sozinha aqui, é perigoso e você vai voltar para a prisão comigo, querendo ou não.
–E por que a preocupação comigo agora hem? -Eu perguntei elevando minha voz um tom a cima.
Daryl que já estava à porta pronto para sair parou e virou-se pra mim. Não consegui decifrar sua expressão.
–Por que te amo, cacete!
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