Notas iniciais
Olá galera! Demorei um pouco para postar pois já estamos na reta final e os capítulos precisam ser bem elaborados. Amei todos os recadinhos sem exceção e espero receber mais :) Boa leitura.

Ele respirou fundo e apanhou sua besta na cômoda e tomou a mochila de minha mão pondo-a nas costas.

–Você não pode ficar sozinha aqui, é perigoso e você vai voltar para a prisão comigo, querendo ou não.

–E por que a preocupação comigo agora hem? Eu perguntei elevando minha voz um tom a cima.

Daryl que já estava à porta pronto para sair parou e virou-se pra mim. Não consegui decifrar sua expressão.

–Por que te amo, cacete!

Eu estaquei onde estava meus olhos se arregalaram e por vários minutos eu não disse nada. Daryl também se mantinha silencio, apenas fitava-me frustrado.

Após alguns momentos, ainda estávamos parados em silencio. Eu, encostada a janela e Daryl sob a moldura da porta.

–Então, não vai falar nada?! –ele perguntou rabugento.

Eu emergi de meus pensamentos e o encarei atordoada mais ainda estava incapacitada de falar.

–Será que o que ele me dizia era verdade? Ou apenas uma artimanha para que eu o seguisse?

–Você é louca, magrela? Bateu com a cabeça em alguma árvore? Eu estou te procurando há uma semana! Seguindo seu rastro no meio da mata e quando chego aqui, é assim que sou tratado?

Eu cruzei os braços e fiz cara de desdém.

–Você veio atrás de mim porque quis. Eu não te pedi por isso. Não tenho culpa se você se sentiu culpado.

Daryl jogou a mochila na cama e se aproximou de mim segurando-me pelos braços.

–Você não me ouviu magrela?! Será que pode pelo menos fingir que se importa?!

Eu elevei meus olhos arregalados, assustada. Mais eu precisava manter-me firme pelo menos mais uma única vez. Se Daryl me amava como dizia, ele precisava provar.

–Eu me importaria se acreditasse em suas palavras. –eu disse para a frustação dele.

Daryl percebeu a amargura em minha voz e me soltou.

–No que você não acredita? –perguntou e se tom de voz mudou completamente.

Eu recuei um pouco antes de responder. Pensei muito no que iria dizer, pois desejava aquele homem com todo o meu ser mais ao mesmo tempo eu não queria sofrer novamente por conta de seu temperamento forte e irascível.

Ele me olhou agora, aguardando uma resposta. Mais ele não ousou me pressionar. Seu olhar era de um homem ferido e receoso.

–Daryl sabe, eu... – eu tomei o cuidado de manter minha voz o mais controlado possível. –Eu estou cansada de me iludir achando que nós dois ficaremos bem e depois você virar as costas para mim como se eu fosse nada além de um andante. –eu dei uma pausa. Sabia que Daryl me ouvia atentamente. -Tenho medo de acreditar em suas doces palavras e depois, no fim das contas, me arrepender mais uma vez como todas as outras.

–Marry. Eu tento! Você sabe que eu tento! Poxa, eu nunca... nunca estive tão obcecado por alguém antes. É tudo novo para mim, não sei explicar mais eu sinto que tenho que te... Proteger.

Daryl se aproximou de mim lentamente e encostou sua testa na minha. Senti suas mãos procurarem as minhas e se entrelaçarem. Eu sorri ruborizada e Daryl me acompanhou mais envergonhado que eu.

Ficamos nos encarando sem nada dizer até que os raios do sol que entravam pela janela indicassem que já era de manhã.

–Me da uma chance? –disse Daryl enfim, em um sussurro. –Eu sei que não sou o cara perfeito dos seus sonhos e sei também que o mundo se tornou um caos desde então, mais me deixe tentar só mais uma vez. Deixa-me provar que a gente pode dar certo.

– Daryl. –eu o chamei.

–Sim.

–Você realmente me ama? –eu perguntei ainda segurando suas mãos e com meu rosto colado no seu através da têmpora.

–Claro que sim. Infelizmente só me dei conta disso quando você partiu. É como eu disse... tudo isso é novo para mim e eu tenho muito que aprender mais gostaria de aprender junto com você, do seu lado.

Meus olhos molejaram de lagrimas. Era impossível ouvi-lo, ali pertinho de mim, se declarar e eu não me emocionar? Será que eu havia sido muito dura com ele? Será que nós dois daríamos certos enfim? Bom eu não sabia, mas como o próprio Daryl disse: “a gente ia descobrir e aprender juntos”.

–Oh, Daryl. – eu disse entre soluços. –É claro que lhe dou uma chance e todas mais que você precisar. Meu lugar sempre foi ao seu lado...

Então nossas mãos se soltaram: Daryl levou uma de suas mãos a minha cintura e a outra passou por baixo de meus cabelos conduzindo meu rosto para frente. Minhas mãos envolveram seu ombro e sua nuca. Então nos beijamos.

Um beijo puro e calmo. Sem aquela loucura das outras vezes. Pois antes nos beijávamos apenas por necessidade e desejo. Mais naquele momento, a única coisa que queríamos, era sentir um ao outro. Pois precisávamos estar juntos não só por uma noite mais por todas as noites que ainda nos restavam. Embora soubéssemos que o futuro era incerto.

Então nos separamos ainda ruborizados. Daryl parecia um adolescente durão e rebelde.

Eu ia pegar minha mochila na cama, mais Daryl me impediu, pegando-a ele mesmo da cama e pondo-a em suas costas novamente. Depois a sua besta. Eu peguei minha automática e destravei-a.

Chegamos ao térreo e seguimos para a cozinha.

–Você quer comer algo? –ele me perguntou.

–Sim, mais os meus suprimentos acabaram e até eu fazer algo com o que tem na horta vai demorar...

Daryl sorriu para mim e eu não entendi. Ele pôs a minha mochila em cima da mesa e pegou uma outra ao lado da porta.

–Eu já imaginava, por isso eu trouxe comida pra você. –disse ele abrindo o zíper de sua bolsa e tirando algumas coisas enlatadas. Abriu-as com seu canivete e me serviu.

Comi em silencio enquanto ele me fitava.

–O que foi? Não vai comer também? –eu perguntei para ela já que Daryl estava sentado a minha frente sem comer.

–Não quero não. –disse ele sorrindo como se quisesse acrescentar algo a mais.

–O que foi?- perguntei novamente.

–É que eu gosto de ver você comer. –disse ele encabulado. Eu ri com vontade.

–Seu bobo. Vamos embora.

Eu me levantei e peguei a minha mochila e Daryl pegou a sua. Ao sopé da porta dos fundos avistei a moto de Daryl estacionada a uns dois metros apenas.

Ele subiu na moto e eu o segui. Daryl estendeu sua mão para mim e eu a peguei.

–Então, vamos para casa? –disse ele. Eu assenti com um sorriso.

Então a moto arrancou em direção a estrada e nós seguimos rumo a prisão. As costas musculosas de Daryl me protegiam parcialmente do vento que vinha em nossa direção.

Notas finais
Espero recadinhos de todos que lerem:)