Juntos Enquanto Pudermos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
“Sabe, nunca imaginei que acabaria assim.
Eu tinha tudo; uma família, amigos, uma casa... e olha onde eu vim parar? Qual rumo minha vida tomou?
Nunca! Em nenhum momento imaginei que minha vida acabaria assim.”.
Estou caminhando a mais de três horas sem parar e não a nada, nada além de arvores, galhos e cascalhos em meu caminho. Minhas pernas doem, sinto caibras em meus pés, meus ombros já não aguentam o fardo posto sobre eles. O sol queima minha face, sigo sem rumo, não se para onde seguir, estou desorientada. Também depois do que aconteceu quem não estaria.
Então, em meio ao farfalhar das folhas, ouvi um barulho... Um barulho. Parecia... Não! Não podia ser... Parecia um ronco de motor de carro. Mais era impossível em meio aquela mata.
Busquei toda a força dentro de mim e me pus a correr em direção ao barulho. Não calculei o risco em que me poderia encontrar ao chegar lá. Que escolha eu tinha?
Minhas pernas estavam rígidas e não queria me obedecer, então as forcei mais ainda, a caibra aumentou. Corri ao máximo que pude. Então me vi em campo aberto e a luz do sol queimou minha retina. Levei a mão direita aos olhos para protegê-los e com a outra tateei a minha cintura atrás da automática, empunhando-a.
Quando meus olhos se acostumaram à claridade, uma fortaleza de pedra e ferro destacou-se a minha frente. Havia grades, muitas delas e por toda parte, então percebi que não era para evitar que eles entrassem e sim para evitar que quem estivesse lá dentro saísse. Era uma prisão. Olhei mais a fundo e vi que havia pessoas. Isso mesmo! Pessoas vivas lá dentro. Confesso que fiquei surpresa e feliz, pois a muito não via pessoas como eu. Bem, excerto aquele traste, se é que se pode chamar de humano aquilo que tentou... Bom melhor não pensar nisso agora.
Aproximei-me ainda com arma em punho, vi várias pessoas andando lá dentro do pátio e, um deles, estava curvado sobre o capô de um carro prateado e era de lá que vinha o barulho que eu havia ouvido. Andei mais alguns metros à frente, nenhum deles me notou, talvez achassem que eu era uma deles. Eu estava tão feliz, tão radiante naquele momento que não percebi que uma das coisas se aproximou de mim. Recuei a tempo e com a mão esquerda levantada, atirei sem pensar duas vezes. Eu observei a queda em câmera lenta e não fui à única. As pessoas lá dentro se moveram simultaneamente em uma coreografia macabra. Quando dei por mim, vi que havia pelo menos meia dúzia de armas apontadas para mim, todos me olharam hostis. Senti-me confusa, não era desse jeito que eu planejei. Levantei as mãos (ainda segurando a arma) em forma de rendição. Um deles se aproximou lenta e cautelosa.
— Ei, você ai! Abaixe a arma. – disse ele calmo se aproximando do portão com a sua arma em o punho.
Fale com o autor