Juntos Enquanto Pudermos
8 Dormindo Ao Seu Lado
Notas iniciais
Ele olhou para a janela novamente que já apresentava um tom anil indicando o inicio da noite.
–Sim, esta noite vai ser difícil. Vamos ter que vedar todas as janelas e arrumar bastante cobertores para passar a noite. O problema é que nesta casa morava somente um casal então só tem uma cama aqui. Então teremos que dormir juntos pelo menos por esta noite e amanhã decidiremos o que fazer.
–Dormir... juntos? – eu perguntei receosa.
–Sim. Algum problema? –ele perguntou esquivo.
–Não, não. –respondi percebendo que seria mais difícil do que imaginei cumprir o que Carol pedira.
Seguiu-se um silencio, interrompido apenas pelos ruídos dos andantes lá fora e pelas batidas da colher sobre o prato de porcelana enquanto Daryl comia. Eu o observei, encantada: como era incrível vê-lo comer com tanta vontade. Estava calmo e pacifico, como uma criança que finamente se cansara de brincar e que agora sentava-se em frente a tevê para assistir seu desenho favorito.
Minha mão moveu-se sem que eu nem me desse conta, e foi parar nos cabelos úmidos de Daryl. Eu os afaguei, empurrando para trás na tentativa de tira-los de seu belo rosto. Foi um momento magico, até que me dei conta do que estava fazendo e olhei para Daryl um pouco envergonhada.
Ele me fitava como se eu tivesse perdido o juízo. Tirei minha mão e sorri vermelha. Daryl balançou a cabeça e continuou a comer.
–Para com isso. – me disse e um sorriso, ainda que bem discreto, surgiu no canto de seus lábios. –Sabe, você é bem durona.
Eu olhei para ele.
–Por que diz isso? –lhe perguntei ainda sorrindo.
–Ah! Você sobreviveu por tanto tempo sozinha na mata e ainda deu cabo naquele sujeito da arvore.
–Olha Daryl, eu não quero mais falar sobre isso, por favor. –eu disse me levantando, então bocejei.
–Está com sono?
Eu me alonguei e senti todo meu corpo tencionar. –Sim. –respondi. –Eu vou tomar um banho também.
Caminhei para o banheiro e entrei. Tomei um banho bem demorado, a água estava quente, pois o chuveiro era a gás. Muitos dizem que aproveitamos a hora do banho para pensar. Eh, realmente eu pensei... pensei muito, principalmente em Daryl. Suas alterações de humor se já não tivesse, iram acabar comigo. Culpou-me depois pediu desculpa. Será que ele ficou com ciúmes quando lhe disse que eu havia chamado Rick para vir comigo.
“Eu chamei o Rick para vir comigo, não precisava ser você!” Eu lhe disse a pouco enquanto discutíamos e ele me respondera “Ah é? Então a partir de agora quando precisar de alguma coisa peça ao Rick!”.
Não.
Daryl não estava com ciúmes, eu devia ter só ferido o ego dele, nada mais. Mas até quando eu ia resistir a seus encantos, essa era uma pergunta que eu tinha medo de responder.
Uma batida na porta me sobressaltou.
–O que você quer? –perguntei, pois sabia que era ele na porta.
–Tá tudo bem aí? –ouvi sua voz abafada perguntar.
–Sim. –eu gritei me sobrepondo ao barulho do chuveiro. – Por quê?
Não obtive resposta; ele se fora.
Bem talvez ele sentisse algo por mim, algo que ainda não soubesse o que era mais eu tinha certeza que ele relutava em admitir.
Ao sair do banho, envolta por uma toalha branca que encontrei por lá, caminhei até o quarto e procurei algo que vestir em meio às quinquilharias do cômodo. Abri uma gaveta e quase tive um acesso de riso, na verdade eu tive por que Daryl entrou no quarto com um copo na mão e me perguntou rabugento.
–O que foi?
–Nada. –eu disse ainda rindo, ele se aproximou tamanha sua curiosidade. Eu lhe mostrei um pacote de camisinhas lacrado sobre uma pilha de revistas pornô.
Ele pegou o pacote de camisinha e analisou.
–Os caras não eram moles não viu? –disse ele referindo-se ao casal zumbie que matamos quando entramos no quarto. Eu reparei que ele pôs o pacote no bolso da calça.
–Não acredito que você fez isso? –eu disse olhando incrédula.
–Fiz o quê? – ele me devolveu sabendo exatamente do que eu falava.
–O mundo acabando e você pensando nisso?
–Qual é? Vai dizer que você também não pensa? – Daryl respondeu banalmente.
–Não, eu não. E mesmo que pensasse nisso, não há com quem fazer. –eu disse e sem querer meus olhos encontraram os seus, eu desviei imediatamente, pois tudo que eu escondia com a voz eu revelava com o olhar.
Daryl deitou na cama de barriga para cima colocando os braços embaixo da cabeça.
–Eu também não. – me confessou indiferente.
–Então?
–Ah nunca se sabe... -disse olhando para mim profundamente e pareceu-me que seu olhar estava repleto de mil significados. –Você não vai deitar?
Eu puxei a toalha para mais próximo do corpo como se ela fosse cair a qualquer instante e respondi automática. –vou me vestir primeiro. –peguei a primeira coisa que eu vi na gaveta e sai do quarto sem nem olhar para trás. Troquei-me na sala de baixo, era uma regatinha cinza e um moletom. Joguei a toalha no sofá e subi as escadas em direção ao quarto. Quando passei pela porta, Daryl que estava largado no meio da cama se afastou deixando um espaço para mim. Agradeci e me deitei ao seu lado mais tomando cuidado de não encostar-me ao corpo dele.
–Você ta com frio? – eu perguntei a ele puxando assunto.
–Sim, mais eu aguento. -e assim nós iniciamos uma conversa até que razoável. Quando percebemos que luz da lamparina estava atraindo muitos andantes, nós apagamos a luz e nos preparamos para dormir, estávamos cobertos com pelo menos, três cobertores. Noite adentro acordei com a movimentação de Daryl ao meu lado sem parar. Aquilo me deixou preocupada. Ergui-me nos cotovelos e o chamei.
–Daryl.
Ele não respondeu.
–Daryl, você está bem?
–Humm. –resmungou então percebi que estava dormindo. Coloquei a mão em seu ombro para que ele se acalmasse e me surpreendi ao sentir seu ombro desnudo estava gelado como uma pedra de um iceberg. Puxei os cobertores mais para cima, para cobrir seu pescoço e fiz aquilo que eu a muito ansiava mais que a muito temia. Mais Daryl precisava de calor, muito calor para se aquecer e aquela casa esburacada e aqueles cobertores finos não lhe dariam o que precisava, então... então o abracei.
Abracei-o com força. Ele estava de costas para mim, então passei um braço por baixo de seu pescoço e o outro por cima de seu flanco indo parar em seu peito. No mesmo instante, percebi que ele ficou um pouco mais quieto. Gradativamente nossos corpos foram adquirindo a mesma temperatura, Daryl moveu-se apenas uma vez mais. Virou-se para mim, colocando sua cabeça em meu colo*, sua mão esquerda sobre minha cintura e sua perna, também esquerda, sobre as minhas. Eu acariciei seu rosto e seus cabelos, enquanto ouvia sua respiração lenta e profunda indicando que o frio e o que houvesse perturbado seu sonho, haviam ido embora.
Fiquei acordada por mais algum tempo, atenta a qualquer sinal de que Daryl pudesse ter crises novamente, mais logo o sono e a companhia adorável me fizeram perder os sentidos e acabei adormecendo nos braços de Daryl.
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